quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

Os dez anos sem Cássia Eller são lembrados em CDs e documentário sobre sua vida



 Mudaram as estações e nada mudou: dez anos depois, a lacuna deixada por Cássia Eller na música brasileira ainda não foi preenchida. Novas cantoras surgem aos montes no cenário, porém, desde sua precoce morte, vítima de infarto aos 39 anos, em 29 de dezembro de 2001, no auge da carreira, não apareceu nenhuma com voz tão marcante e poderosa, tamanho carisma, presença de palco e interpretações tão singulares. A década de saudade desta artista única já está sendo lembrada em diversos lançamentos, de CDs e DVDs a um documentário para o cinema.
 
Dirigido por Paulo Henrique Fontenelle e programado para o primeiro semestre de 2012, o filme, inicialmente batizado apenas de ‘Cássia’, já está sendo rodado. Esta semana, de Maceió, onde registrou a primeira vez que a banda da cantora voltou a se reunir depois de dez anos, ele contou, por telefone, que o longa vai revelar como era a cantora em sua intimidade, uma pessoa bem diferente da que ficou conhecida nos palcos.

 
“Estou entrevistando não só os amigos famosos, como Nando Reis, mas, principalmente, a equipe que trabalhava com ela nos bastidores. Me contaram que ela era supergenerosa, e tratava todo mundo como uma família. Os ‘roadies’ moravam na casa da Cássia, e ela repartia o cachê, todo mundo ganhava a mesma coisa”, descreve Fontenelle.

O diretor teve o aval de Maria Eugênia, companheira de Cássia, depois que o filho da cantora, Chicão, se declarou fã de seu primeiro filme, ‘Loki’, sobre Arnaldo Baptista. “Já estamos reunindo imagens fantásticas, caseiras, como o nascimento do Chicão e todo o crescimento dele, além de várias entrevistas que nunca foram ao ar”, adianta.
Fontenelle conta ainda que não planejava fazer outro documentário musical. “Queria fazer um filme policial, mas não dá para recusar quando se tem Cássia Eller como tema, não é?”, avalia.


PARA CURTIR CÁSSIA ELLER
No embalo dos dez anos sem Cássia, acaba de ser lançada a ‘Caixa Eller’ (R$ 150), com seus oito CDs de carreira e o DVD ‘Violões’, uma reunião de programas na TV Cultura entre 1990 e 1999. Também já está nas lojas o CD ‘As Canções Que o Nando Fez Pra Cássia Cantar’, que traz registros inéditos, como ‘Baby Love’, canção cortada do disco ‘Com Você... Meu Mundo Ficaria Completo’ (1999).

 
Além disso, deve vir por aí o DVD do projeto ‘A Luz do Solo’, registro de um show intimista no Rio, em 2001. 

 
Existe ainda um CD inédito, com o guitarrista Victor Biglione, gravado há 20 anos, no qual ela canta clássicos do rock. LSM

 
‘DEU UM FLASHBACK DE ELIS’  - POR ROBERTO DE CARVALHO *
“Estava em Nova York, andando na rua, era uma tarde de muito sol e alegria, quando um dos meus filhos ligou e me contou da morte da Cássia. Foi um tremendo choque. Ela estava no auge, em um momento espetacular. Deu um tremendo flashback de Elis. Nos conhecemos no ensaio do ‘Acústico’ da Rita Lee. Ela era timidíssima! Um passarinho com voz de supersônico.

 
A música que mais me marcou de seu repertório foi ‘O Segundo Sol’, e o momento mais marcante foi o show dela no Rock In Rio, quando mostrou os peitos, que foi uma coisa de uma força simbólica inacreditável, um glimpse de Macunaíma na era do maracatu atômico. Cássia Eller era uma menina de ouro num país de cantoras predominantemente caretas, que em geral seguem um modelo dondoca dos anos 70. A Cássia era um alento, uma coisa rock ’n’ roll, a única que poderia de alguma maneira ter dado sequência a uma tradição da qual a Rita é a sacerdotisa máxima, da artista mulher que vai do rock em direção ao pop, passando pela MPB, soando autêntica em qualquer uma dessas praias”.

* Roberto de Carvalho é guitarrista e compositor


Colaborou Guilherme Scarpa 

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Depois de CD com Paulo Ricardo, Toquinho grava com Ivete Sangalo e Zeca Pagodinho

Aos 65 anos, Toquinho está cada vez mais surpreendente. Não exatamente por novas belas melodias, harmonias e canções ou pelo talento ao violão. Conhecido, principalmente, pela brilhante parceria com o poeta Vinicius de Moraes, o cantor, compositor e instrumentista vem ‘causando’ pela aproximação com artistas, em princípio, bem distantes de seus conhecidos caminhos musicais.

Ainda este ano, Toquinho lançou um CD em homenagem a Vinicius. Até aí, tudo bem, não estivesse o tributo repleto de arranjos eletrônicos e com vocais de... Paulo Ricardo, do RPM. Agora, depois de oito anos sem lançar material inédito, ele volta ao ofício com ‘Quem Viver, Verá’, e chama a atenção por impensáveis duetos com Ivete Sangalo e Zeca Pagodinho.

“Gosto de diferentes estilos, sempre ouvi de tudo, do balanço do Jorge Ben, com quem compus meu primeiro sucesso (‘Que Maravilha’, de 1968), ao rock do Elvis Presley”, defende-se Toquinho.

Com Ivete, ele se entregou ao frevo em ‘Quero Você’. Zeca, por sua vez, nem quis saber da nova safra de canções, preferindo passear por território conhecido. “Ivete ficou muito entusiasmada quando falei que fiz uma música que achava a cara dela. Para o Zeca, ofereci outra inédita, ‘Meu Canto’, que também achei muito parecida com o estilo dele. Liguei, convidando, só que ele, bem do seu jeito, disse que queria porque queria cantar ‘Regra Três’. Eu até insisti, mas ele não quis saber de música nova”, relata, às gargalhadas.

A paixão pelos clássicos de sua parceria com Vinicius de Moraes, registre-se, não é exclusividade de Zeca Pagodinho. “É verdade, ninguém se cansa de ouvir, essas canções foram muito marcantes”, assume Toquinho. “Quando Vinicius morreu, em 1980, o primeiro telefonema que recebi foi da minha mãe, perguntando: ‘Meu filho, o que vai ser de você agora?’. Mas considero que consegui fugir um pouco desta sombra. O meu maior sucesso, por exemplo, é ‘Aquarela’, lançada em 1983”, avalia. LSM

terça-feira, 8 de novembro de 2011

O ‘Clube da Esquina’ de Lô Borges e seus amigos

Com apenas 17 anos de idade, o cantor e compositor mineiro Lô Borges foi convidado pelo carioca (mas mineiro de coração) Milton Nascimento para gravar, no Rio de Janeiro, seu primeiro disco. O lançamento se tornaria um dos mais clássicos da história da música brasileira: nada menos que o badalado ‘Clube da Esquina’, de 1972. O álbum trazia ainda outros ‘sócios’ daquele clube musical, como Beto Guedes e Toninho Horta. Quase 40 anos depois, Lô Borges dispara um novo CD, o recém-lançado ‘Horizonte Vertical’, repleto de amigos, como Samuel Rosa (Skank), Fernanda Takai (Pato Fu) e o próprio Milton Nascimento, que cantam em diversas canções.


“As pessoas têm falado que esse é o meu ‘Clube da Esquina’, mas eu não posso classificar o disco assim. O ‘Clube’ é um projeto original do Milton, hierarquicamente é um lance dele. Neste novo CD, reuni pessoas que acho interessantes, mas não tem a intenção de ser um ‘Clube do Lô’. Se quiserem chamar assim, tudo bem, mas eu não posso”, descarta o músico, cheio da peculiar mineirice.

Além dessa turma citada, há ali, entre os convidados mais populares, uma pessoa tão ou mais especial, que contribuiu com diversas letras para suas melodias e acordes. É, Lô Borges está apaixonado. “A Patrícia Maês, escritora e musicista, era ainda minha namorada quando começamos nossas parcerias”, derrete-se o cantor. “Agora estamos casados, ela é de São Paulo, mas consegui trazê-la para morar comigo em Belo Horizonte. Já temos várias outras músicas juntos”.

Além da parceria conjugal, a fraterna, com o amigo Samuel Rosa, é a que deve render mais que as canjas no álbum. “Tenho uma história musical com ele desde 1999. Fizemos dezenas de apresentações do show em dupla ‘Lô Borges & Samuel Rosa’, e isso ainda pode virar um DVD ou um CD de inéditas. Só depende da agenda do Skank”, anuncia Lô. LSM

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Ainda selvagens?

Às vésperas de voltarem ao Circo Voador para resgatar o repertório de seu disco mais clássico, músicos do Paralamas do Sucesso garantem que continuam ferozes e furiosos

Já se passaram mais de 25 anos desde o lançamento do clássico ‘Selvagem?’, do Paralamas do Sucesso, em abril de 1986, apontado por muitos como o auge de criatividade do grupo. Os músicos — que enfileiram na íntegra o repertório do álbum, sábado, em show que promete ser histórico, no Circo Voador — garantem que ainda fazem justiça ao nome do emblemático disco.

“Tem que ver meu lado selvagem! Ele aflora na hora que tenho que colocar meu filho Vicente, de 8 anos, para dormir. É dos piores momentos do dia”, diverte-se o baterista João Barone.

O baixista Bi Ribeiro, pai de Teresa (10) e Tito (7), faz coro com a selvageria do colega. “Pô, eles resistem até o último minuto”, reclama.

Herbert Vianna, que também tem seus pimpolhos — Luca (18), Hope Izabel (15) e Phoebe Rita (12) —, prefere destilar seu lado feroz na língua afiada, a mesma que disparou alguns dos versos mais marcantes do disco, como “A polícia apresenta suas armas...”, de ‘Selvagem’, ou “A cidade, que tem braços abertos num cartão-postal, com os punhos fechados da vida real”, de ‘Alagados’. “Tenho um ponto de interrogação sobre as UPPs (Unidades de Polícia Pacificadora). Penso que algo mais produtivo seria investir na educação. Em 99,9% dos casos, as UPPs são como uma blitz eficaz: resolve pontualmente, mas logo tudo volta a ser a mesma coisa”, compara o guitarrista.

Quem levou uma blitz, mas não da polícia, foi o próprio grupo, na época do lançamento de ‘Selvagem?’. Com suas influências de reggae, ritmos latinos e até um cover de Tim Maia, o álbum levou uma dura até de colegas do Barão Vermelho e Titãs, que decretaram que o Paralamas não era mais uma banda de rock. “Acho normal. A gente teria a mesma reação se aparecesse outro grupo fazendo um som que excluísse e minimizasse o potencial do que a maioria das bandas estava fazendo”, reavalia Herbert Vianna.

A NOVELA DA VIZINHA
A primeira parte do show de amanhã vai destacar o álbum ‘Selvagem?’. No final, claro, o grupo faz o baile com outros sucessos da carreira. “Tivemos que ouvir o disco todo de novo, porque vamos tocar os arranjos iguaizinhos aos originais”, descreve Bi Ribeiro. “Para isso, vamos contar também com o teclado do João Fera, a percussão de James Muller e a guitarra e efeitos do Liminha, que foi o produtor do disco, em 1986”.

Os ensaios estão rolando no novíssimo estúdio do trio, instalado no primeiro andar do prédio onde João Barone mora, no Jardim Botânico. Os vizinhos, garante o baterista, estão adorando a sonzeira. No entanto, foi só o grupo dar mole com a porta aberta para uma senhora, moradora do apartamento ao lado, aparecer: “Dá para tocar mais baixo que eu quero ver a novela?”. É, os caras continuam selvagens mesmo!


O CARA DA CAPA
Os ensaios para a gravação de ‘Selvagem?’, em 1986, aconteciam em um quarto na casa da avó de Bi Ribeiro, em Copacabana. Na parede, tinha uma foto pendurada, de um garoto magricelo e cabeludão, segurando um arco e flecha, com uma camiseta amarrada na cintura, na frente de uma barraca de camping.

O “modelo” era Pedro Ribeiro, irmão do baixista Bi, e que hoje trabalha como produtor técnico da banda, e a imagem, que traduz de forma perfeita o título do disco, acabou estampando a capa.

“Quem tirou a foto foi o Dado Villa-Lobos (guitarrista da Legião Urbana). Lembro que foi tirada no dia 7 de setembro de 1980. A gente acampava muito naquele terreno, que era do meu pai, em Brasília. Até hoje, as pessoas comentam comigo sobre esta capa. Foi um momento especial da minha vida”, conta Pedro Ribeiro.

BROWN PARALAMA
Quis o destino que o Paralamas do Sucesso não virasse uma banda de axé. Depois da primeira edição do Rock In Rio, em 1985, aconteceu de o grupo subir em um trio elétrico em Salvador e, influenciados que estavam pelos balanços dos dançantes ritmos latinos, caíram no rebolado do cantor Luiz Caldas, que bombava Brasil afora com a música ‘Fricote’ (aquela da letra “Nega do cabelo duro, que não gosta de pentear...”).

Acompanhando Caldas, na percussão, um músico muito animado chamou a atenção do trio e quase acabou sendo recrutado para gravar no disco ‘Selvagem?’. “Foi no Carnaval de 1985 que conhecemos o Carlinhos Brown”, recorda Bi Ribeiro. “A gente deu uma canja naquele trio elétrico e ali testemunhamos o nascimento do axé”.

Em 1986, Brown veio para o Rio de Janeiro encontrar com Herbert, Bi e Barone, que cogitavam acrescentar um percussionista em sua formação — quem acabou gravando em ‘Selvagem?’ com a banda foi Armando Marçal. Brown, porém, ficou amigo do grupo e, futuramente, trabalharia bastante com eles.

“Ele já era assim como o conhecemos hoje: um cara ligado em 220 volts. Acabou que não foi naquele momento que gravamos com ele, mas ele chegou a ir nos ensaios do ‘Selvagem?’, isso bem antes de tocar na banda do Caetano Veloso”, conta Ribeiro. LSM (foto: Felipe O`Neill)

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

De volta para o futuro

Lincoln Olivetti retorna à cena em show e novos lançamentos

Instrumentista, arranjador, compositor e produtor, Lincoln Olivetti é chamado de ‘o feiticeiro dos estúdios’ e ‘o mago do pop’. Aos 57 anos, ele tem cara mesmo é de cientista louco, misto de Professor Ludovico com Dr. Emmett Brown (personagem do ator Christopher Lloyd em ‘De Volta Para o Futuro’).

“Sempre estive à frente do meu tempo. Adoro música eletrônica e minha filha é ‘a’ DJ, não é verdade?”, decreta o pai coruja da badalada Mary Olivetti, no corredor do estúdio em Botafogo, onde ensaia uma volta solo aos palcos, em raríssima aparição, hoje, no Copacabana Palace. “Também sei tudo de eletrônica. Adoro quando queima algum equipamento!”, conta o músico, todo futurista.


Durante a carreira, a fama de gênio de Lincoln Olivetti cresceu junto com a de excêntrico, por gostar de passar dias trancado em seu estúdio, uma salinha quase sem iluminação, e por ser arredio a entrevistas. “Meu filho, quanto mais se vê, menos se ouve”, define o veterano. “Pode tirar onda, porque essa é a primeira entrevista que dou para um jornal”, valoriza.

A implicância com as reportagens, ele explica, vem das críticas de que seria responsável por uma padronização sonora da MPB — Gal Costa, Gilberto Gil, Tim Maia, Jorge Ben Jor, Rita Lee, Roberto Carlos, Caetano Veloso, Maria Bethânia, Angela Ro Ro, Zizi Possi, Fagner, Lulu Santos, Wando e muitos, muitos outros mesmo, já foram produzidos ou arranjados por Lincoln Olivetti.

“Fiquei marginalizado. Nunca quis responder aos críticos, que foram muito pejorativos. Disse apenas: vocês vão se f* e eu vou pra p.q.p., daí todos ficam felizes”, diverte-se.

Entre risos, as lembranças (“Tim Maia me passava os arranjos dele, eu mudava tudo e ele nunca percebia”) só são interrompidas para matar a larica: “Preciso de uma pizza, sem cebola! Esse negócio de entrevista dá muita fome!”, conclui, reconhecendo que o papo deu a maior onda.

DO COPA FEST À INTERNET
No show hoje, dentro da programação do evento CopaFest, Lincoln Olivetti vai tocar seu clássico disco com Robson Jorge e fazer uma homenagem ao lendário Ed Lincoln, à frente de Kassin (baixo), Davi Moraes (guitarra), Donatinho (teclado), Cesinha (bateria), José Carlos Bigorna (sax), Lelei Gracindo (sax), Altair Martins (trompete), Diogo Gomes (trompete), Peninha (percussão) e Marlon Sette (trombone), entre outros.


Fora do palco, Lincoln Olivetti anuncia novos lançamentos para este ano. “Resolvi soltar tudo que venho compondo ao longo do tempo, mas vou vender só pela Internet”, anuncia, sempre antenado. LSM (fotos: Luiz Lima)

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

A dona do Rock In Rio

Empresária e aprendiz de baterista, Roberta Medina fala da experiência de tocar o festival criado por seu pai

Ela não é uma típica roqueira, mas até que fala do assunto com certa propriedade. “Toquei piano na infância e, mais recentemente, aprendi a tocar bateria. É muito difícil coordenar pés e mãos, mas comprei uma da marca Pearl e até que me saí bem! Sempre que tem solo de bateria nos shows, eu babo”, conta Roberta Medina, 33 anos e fã do Metallica. “Mas prefiro as baladas deles!”, ressalta, sobre o grupo de metal pesado que toca domingo no Rock In Rio.

(foto: Felipe O'Neill)

Hoje, na véspera de mais uma edição do festival, parece que tudo está como uma doce sinfonia. “As coisas estão acontecendo melhor do que esperava”, avalia Roberta. Mas a aprendiz de baterista teve mesmo que mostrar desenvoltura desde que o pai, o empresário e criador do festival, Roberto Medina, resolveu passar à herdeira o posto de ‘dono do Rock In Rio’. “Foi na edição de 2001, ele enlouqueceu: me colocou como coordenadora de produção sem eu saber nada do assunto. Foram nove meses sem vida social, só lendo contratos e acertando pagamentos”, descreve.

Até aquele ano, o evento para ela não era mais que um enorme parque de diversões. “Eu tinha 6 anos na primeira edição, em 1985. Lembro que me perdi no meio das obras, e gostava de brincar com aqueles óculos escrito ‘rock’ e de passar gel no cabelo. Já no segundo Rock In Rio, em 1991, o que eu queria mesmo era conhecer o New Kids On The Block”, recorda.

De lá para cá, Roberta Medina aprendeu muito mais que batucar em sua Pearl novinha. “Naquela época, os contratos traziam cláusulas inacreditáveis, como a que proibia o Ozzy Osbourne de comer morcego no palco. O Prince pediu 500 toalhas, que acabaram lá em casa, ficamos anos usando. O caso mais curioso que passei foi quando o Paul McCartney pediu para não venderem carne no festival, em Lisboa, o que acabei conseguindo contornar”, conta.

De tocar bateria a desenrolar com o ex-beatle, nada é impossível para a ‘dona do Rock in Rio’? “Ainda não consegui trazer o Robbie Williams para o festival. Foi o melhor show que já assisti!”, elogia.

Ah, Roberta, isso deve ser mais fácil que manejar baquetas e tambores: o cantor inglês suspendeu a volta com seu antigo grupo Take That e planeja uma nova turnê mundial. Dá para tentar escalar o moço para a próxima edição do Rock in Rio, em 2013. Que tal? LSM

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

Sem medo do rock n’ roll

Atrações do axé e do samba não temem agressões dos fãs do som pesado no Rock In Rio

Em toda edição do Rock In Rio no Brasil, um artista sai do palco enxotado por roqueiros xiitas. O caso mais fresco em nossa memória aconteceu em 2001, quando Carlinhos Brown levou uma chuva de garrafas d'água. Em 1991, Lobão, apesar de um astro do rock, namorava com a bateria da Mangueira e foi metralhado por objetos voadores. A primeira edição do evento, em 1985, vitimou, veja só, o pioneiro do gênero Erasmo Carlos, que andava meio longe das guitarras. E nesta edição, que começa dia 23, quem será o alvo predileto dos metaleiros?

Fui atrás de atrações não roqueiras agendadas no festival para sondar o medo de um possível duelo com esse grupo de fãs radicais. A turma do axé e do samba jura que a ira dos roqueiros é coisa do passado. “Há tantas coisas que merecem de fato nossa reivindicação, como corrupção, impunidade, violência, preconceito... o jovem de hoje, com acesso à tantas informações, provavelmente não se permitiria vaiar o que faz bem ao outro, ainda que não lhe caia bem. No nosso Carnaval, por exemplo, a diversidade impera. São artistas do rock e do pop tomando conta dos trios e dos camarotes, então, por que não o contrário?”, questiona Claudia Leitte. Eu acho que há uma linha tênue entre não curtir a mistura de gêneros musicais e ser preconceituoso. Preconceito é algo tão medíocre... e cafona... Seja como for, há pessoas que se identificam e se juntam por causa disso. O Rock in Rio é o maior festival de música do mundo, e é nosso, brasileiro, não dá para perder tempo com miudezas”, decreta.

Ivete Sangalo concorda: “Acho que hoje o público brasileiro não só entende que o evento não é exclusivamente de rock, como agradece o fato de nosso País ser muito diverso musicalmente, opina VevetaEu tinha paixão pelo AC/DC e adoro bandas ainda mais pesadas, como Green Day e Foo Fighters, enumera a baiana, que vai cantar antes de Lenny Kravitz.

No mesmo dia, Martinho da Vila vai chegar devagar, devagarinho com seu samba, mas também garante não temer cantar no Rock In Rio. O panorama mudou. Hoje, o entrosamento entre um cara do rock com um cara do rap ou do samba é uma coisa normal. Eu, por exemplo, vou dividir um número com o rapper Emicida, conta.

Outro sambista, Diogo Nogueira faz coro: “Acredito que nessa edição os artistas serão muito bem recebidos. Na verdade, os caras mais cri-cri são minoria, e vão reclamar de qualquer jeito, independentemente da programação, classifica.

Sandra de Sá, que saracoteou muito com Cazuza, um roqueiro que abraçou o samba em sua música, resume a questão: “Rock é a catarse que acontece da comunhão com o público. Sendo assim, tudo é rock!, define.

ÁGUA MINERAL
Em 2001, Carlinhos Brown enfrentou o público impaciente que o recebeu com uma chuva de garrafas. Cantou a melodia do Hino Nacional, desafiando a preferência gringa da maioria da gurizada lá presente, e mandou o recado: “Pode jogar o que quiser que nada me atinge. Sou da paz! (...) Quem gosta de rock tem muito que aprender. (...) Agora, o dedinho pode enfiar no traseiro.

Hoje, o baiano se diverte ao relembrar o fato. Agradeço àqueles meninos, porque passei a ser mais conhecido depois deles. Eu não estava no lugar errado e nem na hora errada: fui parar em todos os jornais. Foi o melhor direito autoral do Rock In Rio!, recorda Brown. LSM

domingo, 11 de setembro de 2011

Tempero verde e amarelo no som dos pimentas vermelhas

Integrado ao Red Hot Chili Peppers, o percussionista catarinense Mauro Refosco conta que eles curtem Tim Maia e a música brasileira

Os milhares de fãs que lotaram salas de cinema por todo o Brasil — e ao redor do mundo — no último dia 30 para conferir o show de lançamento do novo CD do Red Hot Chili Peppers notaram um tempero brazuca na mistura de rap e rock dos caras. Na apresentação, transmitida via-satélite direto da Alemanha, o quarteto norte-americano aparece escudado por um percussionista, o catarinense Mauro Refosco, que vem colocando tintas verde e amarela no som dos pimentas vermelhas.

“Ainda não troquei muitas figurinhas musicais com eles, porque está uma correria danada com o lançamento do disco. Agora estamos no meio da turnê na Europa. Mas eles conhecem a nossa música. Outro dia, fui na casa do (baixista) Flea e ele estava escutando um CD do Tim Maia, e falou que também conhece Jorge Ben e Gilberto Gil”, conta Refosco.

Radicado em Nova York desde 1992, ele já colocou seus tambores a serviço de estrelas como Thom Yorke (Radiohead) e David Byrne (Talking Heads), além de ter gravado em ‘I’m With You’, novo álbum do Chili Peppers.

“Eles estão abertos para colocar um pouco mais de ritmo, com a percussão, porque pulsante o som deles já é. Acho que que me convidaram por isso. Quando Flea perguntou se eu queria gravar com eles, eu refleti... por meio segundo! E disse sim”, recorda.

Mauro Refosco vem batucar por aqui com seus novos amigos gringos no dia 21, em São Paulo, e no Rock in Rio, no dia 24. “A banda está supercontente de voltar ao Brasil, e eu vou ter amigos e família na plateia, além de tocar para uma plateia de brasileiros, o que, com certeza, vai ser muito emocionante”, vibra o nosso percussionista.

Hoje, Refosco está integradão ao dia a dia do Red Hot Chili Peppers. Mas, acreditem, o moço pouco sabia da carreira deles. “Só conhecia de escutar no rádio ou ver vídeos na TV, mas não tinha me aprofundado até ser chamado. Consegui a discografia e entendi porque a banda é tão respeitada. Acabei virando fã”, derrete-se.


(Refosco, entre Anthony Kiedis, Flea e Chad Smith. Foto: ClaraBalzary)

Por falar em fã, como é o assédio no camarim? A mulherada fica doida por vocês? “Rola um esquema de segurança forte. Tem uma área reservada aos convidados da banda e da equipe, que geralmente fazem uma social depois dos shows. Mas o assédio fora sempre rola, normal. Quando o Chad (Smith, baterista) chega a um hotel ou a um lugar que tem muita gente esperando pelo grupo, ele grita: ‘Olha o Flea ali gente!’. Daí todo mundo vai em cima do Flea, e ele sai de fininho”, revela Refosco.

CONEXÃO ÁFRICA-BRASIL
Os integrantes do Red Hot Chili Peppers se derretem pelo talento do músico brasileiro. Pelo Twitter, Flea disparou: “the great brazilian percussionist @mrefosco rocks like mad all over the new red hot chili peppers record ‘I’m with you’. Yeeeeeah mauro” (“o grande percussionista brasileiro ‘roqueia’ como um maluco em todo o novo disco do Red Hot Chili Peppers, ‘I’m With You’. Yeeeeeah mauro”). O vocalista Anthony Kiedis também é só elogios: “Nesse CD, ele é o quinto integrante da banda”. E o novo guitarrista Josh Klinghoffer atesta: “A batida dele é incrível”.

Refosco devolve: “Eles são muito relax e engraçados mesmo, como dá para imaginar. Hoje, com exceção do Josh, são todos pais de família, e em alguns shows rola de os filhos aparecem, então fica um astral bem família”, descreve.

Desde o convite para gravar e tocar com o grupo, é com o baixista que o brasileiro mais se aproximou. “O convite surgiu a partir do Flea porque a gente tocou junto no Atoms For Peace, uma banda que o Thom Yorke, do Radiohead, formou para tocar as musicas do disco solo dele, chamado ‘The Eraser’. A partir daí, tivemos uma empatia musical e pessoal muito grande, e nós fazemos aniversário no mesmo dia (16 de outubro)”, conta.

Tudo bem, os quatro chili peppers são superantenados e já conheciam a música brasileira bem antes de Mauro Refosco integrar o conjunto. Porém, é inegável que faixas do novo disco, como ‘Dance, Dance, Dance’ e ‘Did I Let You Know’, têm elementos de ritmos tipicamente nacionais, do forró à guitarrada (gênero musical paraense).

“É verdade, tem uma onda meio guitarrada mesmo. Mas essa influência, acho que vem da música africana. O Josh e o Flea estiveram na África no ano passado. E o Brasil é um pais superafricano. Então, está tudo no mesmo caldeirão”, define. LSM

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Requisitado por boa parte da MPB, músico Pretinho da Serrinha teme voltar à comunidade em Madureira

Seu Jorge só quer saber do Pretinho. Ângelo Vitor Simplício da Silva, 33 anos, mais conhecido como Pretinho da Serrinha, vem fazendo a cabeça também de Marcelo D2, Lulu Santos, Marisa Monte, Dudu Nobre e Beth Carvalho, entre vários outros. Se você ainda não ouviu falar do percussionista e cavaquinista, certamente já cantarolou alguma de suas canções, parcerias com amigos e sucessos na voz de Seu Jorge - com quem atua há 10 anos -, como ‘Burguesinha’, ‘Mina do Condomínio’ e a novíssima ‘A Doida’.


Porém, mesmo com todo esse reconhecimento, Pretinho não goza os louros da fama na comunidade onde foi criado, no Morro da Serrinha. “Sou de Madureira. Vivi lá até os 16 anos. Hoje, tenho medo de voltar. Tem um maluco brabo mandando lá que acha que fiquei metido. Já vi uns nove amigos de infância morrerem. Sempre que passo pela Avenida Edgar Romero, fico com muita saudade, mas um dia eu volto”, desabafa Pretinho.

Foi na Serrinha que ele, aos 10 anos, assumiu o posto de diretor da bateria-mirim do Império Serrano. “Nunca joguei bola ou soltei pipa. Meu lance, desde garoto, era a música”, recorda. 

O tempo passou e agora Pretinho vem se dedicando também a seu próprio projeto, o Trio Preto. “Lulu e Seu Jorge gravaram participação no CD, claro”, conta.

O amigo é só elogios: “Pretinho da Serrinha é um grande artista, de extrema confiança, não só no trabalho, mas na vida também. Tenho sorte de ter esse cara fazendo parte da minha carreira”, derrete-se Seu Jorge.

Lulu Santos também está vidrado: no show ‘Acústico II’, criou um número especial para ele e, em seu próximo disco, programado para o final de setembro, gravou a música ‘Som de Madureira’, de Pretinho, Gabriel Moura e Rogê, e o chamou para dividir os vocais, cantando a cultura do bairro da Zona Norte.



‘ALÔ, É O PRETINHO?’
O apelido veio da música ‘A Banda do Zé Pretinho’, de Jorge Ben, que o pequeno Ângelo já adorava. “Quem não me conhece, fica sem graça ao telefone. Perguntam: ‘Alô...’, aí completam, baixinho, ‘...é o Pretinho?’. Em tempos politicamente corretos, acho que ficam com medo de serem processados”, diverte-se.



CAVAQUINHO NO SURF
O apresentador Luciano Huck queria porque queria presentear o surfista norte-americano Kelly Slater. Sabendo que o gringo toca violão e gosta de música, pediu a Seu Jorge para descolar um cavaquinho. Ele, por sua vez, recorreu a uma ajuda mais especializada.

“Achei um cavaquinho foda”, conta Pretinho da Serrinha. “Cheguei a cogitar ficar com ele para mim, de tão bom. No caminho para levar o instrumento para o Kelly, a Marisa Monte ligou perguntando ao Seu Jorge se ele não tinha um cavaquinista para indicar...”.

Nem precisa dizer que a dupla partiu direto para o estúdio da cantora e lá Pretinho gravou uma música com o cavaquinho do surfista - que depois, claro, recebeu seu instrumento, devidamente ‘batizado’. LSM (fotos Luiz Lima/acervo pessoal)

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

Que Smurfs, que nada: roqueiros da banda Os Azuis não são fofos e dizem que tomam Viagra para sair na noitada

Eles têm nome de cor, mas não se afinam com o rock colorido do Restart. Também descartam referência com os redescobertos Smurfs, serezinhos azulados que ganharam os cinemas. Os jovens (idades entre 22 e 24 anos) da banda carioca de rock retrô Os Azuis celebram, aí sim, um famoso remedinho.

“Já postaram o trailer dos Smurfs no nosso perfil no Facebook, dizendo: ‘Eles são azuis, são simpáticos’. Mas a gente não é nada disso. Pelo contrário: espalhamos o boato que o nome da banda é porque somos viciados em Viagra, e que usamos como se fosse droga, para sair na noitada. As pessoas ficam chocadas, mas a gente diz: ‘Ué, vocês tomam cerveja, a gente, Viagra’”, diverte-se o guitarrista Greco Blue.


Os Azuis estão, portanto, cheios de tesão para apresentar sua estreia, um disco grande, enorme, porque ‘II’ ganha versão em CD e, nostálgicos e tradicionais como a posição ‘papai-e-mamãe’, também no bom e velho formato LP.

Greco, Tomé Lavigne (guitarra), Tomás Bastos (baixo) e Lucas Mamede (bateria) estão dando duro para o show de lançamento, dia 8 de setembro, no Espaço Sérgio Porto, mas aceitam uma ajudinha familiar: Tomé é filho de José Lavigne, diretor na Rede Globo. “Meu pai dá força principalmente por deixar a gente ensaiar em casa, desde quando o som era muito ruim. Ele dizia: ‘Um dia isso vai ser maneiro!’ Agora, é óbvio que ele vai tentar ajudar, mas nada é garantido, não tem jabá”, garante.

O vício em Viagra é galhofa, mas haja energia para lidar com as fãs, que babam por Greco e o chamam de ‘sósia do Mick Jagger’. “Acho que é pelo cabelo e porque sou magrinho de boca grande, mas eu queria que rolasse mais mole dessa mulherada”, suspira, revelando que ainda não está totalmente satisfeito. LSM

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

No filme ‘Lobão - Não Há Estilo Sem Fracasso’ o roqueiro garante que é bonzinho, mas continua com sua língua afiada

O livro ‘50 Anos a Mil’, biografia do roqueiro Lobão lançada no fim de 2010, foi um sucesso de vendas. Não demorou, o produtor Rodrigo Teixeira (‘Cheiro do Ralo’) comprou os direitos da publicação e vai levar aos cinemas a louca vida de sexo, drogas e rock and roll do músico. A previsão é de que o longa só comece a sair do papel (opa!) no fim de 2012. Porém, outro filme sobre Lobão poderá ser conferido neste sábado, com direito a show do próprio, no Circo Voador.



Não Há Estilo Sem Fracasso’ foca o cantor e compositor discutindo jabás e formas de tocar nas rádios e aparecer na mídia. Registre-se que Lobão ainda é lembrado como o militante dos artistas independentes, que investiu na venda de CDs em bancas de jornal, mas voltou a uma grande gravadora com seu ‘Acústico MTV’. 

“Atualmente é inviável lançar CD em banca de jornal. Isso é totalmente fora de conjuntura. Acredito que o jabá nunca realmente deixará de existir. Isso é da natureza do brasileiro”, define o cantor e ocmpositor.

Conhecido como rebelde, o Lobão deste filme pode passar a impressão de que
de fato deixou a militância contra o poder da indústria fonográfica. Será que ele virou um lobo bom? 

“As pessoas queriam me ver ajoelhado, arrependido, dizendo ‘Olha, vocês venceram, a sociedade venceu’. Se você for verificar minha trajetória, fica o tempo todo uma especulação para ver se eu fiquei careta! ‘Agora, ele virou família’; ‘Agora, ele virou evangélico’; ‘Agora, ele já não é mais o mesmo’; ‘Agora, virou o cordeirão!’. Todo ano tem uma especulação de que eu fiquei bonzinho. Mas eu sou bonzinho, sempre fui bonzinho, eu nunca deixei de ser bonzinho, mas eu não sou estúpido”, dispara ele, em ‘Não Há Estilo Sem Fracasso’.

Sobre o outro filme, baseado em sua biografia e que será dirigido por José Eduardo Belmonte, a curiosidade é: quem vai viver o protagonista? O produtor Rodrigo Teixeira confirma o interesse em Rodrigo Santoro. Outro cotado é Evandro Mesquita, do grupo Blitz, que Lobão integrou como baterista. “A gente ainda está num estágio inicial para especular”, desconversa o artista.

É, Lobão não mudou. Atento aos fatos recentes envolvendo sua atividade, polemiza o caso da liberação pelo Superior Tribunal Federal (STF) da obrigatoriedade da carteira da Ordem dos Músicos do Brasil (OMB). “Para mim, a carteira da OMB foi ótima para esticar umas carreiras quando eu cheirava. E só”, decreta.



ARNALDO BRANDÃO, EDGARD SCANDURRA E LIMINHA PARTICIPAM
‘Não Há Estilo Sem Fracasso’ é um curta-metragem de 15 minutos dirigido por Fabio Sallva, um apaixonado pela cena do rock brasileiro nos anos 80. Sua ideia inicial era fazer um documentário sobre a carreira (opa!) de Lobão desde esta época, quando ele se projetou no cenário como baterista da Blitz. “Comecei a produção antes de o Lobão concluir seu livro, e consequentemente vender os direitos para fazerem um filme. Era para ser uma biografia dele, mas não com atores”, explica Sallva. “Com os encontros, o próprio Lobão foi nos levando para esse assunto de jabá e como um artista consegue aparecer e tocar em rádio. Daí fui atrás de outras pessoas para comentar o tópico”. 



Participam do filme os músicos Arnaldo Brandão e Edgard Scandurra; os produtores Liminha, Pena Schmidt e Marcelo Sussekind; e Cláudio Tognolli, autor do livro ‘50 Anos a Mil’. “Tenho 30 horas de material gravado com esses caras. Pretendo ainda transformá-lo em um longa. Inclusive, já falei sobre isso com o Rodrigo Teixeira, que liberou, já que o filme dele vai ser feito com atores, e o meu é um documentário”, anuncia o cineasta. LSM (foto: Nati Canto)

terça-feira, 9 de agosto de 2011

Pedro Luís sem A Parede

Cantor e compositor dá um tempo da banda que o projetou e do Monobloco para lançar seu primeiro CD solo

Casado com a toda linda Roberta Sá, o cantor e compositor cinquentão (faz 51 anos dia 15 de outubro) Pedro Luís está com disposição de fazer inveja a muito garotão. O cara entra de cabeça em diversos projetos, entre produções para outros artistas, trilhas sonoras e o comando de suas duas principais crias: o badalado Monobloco, que se prepara para batucar no Rock In Rio em show inédito com participação de Pepeu Gomes; e a cultuada banda A Parede, com a qual atua há 15 anos. Agora, ele deixa a poligamia artística de lado para voar solo pela primeira vez.


Em outubro, Pedro Luís lança o CD ‘Tempo de Menino’, com 13 faixas de sua autoria e produzido por Jr. Tostoi e Rodrigo Campello (produtor dos álbuns de Roberta Sá). O músico, porém, não chega a ser 100% monogâmico, e traz nesta nova empreitada a velha turma de amigos da Parede (cada integrante participa em uma faixa), a mulher Roberta Sá e convidados especiais, como Milton Nascimento.

“Já pensava em lançar algo solo, mas nunca sobrava tempo. Queria experimentar outros territórios. É um disco de compositor, onde pude delirar sozinho, com um universo mais variado que o da Parede e do Monobloco”, define.

Pedro Luís está se deliciando com a confecção deste álbum. A gravação com Milton Nascimento, por exemplo, lhe proporcionou um momento de raro prazer. O fundador do Clube da Esquina participa da canção ‘Imbora’, parceria de Pedro Luís com Zé Renato. “Eu só conhecia o Milton de encontros eventuais. É um cara que sempre fui fã. Foi uma grande honra recebê-lo no estúdio”, derrete-se.

A produção do CD lhe garantiu ainda sonhos internacionais. “Fui masterizar em Londres, no histórico estúdio em Abbey Road, o mesmo dos Beatles. Fiquei chapado. E a Roberta me filmou na clássica faixa de pedestres”, relata. LSM (foto: Felipe O'Neill)

terça-feira, 2 de agosto de 2011

Pepeu Gomes na terra a mais de mil

Pepeu Gomes está que nem o título de um de seus discos solo: a mais de mil. No cinema, coestrela o documentário ‘Filhos de João’, que conta a história do grupo Novos Baianos, no qual se projetou, nos anos 70, como um dos guitarristas mais virtuosos do Brasil.

Em estúdio, termina nos Estados Unidos um CD misturando ritmos brasileiros, como chorinho, baião e samba, com ritmos norte-americanos, do techno ao hip-hop, e que deve contar com participação do rapper Snoop Dogg.

Nos palcos, se prepara para gravar o DVD ‘Pepeu Gomes Toca Novos Baianos’, em São Paulo, na primeira semana de novembro. “Em mais de 40 anos de carreira, é a primeira vez que vou fazer uma leitura do repertório do Novos Baianos com uma pegada mais rock and roll”, descreve Pepeu. “Ainda este ano gravo também um CD só instrumental, tocando Jacob do Bandolim, Waldir Azevedo, Pixinguinha e Ary Barroso”.

Tem mais: em outubro, sua discografia solo será lançada pela primeira vez em CD, com direito a um título inédito, chamado ‘Eu Não Procuro Som’, registro perdido de um show no teatro Tereza Rachel em 1979. Antes, porém, no dia 30 de setembro, ele toca no Rock In Rio, ao lado do Monobloco e da banda espanhola Macaco.

“Além disso tudo, tem outro projeto que está me entusiasmando muito: quero me apresentar na abertura da Copa do Mundo no Brasil, em 2014, tocando na guitarra uma versão heavy metal do hino nacional. Já imaginou como seria isso?”, sugere. LSM

quarta-feira, 27 de julho de 2011

Marcos Valle tem discos dos anos 60 e 70 relançados e quer o mesmo para toda a sua obra

Marcos Valle é mesmo um cara à frente de seu tempo. Não apenas por seu reconhecido pioneirismo na música. É que, mal saiu a caixa ‘Marcos Valle Tudo’ (EMI, R$ 160), reunindo 10 discos que lançou entre 1963 e 1974 mais um punhado de gravações inéditas, o compositor, instrumentista e cantor já está com a cabeça no futuro, pensando na próxima novidade.

“A continuação da minha carreira, desde o ‘Vontade de Rever Você’, de 1980, também vai ser reunida em um lançamento previsto para sair no ano que vem”, antecipa o músico.


A lista de clássicos incluídos em ‘Marcos Valle Tudo’ traz ‘Samba de Verão’, ‘Preciso Aprender a Ser Só’, ‘Os Grilos’ e ‘Mentira’ (esta, Marcelo D2 ajudou a popularizar ao incluir o refrão “É mentira...” em uma música do Planet Hemp). Neste novo pacote que ele anuncia, vão entrar discos com trilhas que fez para cinema e TV (como a memorável ‘Vila Sésamo’), os sucessos ‘Estrelar’ (de 1983, da letra “Tem que correr, tem que suar, tem que malhar...”) e ‘Bicicleta’ (1984), além do álbum ‘Tempo da Gente’, lançado em 1986 pela Arca Som, gravadora do jornal O DIA na época. A faixa título deste lançamento é uma parceria de Valle com seu irmão, Paulo Sérgio, e o jornalista e empresário Ary Carvalho, dono de O DIA de 1983 até o seu falecimento, em 2003.

“Quem sugeriu que eu gravasse pela Arca Som foi o Eduardo Lages (maestro de Roberto Carlos). Ele era muito amigo do Ary, que, por sinal, era apaixonado por música e um bom compositor. Ele adorou a ideia e seria natural que fizéssemos uma parceria, mas lembro que ele, modesto, em princípio nem queria. Acabou rolando e foi muito legal”, recorda Marcos Valle.

A caixa que ele planeja para 2012 cobriria, então, sua obra até ‘Estática’, lançado no ano passado na Europa e no Japão e que ganha agora edição brasileira. “Mas pode ser que eu divida essa produção em mais duas caixas, separando os anos 80 e 90 em uma e os anos 2000 em diante em outra”, descreve.

PARCERIAS COM O HERMANO CAMELO
O novo CD de Marcos Valle que os brasileiros tomam contato agora traz 15 faixas inéditas. ‘Estática’, lançado lá fora com o título ‘Esphera’, traz seu parceiro mais frequente, o irmão Paulo Sérgio Valle, além de músicas com Ronaldo Bastos, Joyce e seu mais recente companheiro de composições, Marcelo Camelo.

“Eu já conhecia e gostava de Los Hermanos, daí surpreendi o Camelo com o convite para sermos parceiros. O curioso é que ele é sobrinho do Bebeto, do Tamba Trio, primeiro grupo a gravar uma música minha”, destaca Valle. LSM (foto Fernando Souza)

segunda-feira, 25 de julho de 2011

Onde está Baby?

A cantora explica por que vetou sua participação no documentário sobre o Novos Baianos, faz filme sobre sua própria vida e lança novo CD

Estreou no fim de semana o filme ‘Filhos de João — Admirável Mundo Novo Baiano’, documentário sobre o lendário grupo Novos Baianos. Mas, após se deliciar com as histórias de Moraes Moreira, Pepeu Gomes, Paulinho Boca de Cantor e toda a trupe, uma dúvida trouxe inquietação aos espectadores ao fim das sessões: “Por que só Baby não aparece nos depoimentos?”.

“Eu podia embargar esse filme, mas estou deixando rolar. Fui procurada para participar de um trabalho universitário. Quando soube que isso virou um filme, disse ao diretor que precisaríamos conversar. Minha história não pode ser contada sem participação nos lucros”, explica a ex-doidona e hoje evangélica, que diz já ter sido abduzida e ajudado a curar um paraplégico com seu louvor.

Baby do Brasil está gravando seu primeiro CD - mais um dedicado à música gospel - depois de 10 anos longe dos estúdios. “Sou uma ‘popstora’. Cantar para o Todo Poderoso é a maior loucura que já vivenciei. Quando me converti, me chamaram de oportunista. Agora, estão entendendo que meu discurso gospel é verdadeiro”, garante a cantora.

Ela terá sua própria trajetória contada no documentário ‘Apopcalipse Segundo Baby’, do diretor Rafael Saar. “Deve ficar pronto no ano que vem. Registramos encontros dela com vários amigos músicos, além das gravações deste novo CD. Sem falar em imagens raríssimas que ninguém nunca viu. Mas ainda queremos refazer o Caminho de Santiago de Compostela com ela. Foi lá que, nos anos 90, Baby deixou de ser Consuelo”, antecipa Saar.

(Baby e o diretor Rafael Saar)

A ‘popstora’ até chegou a registrar depoimentos para ‘Filhos de João’’, mas na versão final, que está em cartaz, só aparece em imagens de arquivo. Insatisfeita, Baby anuncia: “Um dia, depois de pronto este documentário sobre minha vida, ainda convido o Rafael para rodar o verdadeiro filme sobre o Novos Baianos”.

AUSÊNCIA LAMENTADA
Tanto o diretor de ‘Filhos de João’ quanto os integrantes do Novos Baianos lamentam a ausência de Baby do Brasil no documentário. “Houve a confusão com o depoimento dela. Não posso julgar, ela deve ter lá seus motivos. Como minha irmãzinha, lamento muito. Cada um tem uma história de vida. Hoje, estamos um para lá, outro para cá”, comenta Moraes Moreira.

Ex-marido da cantora, Pepeu Gomes faz coro: “Isso era previsível, porque a Baby tem uma maneira muito própria de pensar. Respeitei sua decisão, Ela está em outra. Mas aquela realidade que passamos na tela é sincera”, argumenta o guitarrista.

O diretor Henrique Dantas, que levou 11 anos para concluir o filme, ainda tem esperança de poder incluir o depoimento de Baby nos extras do DVD. “Ela queria mudar algumas coisas, não gostou do filme. Baby não aceitou o acordo que firmei com os outros, que são meus parceiros no longa. As pessoas têm o direito de mudar, de não ser mais o que foram. Mas ela faz parte da história, não pode ficar de fora. E ela deu uma entrevista maravilhosa”, diz o cineasta. LSM e Guilherme Scarpa. (foto Baby por Uanderson Fernandes; foto Baby e Rafael por Gabriel Chiaratelli)

sábado, 23 de julho de 2011

Gostosura eterna: Gretchen ganha coletânea com seus sucessos antigos

Ela entrou para os anais da música brasileira (a expressão é inevitável, desculpe) como a Rainha do Bumbum depois de, nos anos 70 e 80, encantar toda uma geração com seu rebolado sensual - que provocou o surgimento de muitas espinhas na garotada da época - e sucessos que passaram no teste do tempo. Essas delícias dançantes, com influências latinas e da música disco dos anos 70, como ‘Conga, Conga, Conga’, ‘Freak Le Boom Boom’ e ‘Melô do Piripipi’, acabam de ser reunidas na coletânea ‘Charme, Talento e Gostosura’.

“É interessante esse lançamento, porque muita gente queria comprar discos com essas músicas e não achava. Nem eu tinha mais esses áudios. Vai ser também uma boa maneira de me mostrar para as novas gerações. Tenho um público adolescente que sempre perguntava sobre como conseguir esse material”, conta Maria Odete Brito de Miranda, nome de batismo de Gretchen.

Aos 52 anos e incontáveis plásticas depois (“Acabei de fazer uma troca de prótese de busto, afinal, uma mulher da minha idade não tem mais essa coisa de rigidez na pele, uma hora a gente tem que se cuidar mesmo, né?”), ela é apontada por muita gente como precursora de dançarinas do axé e do pagode ou das mulheres-fruta do funk, que surgiram também abusando das generosas curvas como um dos artifícios para chamar a atenção. Mas será que Gretchen aprova a comparação, ou acha que as listadas não passam de um bando de ‘bunda mole’?

“Elas são totalmente diferentes, não têm nada a ver com meu trabalho. Acho até que podem ter se inspirado em mim, mas eu vou ficar para sempre. Hoje, não se fala mais em Carla Perez nem em Sheila, que faziam só um trabalho de dançarinas. O meu era diferente, eu sou cantora. Meu trabalho está eternizado, elas foram passageiras”, dispara. LSM

quinta-feira, 21 de julho de 2011

"A vida continua", desabafa Bruno Gouveia, do Biquíni Cavadão

Um mês depois da perda do filho Gabriel, de apenas 2 anos, uma das vítimas fatais do acidente de helicóptero em Porto Seguro que comoveu o País, Bruno Gouveia, cantor do Biquíni Cavadão, faz um retrato de sua dor em entrevista exclusiva. Mesmo depois da tragédia, o músico não cancelou as apresentações agendadas — amanhã, o Biquíni Cavadão faz a primeira aparição em uma grande capital, no Citibank Hall de São Paulo — nem deixou de desabafar em seu blog. Ele conta que o encontro com os fãs, seja no palco ou recebendo mensagens pela Internet, tem dado uma baita ajuda para segurar as pontas.

“Sempre me considerei uma antena, como artista. Por analogia, transmito e recebo ondas de energia, e a energia dos fãs tem me completado quando a minha passou por este ‘apagão’. São tantos recados que não consegui ler todos ainda, mas eles me ajudam a pisar no palco, ver que a vida continua e meu filho estará sempre do meu lado”, relata. “Resolvi dividir com as pessoas o que estou sentindo porque todos os dias, infelizmente, muitos pais e mães perdem seus filhos. Meu depoimento pode ajudá-los, ao mesmo tempo que me alivia”, descreve.


LÁGRIMAS NO CÉU
Muita gente, até hoje, não consegue escutar a música ‘Tears In Heaven’, que o guitarrista Eric Clapton fez para seu filho Conor, de 4 anos, depois que ele morreu ao cair da janela de um apartamento, em 1991. Não é qualquer um que desfruta da bela melodia sem relacioná-la com a dor ali cantada de forma tão explícita pelo músico inglês. Clapton, porém, precisava expor o que estava sentindo. Bruno Gouveia entende bem tal sentimento. E também precisou produzir um instantâneo de sua dor.

“Gosto de escrever para expressar meus sentimentos. Depois, eventualmente, eles viram letras de músicas”, explica, sobre o poema que publicou no blog do grupo. “Escrevi de supetão e consegui traduzir o que estava sentindo, já que pouco, ou quase nada, chorava. Foi uma válvula de escape e me fez bem. Continuo escrevendo, tanto para as coisas boas quanto para as ruins que me acontecem”.

NOVO CD E SHOW NO RIO
Quando Gabriel morreu, Gouveia estava nos Estados Unidos, produzindo faixas para um novo disco do Biquíni. “Fizemos três músicas com a cantora californiana Beth Hart, para gravá-las em nosso próximo CD, que trará ainda uma parceria com Lucas Silveira, do Fresno, e outra com Rogério Flausino, do Jota Quest. E, no dia 17 de setembro, estaremos no Rio, tocando na Fundição”, anuncia. Vai ser a hora de os fãs cariocas marcarem presença. LSM

terça-feira, 19 de julho de 2011

Um disco, não "o" disco do Chico Buarque

Diante de sua incrível e indispensável contribuição à música, soa como injustiça e até heresia afirmar que, faz tempo, as novas levas de canções de Chico Buarque não são incríveis e indispensáveis como as que o elevaram ao patamar máximo de criatividade e originalidade. Olhando em retrospecto, salvo faixas pinçadas de um ou outro álbum, como ‘O Velho Francisco’, ‘Paratodos’ ou ‘Carioca’, é fato que o cantor e compositor não lança um disco clássico desde ‘Chico Buarque’, aquele de capa vermelha, de 1984, no qual enfileirou uma pérola atrás da outra — ‘Pelas Tabelas’, ‘Brejo da Cruz’, ‘Tantas Palavras’, ‘Samba do Grande Amor’, ‘Mil Perdões’ e ‘Vai Passar’ são todas deste álbum.

Este novo ‘Chico’ é, sim, repleto de lindos momentos. Se comparado à maioria do que vem sendo despejado no mercado musical de uns tempos para cá, ganha até o status de excelente. Mas, só o tempo dirá, não promete se tornar indispensável. Talvez ele nem queira, ou mesmo precise, produzir uma obra da grandeza que atravessa as décadas. Afinal, quem deixou para a eternidade discos como ‘Construção’ (1971), ‘Meus Caros Amigos’ (1976), ‘Vida’ (1980) ou ‘Almanaque’ (1981), não tem que provar mais nada a ninguém. Não se trata aqui de mero papo nostálgico, é que dá uma baita saudade daquele Chico sempre surpreendente. LSM

terça-feira, 12 de julho de 2011

Ringo Starr: bom músico ou apenas um cara de sorte?

Bateristas atestam o talento do beatle, que vai tocar pela primeira vez no Brasil

No mês em que Ringo Starr completa 71 anos e que começa a venda de ingressos para suas primeiras apresentações no Brasil — no Rio, o show será dia 15 de novembro, no Citibank Hall —, fomos atrás de feras das baquetas para defendê-lo em uma polêmica questão. Afinal, o baterista dos Beatles é um bom músico ou, como é constantemente avaliado, apenas um cara de sorte, com talento inferior, que calhou de tocar com os geniais John Lennon, Paul McCartney e George Harrison?

“Ringo é um dos maiores bateristas de sua geração e também um ícone da música pop”, define o ex-Titãs Charles Gavin. “Recomendo a audição de suas melhores performances, como ‘Come Together’ ou ‘Ticket To Ride’. Isso é apenas uma amostra deste músico, que criou arranjos à altura das canções de Lennon, McCartney e Harrison”.

Outro instrumentista de reconhecido talento, João Barone, do Paralamas do Sucesso, faz coro com Gavin. “Toda uma geração de bateristas começou a tocar por causa dele, incluindo eu mesmo”, revela. “Ringo passou pelas várias fases da evolução dos Beatles com seu estilo próprio, sua pegada firme, simbolizando o baterista de rock, insubstituível dentro da banda”.

Baterista do Roupa Nova, Serginho Herval desfrutou o gostinho de gravar no mítico estúdio Abbey Road, em Londres, onde os Beatles registraram sua história. “Análises e questionamentos sobre a musicalidade do Ringo sempre vão existir, mas que ninguém duvide que a forma de tocar bateria mudou radicalmente após os Beatles. Acho que existe a bateria antes e depois do Ringo. E que me desculpem os grandes nomes da batera hoje, mas, provavelmente, vocês nem existiriam sem as levadas muito bem colocadas pelo Ringo”.

A influência de Ringo Starr atinge músicos de diversas gerações, até hoje, como atesta Japinha, baterista do CPM 22. “Seus arranjos deixaram as músicas dos Beatles muito mais interessantes, pois não eram convencionais. Ele tocava fácil e tocava bem. Os bateristas devem agradecer por sua contribuição. Prefiro Ringo que muitos virtuosos das baquetas”, elogia.


(Em sentido horário: Charles Gavin, João Barone, Serginho Herval e Japinha derretem-se pelo baterista dos Beatles)

No show que vem por aí, porém, o setentão Ringo mais canta que toca. À frente de sua All Starr Band, deixa as baquetas para o não menos talentoso Gregg Bissonette. O repertório, no entanto, transborda de clássicos, como ‘Yellow Submarine’, ‘With A Little Help From My Friends’ e ‘It Don’t Come Easy’. LSM

segunda-feira, 4 de julho de 2011

Hoje ainda é dia do rock rural de Sá, Rodrix & Guarabyra

Trio concorre ao Prêmio da Música Brasileira e filha de Zé Rodrix lança tributo ao pai

Rock rural é o gênero que mescla o rock com a música sertaneja (a original, e não a atual subclassificação ‘universitário’, por favor) e teve seu maior expoente no trio Sá, Rodrix & Guarabyra. Zé Rodrix morreu em 2009, mas este ano os três concorrem ao Prêmio da Música Brasileira — que acontece quarta-feira, no Theatro Municipal — com o disco póstumo ‘Amanhã’. Trata-se, na verdade, de um CD de canções inéditas gravado em 2008, que só foi lançado ano passado.

(passado: Sá, Rodrix & Guarabyra nos anos 1970)

“Ficamos sem saber o que fazer com esse disco. Como saiu uma voz, não dava para fazer shows de divulgação. Esse prêmio pode causar uma espécie de relançamento, ou o verdadeiro lançamento dele”, aposta Guarabyra.

Prestes a completar 40 anos de carreira, a dupla Sá & Guarabyra anuncia que a data será celebrada com novas canções da estrada. “Estamos compondo para o repertório do CD e DVD que vamos gravar para lançar ano que vem”, antecipa .

 (presente: Sá & Guarabyra, em foto recente)

Paralelamente a isso, a atriz e cantora Marya Bravo, filha de Zé Rodrix que está em cartaz no musical ‘Um Violinista No Telhado’, dispara este mês um álbum em tributo ao pai, chamado ‘De Pai Pra Filha’. “Gravei os principais sucessos, como ‘Casa no Campo’, ‘Mestre Jonas’,  ‘Hoje Ainda É Dia de Rock’ e ‘Soy Latino Americano’. Esse CD é uma forma de ficar perto dele, manter sua música viva e apresentar sua obra para as novas pessoas”, define Marya.

(futuro: Marya Bravo e banda)

Os ‘tios’ aprovam a herdeira de Rodrix. “Já observava o talento dela, mas extrapolou todas as minhas expectativas”, derrete-se Sá. LSM

quarta-feira, 22 de junho de 2011

Hermeto Pascoal festeja os 75

Músico comemora o aniversário com show em Bangu e relembra os tempos em que morava na Zona Oeste

Em sua música ‘Casa do Campeão’, a cantora Joyce ensina o caminho: “Pega a Avenida Brasil no km 32/Quando à direita aparece o Motel Carbonara/Você vai ver uma placa indicando Bangu/Entra à direita na placa/Passa por baixo do elevado/E procura o Jabour”.

O trajeto levava direto à casa em que morava o músico Hermeto Pascoal. Atualmente vivendo em Curitiba, ele volta hoje às redondezas, mais precisamente à lona cultural que leva o seu nome, em Bangu (Praça 1º de Maio s/nº), para comemorar o aniversário de 75 anos do jeito que gosta: no palco. “Tenho um amor enorme por aquela região. O Jabour faz parte da minha alma. Morei 20 e tantos anos lá e foi onde fiz mais músicas na vida”, derrete-se o aniversariante.

Aos 75, idade em que a maioria das pessoas está aposentada, Hermeto Pascoal, ao contrário, parece cada vez com mais energia. Qual o segredo da longevidade? “É difícil a gente conseguir viver fazendo o que gosta. Enfrentei muita dificuldade para vencer com esta minha música, que chamo de música universal. Mas, se não tivesse enfrentado as adversidades, eu não estaria hoje assim, tão gostoso”, diverte-se o namorado da também multi-instrumentista Aline Morena, 40 anos mais nova. “A lona vai ficar pequena, tem gente vindo até do Texas para a festa!”. LSM

domingo, 19 de junho de 2011

Exaltasamba continua

É de Thiaguinho a afirmação de que ele e Péricles vão carregar os músicos do grupo em suas respectivas carreiras solo

Exaltamaníacos e, principalmente, exaltamaníacas: não há motivo para tanto chororô, cabelos arrancados e ranger de dentes. Grupo mais bombado e com a agenda mais cheia do momento, o Exaltasamba na verdade não acaba: se divide em dois. Vocalista e principal estrela da banda atualmente, Thiaguinho promete que nenhum dos outros integrantes vai ficar na rua da amargura quando ele e o também cantor Péricles saírem em carreira solo, em 2012. Dá para dizer, de brincadeira, claro, que um fica com o ‘Exalta’ e o outro, com o ‘Samba’.

“Na banda só tem músico fera, de primeira qualidade. A última preocupação deles no momento é ficar sem trabalho.  O grupo para entre aspas, porque eu e o Péricles vamos levá-los com a gente”, garante Thiaguinho.

A tal ruptura será, então, algo como quando, vocês vão lembrar, Claudia Leitte decidiu voar solo, recebendo músicos de sua ex-banda Babado Novo na nova fase. Além disso, o Exalta prefere chamar a separação não de “fim”, mas de “intervalo nas atividades”, podendo retomá-las no futuro.

“Estou muito tranquilo sobre a minha decisão. Sou totalmente movido pela emoção. Temos uma situação financeira mais que ótima, está tudo lindo”, define o vocalista.

Mas, Thiaguinho, você já pensou que a empreitada solo pode dar com os burros n’água, como foi com Vavá (ex-Karametade), Salgadinho (ex-Katinguelê), Rodriguinho (ex-Os Travessos) e tantos outros?

“Cada caso é um caso. Música não tem fórmula: é sentimento. Se atingir o coração das pessoas, então está certo. E, por outro lado, lembre-se que, quando entrei no Exalta, nenhum grupo tinha dado certo trocando de vocalista”, ressalta.

A histeria crescente que envolve o Exaltasamba hoje tem — guardadas as devidas proporções, por favor — ares de beatlemania, com direito até a uma Yoko Ono. Na Internet, há quem aponte o dedo para a atriz Fernanda Souza, namorada de Thiaguinho, acusando-a de incentivadora da dissolução da banda. O vocalista faz questão de desfazer rapidamente o mal-entendido.

“Estou namorando com ela há apenas três meses. Definimos o recesso em uma reunião em janeiro. Eu só a conheci depois, é que a informação só veio a público agora. E, mesmo assim, ela nunca opinou em nada. Nem ela, nem ninguém”, decreta.


 Certo de suas convicções, quero ver como você se sai nesta, Thiaguinho: por que Zeca Pagodinho canta samba e o Exaltasamba toca pagode?.

“É tudo a mesma coisa. Fico triste por existir essas discussões tentando decifrar música. Eu faço a minha, se não agradar, muda de rádio”, sugere.

CINCO MINUTOS COM:  Edison Coelho, um diretor de marketing com um toque de midas
O trabalho de divulgação feito com o Exaltasamba ultimamente é de grande êxito. Eles estiveram em praticamente todos os programas de rádio e televisão imagináveis, proeza que todo produtor e empresário sonha para seus artistas, mas nem todos conseguem. O mérito pode ser creditado a Edison Coelho, diretor de marketing do grupo, que tem no currículo trabalhos com Zeca Pagodinho, Martinho da Vila, Paulinho da Viola, Beth Carvalho e Raça Negra, entre outros. Fomos atrás dele para tentar decifrar o fenômeno Exaltasamba.

1. Edison, afinal, qual é o seu segredo?
— O segredo é um grupo sempre disposto a trabalhar, além de uma equipe de promoção com um representante em cada estado. Temos mais funcionários que qualquer companhia de discos. E o mais importante: o repertório. Nos últimos meses, já estouramos cinco músicas em todo o Brasil.



2. Como você faz seu planejamento de mídia?
— Para mim, o rádio ainda é o sol. Os programas de televisão amplificam o sucesso, e a imprensa dá credibilidade ao produto. Estamos ligados também na Internet. Temos o site oficial do grupo, além de Twitter, Facebook, Orkut e YouTube.

3. 

Existe jabá em TV e rádio?
— Isso não existe. O que existe é uma parceria entre os empresários. O artista, por exemplo, participa dos shows de aniversário das rádios, ou faz apresentações acústicas exclusivas...



4. Como você vê essa recém-anunciada parada nas atividades, no auge do sucesso?


— Já vi outros casos parecidos. Quando um cantor se sobressai no grupo, isso acaba acontecendo. Acredito que o Thiaguinho vá continuar com o sucesso, uma vez que tem carisma, canta muito bem e, além de tudo, compõe as músicas.

5. Essa parada faz parte da estratégia para chamar a atenção para o grupo?
 

— Chamar atenção? Mais? Não, não é o caso. LSM

quinta-feira, 16 de junho de 2011

Nos passos de McCartney

Elogiado por Erasmo Carlos, baixista canhoto Pedro Dias estreia em disco inspirado pelos Beatles

Ele é baixista, canhoto, cantor, compositor, gosta de se apresentar metido em terninhos bem ajustados, eventualmente se aventura também na produção, além de tocar com um dos maiores ídolos do rock. A descrição pode até levar a crer que estamos falando de Paul McCartney, mas nosso personagem está bem pertinho de nós: é o músico carioca Pedro Dias.

Aos 30 anos, ele é responsável pelos graves no som de Erasmo Carlos e integrante dos grupos Filhos da Judith — que lança mês que vem o primeiro CD, pela Coqueiro Verde, gravadora do próprio Erasmo, com produção de ninguém menos que Liminha — e Beatlemaníacos. Este, com repertório dedicado, claro, aos Reis do Iê-Iê-Iê.

De fato, McCartney é sua grande referência, mas, modesto, ele mesmo descarta a associação recorrendo à clássica tirada: “O Paul é incomparável”. “Resolvi ser músico quando assisti ao documentário ‘Anthology’, dos Beatles. Mas também sou fã de baixistas como o Sting ou o Geddy Lee, do Rush. E, por ser canhoto, também sou vidrado no Jimi Hendrix”, enfileira suas preferências.

O som e o visual retrô adotado pelo Filhos da Judith — formado ainda por Luiz Lopes e Alan Fontenelle -  têm inspiração nos Beatles e na Jovem Guarda. “Somos fãs do Erasmo desde pequenos, e queríamos imitar nossos ídolos. Na época em que montamos o grupo, a moda era o grunge. A gente era diferente de todo mundo”, conta.

Quando Erasmo escutou o Filhos da Judith pela primeira vez, foi como se o sonho não tivesse mesmo acabado: “Fiquei curioso para saber que drogas eles tomavam: aquilo era bom demais!”, define o Tremendão.

EM ESTÚDIO
Em agosto, Erasmo Carlos lança seu novo CD, com o sugestivo título ‘Sexo’. “O disco está demais, ele continua incrível, cheio de melodias maravilhosas”, descreve Pedro Dias.

O CD do Filhos da Judith, homônimo, sai antes, em julho. “A extensão vocal do Pedro impressiona, quisera eu cantar como ele. Além disso, é um excelente baixista, e tocar baixo e cantar é difícil, para poucos, como o McCartney”, se desmancha o e produtor do disco e ex-Os Mutantes Liminha. LSM (fotos: Pedro Dias por Nathan Thrall; com Erasmo por Renata Quirino; e Filhos da Judith por Daryan Dornelles)

segunda-feira, 13 de junho de 2011

O jazz toma a Lapa sambista


Tem maluco, tem madame, tem ‘maurício’, tem artista e executivo engravatado pós-trabalho. Misturados aos típicos ambulantes, mendigos e malandros da Lapa, todos se esbaldam ao som de um grupo de virtuosos instrumentistas de 20 e poucos anos que, toda quarta-feira, entopem de gente a esquina da Rua da Lapa com a Rua Taylor. E, curioso, não se trata de mais uma das características bandas de samba do bairro boêmio. O Nova Lapa Jazz existe há três meses e toca apenas música instrumental, internacional e brasileira, de Miles Davis a Tom Jobim.

“A gente queria fazer um jazz não elitista, além de encontrar um espaço para ensaiar sem ter que pagar, onde a galera pudesse dar canjas”, conta o guitarrista Gabriel Ballesté, 21 anos.

Os meninos, ao que parece, criaram um monstrinho: o que começou como um tímido encontro de amigos virou o novo point carioca, reunindo centenas de pessoas, espremidas pelas calçadas e ruas da área.

“Não esperava que virasse esse Carnaval todo. Pensei que daria, no máximo, umas 50 pessoas”, surpreende-se o saxofonista Iuri Nicolsky, 24.

Sem contar a qualidade musical da moçada, outro atrativo dessa noitada de jazz é que o show é gratuito. No final da sessão, claro, passam o chapéu. “Dá para faturar umas 300 pratas. Não é muito, mas dá para o gasto. As pessoas contribuem com R$ 5 ou R$ 10, mas já teve um gringo louco que deu R$ 50”, conta Nicolsky.

Além dos amigos, amigos dos amigos e curiosos em geral, o Nova Lapa Jazz atrai um sem número de instrumentistas, que aparecem apenas para escutar ou para dar uma palinha. Na última quarta-feira, um dos mais talentosos e respeitados bateristas do mundo, Robertinho Silva (leia-se Milton Nascimento, Chico Buarque, Tom Jobim e Sarah Vaughan, entre muitos outros) encostou no balcão do boteco mais próximo, pediu uma cervejinha, ficou de ouvido ligado e ainda fez um som com os garotos.

“Isso, acontecendo assim, no meio da rua, é maravilhoso! Hoje, esse tipo de coisa só rola no centro da cidade. Nos anos 70, era na Zona Sul, onde agora está tudo muito caro e inacessível ao grande público”, compara o músico.

Os integrantes do Nova Lapa Jazz — Eduardo Santana (trompete, 26), Antonio Neves (bateria, 20), Caetano Salles (baixo, 30), além de Gabriel e Iuri — mantém um blog (www.jazznobuteco.blogspot.com), no qual postam semanalmente vídeos com os melhores momentos das apresentações. LSM (fotos Luiz Lima)

segunda-feira, 30 de maio de 2011

O coração futurista de Egberto Gismonti

Existem músicos que, quando há a oportunidade de conferi-los ao vivo, não se deve deixar passar por nada. Se a apresentação for gratuita, então, nem se fala. Um desses músicos é o compositor, multi-instrumentista e arranjador Egberto Gismonti. Hoje, ele toca às 20h, na abertura do encontro internacional de cosmologia e gravitação, no Espaço Tom Jobim, no Jardim Botânico (senhas no local a partir das 18h30).


Qual a relação de sua música com o pensamento pensamento científico, tema do evento no qual você se apresenta?
Egberto Gismonti: Imagino que esteja distante do pensamento científico. Eu mexo com música, elemento ou coisa que não permite medidas exatas. O sujeito pode estar próximo da música e não estar próximo ao equilíbrio de massas sonoras, que representa o equilíbrio entre os naipes de qualquer orquestra. Para estar inspirado no pensamento científico, eu precisaria desaprender muita coisa até alcançar um patamar de admissão que ainda está muito distante de mim.

São novas canções, especialmente para a ocasião?
Egberto Gismonti: Eu faço uma música só que vai sendo esticada desde o início. Já está com o tamanho de mais de 60 discos, um monte de filmes, balés, peças teatrais... Hoje, preparei um show especial para a ocasião.

Algumas daquelas que chamam de 'clássicos' de sua carreira, como 'Loro', 'Palhaço' ou 'Frevo', estão cogitadas para a apresentação?
Egberto Gismonti: Não, não estão cogitadas.

Qual seu interesse sobre o universo científico? Lembro que artistas, como o Gilberto Gil, por exemplo, fizeram canções inspiradas pelo tema.
Egberto Gismonti: Meu interesse é pelo desconhecido, é pela questão, pela dúvida, pelo desconhecimento. Desta forma, meu interesse pelo universo científico é tão grande que ainda não o percebo de forma evidente. Não sei onde ou como a música se encontra com a ciência me inspirando. Aliás, acho que inspiração é um patamar pouco comum no meu cotidiano. Durante muito tempo confundi excitação com inspiração. Agora que esses parâmetros ficaram um pouco mais claros, retomei o papel e a caneta para escrever música. É preciso ser rápido na escrita de uma ideia que aparece pronta ou quase. Computador ainda é lento quando a inspiração/excitação/descarrego/necessidade ou qualquer qualificação que tenhamos para a anotação da expressão de uma ideia filtrada pelo filtro de maior conhecimento pessoal. Quando a música orquestrada aparece na audição, anoto rápido, tento segui-la com códigos de escrita que fazem parte da linguagem que aprendi, rabisco, ponho setas pra lá e pra cá, pronto... a ideia está anotada. Em seguida, 'ligo' o departamento intelectual e coloco o estudo à serviço da tradução do que 'ouvi'. Depois disso, música ouvida, escrita, traduzida com cara de partitura, aí sim, passo para o meu editor preferido instalado em computador. De qualquer forma seria lindo se as ideias musicais pudessem ser anotadas com mais velocidade para garantir veracidade.

Você desfruta de reconhecimento tanto no meio do jazz quanto no erudito - e até do pop (por que não?), já que há muitas canções, cantadas, e flerte com o rock progressivo... O que acha disso, de flutuar com tanto crédito por tantos meios?
Egberto Gismonti: A música é benevolente e eu a reverencio todos os dias. Ela me ensina diariamente que sou um instrumento dela. Por vezes precisei ler muito para estar mais próximo dela; outras vezes, fui para o mato viver entre os índios, para a Índia, para Austrália conhecer os tocadores de didjeridu, sempre a música me levando, mostrando, norteando. A impressão que tenho é que ela vive intensamente no Brasil.

Recentemente, Buenos Aires foi tomada por cartazes anunciando uma apresentação sua... como é sua carreira e reconhecimento por lá? E em quais outros países da América Latina você tem tal destaque?
Egberto Gismonti: Como dizem alguns dos meus amigos, viajar e tocar 22 vezes em um país significa receber/estabelecer o 'usucapião' da amizade e respeito. Uruguai, Chile e Panamá são países que frequento bastante. Cuba está me dando tantos amigos que já estive lá, sempre pra tocar ou gravar, umas oito vezes nos últimos 10 anos.

Como vê o cenário da música popular brasileira atualmente? O que vem despertando sua atenção?
Egberto Gismonti: Continuo recebendo cerca de 10 CDs ou demos por mês. Escuto e respondo detalhadamente cada faixa. Muitas coisas despertam a atenção, sobretudo pelo fato de estar sentado em casa, receber os CDs por correio. Dou preferência ao formato tradicional por uma questão de exclusividade. Tenho um compromisso comigo mesmo de ouvir e comentar mais ou menos 10 CDs por mês. Essa ação entre amigos abre portas para que eu entenda o Brasil de uma maneira menos regional e mais abrangente.