quinta-feira, 18 de julho de 2013

Descoberta por Dennis Carvalho, Michele Leal vai parar na trilha de 'Sangue Bom'

Sabe aquelas histórias de contos de fadas, com sonhos realizados, príncipe encantado e tudo mais? Pois elas acontecem não só no mundo das fábulas, mas também na vida real. Foi assim com a cantora mineira Michele Leal. Há sete anos, ela saiu de Itajubá, no sul de Minas Gerais, para cursar Comunicação Social no Rio e, claro, se arriscar na música nas horas vagas. Até que um dia...

“Eu estava passeando na Lapa, aí um amigo me convidou para assistir a um show em um hostel”, detalha o diretor de novelas Dennis Carvalho, o ‘príncipe encantado’ em questão. “Era uma apresentação da Michele Leal. Eu fui, e lá ouvi uma música que adorei, ‘Jacarandá’. Perguntei a ela se interessava colocá-la na trilha de ‘Sangue Bom’”.

Carvalho assina a direção geral e de núcleo da novela das 19h da Globo, e ‘Jacarandá’ foi parar na trama como tema de Malu, personagem interpretada pela atriz Fernanda Vasconcellos. A faixa faz parte também da estreia em disco de Michele, no EP (disco de cinco faixas) homônimo da canção. “Foi uma grande surpresa o Dennis ter aparecido naquela ocasião, assim, sem mandar aviso. Lembro que ele se divertiu e dançou bastante”, comenta a cantora, ainda incrédula. “Dá prazer e orgulho ter meu trabalho divulgado em uma novela na televisão, alcançando um grande público em escala nacional. Agora, as pessoas vão até cantar comigo no show”, comemora a jovem de 28 anos.

Ela não vai esquecer nunca a primeira vez que ouviu ‘Jacarandá’ no ar. “Meus amigos fizeram questão de me prender em casa na frente da televisão para assistir ao primeiro capítulo da novela. Quando a minha música tocou, foi como um gol do Brasil na final da Copa do Mundo. A gente gritava e se abraçava com euforia”, relata.

foto: Felipe O'Neill

Michele Leal vai além do sucesso global. Seu CD, registre-se, tem direção e produção musical de Jorge Helder, baixista de nomes como Chico Buarque e um dos mais requisitados da música brasileira, e participação de outros músicos tão renomados quanto, como Lula Galvão, Jaques Morelenbaum, Jurim Moreira, Marcos Nimrichter e Jaime Alem. Seu ritmo passeia pelo samba, rock, maracatu, baião e afoxé. Inclusive, todas as canções do EP ‘Jacarandá’ podem ser baixadas gratuitamente em seu site, www.micheleleal.com.br. A atriz Fernanda Vasconcellos garante que amou a música ‘Jacarandá’.

"Escuto ela sempre e, desde a primeira vez, já quis conhecer a Michele, que me foi apresentada pelo Dennis Carvalho”, conta a atriz.

Michele Leal diz que se identifica com a personagem Malu, que tem como característica viver para ajudar os outros: “Acredito que cantar e fazer música é como ajudar as pessoas, fazê-las felizes e trazer alegria para todos”. LSM

sábado, 13 de julho de 2013

Nós, mulheres de roqueiros

Ser mulher do vocalista de uma banda de rock deve ser o máximo, não é? Tem até propaganda na televisão falando disso. A verdade é que nem sempre é mole ser casada com um marido-roqueiro, que tem que se dividir entre shows, viagens e a família. Sem falar no assédio das fãs enlouquecidas. E quando a banda vai ensaiar no lar do casal, e sobra para a patroa fazer lanchinho para a galera?

Hoje, Dia Mundial do Rock (celebrado desde o histórico festival beneficente Live Aid, em 13 de julho de 1985), revelamos como é a vida das moças que curtem e seguram a onda ao lado de roqueiros como Tico Santa Cruz (Detonautas), Philippe Seabra (Plebe Rude), Canisso (Raimundos) e Bruno Gouveia (Biquini Cavadão).

Luciana Rocha, astrônoma. Está casada há 12 anos com o vocalista Tico Santa Cruz. Mãe de Lucas, 12 anos, e Bárbara Odara, 5
Ela ama o gênero musical abraçado pelo marido, Tico Santa Cruz, vocalista do Detonautas. E tem até uma tatuagem no pulso em homenagem ao rock.


“Já aconteceu de eu ser barrada no camarim dele pelo segurança. Quando comentei que era a mulher do Tico, ele apontou para várias outras meninas e disse: ‘Tá vendo aquela ali? Também é mulher do Tico. Aquela outra ali é a namorada do Tico, e aquela mais atrás é mãe do Tico. Tem umas 20 mulheres aqui querendo entrar dizendo que são mulheres dele”, conta ela, que, depois de algum custo, conseguiu provar ser a “oficial”. “Quando ele sai em turnê, a saudade alimenta nossa relação. Quando ele retorna, os sentimentos sempre se renovam. Ele é muito fofo, me acorda de madrugada para dizer que me ama e passa boa parte do tempo me fazendo carinho”, derrete-se Luciana.

Fernanda Silva Rodrigues de Seabra, funcionária pública. Casada com Philippe Seabra, da Plebe Rude, há 10 anos. Eles têm um filho, Philippe, de 1 ano e 7 meses
Quando Philippe Seabra, vocalista e guitarrista da Plebe Rude, faz show, sua parceira, Fernanda, não tem conseguido comparecer. “Quando não tínhamos filho, cheguei a ir com ele algumas vezes nas turnês. Adoro ir, mas depois que nasceu o Lipe-Lipe, é assim que chamamos o nosso filhote, isso se tornou tarefa impossível”, lamenta ela.


O estúdio de Philippe Seabra fica em casa. Então, é inevitável o barulho. Fernanda não costuma dar bronca, mas quando o bebê vai dormir e os ensaios são à noite, acaba pedindo para ele maneirar um pouco. Ela conta ainda que ficar em casa cuidando do pequeno quando Philippe vai tocar não é problema, já que não teme o assédio das fãs dele. “Os roqueiros hoje estão mais caretas. A maioria que eu conheço é bem casada e costuma ser fiel... até onde eu sei! No caso da Plebe, costumam ir ao camarim mais homens que mulheres. Esse é o perfil de fãs da banda. Sorte minha e azar dele!”, brinca.

Izabella Brant de Vasconcelos Schueler Vieira, cantora. Está casada há dois anos com Bruno Gouveia. Eles não têm filhos
Bruno Gouveia e Izabella Brant dividem a mesma profissão: os dois são cantores. Só que ele seguiu o caminho do rock com o Biquini Cavadão e ela, do forró, à frente de sua banda, a Menina do Céu.

“Sempre que ele não tem show, acaba aproveitando para ir aos meus. E ainda faz participação especial! Imagina, um roqueiro cantando xote... E olha que ele leva jeito!”, diverte-se Izabella.

Mas, claro, apesar da atividade musical comum, nem tudo é afinado como neste dueto “forrock”. “Um ponto negativo é quando chegam as datas importantes para a família ou para nós e estamos afastados. Dia dos Namorados juntos é sempre uma incógnita, por exemplo. Mas aprendemos a celebrar antes ou depois das datas em si. Fica especial do mesmo jeito”, resigna-se ela.


Por ser cantora, Izabella, assim como Bruno, também passa pelos usuais assédios dos fãs. “Sei sair da situação com bom humor e ele acaba achando graça. O segredo é ter jogo de cintura e saber impor limites”, ensina.

Ensaios do Biquini em casa? Por ela, tudo bem: “Adoro cozinhar e inventar lanches, almoços e jantares. É um prazer e lamentamos não termos tanto tempo para isso. Bronca aqui é só quando a música acaba!”.

Adriana Toscano de Vilhena Campos, psicóloga, produtora e mãe de família. Está casada há 23 anos com Canisso. O casal tem quatro filhos: Mike, 21 anos; Lori, 20; Nina, 13; e Pedro, 9
O mundo dá voltas: “Quando o conheci, eu é que viajava, pois fui atleta profissional de remo. Então, teve volta!”, recorda Adriana Toscano, mulher de Canisso, baixista do Raimundos. “Até hoje, mesmo depois de tantos anos, sinto saudade quando ele viaja. Quando dá, eu vou junto. Mas já foi bem f... deixar ele nessa estrada. Tivemos problemas quando fiquei muito sem ir nas viagens, porque tinha acabado de ter meu terceiro filho, e o Raimundos estava estouradaço com ‘Mulher de Fases’. Mas não desisti dele, nem ele de mim. Temos muito amor um pelo outro”.

Adriana também é instrumentista: já foi baterista e teve sua própria banda. Ela, portanto, foi alvo do assédio dos fãs. “Antigamente, o Canisso queria logo sair na porrada! Uma vez, saindo de um show dele, quando já estávamos nos dirigindo para o carro, um grupo de fãs se aproximou e um deles falou para o Canisso: ‘Não quero seu autógrafo, não. Quero o da sua mulher!’ Ficamos todos rindo, foi bem engraçado, mas ele ficou p... da vida!”, diverte-se.

Hoje, é ela quem organiza a agenda dele. Depois de tantos anos casados e de tantas experiências, a paixão pelo rock faz sua parte para mantê-los juntos: “Comecei gostando de AC/DC, depois descobri Suicidal Tendencies, Metallica, Queen, Queens Of The Stone Age, Ramones... Aqui em casa todos curtem rock!”, orgulha-se. “O bom é que não caímos em uma rotina, por isso o casamento está sendo longo”. LSM e Ricardo Schott

segunda-feira, 1 de julho de 2013

Monobloco fora de época

Estrela do verão e do Carnaval, a trupe carioca lança CD em pleno inverno para que os fãs aprendam as músicas novas até o desfile de 2014 

Ensaio do Monobloco tem que ter água, café e... algodão. Muito algodão. “Rapaz, coloca isso logo no ouvido, que o som aqui dentro é alto pra c...!”, orienta Pedro Luís, uma das cabeças pensantes da big band carioca.

A dica é providencial. Dentro do estúdio da trupe na Rua das Palmeiras, em Botafogo, a massa sonora produzida pelos tambores, guitarras e vocais de 17 cabeças (o grupo completo conta com 24 integrantes) é praticamente ensurdecedora. Ali, eles se preparam para a estreia da turnê de lançamento do novo CD, ‘Arrastão da Alegria’.

“O Monobloco é conhecido como uma banda de baile, que toca um repertório de sucessos que estão na boca do povo. Nesse disco, ousamos ao sair desta fórmula para destacar também músicas autorais”, explica Pedro Luís. “Essas novas canções têm potencial para se tornarem sucessos e a gente quer apresentá-las ao público desde agora para que, no Carnaval, todos já saibam cantar juntos no nosso desfile”.

No centro da sala de ensaio, Celso Alvim, outro cofundador do Monobloco, rege a tropa enquanto os ritmistas definem um arranjo para o funk ‘Balança Geral’, uma das inéditas, que ao vivo vai ganhar citações de James Brown e do ‘Ah Lelek Lek Lek Lek’. “Estamos acertando os últimos detalhes. Isso de misturar o funk de James Brown com o funk carioca surgiu espontaneamente no ensaio”, descreve Alvim.

Para ficarem afinadinhos para a turnê, que começa no Rio e depois vai a Brasília, São Luís, Fortaleza, Belo Horizonte e Guarapari, os músicos do Monobloco estão ensaiando mais que o normal. “A gente costuma se encontrar regularmente duas vezes por semana, mas, ultimamente, o ritmo aumentou para três a quatro encontros”, conta Pedro Luís.


PARABÉNS NO PALCO
A apresentação desta semana na Fundição Progresso terá mais um ingrediente especial, ao menos para um dos músicos. É o dia do aniversário de 45 anos de Sidon Silva, outro dos criadores do Monobloco, ao lado de C.A. Ferrari e Mário Moura, além de Celso e Pedro. “Pô, aposto que vão levar bolo para cantar parabéns no palco”, prevê Sidon, às gargalhadas. LSM (fotos: Estefan Radovicz)

sábado, 8 de junho de 2013

A voz do amor

Paula Fernandes lança CD às vésperas do Dia dos Namorados e diz que é a cantora preferida dos casais apaixonados 

“Sou a artista que mais embala namoros no Brasil!”.

Quem atesta é Paula Fernandes. Tal afirmação, às vésperas do Dia dos Namorados, pode até parecer propaganda de seu novo CD (na verdade um EP, disquinho de apenas quatro faixas), ‘Um Ser Amor’, que sai justamente na terça-feira, um dia antes da romântica data. “Falam muito que minhas músicas são trilha sonora de gente que se casou, que terminou e voltou o relacionamento, que começa namoro...”, completa a cantora.

Paula Fernandes, no entanto, garante que o romance com seu público fiel (“São mais de dez milhões fãs”, contabiliza) dispensa esses tipos de estratégias. Hoje, inclusive, é dia de reencontro: ela se apresenta na HSBC Arena, na Barra da Tijuca, e registra a comunhão para lançar um DVD em outubro.

“Este virá depois do sucesso do primeiro”, preocupa-se ela, sobre o desafio de bater as mais de 1,8 milhão de cópias vendidas do seu ‘Ao Vivo’, recordista em 2011. “Sei que estou diante do comércio e que ele está à espera desse novo DVD. Imagino a minha responsabilidade”.

Deixando a parte ‘tensa’ de lado, ela é só sorrisos e está cheia de amor para dar. Inclusive, seus dentes também já têm alguém para chamar de seu, apaixonada que está pelo namorado, o dentista Henrique Valle. “E olha que eu sempre tive pavor de dentista!”, brinca. “Ele cuida, faz clareamento, e agora vou colocar aparelho com ele”.

E se o assunto é namoro, Paula aproveita para exaltar o mais badalado romance da música brasileira dos últimos tempos, o da também cantora Daniela Mercury, que assumiu sua relação homossexual. “Ela é fantástica! O amor está aí. Não importa se é homem com homem ou mulher com mulher. O amor é um só. Tenho preconceito é com quem não se assume”, decreta.


Chamada de musa do sertanejo, porém, a toda linda Paula Fernandes foge na hora de se assumir como símbolo sexual. “Nunca foi minha intenção ser vista assim. Já me convidaram para fazer ensaio sensual, mas nunca aceitei. Gosto de usar roupas curtas e transparentes, não vejo algo vulgar nisso. Tem muita gente que só usa longo e saia comprida e que é muito mais vulgar”, compara.

O corpinho de invejável cintura fina, ela conta, é o resultado de uma dedicação da qual orgulha-se. “Malho muito, em casa mesmo, de madrugada depois dos shows. Não sou vegetariana, mas posso ser considerada natureba. Evito doce e gordura e não bebo álcool. Nunca tomei um porre na vida, não sei como é isso”, jura. “O que quero deixar mesmo é a minha música, porque a ‘casquinha’ vai embora. Mas nem por isso vou esperar envelhecer para me cuidar. Acho que abrir mão de certas coisas agora é uma questão de inteligência. ”, filosofa.

FAMA DE MÁ
Esbanjando simpatia durante a entrevista, Paula Fernandes discorda veementemente da fama de antipática que a persegue — amplamente testemunhada em comentários nada elogiosos nas redes sociais e na internet em geral.

“Acho que é porque eu sempre fui muito discreta e, como não dou motivos, as pessoas inventam o que querem. Isso pode ter começado porque, em algumas ocasiões, eu não consegui atender a todos os fãs que queriam falar comigo depois do show. Aí, aquela pessoa que não tem nada mais que fazer posta alguma reclamação. A pessoa pública vai estar sempre exposta a isso, é normal”, defende-se, com aquele belo sorriso de namorada de dentista.

Reclamar, ela só reclama mesmo de uma confusão em sua saída da Talismã, empresa do cantor sertanejo Leonardo, quando findou-se o contrato e ela optou por criar seu próprio escritório, o Jeito de Mato.

“Na ruptura, sumiram com meu perfil no Facebook, que tinha cinco milhões de seguidores. Eles cuidavam disso, e eu quase não consegui recuperar. Tivemos que acionar o próprio Facebook. Fiz a campanha ‘Renascer das Cinzas’ no meu Twitter e, afinal, consegui o direito de reaver o perfil. Eu e o Leonardo sempre estivemos okay. Isso foi uma discussão de advogados”, encerra o assunto. LSM (fotos José Pedro Monteiro)

segunda-feira, 3 de junho de 2013

Ecos de Amy

A convite de cantora brasileira - com quem vão gravar -, músicos que tocaram com Amy Winehouse partem em passeio carioca e provam até churrasquinho de rua

O Xantoné Blacq Trio chegou ao Rio anunciado, com pompas, como a “banda de Amy Winehouse”. No show que fizeram na Miranda, semana passada, além de enfileirar clássicos da saudosa cantora, com quem dividiram palcos mundo afora, também apresentaram suas próprias canções e releituras de outros nomes da música soul, como Stevie Wonder e Michael Jackson. A surpresa da apresentação, no entanto, foi a participação especial de uma jovem brasileira, Sabrina Malheiros. Acompanhada pelos gringos, ela interpretou a música ‘Batucada’, de Marcos Valle.

“Tocamos juntos em Londres”, conta Sabrina, que é filha do baixista Alex Malheiros, da lendária banda Azymuth, e traça carreira internacional na capital inglesa. “Com isso, surgiu o convite para eles gravarem o meu quarto CD, em agosto, quando retornam ao Brasil para mais shows”.

(foto: Pedro Mena)

Aproveitando o feriado prolongado na cidade, os caras do Xantoné Blacq Trio aceitaram um convite de Sabrina: embarcar em um passeio tipicamente carioca. Guiados por ela, bebem muitas caipirinhas, comem churrasquinho de rua em Santa Teresa e se jogam na badalada noite da Lapa.

“Sabrina é uma cantora fantástica!”, atesta Xantoné Blacq, tecladista e vocalista. “Eu já conhecia o Azymuth. Ela precisava de instrumentistas e, assim que nos conhecemos, já começamos a fazer música”.


Sabrina Malheiros, porém, é bem diferente da doidona Amy Winehouse. Enquanto a tropa internacional entorna o que aparecer pela frente, ela se comporta (ao menos durante a matéria), bebendo apenas alguns copinhos de cerveja no conhecido Bar do Gomez, de Santa Teresa. Em seu repertório, em vez do soul, uma dançante mistura de samba com pitadas eletrônicas. Sem problemas. Os rapazes já estão escolados com os nossos ritmos.

“Amy falava sempre da música brasileira, ela era antenada”, decreta o baterista Nathan Allen, entre um bolinho de bacalhau e um frango à passarinho (registre-se que a inglesa chegou a gravar uma versão para ‘Garota de Ipanema’, de Tom Jobim e Vinicius de Moraes).

Xantoné, que é nigeriano mas mora em Londres desde os 9 anos, lembra a primeira vez que ouviu a nossa batucada: “Quando eu era pequeno, o programa ‘Fantástico’ passava na televisão nigeriana. Foi quando ouvi o som da cuíca. Pensei: ‘Que instrumento estranho’. E, a partir daí, fiquei curioso pelo Brasil”, recorda.

Nesse momento, o tecladista rega generosamente com pimenta um bolinho de bacalhau. Ao notar o olhar assustado dos brasileiros, devolve: “Relaxa, gente, eu sou da Nigéria”, diverte-se.

O baixista Alex Bonfant, o ‘branquelo’ da banda, se espanta mesmo é com o próprio quitute. “É o melhor que já comi! Em Londres, só tem croquete de carne. De peixe, nunca vi”, degusta. E manda vir outra dose da tradicional cachaça mineira Boazinha.

A essa altura, tudo é festa para os músicos. De Santa Teresa, Sabrina Malheiros puxa o bonde ladeira abaixo até a Lapa. Primeira escala: a conhecida Casa da Cachaça, um dos bares mais informais do boêmio bairro carioca. De lá, ela os acompanha até a não menos tradicional Pizzaria Guanabara, onde pedem várias fatias. Aí, bate uma vontade de dançar, e a noite acaba no bar Leviano, ao som de salsa, merengue e rumba. O roteiro com a brasileira se dá como uma dança afinada, atestando que a sintonia entre a cantora e os músicos acontece tanto nos palcos quanto fora deles.

Em agosto, quando voltam ao Brasil, os gringos vão se dividir entre o projeto Amy Lives — que levaram à Virada Paulista este mês — e o disco de Sabrina.

“Muita gente toca músicas da Amy pelo mundo. Somos os originais, mas mudamos os arranjos, fazendo o que imaginamos que ela mesma estaria fazendo hoje”, encerra Xantoné.

E pedem a saideira. LSM (fotos de José Pedro Monteiro)

segunda-feira, 27 de maio de 2013

‘Eu sou o Secos & Molhados’

Dono das músicas e do conceito visual do lendário grupo, João Ricardo celebra 40 anos do primeiro disco e diz que voltaria a cantar com Ney Matogrosso 

Ney Matogrosso, rebolando e cantando com seu inconfundível timbre o provocante refrão “vira, vira, vira homem/vira, vira/ vira, vira lobisomem”, se eterniza como corpo e voz do Secos & Molhados. Porém, o cérebro do grupo de rock que, nos anos 70, bate Roberto Carlos em vendas e se torna um fenômeno musical e comportamental, é João Ricardo. Ele é o autor de praticamente todo o repertório e criador do conceito visual do trio, completado ainda por Gerson Conrad.

“Eu sou o Secos & Molhados!”, decreta João Ricardo, que revive a banda no próximo sábado, no Teatro Rival, em show que celebra os 40 anos do disco de estreia. “Sei que gostariam que voltasse a formação original, mas acho muito difícil. Não falo com mais ninguém que participou daquele disco. Mas, claro, nada é impossível. Para mim, hoje, cantar com o Ney nem seria tão difícil. Agora, tocar com o Gerson não rola mais. Ele valorizou muito sua participação no grupo, coitado. Nunca tocou bem. Fora que já somos todos muito velhos, nunca seria igual ao que esperam”, avalia.

João Ricardo ressuscitou o Secos & Molhados várias vezes, mas sem recorrer aos integrantes originais. O grupo que vem ao Rio é um duo com Daniel Iasbeck. O álbum que completa quatro décadas (também conhecido como o “disco das cabeças” e que traz na capa ainda o baterista contratado Marcelo Frias) é um clássico. Lançado em agosto de 1973, vendeu mais de 700 mil cópias na época.

“Vende bem até hoje. Graças a ele, consigo viver modestamente. Os direitos que recebo por esse disco são maiores até que o que me rende quando o próprio Ney, em carreira solo, regrava alguma das minhas músicas dos tempos do Secos & Molhados”, compara João Ricardo.

Ele aproveita para comentar sobre uma antiga polêmica. Afinal, quem surgiu primeiro com a proposta de se apresentar com os rostos maquiados: o Secos & Molhados ou o grupo norte-americano de rock Kiss?

“Para mim não importa quem surgiu antes, mas o primeiro disco do Kiss é de 1974, um ano depois do nosso, a máscara do baixista deles é igual à do Ney e a capa do disco parece uma cópia da do Secos”, provoca. LSM (fotos: Francisco Cepeda)

quinta-feira, 9 de maio de 2013

No passinho de Deborah Colker

Espevitada aos 52 anos, a coreógrafa Deborah Colker irrompe nos bastidores do Teatro Carlos Gomes aos gritos. “Em 1995, dei um esporro clássico na equipe inteira aqui nesse camarim”, recorda, às gargalhadas, ao entrar no mesmo espaço onde estreou há 18 anos o revolucionário espetáculo ‘Velox’ — que volta a ser encenado no mesmo palco, de amanhã a domingo, como parte das comemorações pelos 20 anos de sua companhia de dança. “Avisa ao público que o som vai ser porrada! Não será permitida a entrada de maiores de 40!”, ordena, brincando, à sua equipe.

Guitarras distorcidas e batidas tribais em alto volume ecoando pelos tradicionais corredores do Carlos Gomes, durante um ensaio geral do espetáculo na tarde de ontem, anunciam que a radical montagem promete impactar tanto quanto nos anos 90. “Foi a partir dela que imprimi minha assinatura. Mudei o foco da dança quando perguntei: ‘Por que o palco tem que ser horizontal? Aí resolvi fazer um palco vertical”, conta, sobre o surgimento do emblemático paredão de alpinismo com 6,6 metros de altura que é a marca principal de ‘Velox’.


Apenas nessas três apresentações, Deborah, única remanescente da formação original do espetáculo, estará dançando no palco para celebrar o aniversário de seu grupo. “Só não dá mais para escalar a parede, eu já sou avó”, dispara, sempre rindo muito.

A turnê comemorativa também vai contar com reencenações de ‘’ (2005), de 16 a 19 de maio, na Cidade das Artes, na Barra da Tijuca; e ‘Tatyana’ (2011), de 3 a 19 de outubro, no Teatro João Caetano, no Centro. Outro ponto alto em sua trajetória, o espetáculo ‘Ovo’, criado por ela para a badalada trupe canadense Cirque du Soleil, no entanto, segue inédito no Brasil. “No momento, eles estão apresentando ‘Ovo’ na Austrália, mas um passarinho me contou que eles chegam ao Brasil em 2015”, arrisca.

E Deborah Colker já tem planos para começar os próximos 20 anos. “Estou preparando o espetáculo ‘Belle de Jour’ para 2014. Considero minhas montagens ‘Nó’, ‘Cruel’ e ‘Tatyana’ uma trilogia. Este novo será um passo adiante, e vai discursar sobre o amor, o desejo e a razão”, antecipa. “O panorama da dança mudou demais nessas duas décadas. Era um deserto quando comecei. Tinha só o Grupo Corpo e a Quasar. Hoje, está tudo muito mais difundido, e até o passinho, do funk, tem sua importância para popularizar a dança. Mas, até hoje, ninguém faz espetáculo de dança contemporânea no Brasil como eu!”, decreta.


A celebração pelos 20 anos da Companhia de Dança Deborah Colker engloba ainda dois livros. Um, escrito por Francisco Bosco e repleto de fotos, tem lançamento previsto para outubro. O outro, sem data marcada para sair, é uma espécie de diário de bordo da coreógrafa. “Este segundo vai ser um livro mais acadêmico, teórico, sobre como desenvolvi minha técnica, como formo bailarinos. O do Bosco será um livro de arte, com fotos tiradas pelo meu irmão, Flavio Colker”, detalha ela. LSM (Fotos André Luiz Mello)