Autor de biografia ensina a gostar do astro do rock, criticado por sua voz fanhosa
O cantor e compositor norte-americano Bob Dylan divide com o nosso Chico Buarque uma injusta fama: a de ser um mau cantor. De fato, os dois artistas têm uma voz esquisita, fanhosa, fora dos padrões dos grandes cantores. Mas tal característica é compensada pela extrema habilidade de ambos em escrever letras incríveis — porém, no caso do Dylan, essa qualidade não impressiona o ouvinte brasileiro que não fala inglês e que vai, fatalmente, continuar achando o astro do rock um chato de galochas mesmo.
“Entendo a dificuldade de gostar do Bob Dylan sem entender a língua. Me surpreende até o fato de ele ter tantos fãs em países como Alemanha, França ou Itália. Para superar essa limitação, o ideal é traduzir as letras. Ele é um grande poeta”, ensina o escritor e historiador norte-americano Daniel Mark Epstein, autor do livro ‘A Balada de Bob Dylan — Um Retrato Musical’.
Existem dezenas de livros contando a vida de Bob Dylan, e ele próprio já escreveu a sua biografia, ‘Crônicas’, mas Epstein conta sua versão de uma forma diferente. O autor escolheu quatro emblemáticas apresentações do artista, em 1963, 1974, 1997 e 2009, para mostrar como ele mudou o rumo de sua obra com o passar dos anos.
“Bob Dylan é o artista vivo mais interessante para se escrever uma biografia, principalmente porque ele está aí até hoje, lançando novos discos, e se transformando. Acho que por eu também ser poeta e músico, além de contemporâneo dele, posso dar uma nova perspectiva que nenhum outro biógrafo poderia conseguir”, avalia Daniel Mark Epstein.
Mas as reclamações do público sobre Dylan não se resumem à sua voz. Muita gente, fãs inclusive, não suporta o fato de ele mudar tanto as músicas em relação às gravações originais quando as apresenta ao vivo. Muitas vezes, só cai a ficha sobre que canção ele está cantando quando ela está já chegando ao fim.
“Tive o privilégio de ver um dos primeiros shows dele, o de 1963, que relato no livro. Posso dizer que Dylan não está interessado em se repetir, o que seria para ele como viver no passado, um tipo de morte até. Ele é um artista que segue sempre olhando para frente, e isso demanda uma mudança constante”, defende o autor. LSM
quinta-feira, 26 de julho de 2012
quinta-feira, 19 de julho de 2012
Amy carioca
Luiza Dreyer faz sucesso na noite do Rio interpretando as músicas da doidona cantora inglesa
Frase da filósofa russo-americana Ayn Rand (1905-1982):
- Quando você perceber que, para produzir, precisa obter a autorização de quem não produz nada; quando comprovar que o dinheiro flui para quem negocia não com bens, mas com favores; quando perceber que muitos ficam ricos pelo suborno e por influência, mais que pelo trabalho, e que as leis não nos protegem deles, mas, pelo contrário, são eles que estão protegidos de você; quando perceber que a corrupção é recompensada, e a honestidade se converte em autossacrifício; então poderá afirmar, sem temor de errar, que sua sociedade está condenada.
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Frase da filósofa russo-americana Ayn Rand (1905-1982):
- Quando você perceber que, para produzir, precisa obter a autorização de quem não produz nada; quando comprovar que o dinheiro flui para quem negocia não com bens, mas com favores; quando perceber que muitos ficam ricos pelo suborno e por influência, mais que pelo trabalho, e que as leis não nos protegem deles, mas, pelo contrário, são eles que estão protegidos de você; quando perceber que a corrupção é recompensada, e a honestidade se converte em autossacrifício; então poderá afirmar, sem temor de errar, que sua sociedade está condenada.
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terça-feira, 17 de julho de 2012
Sem a pele de cordeiro
Lobão prepara novo CD, DVD e um livro, no qual detona a MPB, e faz críticas até ao rock de sua época
Lobão é o tipo de artista para quem você faz apenas uma pergunta e ele já te dá uma entrevista completa. Era para falar de seus novos CD, DVD e livro, mas, verborrágico e provocador, ele não segura sua metralhadora giratória, e dispara em direção a alvos como Maria Gadú e a MPB em geral. Um polemista profissional. Sobrou até para o rock e a geração dos anos 80.
“Essa juventude que está aí desde os anos 90 sentando na boquinha da garrafa acha que hoje MPB é aquela cantora de churrascaria com cabelo igual ao do Neymar”, define Lobão, se referindo à Gadú. “Nesse tipo de MPB só entra quem é brocha, porque é música de frouxo. Um bando de provincianos de sandálias havaianas querendo ser o próximo Chico Buarque, como se já não bastasse um. É igual a uma bicicleta ergométrica: não vai levar a gente a lugar nenhum. Aí, o cara fala para mim que rock é coisa de velho e vai ouvir Luan Santana. Como pode?”, questiona.
Essas e outras cobras e lagartos o roqueiro pretende reunir nas páginas de seu próximo livro, sucessor à bem-sucedida autobiografia ‘50 Anos A Mil’. “Vai ser um tipo de guia politicamente incorreto do metabolismo artístico do brasileiro. O nome será ‘O Manifesto do Nada na Terra do Nunca’, onde o nada sou eu e a terra do nunca é o Brasil”, conta, sobre a publicação prevista para sair em março de 2013. “Antes disso, no mês que vem, eu lanço meu novo CD e DVD, ‘Lino, Sexy & Brutal’. Foi masterizado nos estúdios de Abbey Road, em Londres. Vai trazer o registro de um show que fiz em 2011 no Palace, em São Paulo, bem no dia do heavy metal do Rock In Rio, só para provocar”.
Registre-se que Lobão foi enxotado do palco pelos metaleiros na segunda edição do festival, em 1991. “Toquei quatro horas direto no Palace, fiz quatro bis e foi o show mais representativo da minha vida. Nunca tirei um som como o que vai estar nesse DVD. E é o primeiro trabalho em que assino sozinho a produção. Além disso, estou compondo muito para um próximo CD. Aliás, CD não! Vou lançar em vinil! CD já é coisa de velho, quero lançar um vinil duplo, cheio de música nova”.
Apesar do saudosista anúncio de resgatar o bom e velho LP, formato de seus primeiros lançamentos, Lobão diz que está desapegado do passado. O show registrado em ‘Lino, Sexy & Brutal’ foca em suas composições mais recentes. “O repertório é basicamente o do meu disco ‘A Vida É Doce’ (1999) para a frente, e tem uma versão para ‘Ovelha Negra’, da Rita Lee, com participação do Luis Carlini, guitarrista dela na época. Claro que vai ter também ‘Me Chama’ e ‘Corações Psicodélicos’, além de ‘O Rock Errou’, que não tocava desde 1986, e outros desses sucessos que as pessoas querem ouvir”, detalha.
Lobão não está mesmo dando muita bola para os anos 80. “As pessoas acham que o rock nasceu nessa década. Na boa, da minha geração só se salvam Roger, Renato Russo, Cazuza, Julio Barroso e Edgard Scandurra. O resto era um bando de bundão imitando o U2, o Joy Division e o The Police. Uma década de cópias”, decreta Lobão. LSM (foto Felipe Diniz)
Lobão é o tipo de artista para quem você faz apenas uma pergunta e ele já te dá uma entrevista completa. Era para falar de seus novos CD, DVD e livro, mas, verborrágico e provocador, ele não segura sua metralhadora giratória, e dispara em direção a alvos como Maria Gadú e a MPB em geral. Um polemista profissional. Sobrou até para o rock e a geração dos anos 80.
“Essa juventude que está aí desde os anos 90 sentando na boquinha da garrafa acha que hoje MPB é aquela cantora de churrascaria com cabelo igual ao do Neymar”, define Lobão, se referindo à Gadú. “Nesse tipo de MPB só entra quem é brocha, porque é música de frouxo. Um bando de provincianos de sandálias havaianas querendo ser o próximo Chico Buarque, como se já não bastasse um. É igual a uma bicicleta ergométrica: não vai levar a gente a lugar nenhum. Aí, o cara fala para mim que rock é coisa de velho e vai ouvir Luan Santana. Como pode?”, questiona.
Essas e outras cobras e lagartos o roqueiro pretende reunir nas páginas de seu próximo livro, sucessor à bem-sucedida autobiografia ‘50 Anos A Mil’. “Vai ser um tipo de guia politicamente incorreto do metabolismo artístico do brasileiro. O nome será ‘O Manifesto do Nada na Terra do Nunca’, onde o nada sou eu e a terra do nunca é o Brasil”, conta, sobre a publicação prevista para sair em março de 2013. “Antes disso, no mês que vem, eu lanço meu novo CD e DVD, ‘Lino, Sexy & Brutal’. Foi masterizado nos estúdios de Abbey Road, em Londres. Vai trazer o registro de um show que fiz em 2011 no Palace, em São Paulo, bem no dia do heavy metal do Rock In Rio, só para provocar”.
Registre-se que Lobão foi enxotado do palco pelos metaleiros na segunda edição do festival, em 1991. “Toquei quatro horas direto no Palace, fiz quatro bis e foi o show mais representativo da minha vida. Nunca tirei um som como o que vai estar nesse DVD. E é o primeiro trabalho em que assino sozinho a produção. Além disso, estou compondo muito para um próximo CD. Aliás, CD não! Vou lançar em vinil! CD já é coisa de velho, quero lançar um vinil duplo, cheio de música nova”.
Apesar do saudosista anúncio de resgatar o bom e velho LP, formato de seus primeiros lançamentos, Lobão diz que está desapegado do passado. O show registrado em ‘Lino, Sexy & Brutal’ foca em suas composições mais recentes. “O repertório é basicamente o do meu disco ‘A Vida É Doce’ (1999) para a frente, e tem uma versão para ‘Ovelha Negra’, da Rita Lee, com participação do Luis Carlini, guitarrista dela na época. Claro que vai ter também ‘Me Chama’ e ‘Corações Psicodélicos’, além de ‘O Rock Errou’, que não tocava desde 1986, e outros desses sucessos que as pessoas querem ouvir”, detalha.
Lobão não está mesmo dando muita bola para os anos 80. “As pessoas acham que o rock nasceu nessa década. Na boa, da minha geração só se salvam Roger, Renato Russo, Cazuza, Julio Barroso e Edgard Scandurra. O resto era um bando de bundão imitando o U2, o Joy Division e o The Police. Uma década de cópias”, decreta Lobão. LSM (foto Felipe Diniz)
sexta-feira, 13 de julho de 2012
Hoje é o Dia do Rock, bebê!
Hoje, 13 de julho, no mundo inteiro apreciadores do gênero musical que mudou a história das sociedades comemoram seu dia exclusivo. A data foi escolhida por causa do primeiro festival ‘Live Aid’, realizado em 13 de julho de 1985, na Inglaterra e Estados Unidos, com shows de diversos artistas e renda revertida às pessoas que passavam fome na Etiópia.
O termo rock’n’roll foi inventado por um DJ norte-americano chamado Alan Freed, e o primeiro sucesso do gênero foi ‘Rock Around The Clock’, com Bill Halley, em 1955. A partir daí, o estilo musical que nasceu para ser rebelde e selvagem fez a cabeça de jovens de todas as idades mundo afora. Artistas como Elvis Presley, Beatles, Rolling Stones, Jimi Hendrix e Janis Joplin, entre outros, determinaram os padrões musicais e de comportamento que levariam o rock a se consagrar como o ritmo mais amado e cultuado no planeta. Além de ser também o gênero musical mais generoso, abrigando dezenas de subclassificações e artistas tão diversos quanto James Taylor e Sepultura. LSM
O termo rock’n’roll foi inventado por um DJ norte-americano chamado Alan Freed, e o primeiro sucesso do gênero foi ‘Rock Around The Clock’, com Bill Halley, em 1955. A partir daí, o estilo musical que nasceu para ser rebelde e selvagem fez a cabeça de jovens de todas as idades mundo afora. Artistas como Elvis Presley, Beatles, Rolling Stones, Jimi Hendrix e Janis Joplin, entre outros, determinaram os padrões musicais e de comportamento que levariam o rock a se consagrar como o ritmo mais amado e cultuado no planeta. Além de ser também o gênero musical mais generoso, abrigando dezenas de subclassificações e artistas tão diversos quanto James Taylor e Sepultura. LSM
terça-feira, 26 de junho de 2012
Filhos da Legião
Impedido de viver o pai no filme ‘Somos Tão Jovens’, sobre o início da carreira de Renato Russo, João Pedro Bonfá se junta a Nicolau Villa-Lobos na banda Big Nice
Estava tudo certo: Nicolau Villa-Lobos e João Pedro Bonfá fariam no cinema os papéis de seus pais, guitarrista e baterista da Legião Urbana, respectivamente. Quis o destino que, às vésperas do início das filmagens de ‘Somos Tão Jovens’, longa que estreia em 11 de outubro e vai contar os primórdios da Legião e de outros grupos de Brasília, uma infecção no braço tirasse o filho de Marcelo Bonfá da empreitada.
“Faltava só uma semana para começar a rodar e eu tive que ser hospitalizado. Eu pedi, insisti muito com minha mãe, mas ela não deixou”, lamenta, resignado, João Pedro, 24 anos, filho também da atriz Isabela Garcia.
Sem maiores problemas. Em seu lugar entrou um amigo, Conrado Godoy, ex-integrante de sua banda, a Big Nice, que acaba de ganhar um reforço: ninguém menos que... o próprio Nicolau Villa-Lobos. Então, se não vai ser no cinema, a união dos filhos legionários poderá ser conferida nos palcos.
“Eu já gostava do grupo. Aí, eles foram gravar no estúdio do meu pai, que se amarrou, e até deu várias dicas de guitarra. Eu fiquei lá junto, tentando acrescentar também. E quando saiu um cara da banda, eles me chamaram”, comemora Nicolau Villa-Lobos.
O quinteto é formado ainda por João Pedro Roche (guitarra), Dudu Sattamini (baixo) e Donato D’Angelo (teclado), todos com idades entre 23 e 25 anos. O nome Big Nice surgiu por acaso. “Era um boteco que nem sei se ainda existe, em Copacabana. Nunca fomos lá, mas o nome era maneiro”, explica João Pedro Bonfá.
O repertório mistura músicas próprias, clássicos do rock e, claro, Legião Urbana. “Nosso som é pop, mas não o pop do Skank ou do Jota Quest, que são grupos que respeito, mas não é o que a gente faz!”, define Bonfá. “Nosso pop é o de grupos como o Queen. Da Legião, devemos tocar ‘Soldados’ e ‘Tempo Perdido’”.
GERAÇÃO COCA-COLA
Além do repertório e do talento dos músicos, a Big Nice promete chamar a atenção por ter em sua formação dois filhos de ídolos de uma geração. A Coca-Cola, no caso. “Eu levo isso de ser filho de um integrante da Legião Urbana numa boa”, conta o herdeiro de Dado Villa-Lobos. “Na faculdade, uns amigos mais velhos piram, e vivem falando que são fãs do meu pai”.
CAPITÃO NASCIMENTO
Não dava para encontrar os filhos dos integrantes da Legião Urbana e não perguntar sobre a polêmica participação de Wagner Moura no recente Tributo à Legião Urbana, da MTV. Na ocasião, o ator e dublê de cantor dividiu opiniões sobre sua performance no vocal.
“O legal foi justamente o fato de ele não ser um cantor profissional. Era um cara neutro, mas que se entregou ali no palco como poucos poderiam ter feito”, defende João Pedro Bonfá.
Nicolau Villa-Lobos faz coro. “Burro é o cara que achava que ele ia cantar que nem o Renato Russo, que é um dos melhores cantores que já apareceram. A entrega do Wagner Moura foi total”, avalia. “Um momento emocionante aconteceu outro dia, quando fui almoçar com meu pai e adivinha com quem eu dei de cara na casa dele? Com o Capitão Nascimento!”.
Emoção forte viveram os fãs, no tal tributo à Legião, quando os músicos improvisaram no final um sucesso que não estava ensaiado: ‘Faroeste Caboclo’. “Fui eu quem disse que eles tinham que tocar essa!”, revela Nicolau. “Vi uma galera cantando os nove minutos da canção, do lado de fora do teatro, e sugeri que seria demais se rolasse. Em seguida, eles estavam lá no camarim relembrando os acordes”. LSM (fotos Luciano Oliveira)
DENTRO DO SET DE 'SOMOS TÃO JOVENS' COM NICOLAU VILLA-LOBOS:
“Filmar o ‘Somos Tão Jovens’ foi incrível! Até porque estudo Cinema, na PUC. Foram dois meses em Brasília e um em Paulínia, onde revivemos cenas reais, que aconteceram de verdade, como, por exemplo, o clássico primeiro show do Aborto Elétrico, que foi a banda que deu origem à Legião Urbana, na lanchonete Food’s, em cima de um caminhão. Também rodamos uma cena que foi um show da Legião na casa da família Lemos, dos irmãos Flávio e Fê Lemos, que acabaram formando o Capital Inicial. Fomos à própria casa onde os pais deles ainda moram.
Tinha muita gente jovem reunida, e ficamos todos do elenco muito amigos. No final de cada dia de filmagens, a gente ia para o hotel e ficava tocando e cantando clássicos da Legião Urbana. Como todo mundo entrou em uma mesma sintonia, tiveram momentos surreais. Parecia que a gente estava de fato revivendo a história, não apenas como atores. Quando voltei para casa, contei tudo para meu pai, que também se emocionou. Antes de filmar, eu usei ele como laboratório.
A cena mais emocionante, na minha opinião, é quando tocamos ‘Ainda É Cedo’. Nesse momento, o Renato Russo, vivido pelo ator Thiago Mendonça, reencontra sua melhor amiga, para quem ele fez a composição.
Posso garantir que ‘Somos Tão Jovens’ vai ser um filme extremamente musical. Todos os atores são músicos de verdade. A gente tocou quase 20 canções, sem nenhum playback. O som que vai ser ouvido no cinema é o que rolou de verdade lá na hora. Quem cuidou disso foi o Carlos Trilha, que é um superprodutor musical, e que, como se não bastasse, tocou na Legião Urbana”, por Nicolau Villa-Lobos.
Estava tudo certo: Nicolau Villa-Lobos e João Pedro Bonfá fariam no cinema os papéis de seus pais, guitarrista e baterista da Legião Urbana, respectivamente. Quis o destino que, às vésperas do início das filmagens de ‘Somos Tão Jovens’, longa que estreia em 11 de outubro e vai contar os primórdios da Legião e de outros grupos de Brasília, uma infecção no braço tirasse o filho de Marcelo Bonfá da empreitada.
“Faltava só uma semana para começar a rodar e eu tive que ser hospitalizado. Eu pedi, insisti muito com minha mãe, mas ela não deixou”, lamenta, resignado, João Pedro, 24 anos, filho também da atriz Isabela Garcia.
Sem maiores problemas. Em seu lugar entrou um amigo, Conrado Godoy, ex-integrante de sua banda, a Big Nice, que acaba de ganhar um reforço: ninguém menos que... o próprio Nicolau Villa-Lobos. Então, se não vai ser no cinema, a união dos filhos legionários poderá ser conferida nos palcos.
“Eu já gostava do grupo. Aí, eles foram gravar no estúdio do meu pai, que se amarrou, e até deu várias dicas de guitarra. Eu fiquei lá junto, tentando acrescentar também. E quando saiu um cara da banda, eles me chamaram”, comemora Nicolau Villa-Lobos.
O quinteto é formado ainda por João Pedro Roche (guitarra), Dudu Sattamini (baixo) e Donato D’Angelo (teclado), todos com idades entre 23 e 25 anos. O nome Big Nice surgiu por acaso. “Era um boteco que nem sei se ainda existe, em Copacabana. Nunca fomos lá, mas o nome era maneiro”, explica João Pedro Bonfá.
O repertório mistura músicas próprias, clássicos do rock e, claro, Legião Urbana. “Nosso som é pop, mas não o pop do Skank ou do Jota Quest, que são grupos que respeito, mas não é o que a gente faz!”, define Bonfá. “Nosso pop é o de grupos como o Queen. Da Legião, devemos tocar ‘Soldados’ e ‘Tempo Perdido’”.
GERAÇÃO COCA-COLA
Além do repertório e do talento dos músicos, a Big Nice promete chamar a atenção por ter em sua formação dois filhos de ídolos de uma geração. A Coca-Cola, no caso. “Eu levo isso de ser filho de um integrante da Legião Urbana numa boa”, conta o herdeiro de Dado Villa-Lobos. “Na faculdade, uns amigos mais velhos piram, e vivem falando que são fãs do meu pai”.
CAPITÃO NASCIMENTO
Não dava para encontrar os filhos dos integrantes da Legião Urbana e não perguntar sobre a polêmica participação de Wagner Moura no recente Tributo à Legião Urbana, da MTV. Na ocasião, o ator e dublê de cantor dividiu opiniões sobre sua performance no vocal.
“O legal foi justamente o fato de ele não ser um cantor profissional. Era um cara neutro, mas que se entregou ali no palco como poucos poderiam ter feito”, defende João Pedro Bonfá.
Nicolau Villa-Lobos faz coro. “Burro é o cara que achava que ele ia cantar que nem o Renato Russo, que é um dos melhores cantores que já apareceram. A entrega do Wagner Moura foi total”, avalia. “Um momento emocionante aconteceu outro dia, quando fui almoçar com meu pai e adivinha com quem eu dei de cara na casa dele? Com o Capitão Nascimento!”.
Emoção forte viveram os fãs, no tal tributo à Legião, quando os músicos improvisaram no final um sucesso que não estava ensaiado: ‘Faroeste Caboclo’. “Fui eu quem disse que eles tinham que tocar essa!”, revela Nicolau. “Vi uma galera cantando os nove minutos da canção, do lado de fora do teatro, e sugeri que seria demais se rolasse. Em seguida, eles estavam lá no camarim relembrando os acordes”. LSM (fotos Luciano Oliveira)
DENTRO DO SET DE 'SOMOS TÃO JOVENS' COM NICOLAU VILLA-LOBOS:
“Filmar o ‘Somos Tão Jovens’ foi incrível! Até porque estudo Cinema, na PUC. Foram dois meses em Brasília e um em Paulínia, onde revivemos cenas reais, que aconteceram de verdade, como, por exemplo, o clássico primeiro show do Aborto Elétrico, que foi a banda que deu origem à Legião Urbana, na lanchonete Food’s, em cima de um caminhão. Também rodamos uma cena que foi um show da Legião na casa da família Lemos, dos irmãos Flávio e Fê Lemos, que acabaram formando o Capital Inicial. Fomos à própria casa onde os pais deles ainda moram.
Tinha muita gente jovem reunida, e ficamos todos do elenco muito amigos. No final de cada dia de filmagens, a gente ia para o hotel e ficava tocando e cantando clássicos da Legião Urbana. Como todo mundo entrou em uma mesma sintonia, tiveram momentos surreais. Parecia que a gente estava de fato revivendo a história, não apenas como atores. Quando voltei para casa, contei tudo para meu pai, que também se emocionou. Antes de filmar, eu usei ele como laboratório.
A cena mais emocionante, na minha opinião, é quando tocamos ‘Ainda É Cedo’. Nesse momento, o Renato Russo, vivido pelo ator Thiago Mendonça, reencontra sua melhor amiga, para quem ele fez a composição.
Posso garantir que ‘Somos Tão Jovens’ vai ser um filme extremamente musical. Todos os atores são músicos de verdade. A gente tocou quase 20 canções, sem nenhum playback. O som que vai ser ouvido no cinema é o que rolou de verdade lá na hora. Quem cuidou disso foi o Carlos Trilha, que é um superprodutor musical, e que, como se não bastasse, tocou na Legião Urbana”, por Nicolau Villa-Lobos.
Elas são Gabrielas
Quando vieram a esse mundo, elas não atinavam nada sobre o porquê de terem sido batizadas com o mesmo nome da personagem do romance de Jorge Amado, ‘Gabriela, Cravo e Canela’. Meus camaradas, a Gabriela vivida por Sonia Braga na primeira adaptação do livro para a televisão, em 1975, inspirou um sem-número de mães e pais a escolherem este nome para suas filhas. Elas nasceram assim, cresceram assim, são mesmo assim e vão ser sempre assim: Gabriela.
No embalo do atual remake com Juliana Paes à frente, fomos atrás dessas Gabrielas que reúnem pelo menos três décadas de histórias divertidas sobre a origem de seus nomes. “Minha mãe queria um menino. Como não veio, então ela, que se identificou com a personagem da novela, quis uma filha forte, que não fosse submissa, que tivesse fibra e personalidade”, descreve a secretária Gabriela de Oliveira (foto com o livro). “Agora, com o sucesso do remake que está no ar, vão nascer várias Gabrielas de novo”, aposta.Integrante do badalado bloco Mulheres de Chico, a cantora Gabriela Buarque (foto na árvore) conta que seu nome foi escolhido na mesma Ilhéus onde se passa a trama. “Minha mãe estava grávida quando foi com meu pai à cidade baiana. Eles até visitaram as locações onde foi filmada a novela. E eu tenho mesmo esse traço da Gabriela, de correr atrás do que acredito. Isso se reflete até no lance de querer viver de música, que banco na cara e na coragem”, compara.
A identificação com a personagem não é uma unanimidade. “Curto a espontaneidade e autenticidade, mas não gosto dessa coisa meio ingênua dela”, descarta a designer Gabriela Ferraz (foto com o CD). “Minha mãe conta que a novela fez muito sucesso, e como ela é negra e meu pai branco, acharam que sairia uma menina morena e que o nome combinaria”, explica.
Nem todas, claro, têm a obrigação de gostar do nome. “Minha mãe é fã do Jorge Amado, mas me batizou com Anna antes, para eu ter a opção de querer ser chamada assim, e não de Gabriela”, considera a jornalista Anna Gabriela Lopes (foto com a flor). “Mas adoro meu nome!”.
Além de serem xarás, elas dividem o fato de sempre escutar o onipresente refrão da canção-tema de Dorival Caymmi, eternizada na voz de Gal Costa. “Toda hora me cumprimentam com o ‘Gabrie-e-la’ sonoro da Gal”, diverte-se Anna Gabriela. LSM (fotos Felipe O'Neill)
quarta-feira, 16 de maio de 2012
Guitarrista racional viaja em disco voador
Célebre músico da Banda Vitória Régia, de Tim Maia, Paulinho Guitarra lança novo CD solo
Ele já imprimiu seu talento em discos e shows de nomes como Cazuza, Marina Lima, Claudio Zoli, Ed Motta (com quem toca atualmente) e Tim Maia. Mas, desta vez, Paulinho Guitarra não está a serviço de nenhum outro talento da música brasileira. Ele lança seu mais novo CD solo, ‘Romantic Lovers’. “São instrumentais simples, leves e curtos. As pessoas vão até assoviar as melodias”, promete.
Paulinho Guitarra acumula histórias incríveis de sua trajetória. Ele é um dos personagens principais da biografia de Tim Maia, ‘Vale Tudo’, escrita por Nelson Motta, e foi, inclusive, devoto da Cultura Racional, seita que fez a cabeça do ‘Síndico’ e de sua banda nos anos 70. “Aquela parada Racional foi o maior pé no saco, a gente se tornou os maiores malas sem alça do Brasil! Só teve uma coisa boa: a gente ter saído de lá! Quer dizer, além dos três discos que o Tim Maia fez. Dá para ouvir a força e a limpidez de sua voz naquele período”, recorda.
Paulinho deixou a Cultura Racional, mas ainda mantém suas crenças. “Sempre acreditei em discos voadores. Acho até que cheguei na Terra num desses”, decreta ele, que até lançou um CD chamado ‘Trans Space’. “Esse título é mais um flerte com a space age music do início dos anos 60”, explica.
Lenda da guitarra, Paulinho celebra a carreira, solo e ao lado dos nomes a quem serviu com seu talento. “O artista escolhe se quer ter uma trajetória efêmera, tipo ‘passou rápido, mas ganhei uma baba, maluco!’. Prefiro ter uma carreira longa e sólida”, avalia.
Ele só troca a guitarra pela mulher e produtora, Jane, a quem dedica o novo CD. “Quando terminei o disco anterior, decidi que o próximo seria assim: ‘Amor, vou fazer um disco inteiro para você!’”, derrete-se. LSM (foto Ana Paula Amorim)
Ele já imprimiu seu talento em discos e shows de nomes como Cazuza, Marina Lima, Claudio Zoli, Ed Motta (com quem toca atualmente) e Tim Maia. Mas, desta vez, Paulinho Guitarra não está a serviço de nenhum outro talento da música brasileira. Ele lança seu mais novo CD solo, ‘Romantic Lovers’. “São instrumentais simples, leves e curtos. As pessoas vão até assoviar as melodias”, promete.
Paulinho Guitarra acumula histórias incríveis de sua trajetória. Ele é um dos personagens principais da biografia de Tim Maia, ‘Vale Tudo’, escrita por Nelson Motta, e foi, inclusive, devoto da Cultura Racional, seita que fez a cabeça do ‘Síndico’ e de sua banda nos anos 70. “Aquela parada Racional foi o maior pé no saco, a gente se tornou os maiores malas sem alça do Brasil! Só teve uma coisa boa: a gente ter saído de lá! Quer dizer, além dos três discos que o Tim Maia fez. Dá para ouvir a força e a limpidez de sua voz naquele período”, recorda.
Paulinho deixou a Cultura Racional, mas ainda mantém suas crenças. “Sempre acreditei em discos voadores. Acho até que cheguei na Terra num desses”, decreta ele, que até lançou um CD chamado ‘Trans Space’. “Esse título é mais um flerte com a space age music do início dos anos 60”, explica.
Lenda da guitarra, Paulinho celebra a carreira, solo e ao lado dos nomes a quem serviu com seu talento. “O artista escolhe se quer ter uma trajetória efêmera, tipo ‘passou rápido, mas ganhei uma baba, maluco!’. Prefiro ter uma carreira longa e sólida”, avalia.
Ele só troca a guitarra pela mulher e produtora, Jane, a quem dedica o novo CD. “Quando terminei o disco anterior, decidi que o próximo seria assim: ‘Amor, vou fazer um disco inteiro para você!’”, derrete-se. LSM (foto Ana Paula Amorim)
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