quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

A volta de Luhli & Lucina

Luhli & Lucina hoje / foto: João Laet

A cantora e compositora Luhli tem uma participação incrível na história da música brasileira. Introduziu seu amigo Ney Matogrosso no Secos & Molhados, contribuindo com as duas músicas mais famosas do grupo (‘O Vira’ e ‘Fala’), e formou, ainda nos anos 70, uma dupla com a parceira Lucina que se tornou célebre pelo pioneirismo no mercado independente e no amor livre. Dez anos depois da última vez que cantaram juntas, Luhli & Lucina estão de volta ao disco e aos palcos, além de ganharem site (www.lulielucina.com.br) e documentário sobre a trajetória.

“Criamos nossos filhos vendendo Brasil afora os discos que gravamos com o dinheiro de uma herança da Lucina. A gente dormia em uma Kombi, que se transformava em palco, com som e luz”, recorda Heloisa Orosco Borges da Fonseca, a Luhli, 67 anos.

O cafofo da Kombi era dividido com o fotógrafo e produtor Luiz Fernando Borges da Fonseca, com quem cada uma teve dois filhos. Eles viveram uma história de amor a três que se misturou com a carreira artística.

“A gente nunca teve uma briga. Formávamos uma bela equipe”, define Lucia Helena Carvalho e Silva, a Lucina, 62.

Luhli completa: “Não éramos as mulheres dele: rolava para todo lado. Não tinha a Aids e era a época do movimento hippie, mas a gente não pensava nesses rótulos, porque tudo era espontâneo. Teve barra pesada com nossas famílias e nos isolamos em um sítio perto de Mangaratiba. Pagamos um preço por termos sido autênticas”.

A dupla nos anos 70 / foto: Luiz Fernando da Fonseca

A dupla se desfez aos poucos depois da morte de Luiz Fernando, em 1990. Hoje, elas não veem mais a possibilidade de a juventude vivenciar algo parecido. “Tinha uma pureza, de todo mundo nu na cachoeira viajando de ácido. Essa geração mais novinha é muito bissexual, mas não tem o desbunde e o romantismo”, classifica Luhli, que mora em uma casinha nas montanhas em Lumiar. “Sou grata aos sacis e às fadas, que até hoje rendem uma graninha que me ajuda”, diverte-se, citando a letra de seu maior clássico, ‘O Vira’.

‘A DUPLA NÃO ERA SÓ O PALCO, ERA A VIDA DELAS’
Com o fim da dupla, Luhli e Lucina tocaram suas carreiras solo. No mês passado, porém, entupiram de gente o Teatro Guaíra, em Curitiba, para uma apresentação especial que deve virar DVD e que vai ter cenas incluídas no documentário que o diretor Rafael Saar está finalizando. “Ainda hoje elas são artistas que fazem o que querem e não estão nem aí para a moda ou para qualquer coisa que não seja a música. Elas nunca mais cantaram juntas porque a dupla não era só o palco, era a vida delas”, define Saar.

Em janeiro, no palco do Teatro Guaíra, em Curitiba

Antes do filme, será lançado o CD ‘Garra Guerreira’, do cantor Denilson Santos, só com músicas de Luhli e Lucina, que também participam do disco. “Já era fã e virei parceiro das duas”, comemora Santos. LSM

Em estúdio com Denilson Santos

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