quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

Os anos 80 em piano e voz

Você já ouviu Nico Rezende e nem sabe. “Isso acontece muito nos shows. Vou cantando minhas músicas, e o público pergunta: ‘Mas essa também é sua?’. Quando lancei meu último disco de inéditas, em 2007, no fim das apresentações perguntavam se o CD tinha as antigas canções conhecidas, e não tinha. Por isso, resolvi regravar e renovar este repertório”, explica o cantor e compositor.

Para resolver o imbróglio, Nico Rezende desnuda seus sucessos em ‘Piano & Voz’, CD que comemora 25 anos de carreira. É impossível escrever a história do pop brasileiro dos anos 80 sem tocar algumas vezes em seu nome. Em 1987, sua bonita balada ‘Esquece e Vem’ liderou por semanas consecutivas as paradas. Logo compôs mais sucessos, só que para as vozes de outros artistas: Ritchie fez de ‘Transas’ (“Tanto tempo faz que a gente transa/E não se conversou...”) um megahit, Zizi Possi gravou ‘Perigo’ (“Perigo é ter você perto dos olhos/Mas longe do coração...”) e Marina registrou ‘Pseudo Blues’ (“O certo é incerto/O incerto é uma estrada reta...”).

Depois de emplacar essas e outras, o nome de Nico Rezende sumiu. Mas ele não se afastou da música. “Aconteceu tudo muito rápido naquela década. Produzi e gravei com muita gente, com Marina, Lulu Santos e até Roberto Carlos. Gravei o piano e fiz o arranjo original de ‘Codinome Beija-Flor’, do Cazuza. Mas, nos anos 90, minha vida deu uma virada e voltei a fazer jingles, atividade que tinha no início da carreira, trabalhando com Zé Rodrix. Montei uma produtora e fiz muitas trilhas para teatro e cinema. Fiz a direção musical de humoristas como Chico Anysio, Tom Cavalcante, Nelson Freitas e Eri Johnson, e até emplaquei na TV o tema de abertura de ‘Malhação’”, lista Rezende.

Hoje, ele olha para trás com nostalgia daqueles já saudosos anos 80. “Costumo dizer que tudo o que era música aqui no Rio virou comida: tanto os espaços para shows quanto os prédios onde eram as gravadoras viraram mercados ou restaurantes”, brinca. No entanto, Nico Rezende reconhece avanços no cenário musical. “Antes, o artista tinha muito pouca autonomia. A gravadora tinha um conselho que escolhia o repertório, o arranjador, praticamente tudo. Hoje, tudo é muito mais democrático. Qualquer pessoa que tenha uma canção, pega o violão, grava e em cinco minutos já está no YouTube”, compara ele.

Só uma coisa parece não ter mudado em sua carreira desde os anos 80 até hoje: “É impossível eu fazer um show sem cantar ‘Esquece e Vem’. Saio sob vaias se não tocar esta música”, diverte-se o cantor e compositor. LSM

quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

Repensado

Gabriel O Pensador lança novo CD depois de sete anos, credita o sumiço indiretamente à separação e assume que mudaria a letra de ‘Lôraburra’

Foram sete anos de um jejum fonográfico, que Gabriel O Pensador acaba de quebrar. Conforme antecipado pelo jornalista Mauro Ferreira em sua coluna semanal ‘Estúdio’, no jornal O DIA, o rapper carioca de 38 anos volta ao disco com ‘Sem Crise’, sétimo da carreira.

O Pensador reaparece bem-acompanhado por nomes como Nando Reis, Rogério Flausino (do J.Quest), Jorge Benjor (na faixa ‘Solitário Surfista/Surfista Solitário’, que está tocando nas rádios), Carlinhos Brown e o grupo legalize ConeCrewDiretoria. Sua caneta continua afiada, e ele, que já mirou nas louras burras, nos playboys e no ex-presidente Collor, neste lançamento dispara, entre outros alvos, contra a raça masculina (em ‘Homem Não Presta’) e a fofoca (‘Foi Não Foi’).

“Esta letra, de ‘Foi Não Foi’, foi bem loucona, fiz com o (Carlinhos) Brown e na verdade a gente não conclui nada sobre o assunto. Ele é muito criativo, a gente poderia ter feito um disco inteiro só com as ideias que saíram no nosso freestyle”, conta ele, cujos versos “Será que tá pegando?/Será que vai comer?/Será que tá fumando?/Será que vai beber?” surgiram depois de ele ser vítima dos temidos paparazzi. “Já me causaram muito mal-estar. Uma vez, quando estava solteiro, fui com meus filhos à praia e encontrei uma amiga, aí saiu a manchete ‘Gabriel e sua nova namorada’. Pô, o cara tinha certeza de que não estava rolando nada. Isso é sacanagem. É ruim, poderia ter me ferrado se estivesse com romance com alguém. Até na missa de sétimo dia do meu avô, estava toda a família, aí o fotógrafo esperou eu ficar sozinho no quadro com minha prima de 18 anos, e publicou: ‘Gabriel vai à igreja com morena misteriosa’. É f...”, desabafa.

Ele enfatiza que “estava” solteiro. Não está mais. Hoje, passeia pela cidade (e continua sendo flagrado pelos sites de fofoca) ao lado da namorada, Júlia. O fim do casamento de dez anos com a atriz e cantora Ana Lima, mãe de seus dois filhos, fez Gabriel repensar muita coisa. “Meu sumiço da música tem a ver indiretamente com isso. Eu me enfiei muito no futebol (ele criou o projeto ‘Pensador Futebol’, que descobre novos talentos da bola), porque a separação me fez querer trabalhar muito”, revela.

O Pensador está mesmo mudado. Ele, inclusive, assume que, hoje, mudaria a letra de seu clássico ‘Lôraburra’. “Até parei de cantá-la nos shows. Tem um lado moralista que não concordo mais. O mundo evoluiu, assim como a liberdade sexual. Se a garota quer usar roupa curta, beber e fumar, deixa ela. Se eu tivesse uma filha mulher, não seria o pai caretaço”, afirma. LSM

terça-feira, 18 de dezembro de 2012

O guitarrista do ‘The Voice Brasil’

Durante as etapas do reality ‘The Voice Brasil’, Lulu Santos fez duetos com os colegas Carlinhos Brown, Claudia Leitte, Daniel e com o convidado especial Erasmo Carlos. Além de cantar com os famosos, Lulu também jogou os holofotes em um músico ainda pouco conhecido do grande público. Não se trata de um dos calouros que participaram no programa, mas do guitarrista Rodrigo Nogueira, da banda do ‘The Voice Brasil’, que acompanhou todos os candidatos semana após semana durante a maratona. Lulu o escolheu para dividir a sua ‘Um Certo Alguém’ e, ao final da execução, ainda pediu aplausos exclusivos para ele, citando-o nominalmente.

“Viramos amigos. Já toquei tantas músicas dele em bares que é um sonho conversar tão intimamente com o Lulu, e ver que, mesmo sendo tão famoso, ainda tem as mesmas neuroses de qualquer guitarrista iniciante, sobre o funcionamento dos pedais, dos amplificadores”, diz Nogueira.

A aproximação não parou por ali. O arranjo de ‘Um Certo Alguém’ apresentado no programa — em formato acústico, com direito a instrumentos pouco usuais como o ukulele e o violão dobro — foi surrupiado por Lulu, com prévio pedido de autorização, da banda do próprio Rodrigo Nogueira, a Suricato, que a toca desta forma em seus shows e acaba de lançar sua estreia em disco, ‘Pra Sempre Primavera’.

“Vamos entrar em estúdio em janeiro, com participação do próprio Lulu, para gravar esta versão de ‘Um Certo Alguém’, e lançar na internet”, anuncia o guitarrista.

Não só Lulu Santos vem se derretendo por Rodrigo Nogueira. Nando Reis, que convidou a Suricato para abrir os shows de sua recente turnê, ‘Bailão do Ruivão’, chegava a invadir o palco, empolgado, para cantar com o grupo. “Saca aquela canção que faz você querer cantar, pois parece que você já a conhecia, mas que você nunca ouviu? Pois é! Suricato! Acho muito bom”, elogia Nando Reis.

Moska o chamou para gravar seu novo DVD, que sai ano que vem: “Quando escutei a guitarra e a voz de Rodrigo Nogueira pela primeira vez, imediatamente percebi seu talento”. LSM

quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

Histórias das mulheres veneno

Coautor de sucessos dos anos 80 como ‘Menina Veneno’ e ‘Vida Bandida’, poeta e escritor Bernardo Vilhena lança livro que analisa a mulherada cheia de atitude na noite carioca

Em 1983, o poeta e escritor Bernardo Vilhena fez todo mundo cantar as aventuras de sua ‘Menina Veneno’, sucesso que escreveu com o cantor Ritchie. Quase 30 anos depois, ele percebe que as meninas mudaram e estão cheias de atitude. A evolução dessa mudança é relatada nas 183 páginas de seu novo livro, ‘Bar Bukowski — Histórias Que Não Deveriam Ser Contadas’ (R$ 30), através de casos vividos no badalado boteco da rua Álvaro Ramos, em Botafogo, que completa 15 anos.

“Hoje, as mulheres têm uma atitude mais liberta. Elas se tornaram predadoras confessas e não há muito espaço para o ciúme na noite carioca, onde o sexo e a bebida rolam sem o menor sinal de culpa”, observa Vilhena.

Na obra, ele revela tipos femininos marcantes, como as três mulheres de vermelho que nunca foram juntas ao bar, mas que abalavam a estrutura de seus frequentadores, ou as mulheres que insinuavam estarem juntas para alavancar as paqueras masculinas: as meninas veneno do século 21. É, Bernardo Vilhena não consegue escapar de seu maior sucesso.

“Na época, eu não aguentava mais ouvir a música, de tanto que tocava, em tudo quanto é lugar. Fugi para a Amazônia e lá, atracando com um barquinho em uma beira de rio, de um radinho daqueles da Zona Franca de Manaus, adivinha o que estava tocando? ‘Menina Veneno’, claro!”, diverte-se. “Mas adoro a música, é como uma carteira de identidade minha”.

Esta, no entanto, não é a sua única canção conhecida de cabo a rabo por uma geração. “Sonhei a letra de ‘Vida Louca Vida’, e no sonho quem cantava era o Cazuza. Depois que o Lobão lançou a  música, encontrei o Cazuza, que me falou que iria gravá-la também. Foi surreal, porque eu não tinha contado a ele sobre o surgimento da letra”, recorda.

A parceria com Lobão gerou ainda vários outros sucessos, como ‘Vida Bandida’, ‘Revanche’, ‘Chorando No Campo’ e ‘Corações Psicodélicos’. Vilhena, porém, rompeu com o polêmico roqueiro ainda nos anos 80. “Eu era seu produtor e diretor de shows. Quando ele, já com problemas com drogas, abandonou um especial de televisão no meio da gravação, eu decidi que não dava mais”, conta.

Lobão, por sua vez, diz que Vilhena provocou uma briga com sua irmã, Glória, com quem não reatou mais o contato. “Isso é mentira dele. O Lobão odeia as pessoas que amou um dia. Quando ele fizer um show sem cantar nenhuma música minha, ele pode vir falar comigo”, dispara ele, que diz não ter lido a autobiografia do cantor. “Não há hipótese de eu querer saber de parte da minha vida contada de forma distorcida. Mas eu sou amigo do Lobão. A gente só não se fala mais”. LSM (foto Maíra Coelho)

segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

Fuzzcas em videoclipe

Fuzzcas, banda que integro como guitarrista, acaba de lançar seu primeiro videoclipe, produzido pela Polivalente Filmes para a música 'Acorde Mais Cedo', confiram:


Fuzzcas é vintage por natureza. Um conceito impresso na alma de seus integrantes desde sempre, muito antes de o termo virar cult e, pasmem, paradoxalmente ser associado à coisa moderna, de vanguarda. Fuzzcas não faz concessões. Se limita a buscar a essência apenas da melhor música pop já produzida em todos os tempos, e somente nela se fixa para criar a centelha da inspiração de suas pérolas atemporais. São joias de dois, três minutos, que concentram toda a estética sonora que é a verdade dos corações e mentes desses quatro músicos: Carol Lima (voz), Leandro Souto Maior, este que vos escreve (guitarra), Fabiano Parracho (baixo) e Lucas Leão (bateria).

Esta música que acaba de ganhar videoclipe, 'Acorde Mais Cedo, remete aos bons e velhos tempos em que se ouviam discos com prazer da primeira à última faixa, tempos que voltam, sim, e o Fuzzcas está aí para resgatar tal sensação. Faz tempo o rock passeia por linhas tortas na tentativa de se reinventar, e dá muitas voltas para chegar em destino algum - ou voltar ao mesmo ponto. Fuzzcas reescreve certo, e oferece soluções realmente originais para o gênero. Fique experimentado: sinta Fuzzcas. LSM

terça-feira, 27 de novembro de 2012

Ídolo da Legião Urbana volta ‘ansioso por algo novo’

Dado Villa-Lobos admite frio na barriga ao lançar novo disco, com participações de Paula Toller, Mallu Magalhães e amigos músicos

Ele já tocou diante de plateias imensas como guitarrista da Legião Urbana, mas ainda resiste em Dado Villa-Lobos um frio na barriga, como nos tempos em que iniciava os primeiros acordes em Brasília com a banda na virada dos anos 70 para os 80. “A Legião foi um auge insuperável, uma época em que muita coisa relevante aconteceu na minha carreira, mas agora estou ansioso por algo novo”, explica um entusiasmado Dado.

O músico lança hoje sua volta ao disco. ‘O Passo do Colapso’ traz 12 canções e está disponibilizado primeiramente apenas na Internet (em www.dadovilla-lobos.com.br) e, no início de 2013, sai também no formato físico. “Tenho conversado com pessoas e a coisa toda da venda de músicas está mesmo mudando. No meu celular, posso baixar rapidamente um disco inteiro, e a um preço justo, em torno de R$ 20. Isso começou a me interessar”, conta.

Dado estava em casa: gravou tudo em seu próprio estúdio, no Horto, e se cercou, como de costume, de grandes amigos. Estão lá Paula Toller (Kid Abelha), Bi Ribeiro e João Barone (Paralamas do Sucesso), Fausto Fawcett, Mallu Magalhães, Toni Platão, Rodrigo Barba (Los Hermanos), Kassin (Orquestra Imperial, produtor do lançamento) e a harpista Cristina Braga, entre vários outros, além do velho companheiro da Legião Urbana Marcelo Bonfá, na bateria. “Foram dois anos de gravações, aproveitando brechas nas agendas de todos, aqui mesmo nesta sala”, descreve o guitarrista. “Antes de levar o disco para os palcos, no ano que vem, vou gravar vídeos esporádicos tocando as músicas novas com minha banda e ir postando no meu site, para a galera ir sentindo o clima”.

Dado Villa-Lobos está todo multimídia. “Os shows vão ter projeções de filmes que eu mesmo tenho feito em andanças de bicicleta pelo Rio há uns cinco anos. Quero brincar com essa ideia de juntar música com imagens”, descreve.

BEM ACOMPANHADO
Dado também anuncia que vai voltar a integrar um grupo. O Pan Am é uma superbanda formada por ele e ainda pelo baterista Charles Gavin (ex-Titãs), o baixista (ex-Barão Vermelho) e o cantor Toni Platão. “O nome vem de pan-americana, porque nosso repertório será exclusivamente de versões em português para rocks latinos”, detalha ele. “Vamos fazer shows, lançar disco e ainda há a proposta de transformar isso em um programa de TV no Canal Brasil”.

Dado gosta de dar as cartas em seu trabalho solo, mas também curte o clima de trabalhar em conjunto, e se orgulha de ter integrado uma das bandas mais amadas do rock brasileiro. “Não dá para descrever a força que foi a Legião, mas não podemos nos esquecer que éramos apenas quatro carinhas que gostavam de tocar”, ressalta, humilde. LSM (foto Ananda Porto)

domingo, 4 de novembro de 2012

Parece, mas não é

Sósias de famosos, que estrelam o clipe da dupla Nanah & Massa e fazem sucesso na Internet, falam de seus sonhos e dificuldades


Zacarias aparece vivo em videoclipe”, anunciou o irreverente site de humor Sensacionalista. E mais: “Acompanhado de outro morto muito louco, o Seu Madruga, além de outras figuraças, como Barack Obama, Anderson Silva, Luan Santana, Katy Perry e Ronaldinho Gaúcho”. Todos aparecem em um teste de elenco para contracenar com a dupla Nanah & Massa no clipe de ‘Mapa do Seu Coração’, música que nasce já com cara de hit. Ou melhor, de web hit. Em uma semana, foram mais de 2.500 visualizações na internet.

“Achei a ideia boa, pois nunca assisti a nenhum clipe, nem gringo nem nacional, destacando os sósias”, ressalta Daniel Massa, guitarrista e vocalista da dupla. “E eles são sempre tratados meio que na base do ridículo, mas eu sempre vi os sósias com um olhar diferente, um olhar de admiração, como uma homenagem aos ídolos. Tenho a curiosidade de saber como os sósias sobrevivem”.

Igualmente intrigado, fui descobrir como vivem e como se sustentam os sósias. “Passei a investir nisso quando começaram a falar que eu parecia muito com o Anderson Silva. Na empresa onde trabalho como auxiliar de enfermagem, tem cliente que até acha que é pegadinha, que eu sou o original mesmo. Depois do clipe, inclusive, uma agência de Salvador me chamou para fazer um comercial. Já recebi R$ 1.200 por uma diária. Se pudesse, viveria só disso”, conta Jorge Luiz Monteiro, também conhecido como ‘Spider’.


Sua história se parece com a de outros sósias: adoram ser confundidos com o original e posar para fotos com fãs, sonham em fazer disso seu ganhapão, mas têm que garantir um dinheiro fixo com outra ocupação. E eles vão se virando: Edilson dos Santos, o Ronaldinho Gaúcho, é gari; Ivan Pereira do Nascimento, o Seu Madruga, funcionário público; Alice Demier, a Katy Perry, é assistente de direção na TV Globo.

“Hoje, sou bem popular, mas fama é algo temporário. O carinho das pessoas nas ruas não tem preço, mas sei que se o Obama perder a eleição agora, podem perder o interesse em mim”, teme Rinaldo Gaudêncio, que além de ser a cara do presidente norte-americano, trabalha como motorista.

O cachê pode faltar, mas sobram histórias divertidas para contar. “Sou cover, mas minha peruca é original, pois ganhei da irmã do Zacarias quando fui a Sete Lagoas”, orgulha-se o técnico em telefonia José Melo, o ‘Zaca da Lapa’. “Meu sonho é um dia participar do ‘Criança Esperança’ com o Didi”.

DE CARA COM O ÍDOLO
Alguns sósias são tão parecidos que só dá para acreditar que não se trata do original colocando os dois juntos, cara a cara. Nem sempre tal encontro é possível, visto que alguns já morreram e outros são bem inacessíveis, como Barack Obama ou Katy Perry, por exemplo. O ‘Spider’ Jorge Luiz Monteiro, no entanto, já deu de cara com o verdadeiro Anderson Silva.

“Foi no aeroporto. Quando ele me viu, falou: ‘Caraca, igualzinho mesmo!’, e brincou dizendo que, na próxima luta, eu iria no lugar e ele só apareceria na hora de receber o cinturão”, relata Monteiro. Ele conta que também já foi lutador, mas que as semelhanças com o ídolo param por aí. “Minha voz não é fininha, como a dele. Mas quando estou atuando como sósia, tenho que imitar até isso. Estou praticando”, diverte-se. LSM

sexta-feira, 2 de novembro de 2012

Punks da periferia

Bandas, DJs e produtores fazem a cena roqueira da Baixada Fluminense ferver

Muita gente ainda acha que na Zona Sul as pessoas têm um gosto musical mais apurado e na Zona Norte e Baixada Fluminense é onde bombam os ritmos mais popularescos. A turma que faz ferver o rock em municípios como Nova Iguaçu, Mesquita, Nilópolis ou Duque de Caxias, no entanto, vê a questão de forma diferente. Eles atestam que lá a cena do gênero sobrevive firme e forte, enquanto a orla carioca, criticam eles, se vê cada vez mais refém das dancinhas e refrões do funk, do axé e do pagode. Fomos até Nova Iguaçu encontrar bandas, DJs e produtores que promovem eventos, shows e projetos em bares, lonas culturais ou nas praças da periferia, e encontramos uma agenda cheia de eventos de rock até o final do ano.

“Aqui, o público acompanha os grupos com devoção. Na Zona Sul, todos se acham e ninguém quer pagar ingresso”, compara Igor Assis, guitarrista e vocalista da banda Cretina.

Além desta, Stat-K, Maieuttica, No Trauma, AdVerita, Venore, Horizon Falls, T-Remotto, Obscura, Confronto, Fort Sun, Khaos Inside e Donacelia são outros nomes que já se destacam na Baixada e sonham cruzar a fronteira e alcançar seu território na cena nacional.

“De uns tempos para cá, estão surgindo cada vez mais festas dedicadas ao rock”, comemora Karina Vasconcellos, coprodutora da Laranja Mecânica. “O nome do evento tem uma inspiração histórica da cidade de Nova Iguaçu, que há tempos já foi conhecida como a terra da laranja”.

A quinta edição da festa já tem data marcada: 8 de dezembro, no Studio B. Este, também em Nova Iguaçu, é dos principais points da juventude rock na Baixada. A cena da Baixada tem o luxo de possuir até um selo, o Transfusão Noise Records, pilotado pelo também músico Le Almeida e que grava e lança, física e virtualmente (em www.transfusaonoiserecords.blogspot.com.br), discos de artistas da região. “Tem tantas bandas surgindo que os palcos daqui não dão conta. Daí que tive a ideia de oferecer a opção das pessoas ouvirem e conhecerem os grupos pelos discos ou pelo site”, conta Almeida.

No ponto de cultura Lira de Ouro, em Caxias, no Bar do Parrudo, que é decorado com discos de vinil nas paredes, embaixo do viaduto de Mesquita tem o espaço Setor BF, que recebe bandas de rock, a lista de opções é grande, confira as dicas dessa galera. LSM


ALQUIMIA ROCK SHOP: Loja especializada em camisetas de rock (www.alquimia-rockshop. blogspot.com). Avenida Governador Amaral Peixoto 569, Centro, Nova Iguaçu (2669-0947).

BAR DO PARRUDO: Shows e discotecagem dedicados ao rock clássico. Rua Pascoal Paladino s/nº, Chacrinha, Nova Iguaçu (7991-0991).

CASA DE CULTURA DE NOVA IGUAÇU: O projeto Quarta da Música abre espaço para bandas do município às quartas-feiras, às 20h. Rua Getúlio Vargas 51, Centro (2667-6208).

DARK GOTH FEST E LARANJA MECÂNICA: As próximas edições dos eventos acontecem no dia 17 deste mês e em 8 de dezembro, respectivamente, às 22h. Studio B. Avenida Henrique Duque Estrada Mayer 350, Alto da Posse, Nova Iguaçu.

LIRA DE OURO: Shows de rock. Rua José Veríssimo 72, Centro, Duque de Caxias (3774-4157).

PRAÇA DO SKATE: point de roqueiros, o espaço recebe shows de rock e eventos como o Roque Pense, dedicado a bandas com mulheres no vocal. Avenida Doutor Mário Guimarães s/nº, Centro, Nova Iguaçu.

RECREATIVO CAXIENSE: O clube abre espaço para shows de rock. Este mês, dia 11, tem Korzus. Já no dia 16 de dezembro, o espaço apresenta o Matanza, sempre a partir das 15h. Rua Manoel Vieira 397, Centro, Duque de Caxias (2671-0580). R$ 25.

SETOR BF: Shows de rock acontecem aos sábados, a partir das 20h. Avenida Baronesa de Mesquita 47, Centro. Grátis.

TRANSFUSÃO NOISE RECORDS: Selo que grava e divulga bandas e artistas de rock da região, baseado em Vilar Dos Teles. Confira no site www.transfusaonoiserecords.
blogspot.com.br

TRIBO DO ROCK: Roupas e acessórios para roqueiros das mais diversas tribos. Avenida Nilo Peçanha 98, sala 116, Centro, Nova Iguaçu (2695-5660).

VIADUTO DO ROCK: Ponto de encontro de bandas, DJs e apaixonados por rock. Praça Elizabeth Paixão s/nº, Centro, Mesquita. Todo domingo, a partir das 20h.

segunda-feira, 29 de outubro de 2012

No swing de ‘Suburbia’

Mesmo com sua canção ‘Pra Swingar’ na trilha da série global ‘Suburbia’, músico do Som Nosso de Cada Dia diz que está difícil colocar em casa o pão de cada dia 

Suburbia’, nova série da Globo, só estreia na quinta-feira, mas sua trilha sonora já está deixando todo mundo louco para dançar sempre que o comercial rola na televisão com a música ‘Pra Swingar’. O irresistível balanço é um clássico obscuro do já extinto grupo brasileiro de rock Som Nosso de Cada Dia, formado em São Paulo em 1971.

A tal canção é uma parceria de dois de seus integrantes, o baterista Pedrinho (naquele tempo era comum creditarem os músicos desta forma minimalista) e o baixista Pedrão. Este, Pedro Augusto Baldanza, único vivo da formação original, foi pego de surpresa com a volta de sua antiga composição às paradas.

“Um amigo mandou um recado no Facebook dizendo: ‘Parabéns, você está na Globo!’. Perguntei se ele estava maluco, achei que era uma sacanagem, até que minha filha confirmou. Puxa, você não imagina o que mexe com o meu lado psicológico ouvir a nossa música na Globo. Agora, finalmente vão ter que engolir o Som Nosso”, comemora Pedrão.

A alegria inicial, porém, esconde uma história triste. Ele conta que o contrato firmado com a editora EMI anos atrás tem cláusulas que são extremamente desfavoráveis para os compositores.

“Ainda estou me informando melhor a respeito dos direitos, não entendia nada disso. Soube que a Globo paga um preço fixo de R$ 3.600 pelo uso da música na série. Acontece que, nesse contrato que eu e Pedrinho assinamos no passado, a editora fica com 50%. Dinheiro, eu vou ver uma merreca. Mas não ligo, o que importa é ver as pessoas falando de novo da gente”, resigna-se.

Aos 60 anos, Pedrão, que já acompanhou Novos Baianos, Elis Regina, Ney Matogrosso e Gal Costa, entre outros, e atualmente toca com a dupla Sá & Guarabyra, diz que está difícil colocar em casa o pão de cada dia.

“Ultimamente está faltando dinheiro para pagar o aluguel e, às vezes, até para comer. A Globo demora uns 40 dias para pagar. Ferrou: vou ter que pedir dinheiro emprestado para ex-mulher ou para os meus filhos. Estou me virando. Se você não está na mídia, o máximo que consegue são as migalhinhas que caem no chão”, lamenta o lendário músico.

PROMOÇÃO INÉDITA
Para divulgar ‘Suburbia’, a Globo apostou na interatividade e lançou uma campanha em seus intervalos comerciais. Entre os dias 22 e 26 deste mês, uma chamada com cenas da série ao som de ‘Pra Swingar’ avisava que quem gostou da música poderia recebê-la por e-mail. Bastava fotografar a logomarca de ‘Suburbia’ que assinava o anúncio e encaminhar para um determinado e-mail.

“É a primeira vez que a Globo faz uma experiência desse tipo, de oferecer música via e-mail. Eles negociaram isso com a editora sem nem falar comigo. Pela promoção, a Globo vai pagar R$ 5 mil. Tem uma série de coisas nesse contrato que não entendo direito, só sei que, no fim das contas, vou dividir com a família do Pedrinho uns poucos reais que vão sobrar lá no final”, descreve Pedrão.

Mas nada disso parece tirar seu bom humor. “Acho o máximo essa promoção moderna em cima de uma banda que não existe mais e de uma música de 35 anos atrás. Pela primeira vez, estamos entrando na Globo. Pelo menos vou ter história para contar para meus netos”, celebra.

Pedrão conta ainda que há material inédito do Som Nosso de Cada Dia para vir à tona. “Em 2008, o pessoal da Virada Cultural de São Paulo me chamou para tocar nosso primeiro disco, o ‘Snegs’, que consideram um marco. O Pedrinho já tinha morrido, mas o nosso terceiro integrante, o Manito (ex-Os Incríveis), estava vivo e fizemos o show no Municipal de São Paulo. Foi o último show do Som Nosso. Tenho isso gravado e um dia, se tiver dinheiro, vou lançar em DVD. Em 1977, tocamos no mesmo Municipal, e foi a primeira vez que o espaço abriu para o rock. Só eu dei uns 30 ácidos para os malucos da plateia”, recorda. LSM

segunda-feira, 15 de outubro de 2012

Luz, câmera, canção!

Um papo de cinema com os músicos Lenine, Dado Villa-Lobos, Plinio Profeta e Carlinhos Brown, finalistas por suas trilhas sonoras no ‘Oscar’ brasileiro

Eles sabem tudo de gravações, shows e turnês. E quando o assunto é cinema, essa turma da música também gosta de dar seus pitacos. Sempre que podem, contribuem nas trilhas sonoras e ainda faturam suas estatuetas. Hoje, é dia de concorrer a mais uma, na cerimônia do Grande Prêmio do Cinema Brasileiro, a partir das 20h, no Theatro Municipal do Rio de Janeiro.

Reunimos Lenine, Dado Villa-Lobos e Plinio Profeta, e ainda fomos atrás de Carlinhos Brown (que não pôde comparecer ao encontro por estar ocupado no programa de televisão ‘The Voice’), todos finalistas na categoria Melhor Trilha Sonora, para um papo cinematográfico. “Quando servimos ao cinema, somos só uma peça na engrenagem, ao contrário dos nossos shows, onde somos o centro das atenções”, compara Lenine, que concorre pela trilha do filme ‘Amor?’, de João Jardim.

Ser coadjuvante não diminui o tesão desses músicos ao preparar canções para um longa. Muito pelo contrário. “É mais livre, não precisa ter refrão, nem dois minutos de duração para tocar no rádio”, explica Plinio Profeta, autor da trilha de ‘O Palhaço’, filme dirigido por Selton Mello que é candidato a representar o Brasil na disputa pelo Oscar 2013.


Para explicar sua paixão pela música e pelo cinema, Dado Villa-Lobos chegou a criar um verbo. “É o ‘ouver’, mistura de ver e ouvir. Imagem e som andam cada vez mais juntos, tanto que, quando queremos procurar uma música na Internet, vamos ao YouTube”, ressalta o guitarrista da Legião Urbana e candidato ao Grande Prêmio por ‘Malu De Bicicleta’, de Flávio Tambellini.

CAVEIRA NO VOCAL
Dos três, Dado é o mais rodado quando o assunto é trilha: já acumula nove no currículo. Plinio e Lenine, no entanto, já experimentaram atuar. “Vivi o profeta Gentileza em um curta, mas sou um péssimo ator, um canastrão”, assume Lenine.

Apesar de rivais na disputa pelo troféu hoje, eles concordam em todo o resto: da qualidade do cinema brasileiro à performance do ‘Capitão NascimentoWagner Moura no recente tributo à Legião Urbana. “Ele foi um gladiador!”, elogia Dado, atestando que o ator é caveira no vocal.

‘NÃO ESPERAVA A INDICAÇÃO’ 
Carlinhos Brown concorre ao Grande Prêmio do Cinema Brasileiro por sua trilha para o filme ‘Capitães de Areia’, dirigido por Cecília Amado. O baiano disputou este ano o cobiçado Oscar, com a música que fez com Sergio Mendes para a animação ‘Rio’. Não levou.

“Muitas pessoas têm lutado em torno de um reconhecimento da Academia. Eu não esperava a indicação, nem um honroso segundo lugar, já que só duas músicas concorreram”, avalia Brown. “Estou estudando para chegar lá. As oportunidades continuam fortíssimas em relação à América”.

Plinio Profeta está animado, mas teme que, se ‘O Palhaço’ for indicado, não leve o Oscar. “O francês ‘Intocáveis’ está muito forte lá fora”, destaca. LSM (foto alto João Laet)

sábado, 13 de outubro de 2012

O balacobaco da Maria Gadú

Ator Leandro Léo grava CD com produção da cantora, que estreia na função

O telefone de Leandro Léo toca às três da madrugada. Do outro lado, o poeta Caio Sóh, muito entusiasmado, quase que ordenando que o amigo compareça na mesma hora no Kaçuá, um bar no Recreio dos Bandeirantes, para conhecer uma cantora, “a futura grande revelação da música brasileira”.

“Foi logo que a Maria Gadú veio de São Paulo para o Rio. Cheguei lá e fiquei procurando a tal cantora. Como ela estava de boné e com o cabelo curtinho, não deu outra: a confundi com um garoto. Perguntei: “Cara, cadê a mina?’”, recorda Leandro Léo.


Na ocasião, ele, que está no ar na novela ‘Balacobaco’, da Record, como o personagem Vinagre , já era ator. Acontece que, naquele encontro que se estendeu madrugada adentro, começava uma amizade que deslancharia na estreia dela na produção de um disco. Justamente o dele, que já está prontinho para ser lançado.

“Perdi a virgindade como produtora”, comemora Maria Gadú. “Não sei como é exatamente esse lance de ser produtora, mas fiz o meu melhor, e foi muito legal a experiência. O disco é quase todo de músicas dele com parceiros, como o Dani Black. Fizemos uma versão para ‘Firmamento’, do Cidade Negra, e eu toco guitarra, violão e canto em várias músicas”, detalha.

Desde o primeiro encontro naquele boteco no Recreio, a amizade dos dois cresceu bastante. Tanto que, principalmente depois de alguns beijos calientes que trocaram no palco em participações dele nos shows dela, não demorou para surgirem boatos de que eles estavam tendo um caso.

“A galera gosta de falar isso. A verdade é que a gente tem uma afinidade gigante e muita intimidade. Moramos juntos durante um ano. As pessoas podem falar o que quiserem, mas o que nós somos mesmo é superamigos”, garante Leandro Léo.


O disco, de 14 faixas, vai se chamar ‘Rei Da Palavra’. As gravações foram feitas com os músicos “internados” durante 11 dias no estúdio Toca do Bandido, no Itanhangá, Zona Oeste do Rio, no maior clima hippie.

“Foi feito da mesma forma que a Cássia Eller e sua banda faziam, com todo mundo junto todo dia, almoçando junto”, descreve ele. “Eu já tenho essas músicas prontas há uns quatro anos, e até podia ter lançado esse disco, mas nunca achei que era a hora certa para isso. Se fosse feito antes, não teria conseguido a Maria Gadú disponível, por exemplo”, ressalta.

SEMPRE SE DIVIDINDO
Cantor e ator, Leandro Léo se divide para conseguir conciliar as duas atividades que ama. “Todo mundo gosta de música, mas o mundo das artes cênicas também é fantástico. Não me considero ator nem cantor, eu gosto muito é de ser artista, de viver de arte, seja lá qual for. Às vezes, os horários de shows e gravações coincidem, mas vale a pena investir e, no final, sempre dá certo”, garante.


Em ‘Balacobaco’, ele é Vinagre, personagem que, assim como ele, também se divide entre duas funções: trabalha como garçom na pastelaria Stromboli, de Osório (André Mattos), e auxilia Zé Maria (Silvio Guindane) na produção de curtas-metragens trash. “O Vinagre é um cara pessimista, meio azedo, mas eu vou dar um jeito nesse amargo dele”, brinca o artista. LSM

quinta-feira, 11 de outubro de 2012

‘Canta Papel Marchê?’

Pioneiros do sertanejo universitário, João Bosco & Vinicius gravam DVD na sala de casa e contam as confusões pelas quais passam por serem homônimos de famosos artistas da música brasileira

Já imaginou que confusão causaria um artista novo que surgisse na cena com o nome de Caetano Veloso, Gilberto Gil ou Milton Nascimento? A bagunça, na verdade, já vem rolando, e a vítima é outro conhecido nome da música brasileira: João Bosco, autor de clássicos como ‘O Bêbado e a Equilibrista’ e célebre parceiro de Aldir Blanc.

“Nos sacaneiam muito”, conta seu homônimo, o João Bosco sertanejo, que faz dupla com Vinicius. “É comum pedirem para a gente cantar a música ‘Papel Marchê’, do outro João Bosco, que é um cara alto nível. Ser confundido com ele é uma honra”, diz a dupla acaba de lançar um novo DVD, ‘A Festa’.

O João Bosco mais antigo, no entanto, não festeja o fato de ter um homônimo no meio artístico: “Recebo e-mails de gente me confundindo, com reclamações sobre sacrifícios de animais em rodeios”, relata ele, que já passou até por saia justa, quando um repórter marcou entrevista achando que seria com o outro.

O novato João Bosco também experimenta situações inusitadas por conta de seu nome. Assim como Vinicius, que é alvo de piadas envolvendo Vinicius de Moraes. “Costumam perguntar se o Toquinho não vai aparecer”, diverte-se João Bosco.

O autor de ‘Aquarela’ nunca deu uma palinha em seus shows, mas o novo DVD está recheado de amigos e de sucessos. Em vez de um megaespetáculo diante de milhares de pessoas, a dupla quis variar e reuniu um punhado de chegados para uma festinha particular em uma casa.  “Cantamos descontraidamente no meio da sala, sem palco ou iluminação especial. A ideia foi resgatar o clima da época em que tocávamos nos bares e nas festas de amigos”, explica Vinicius.

Data desses tempos idos o surgimento do termo ‘sertanejo universitário’, cunhado para classificar justamente o som de João Bosco & Vinicius (leia mais ao lado). Na ocasião, paralelamente à música, eles cursavam Odontologia e Fisioterapia, respectivamente, na Uniderp, em Campo Grande, capital do Mato Grosso do Sul.  “Não existia essa classificação antes da gente, mas não fomos nós que inventamos isso, foi a mídia e os próprios universitários. A nossa mistura do sertanejo de raiz com a música pop mundial foi muito bem recebida por esse público. Falavam: ‘Vocês são sertanejos, mas o som de vocês não dá sono’. O rótulo ‘universitário’ tirou do sertanejo o estigma de ser uma música careta”, avalia Vinicius.

João Bosco atesta, inclusive, que atualmente a Campo Grande que os catapultou ao estrelato já roubou de Goiânia o título de capital da música sertaneja. “Se balançar uma árvore em Campo Grande, caem umas cinco duplas sertanejas”, brinca.


PRECURSORES DO SERTANEJO UNIVERSITÁRIO
Para o bem ou para o mal, foram João Bosco & Vinicius os precursores da febre do sertanejo universitário que tomou de assalto o País. Porém, enquanto milhares de jovens requebram ao som de sucessos de seu repertório, como ‘Chora, Me Liga’ (esta, a música mais executada nas rádios brasileiras no ano de seu lançamento, em 2009), outros tantos torcem o nariz para o que classificam como uma música de menor qualidade.

“Desde que surgimos no cenário, com nossa levada diferente, acelerando o andamento de músicas sertanejas antigas para torná-las mais dançantes, sofremos preconceito. Muita gente do público enlouqueceu, adorou, mas também teve muito protesto”, desabafa Vinicius.

A própria dupla também tem suas reclamações. “Quem critica a gente deveria se informar mais e constatar que nossa história como universitários é real. E que, mesmo assim, a gente nunca se rotulou desta forma, as pessoas é que nos identificaram assim. Por isso mesmo eu sou contra quem, só para fazer sucesso, diz que faz sertanejo universitário sem nunca sequer ter passado na porta de uma faculdade”, dispara o dentista formado João Bosco (Vinicius não chegou a completar o curso de Fisioterapia).

Depois que eles despontaram, muita gente em Campo Grande, e em outras partes do Brasil, começou a pegar carona nas portas que eles escancararam para o gênero. “Os olhos do mercado se voltaram para esse novo tipo de som assim que começamos a aparecer em programas de TV em rede nacional e logo que ganhamos um DVD de Platina. Virou grife dizer que é de Campo Grande”, atesta João Bosco. LSM

segunda-feira, 24 de setembro de 2012

Nasi: ‘O pó que os artistas passam hoje é na cara, não é no nariz’

O nome da banda que o vocalista Nasi ajudou a fundar não poderia ser mais apropriado. Cinco anos depois da turbulenta separação do Ira!, com direito a brigas, ele se mostra mesmo raivoso em ‘A Ira de Nasi’ (Editora Belas Letras, 317 pág., R$ 29,90), sua biografia assinada pelos jornalistas Mauro Beting e Alexandre Petillo. Nasi relata as pazes que fez com seu irmão e ex-empresário Airton Valadão, mas as melhores partes do livro são as histórias de sexo, drogas e rock and roll, em que o músico conta os seus podres. Aqui, ele fala do lançamento e anuncia novo disco solo.

Como surgiu a ideia de lançar este livro contando a sua biografia?
Em 2004, nós do Ira! começamos a preparar a nossa própria biografia junto do jornalista Alexandre Petillo. Com o fim da banda, em 2007, perdemos o interesse nesse projeto e o material de entrevistas e pesquisa acabou ficando arquivado. No ano passado, fui procurado pela editora Belas Letras com a ideia de retomar isso. Sugeri, então, fazer a minha biografia, que contaria também a história do Ira!, afinal, foi a banda que eu criei e a minha história e a do Ira! estão entrelaçadas. O Alexandre disse que só faltaria se aprofundar mais na minha carreira solo e esmiuçar a questão da separação do grupo. Eu chamei o Mauro Beting para ajudar, porque é um cara com quem eu já trabalhei e que curte muito rock and roll. Só quis que não fosse algo chapa-branca. Eu, como consumidor, quando compro a biografia de um artista, quero que quem escreveu vá abrir as vísceras do biografado.

No livro, você relata o relacionamento que teve com a então namorada do Edgard Scandurra. Se fosse a biografia do Ira!, inicialmente planejada quando o grupo ainda estava junto, esta história também seria contada da mesma forma?
Como a banda estava viva, eu não contaria isso. Deixar isso guardado era um código de honra entre nós. Mas essa história foi um dos motivos de a banda ter acabado. Em 2006, o Edgard mandou um e-mail raivoso para o meu irmão, que era o empresário do Ira!, falando que estava em crise criativa, que não conseguia mais fazer músicas porque não tinha superado essa história que aconteceu dez anos antes. Tivemos ali uma primeira ruptura, que não veio a público. Eu achava que isso tinha sido superado, que essa questão já estava debaixo do tapete. Naquele momento, eu pedi o boné. Foi logo depois do nosso ‘Acústico MTV’. Me convenceram a voltar, mas eu estava convencido a dar uma parada por tempo indeterminado.

Você sabe se os outros integrantes do Ira! leram este seu livro?
Soube que o Edgard deu uma declaração infantil, coisa típica dele. Disse que, se eu tinha transado com muitas mulheres, 80% disso era por causa das músicas dele. Eu morri de rir. Ele é um fanfarrão. Tenho certeza que no livro não tem nada de difamatório, nada que possa ser classificado como calúnia. E, quer saber? Pouco me importa a opinião deles. Até por curiosidade, acho que eles deveriam ter algum interesse nisso, afinal, é a história do Ira!. Mas meu contato com eles hoje é nenhum.

Já foram lançados diversos livros sobre o rock brasileiro dos anos 80, época em que o Ira! surgiu. Você acha que a história daquela década já foi bem contada?
Não li todos os livros, mas li a biografia do Lobão, e tem um paralelo entre o meu e o dele. Eu narro a cena paulistana da década de 80, e ele descreve a carioca. Mas, por melhor que tenha um bom trabalho jornalístico, será sempre a visão particular de quem escreveu. Os anos 80 foram uma época muito rica de contradições e polêmicas. Estávamos testando os limites do fim da censura e do uso de drogas. É um período de excessos, que teve os primeiros artistas a se declararem com HIV, as prisões dos Titãs e do Lobão, a homossexualidade do Renato Russo. Foi muito mais rico que esse mar de poodles que está hoje aí. Atualmente, a cena do rock está muito comportada. É tudo maquiagem. O pó que os artistas passam hoje é na cara, não é no nariz.

Você vai lançar um novo disco solo?
Vai sair no mês que vem e vai se chamar ‘Perigoso’. Serão dez faixas, entre inéditas e versões para ‘As Minas do Rei Salomão’, do Raul Seixas; ‘Dois Animais Na Selva Suja da Rua’, do Taiguara, que foi gravada pelo Erasmo Carlos; ‘Não Há Dinheiro Que Pague’, do Paulo César Barros, que fez sucesso com o Roberto Carlos; além de uma versão blues para a balada ‘Como é Que Eu Vou Poder Viver Tão Triste’, do cantor Paulo Sergio. A faixa título, ‘Perigoso’, eu fiz inspirado no Johnny Cash, um cara que foi e voltou do inferno várias vezes.

Por você, existe a possibilidade de, mesmo que daqui a muitos anos, o Ira! voltar, nem que seja para apenas um show?
Hoje, não sei se os outros três são tragáveis para mim. Não é algo que desejo nesse momento, mas, depois que o Maluf deu a mão para o Lula, nada é impossível. LSM

sábado, 8 de setembro de 2012

Prima roqueira de Regina Casé faz sucesso como cantora

Era para ela estar no elenco de ‘Avenida Brasil’, assim como aconteceu com seus amigos Bruno Gissoni e Ronny Kriwat, com quem dividia cenas em ‘Malhação’, onde atuou como a divertida personagem Lorelai em 2010 e 2011. Acontece que, na ocasião do convite para os testes da novela, no ano passado, Luiza Casé estava soltando a voz na Austrália com sua banda de rock, Os Gutembergs. Parece que o destino está mesmo levando a mais nova artista da família Casé (ela tem 23 anos e é prima de segundo grau de Regina Casé) a trocar os sets de filmagens pelos palcos.  “Adoro os dois universos: cantar e atuar. Mas, agora, estou mais na música”, admite.

Se por um lado ela se afastou da TV, sua voz continua lá. Luiza pode ser ouvida na trilha da novela ‘Gabriela’, com a canção ‘Morena’, autoria de Mu Chebabi, diretor musical do ‘Casseta & Planeta’ que também participa da faixa. No cinema, no sucesso de bilheteria ‘E Aí, Comeu?’, lá está a voz de Luiza de novo, cantando ‘Vidro Fumê’, também com Mu Chebabi. “Quando soube que estavam pedindo músicas para ‘Gabriela’, mal acreditei, porque a trilha original é a mais incrível de todos os tempos. Morri de emoção quando vi o CD da nova versão da novela, e lá está o meu nome, entre Djavan, João Bosco, Elba Ramalho...”, comemora.

A surpresa é quando se percebe que o gosto de Luiza passa longe das canções tradicionais de MPB apresentadas na trilha: ela é apaixonada por rock e blues. O que difere também da imagem de sua prima mais famosa, apresentadora do programa ‘Esquenta’, mais ligada ao funk e ao samba. “A Regina é muito culta, gosta de todo tipo de música, não tem restrições a nenhum estilo”, defende. “Eu gosto de Led Zeppelin, Eric Clapton, Buddy Guy. Acho que existem cada vez mais pessoas da minha geração ligadas nesses sons. Eu mesma queria ter nascido na época do Woodstock”, suspira a cantora e atriz.

No próximo dia 18, ela interpreta um repertório repleto de músicas de seus ídolos, acompanhada por veteranos do blues carioca no bar Lapa Café. O guitarrista do Blues Etílicos, Otávio Rocha, é dos mais entusiastas de sua carreira. “Participei de um show com ele no Circo Voador mês passado e foi incrível. O Otávio quer produzir um disco solo meu, cantando músicas inéditas e clássicos”, antecipa.

NASCIDA PARA SER SELVAGEM
A vocação para as artes começou desde cedo, em casa mesmo. Luiza é filha do produtor de cinema Augusto Casé (‘Cilada.com’, ‘Muita Calma Nessa Hora’, ‘Ó Paí, Ó’, ‘E Aí, Comeu?’) e da coreógrafa Andrea Maciel. “Eles me enfiavam nos palcos desde pequena”, lembra ela.

Como boa roqueira, Luiza cultiva seu lado rebelde e selvagem. “Adoro transgredir. Quando tinha 16 anos, a diversão era entrar nas boates me passando por maior de idade. Estudei no tradicional Colégio Santo Inácio, em Botafogo, e fui suspensa 14 vezes”, orgulha-se ela, que atualmente cursa Direito na PUC. Até o momento, registre-se, sem nenhuma advertência. LSM (foto Maíra Coelho)

quarta-feira, 5 de setembro de 2012

Alanis morre sete...

Um gaiato disparou certa vez a infame frase: “Todo mundo só morre uma vez, mas a Alanis morre sete...”. A brincadeira, que repercutiu da Internet às mesas de bar, encontra na cantora canadense um fundo de verdade. “Nos meus momentos espirituais, costuma me ocorrer esse pensamento: tenho um grande medo de morrer”, assume Alanis Morissette.

A verdade é que, com 17 anos de carreira, disco novo na bagagem, ‘Havoc And Bright Lights’, Alanis já está imortalizada na história da música pop mundial. Ela, no entanto, não se conforma com isso, e conta que a morte é um assunto recorrente em sua mente. “Penso muito nisso. Não sou uma pessoa religiosa, mas adoro as religiões, passeio por várias, e tiro de cada uma algo de bom para mim”, revela.


Vale recordar que Alanis já foi Deus no cinema. Ela assumiu o papel do Todo-Poderoso no filme ‘Dogma’, em 1999, e, em certa ocasião, ela mesma definiu seus shows como “uma experiência religiosa com o público”. “Quando estou no palco e recebo o reconhecimento das pessoas, é algo muito especial. São os momentos em que esse meu lado espiritual me faz pensar: ‘O que vale na vida é isso’. É algo até telepático que sinto com a plateia”, classifica.

Ela está vivendo, de fato, um momento muito especial, mas desta vez não se trata de comunhão com os fãs. Alanis é mãe recente de Ever, 8 meses, e compara a maternidade com sua profissão. “Esse meu novo disco, eu gravava e, nos intervalos no estúdio, eu amamentava. São duas paixões enormes que tenho na vida”, derrete-se.


PAIXÃO BRASILEIRA
Alanis Morissette já é figurinha fácil no Brasil. Vá lá, nem tanto quanto Billy Paul e Dionne Warwick, que, ano sim, outro também, estão sempre batendo ponto em palcos por aqui. Mas, desde 1996, Alanis já esteve seis vezes no País. Se apresentou no ‘Domingão do Faustão’, em ‘Malhação’ e na novela ‘Celebridade’. “Tenho lindas memórias dessas minhas passagens pelo Brasil. É um público apaixonante”, elogia.

Mas isso a gente já sabe, não é? Aliás, dez entre dez artistas internacionais que vêm por aqui dão essa mesma declaração. Além do público, há algum nome da nossa música que faça a sua cabeça, Alanis? “Eu já morei com cinco brasileiras, e todas me davam vários discos de cantores e bandas do Brasil, que ouvi muito durante um período da minha vida. É uma música maravilhosa, sem dúvida, mas, confesso, não lembro de nenhum nome para te citar agora”, lamenta ela, emendando rapidamente. “Ah, mas tem mais uma coisa que eu admiro muito nos brasileiros: o senso de humor. Inclusive, é bem parecido com o humor canadense”, compara.

O Brasil está mesmo em sua mira. Nos últimos dias, sua página no Facebook estava repleta de postagens em português. Seu novo álbum chegou à primeira posição na iTunes Store do Brasil e segue firme entre os mais baixados. A turnê anterior no País, em 2009, passou por 11 cidades e, nesta volta, ela passa por sete capitais. “A cada apresentação eu gosto de mudar o roteiro. Tem músicas que quero cantar e que nem estão ainda bem ensaiadas. Eu defino o que vai para o palco assim: sento no chão com os outros integrantes da banda e a gente coloca todos os discos no chão e cada um vai escolhendo uma que gostaria de tocar. Os mais novos no grupo preferem as canções mais recentes, e os outros mais velhos acabam votando nas mais antigas, como as do meu disco ‘Jagged Little Pill’. Por isso que cada show pode ter um repertório exclusivo”, detalha. LSM

quinta-feira, 16 de agosto de 2012

Das churrascarias à parceria com Norah Jones

Maria Gadú rebate críticas de Lobão e anuncia namoro musical com a norte-americana

No mais recente disco de Maria Gadú, ‘Mais Uma Página’, estão lá duas canções em inglês, ‘Like A Rose’ e ‘Long Long Time’, parcerias com o músico norte-americano Jesse Harris. O contato com o gringo, porém, rendeu muitas outras canções em inglês e uma ponte para um futuro CD junto de Norah Jones — Harris é vencedor do Grammy pela canção ‘Don’t Know Why’, conhecida na voz da cantora e pianista norte-americana.

“Existe um saco de canções inéditas em inglês minhas com o Jesse Harris, que fazemos sempre que vou à casa dele em Nova York. Isso pode virar um disco. Através dele, conheci a Norah Jones, que é uma pessoa supersimples, uma querida. Estamos os três trocando e-mails direto, ela nos Estados Unidos, ele no Japão e eu aqui no Brasil, combinando uma nova ida a Nova York para um reencontro. Tomara que role mesmo de produzirmos algo juntos. Quando tocamos, meu violão com a guitarra do Jesse e o piano dela, ficou uma fusão muito legal. Seria bom misturar essas identidades em um disco”, torce Maria Gadú.

Jesse Harris e Maria Gadú: foi ele quem a apresentou a Norah Jones

Seu namoro com a língua inglesa segue firme. Recentemente, ela foi aos Estados Unidos e gravou participação no clássico ‘Blue Velvet’ para o próximo disco do veterano Tony Bennett, ‘Viva Duets’, lançamento que vai contar ainda com Roberto Carlos e Ana Carolina.

“Na minha carreira, tenho recebido convites assustadores, como o de gravar com o Caetano Veloso. O Tony foi mais um. Fiquei emocionada em conhecê-lo e presenciar o imenso carinho que ele tem com seu filho e produtor, Danny, que foi quem mostrou minhas músicas para ele”, conta.

Entre tantas experiências internacionais, nem parece que até outro dia Maria Gadú ainda era uma cantora de churrascaria. Ela, inclusive, faz graça com as críticas do polêmico Lobão, que assim a classificou, pejorativamente, na mais recente rajada de sua metralhadora giratória. “Ele falou uma verdade: cantei muito em churrascarias, assim como em pizzarias, em barzinhos... Eu gosto do Lobão, sou fã dele. A gente até já cantou juntos ‘Hey Jude’, dos Beatles, em um evento da MTV. Eu não grilo com o que ele fala, ele é assim mesmo, todo mundo sabe. Quem sofrer com as críticas dele que dê um tiro no pé. E viva os cantores de churrascaria!”, diverte-se. LSM

terça-feira, 14 de agosto de 2012

Iron Maiden em quadrinhos

Banda de heavy metal aprova gibi brasileiro sobre um de seus discos

Quando era gurizinho, o ilustrador paulistano Hamilton Tadeu, 41 anos, se divertia desenhando com giz, na calçada, os músicos do grupo norte-americano de rock Kiss. Com o tempo, suas duas paixões, histórias em quadrinhos e heavy metal, nunca mais deixaram de andar juntas. O auge desta devoção aconteceu quando recebeu um e-mail do pessoal da banda inglesa Iron Maiden se derretendo em elogios por seu gibi ‘Seventh Son Of A Seventh Son’. A publicação leva para os quadrinhos a história narrada nas letras do clássico disco do grupo, de 1988, sobre o nascimento do sétimo filho de um sétimo filho, que teria poderes sobrenaturais.

“No ano passado, eles tocaram em São Paulo. Fui ao hotel Hilton e consegui achar o empresário deles. Me apresentei e entreguei uma versão da revista em inglês. Queria a permissão para publicar. Ele fez cara de bravo e foi saindo, aí eu puxei ele e insisti que mostrasse para os músicos. Meses depois, recebi o e-mail da assessoria dizendo que todos leram e adoraram”, festeja Hamilton, ainda incrédulo. “Ano que vem o Iron volta a tocar na América do Sul, e para a ocasião pretendo fazer um gibi com adaptação das letras dos discos ‘Killers’ e ‘Iron Maiden’, os primeiros deles”.

A revistinha, que acaba de ganhar a versão também em inglês, custa só R$ 5, e pode ser encomendada pelo e-mail nflzine@hotmail.com. Hamilton editou, fez o roteiro, e delegou os desenhos ao também ilustrador Fred Macêdo. A revista traz, em suas 52 páginas, a adaptação de todo o disco, rascunhos dos desenhos e as letras das oito músicas do álbum, com as respectivas traduções. Um trabalho dedicado.

“Nos dois últimos dias cuidando do gibi, fiquei 22 horas na frente do computador. Minha pele até ficou esverdeada”, detalha.

Hamilton também vende a revista nas portas dos shows de metal, oferecendo para os leitores em potencial — qualquer um que esteja de camiseta preta ou visual de roqueiro. “Fui para Curitiba e Brasília vender nos shows dos grupos Helloween e Stratovarius. Tinha que vender 42 revistas para pagar a passagem, e consegui vender mais de 120 exemplares”, conta. “Estou pensando agora em fazer uma versão da revista em espanhol, para os fãs da América Latina”.

Hamilton anuncia ainda que vai lançar sua própria editora, a NFL, sigla para Nice Freak Life (doce vida maluca). “Já tenho autorização para lançar a biografia do saudoso vocalista Dio”, antecipa.


Apaixonado por quadrinhos, Hamilton acabou deixando um exemplar do gibi do Maiden com Mauricio de Sousa, na atual Bienal do Livro de São Paulo. “Ele até fez o chifrinho com as mãos, mas não acho que ele curta rock. Mas o Rolo e a Tina, personagens dele, gostam!”, garante. LSM

sexta-feira, 3 de agosto de 2012

Uma tremenda homenagem

Erasmo Carlos abre a porta de sua casa, na Barra da Tijuca, para o cineasta Neville d’Almeida e a jornalista Scarlet Moon, que traz a tiracolo seu namorado, um jovem guitarrista, um tal de Luiz Maurício Pragana dos Santos. Na reunião, no fim dos anos 70, acertam que o Tremendão fará a música-tema do próximo filme do diretor, ‘Os Sete Gatinhos’. Ao músico novato, é destinada a trilha-sonora incidental.

“A partir dali, o Erasmo se torna meu padrinho artístico”, recorda Luiz Maurício, mais conhecido como Lulu Santos, que celebra o auge desta amizade no show que preparou só com versões para os clássicos da dupla Erasmo e Roberto Carlos.

Em emocionante e histórico reencontro no mesmo jardim da casa do Tremendão, 33 anos depois daquela emblemática ocasião, os dois artistas bebem café, tocam guitarra e se derretem em elogios um ao outro. E senta porque, sob seus cabelos brancos, esses caras têm histórias para contar.

“Estou que nem maluco por causa desse show, cantando sozinho no avião, decorando um monte de músicas, porque faço questão de não colar nenhuma letra”, avisa Lulu. “Quando me convidaram para este projeto de covers, sugeriram que eu cantasse Beatles. Recusei, e disse que, para fazer um show como o que faço com meus sucessos, onde o público canta tudo do início ao fim, preferia fazer com a obra de um artista brasileiro, e aí tinha que ser Roberto e Erasmo”, detalha Lulu, que enfileira no espetáculo ‘Sou Uma Criança, Não Entendo Nada’, ‘Minha Fama de Mau’, ‘Festa de Arromba’ e por aí vai...

Ideia aceita pela produção, ele, entusiasmado, chegou até mesmo a adiar o lançamento de um novíssimo CD de inéditas e um box retrospectivo de sua carreira para se dedicar à homenagem. “Vi um potencial muito grande neste show. O Erasmo é o cara que melhor representa a possibilidade de se fazer rock no Brasil”, define Lulu. “É um artista que, passam-se os anos, continua relevante, coisa cada vez mais rara por aí. A música brasileira já foi reconhecida internacionalmente por sua qualidade. Hoje, virou só uma dancinha com um refrão de duplo sentido”.

Erasmo Carlos fala menos que o verborrágico Lulu, mas não limita elogios para devolver o carinho: “Estou doido para ver essas releituras no palco, Bicho. O Lulu tem essa inquietude que sempre nos faz ficar curiosos sobre que caminho musical ele vai sugerir”, observa o veterano.

No encontro na casa do Erasmo, porém, é Lulu quem acena que vai seguir os passos do ídolo. “Me pedem muito para que escreva minha biografia, como o Erasmo já fez. Já comecei, vamos ver se consigo terminar”, anuncia. “Mas não esperem nada sobre os anos 80. Nunca tive essa década como principal na minha trajetória. Meu encontro com a música vem desde antes”, ressalta.

De fato, ainda nos anos 70 Lulu se excedia em arranjos pirotécnicos no grupo Vímana. Mas isso foi antes do tal primeiro contato com Erasmo Carlos. Ainda hoje, os dois se reencontram e conversam sobre discos e outras paixões como duas crianças. Mas que entendem tudo.


NOVO CD
Era para já ter sido lançado, mas Lulu Santos resolveu dar um tempo para se dedicar ao projeto sobre Erasmo e Roberto e o novo disco de inéditas ficou para depois. Mas sai esse ano, garante ele, e em grande estilo. “Junto do novo lançamento virá uma caixa de quatro CDs, a minha primeira caixa, dessas retrospectivas, que reúnem parte da obra do artista. Vou lançar pela Sony, e quero que cada disco traga um tema: ‘Pista’, ‘Guitarra’, ‘Samba’ e ‘Acústicos’. O álbum de inéditas vai ter muita guitarra, mas não vai ser um disco estritamente de rock. E vai se chamar ‘Luiz Maurício’, isto é, meu próprio nome. Foi assim que surgi na carreira artística, quando, em 1980, lancei o compacto com a música ‘Melô do Amor’”, detalha Lulu Santos.

O atraso no lançamento não incomodou o artista. Muito pelo contrário, ele até comemora o acontecido, e explica o porquê: “Eu já gravei esse novo CD há um ano e meio, e esse é justamente o tempo suficiente para eu reavaliar o resultado com um bom distanciamento. Por exemplo: eu sempre odeio os meus discos quando os escuto um ano e meio depois. Essas novas gravações, não oucço há uns seis meses, e daí que agora vou reavaliar e ver o que ainda posso fazer para que fique o mais perfeito possível”.

Já Erasmo Carlos, depois dos discos ‘Sexo’ e ‘Rock ‘N’ Roll’, não planeja lançar um novo CD — seria o ‘Drogas’? — este ano. Mas, quem sabe ele dispara material novo com uma pequena ajudinha do amigo Lulu Santos? “Ele acaba de me prometer um riff de guitarra para eu colocar melodia e letra em cima”, comemora Erasmo.

Lulu garante que a parceria vai sair. “Prometi, não! Eu até já tenho esse riff pronto, vou mandar para você hoje!”, decreta ele. LSM (fotos João Laet)

quinta-feira, 26 de julho de 2012

Guia para ouvir Bob Dylan

Autor de biografia ensina a gostar do astro do rock, criticado por sua voz fanhosa 

O cantor e compositor norte-americano Bob Dylan divide com o nosso Chico Buarque uma injusta fama: a de ser um mau cantor. De fato, os dois artistas têm uma voz esquisita, fanhosa, fora dos padrões dos grandes cantores. Mas tal característica é compensada pela extrema habilidade de ambos em escrever letras incríveis — porém, no caso do Dylan, essa qualidade não impressiona o ouvinte brasileiro que não fala inglês e que vai, fatalmente, continuar achando o astro do rock um chato de galochas mesmo.

“Entendo a dificuldade de gostar do Bob Dylan sem entender a língua. Me surpreende até o fato de ele ter tantos fãs em países como Alemanha, França ou Itália. Para superar essa limitação, o ideal é traduzir as letras. Ele é um grande poeta”, ensina o escritor e historiador norte-americano Daniel Mark Epstein, autor do livro ‘A Balada de Bob Dylan — Um Retrato Musical’.

Existem dezenas de livros contando a vida de Bob Dylan, e ele próprio já escreveu a sua biografia, ‘Crônicas’, mas Epstein conta sua versão de uma forma diferente. O autor escolheu quatro emblemáticas apresentações do artista, em 1963, 1974, 1997 e 2009, para mostrar como ele mudou o rumo de sua obra com o passar dos anos.

“Bob Dylan é o artista vivo mais interessante para se escrever uma biografia, principalmente porque ele está aí até hoje, lançando novos discos, e se transformando. Acho que por eu também ser poeta e músico, além de contemporâneo dele, posso dar uma nova perspectiva que nenhum outro biógrafo poderia conseguir”, avalia Daniel Mark Epstein.

Mas as reclamações do público sobre Dylan não se resumem à sua voz. Muita gente, fãs inclusive, não suporta o fato de ele mudar tanto as músicas em relação às gravações originais quando as apresenta ao vivo. Muitas vezes, só cai a ficha sobre que canção ele está cantando quando ela está já chegando ao fim.

“Tive o privilégio de ver um dos primeiros shows dele, o de 1963, que relato no livro. Posso dizer que Dylan não está interessado em se repetir, o que seria para ele como viver no passado, um tipo de morte até. Ele é um artista que segue sempre olhando para frente, e isso demanda uma mudança constante”, defende o autor. LSM

quinta-feira, 19 de julho de 2012

Amy carioca

Luiza Dreyer faz sucesso na noite do Rio interpretando as músicas da doidona cantora inglesa

Frase da filósofa russo-americana Ayn Rand (1905-1982):
- Quando você perceber que, para produzir, precisa obter a autorização de quem não produz nada; quando comprovar que o dinheiro flui para quem negocia não com bens, mas com favores; quando perceber que muitos ficam ricos pelo suborno e por influência, mais que pelo trabalho, e que as leis não nos protegem deles, mas, pelo contrário, são eles que estão protegidos de você; quando perceber que a corrupção é recompensada, e a honestidade se converte em autossacrifício; então poderá afirmar, sem temor de errar, que sua sociedade está condenada.

No ano  os nonao o snonosno ao nso oans n s onao nson a. No nono on n oanoanono no onsonaons oans nosno so. No ano  os nonao o snonosno ao nso oans n s onao nson a. No nono on n oanoanono no onsonaons oans nosno so. No ano  os nonao o snonosno ao nso oans n s onao nson a. No nono on n oanoanono no onsonaons oans nosno so. No ano  os nonao o snonosno ao nso oans n s onao nson a. No nono on n oanoanono no onsonaons oans nosno so. No ano  os nonao o snonosno ao nso oans n s onao nson a. No nono on n oanoanono no onsonaons oans nosno so. No ano  os nonao o snonosno ao nso oans n s onao nson a. No nono on n oanoanono no onsonaons oans nosno so. No ano  os nonao o snonosno ao nso oans n s onao nson a. No nono on n oanoanono no onsonaons oans nosno so. No ano  os nonao o snonosno ao nso oans n s onao nson a. No nono on n oanoanono no onsonaons oans nosno so. No ano  os nonao o snonosno ao nso oans n s onao nson a. No nono on n oanoanono no onsonaons oans nosno so. No ano  os nonao o snonosno ao nso oans n s onao nson a. No nono on n oanoanono no onsonaons oans nosno so. No ano  os nonao o snonosno ao nso oans n s onao nson a.

No nono on n oanoanono no onsonaons oans nosno so. No ano  os nonao o snonosno ao nso oans n s onao nson a. No nono on n oanoanono no onsonaons oans nosno so. No ano  os nonao o snonosno ao nso oans n s onao so. No ano  os nonao o snonosno ao nso oans n s onao nson a. No nono on n oanoanono no onsonaons oans nosno so. No ano  os nonao o snonosno ao nso oans n s onao nson a. Aao nso oans n s onao nson a.

No nono on n oanoanono no onsonaons oans nosno so. No ano  os nonao o snonosno ao nso oans n s onao nson a. No nono on n oanoanono no onsonaons oans nosno so. No ano  os nonao o snonosno ao nso oans n s onao nson a. No nono on n oanoanono no onsonaons oans nosno so. No ano  os nonao o snonosno ao nso oans n s onao nson a. No nono on n oanoanono no onsonaons oans nosno so. No ano  os nonao o snonosno ao nso oans n s onao nson a. Noans nosno so. No ano  os nonao o snonosno ao nso oans n s onao nson a.

terça-feira, 17 de julho de 2012

Sem a pele de cordeiro

Lobão prepara novo CD, DVD e um livro, no qual detona a MPB, e faz críticas até ao rock de sua época

Lobão é o tipo de artista para quem você faz apenas uma pergunta e ele já te dá uma entrevista completa. Era para falar de seus novos CD, DVD e livro, mas, verborrágico e provocador, ele não segura sua metralhadora giratória, e dispara em direção a alvos como Maria Gadú e a MPB em geral. Um polemista profissional. Sobrou até para o rock e a geração dos anos 80.

“Essa juventude que está aí desde os anos 90 sentando na boquinha da garrafa acha que hoje MPB é aquela cantora de churrascaria com cabelo igual ao do Neymar”, define Lobão, se referindo à Gadú. “Nesse tipo de MPB só entra quem é brocha, porque é música de frouxo. Um bando de provincianos de sandálias havaianas querendo ser o próximo Chico Buarque, como se já não bastasse um. É igual a uma bicicleta ergométrica: não vai levar a gente a lugar nenhum. Aí, o cara fala para mim que rock é coisa de velho e vai ouvir Luan Santana. Como pode?”, questiona.

Essas e outras cobras e lagartos o roqueiro pretende reunir nas páginas de seu próximo livro, sucessor à bem-sucedida autobiografia ‘50 Anos A Mil’. “Vai ser um tipo de guia politicamente incorreto do metabolismo artístico do brasileiro. O nome será ‘O Manifesto do Nada na Terra do Nunca’, onde o nada sou eu e a terra do nunca é o Brasil”, conta, sobre a publicação prevista para sair em março de 2013. “Antes disso, no mês que vem, eu lanço meu novo CD e DVD, ‘Lino, Sexy & Brutal’. Foi masterizado nos estúdios de Abbey Road, em Londres. Vai trazer o registro de um show que fiz em 2011 no Palace, em São Paulo, bem no dia do heavy metal do Rock In Rio, só para provocar”.

Registre-se que Lobão foi enxotado do palco pelos metaleiros na segunda edição do festival, em 1991. “Toquei quatro horas direto no Palace, fiz quatro bis e foi o show mais representativo da minha vida. Nunca tirei um som como o que vai estar nesse DVD. E é o primeiro trabalho em que assino sozinho a produção. Além disso, estou compondo muito para um próximo CD. Aliás, CD não! Vou lançar em vinil! CD já é coisa de velho, quero lançar um vinil duplo, cheio de música nova”.


Apesar do saudosista anúncio de resgatar o bom e velho LP, formato de seus primeiros lançamentos, Lobão diz que está desapegado do passado. O show registrado em ‘Lino, Sexy & Brutal’ foca em suas composições mais recentes. “O repertório é basicamente o do meu disco ‘A Vida É Doce’ (1999) para a frente, e tem uma versão para ‘Ovelha Negra’, da Rita Lee, com participação do Luis Carlini, guitarrista dela na época. Claro que vai ter também ‘Me Chama’ e ‘Corações Psicodélicos’, além de ‘O Rock Errou’, que não tocava desde 1986, e outros desses sucessos que as pessoas querem ouvir”, detalha.

Lobão não está mesmo dando muita bola para os anos 80. “As pessoas acham que o rock nasceu nessa década. Na boa, da minha geração só se salvam Roger, Renato Russo, Cazuza, Julio Barroso e Edgard Scandurra. O resto era um bando de bundão imitando o U2, o Joy Division e o The Police. Uma década de cópias”, decreta Lobão. LSM (foto Felipe Diniz)

sexta-feira, 13 de julho de 2012

Hoje é o Dia do Rock, bebê!

Hoje, 13 de julho, no mundo inteiro apreciadores do gênero musical que mudou a história das sociedades comemoram seu dia exclusivo. A data foi escolhida por causa do primeiro festival ‘Live Aid’, realizado em 13 de julho de 1985, na Inglaterra e Estados Unidos, com shows de diversos artistas e renda revertida às pessoas que passavam fome na Etiópia.

O termo rock’n’roll foi inventado por um DJ norte-americano chamado Alan Freed, e o primeiro sucesso do gênero foi ‘Rock Around The Clock’, com Bill Halley, em 1955. A partir daí, o estilo musical que nasceu para ser rebelde e selvagem fez a cabeça de jovens de todas as idades mundo afora. Artistas como Elvis Presley, Beatles, Rolling Stones, Jimi Hendrix e Janis Joplin, entre outros, determinaram os padrões musicais e de comportamento que levariam o rock a se consagrar como o ritmo mais amado e cultuado no planeta. Além de ser também o gênero musical mais generoso, abrigando dezenas de subclassificações e artistas tão diversos quanto James Taylor e Sepultura. LSM

terça-feira, 26 de junho de 2012

Filhos da Legião

Impedido de viver o pai no filme ‘Somos Tão Jovens’, sobre o início da carreira de Renato Russo, João Pedro Bonfá se junta a Nicolau Villa-Lobos na banda Big Nice


Estava tudo certo: Nicolau Villa-Lobos e João Pedro Bonfá fariam no cinema os papéis de seus pais, guitarrista e baterista da Legião Urbana, respectivamente. Quis o destino que, às vésperas do início das filmagens de ‘Somos Tão Jovens’, longa que estreia em 11 de outubro e vai contar os primórdios da Legião e de outros grupos de Brasília, uma infecção no braço tirasse o filho de Marcelo Bonfá da empreitada.

“Faltava só uma semana para começar a rodar e eu tive que ser hospitalizado. Eu pedi, insisti muito com minha mãe, mas ela não deixou”, lamenta, resignado, João Pedro, 24 anos, filho também da atriz Isabela Garcia.

Sem maiores problemas. Em seu lugar entrou um amigo, Conrado Godoy, ex-integrante de sua banda, a Big Nice, que acaba de ganhar um reforço: ninguém menos que... o próprio Nicolau Villa-Lobos. Então, se não vai ser no cinema, a união dos filhos legionários poderá ser conferida nos palcos.

“Eu já gostava do grupo. Aí, eles foram gravar no estúdio do meu pai, que se amarrou, e até deu várias dicas de guitarra. Eu fiquei lá junto, tentando acrescentar também. E quando saiu um cara da banda, eles me chamaram”, comemora Nicolau Villa-Lobos.

O quinteto é formado ainda por João Pedro Roche (guitarra), Dudu Sattamini (baixo) e Donato D’Angelo (teclado), todos com idades entre 23 e 25 anos. O nome Big Nice surgiu por acaso. “Era um boteco que nem sei se ainda existe, em Copacabana. Nunca fomos lá, mas o nome era maneiro”, explica João Pedro Bonfá.

O repertório mistura músicas próprias, clássicos do rock e, claro, Legião Urbana. “Nosso som é pop, mas não o pop do Skank ou do Jota Quest, que são grupos que respeito, mas não é o que a gente faz!”, define Bonfá. “Nosso pop é o de grupos como o Queen. Da Legião, devemos tocar ‘Soldados’ e ‘Tempo Perdido’”.

GERAÇÃO COCA-COLA
Além do repertório e do talento dos músicos, a Big Nice promete chamar a atenção por ter em sua formação dois filhos de ídolos de uma geração. A Coca-Cola, no caso. “Eu levo isso de ser filho de um integrante da Legião Urbana numa boa”, conta o herdeiro de Dado Villa-Lobos. “Na faculdade, uns amigos mais velhos piram, e vivem falando que são fãs do meu pai”.

CAPITÃO NASCIMENTO
Não dava para encontrar os filhos dos integrantes da Legião Urbana e não perguntar sobre a polêmica participação de Wagner Moura no recente Tributo à Legião Urbana, da MTV. Na ocasião, o ator e dublê de cantor dividiu opiniões sobre sua performance no vocal.

“O legal foi justamente o fato de ele não ser um cantor profissional. Era um cara neutro, mas que se entregou ali no palco como poucos poderiam ter feito”, defende João Pedro Bonfá.

Nicolau Villa-Lobos faz coro. “Burro é o cara que achava que ele ia cantar que nem o Renato Russo, que é um dos melhores cantores que já apareceram. A entrega do Wagner Moura foi total”, avalia. “Um momento emocionante aconteceu outro dia, quando fui almoçar com meu pai e adivinha com quem eu dei de cara na casa dele? Com o Capitão Nascimento!”.

Emoção forte viveram os fãs, no tal tributo à Legião, quando os músicos improvisaram no final um sucesso que não estava ensaiado: ‘Faroeste Caboclo’. “Fui eu quem disse que eles tinham que tocar essa!”, revela Nicolau. “Vi uma galera cantando os nove minutos da canção, do lado de fora do teatro, e sugeri que seria demais se rolasse. Em seguida, eles estavam lá no camarim relembrando os acordes”. LSM (fotos Luciano Oliveira)


DENTRO DO SET DE 'SOMOS TÃO JOVENS' COM NICOLAU VILLA-LOBOS:
“Filmar o ‘Somos Tão Jovens’ foi incrível! Até porque estudo Cinema, na PUC. Foram dois meses em Brasília e um em Paulínia, onde revivemos cenas reais, que aconteceram de verdade, como, por exemplo, o clássico primeiro show do Aborto Elétrico, que foi a banda que deu origem à Legião Urbana, na lanchonete Food’s, em cima de um caminhão. Também rodamos uma cena que foi um show da Legião na casa da família Lemos, dos irmãos Flávio e Fê Lemos, que acabaram formando o Capital Inicial. Fomos à própria casa onde os pais deles ainda moram.

Tinha muita gente jovem reunida, e ficamos todos do elenco muito amigos. No final de cada dia de filmagens, a gente ia para o hotel e ficava tocando e cantando clássicos da Legião Urbana. Como todo mundo entrou em uma mesma sintonia, tiveram momentos surreais. Parecia que a gente estava de fato revivendo a história, não apenas como atores. Quando voltei para casa, contei tudo para meu pai, que também se emocionou. Antes de filmar, eu usei ele como laboratório.

A cena mais emocionante, na minha opinião, é quando tocamos ‘Ainda É Cedo’. Nesse momento, o Renato Russo, vivido pelo ator Thiago Mendonça, reencontra sua melhor amiga, para quem ele fez a composição.

Posso garantir que ‘Somos Tão Jovens’ vai ser um filme extremamente musical. Todos os atores são músicos de verdade. A gente tocou quase 20 canções, sem nenhum playback. O som que vai ser ouvido no cinema é o que rolou de verdade lá na hora. Quem cuidou disso foi o Carlos Trilha, que é um superprodutor musical, e que, como se não bastasse, tocou na Legião Urbana”, por Nicolau Villa-Lobos.

Elas são Gabrielas

Quando vieram a esse mundo, elas não atinavam nada sobre o porquê de terem sido batizadas com o mesmo nome da personagem do romance de Jorge Amado, ‘Gabriela, Cravo e Canela’. Meus camaradas, a Gabriela vivida por Sonia Braga na primeira adaptação do livro para a televisão, em 1975, inspirou um sem-número de mães e pais a escolherem este nome para suas filhas. Elas nasceram assim, cresceram assim, são mesmo assim e vão ser sempre assim: Gabriela.

No embalo do atual remake com Juliana Paes à frente, fomos atrás dessas Gabrielas que reúnem pelo menos três décadas de histórias divertidas sobre a origem de seus nomes. “Minha mãe queria um menino. Como não veio, então ela, que se identificou com a personagem da novela, quis uma filha forte, que não fosse submissa, que tivesse fibra e personalidade”, descreve a secretária Gabriela de Oliveira (foto com o livro). “Agora, com o sucesso do remake que está no ar, vão nascer várias Gabrielas de novo”, aposta.


Integrante do badalado bloco Mulheres de Chico, a cantora Gabriela Buarque (foto na árvore) conta que seu nome foi escolhido na mesma Ilhéus onde se passa a trama. “Minha mãe estava grávida quando foi com meu pai à cidade baiana. Eles até visitaram as locações onde foi filmada a novela. E eu tenho mesmo esse traço da Gabriela, de correr atrás do que acredito. Isso se reflete até no lance de querer viver de música, que banco na cara e na coragem”, compara.

A identificação com a personagem não é uma unanimidade. “Curto a espontaneidade e autenticidade, mas não gosto dessa coisa meio ingênua dela”, descarta a designer Gabriela Ferraz (foto com o CD). “Minha mãe conta que a novela fez muito sucesso, e como ela é negra e meu pai branco, acharam que sairia uma menina morena e que o nome combinaria”, explica.

Nem todas, claro, têm a obrigação de gostar do nome. “Minha mãe é fã do Jorge Amado, mas me batizou com Anna antes, para eu ter a opção de querer ser chamada assim, e não de Gabriela”, considera a jornalista Anna Gabriela Lopes (foto com a flor). “Mas adoro meu nome!”.

Além de serem xarás, elas dividem o fato de sempre escutar o onipresente refrão da canção-tema de Dorival Caymmi, eternizada na voz de Gal Costa. “Toda hora me cumprimentam com o ‘Gabrie-e-la’ sonoro da Gal”, diverte-se Anna Gabriela.  LSM (fotos Felipe O'Neill)