terça-feira, 19 de abril de 2011

Obcecado por tecnologia, Junior troca o rock pela música eletrônica

Irmão mais novo vive na cola do mais velho. Depois de a primogênita Sandy externar sua porção devassa, é a vez de Junior revelar outra face de sua personalidade: seu lado nerd, com o Dexterz. No grupo, dedicado à música eletrônica, o caçula deixa para trás o rock de sua ex-banda, Nove Mil Anjos. “O nome é por conta do desenho animado (‘O Laboratório de Dexter’) e também de um seriado de TV, que têm personagens vinculados à coisa geek (gíria para pessoas obcecadas por tecnologia), bem nerd. O projeto é muito tecnológico, high tech, e praticamente montamos um laboratório no palco”, define Junior. “Gosto muito do rock, e foi uma experiência incrível com o Nove Mil Anjos, mas hoje estou muito satisfeito com a música eletrônica”.

Completam a formação do Dexterz o DJ Julio Torres e Amon Lima, cunhado de Sandy e violinista da Família Lima, todos cercados de fios e plugados em seus laptops. “Quase tudo é feito na hora. A gente entra no palco e nem sabe o que pode acontecer, depende da reação da galera na pista. É um projeto de muito improviso, por isso cada show é completamente diferente do outro” detalha Junior, responsável pela bateria no grupo.

Viciado na Internet e totalmente conectado às redes sociais, ele bem sabe que nem tudo na web é bacana, e lembra que foi vítima da blogueira conhecida como Felina, que, em 2009, publicou um vídeo seu e de outros famosos, com os quais alegava ter feito sexo virtual e tido conversas picantes. “Adoro o mundo digital. Hoje em dia, é muito interessante estar ligado nas redes sociais, principalmente na minha profissão, mas é preciso saber usar. É um mundo em que tudo é muito rápido e superficial. Quando se está escondido atrás de seu computador, nego se vê muito à vontade de soltar vontades reprimidas. E tem muita gente amarga na Internet, muita gente que usa isso para expor as pessoas. Mas se eu fosse ligar para o que todos falam à minha volta, eu ficaria maluco, deprimido, ou me tornaria o cara mais arrogante do mundo”, avalia.

Junior, porém, não tem do que reclamar neste seu momento nerd. O mercado da música eletrônica tem lhe garantido felicidades suficientes para não sentir saudade nem das grandes plateias e dos recordes de vendas que desfrutava quando atuava ao lado da irmã. “É um mercado enorme, e que me surpreendeu. O público é principalmente feminino, uma galera de vinte e poucos anos, que gosta de frequentar boates. Sempre dá muita mulher nos nossos shows, acho que por ser bastante melódico, graças ao violino do Amon”, conta. “Confesso que, na verdade, ainda me sinto mais à vontade cantando para cinco mil pessoas que para 500. Fiz isso a minha vida inteira, era só estádio. Tive que me reeducar como artista para tocar em lugares mais intimistas, onde a proximidade com o público é direta e as pessoas até encostam em você”, descreve.

E com essa mulherada toda na plateia bem pertinho de você, Junior, a azaração rola solta? “Lógico, não tem como não rolar. Isso faz parte até da profissão. Não seria hipócrita de falar que não é divertido, mas na banda tem até gente casada, e nosso foco principal é a música”, desconversa Junior, que, registre-se, diz que está solteiro.

SANDY ELETRÔNICA
Antes de Junior entrar para o grupo, o Dexterz se chamava Crossover e era integrado apenas por Julio Torres e Amon Lima. Curiosamente, o único disco do duo, ‘Humanized’, traz a participação de Sandy, na faixa ‘Scandal’. É a primeira, e por enquanto única, aventura da cantora pelo universo eletrônico. Mas, se depender do irmão, ela pode voltar ao gênero. “A Sandy chegou no estúdio e ela mesma fez a música em dez minutos, e o negócio ficou muito f... Ela nem tem noção disso, mas leva muito jeito para a música eletrônica. O palco do Dexterz vai estar sempre aberto para ela”, convida o irmão.

Será que a famosa dupla familiar voltará a atuar, desta vez em versão turbinada? Junior sente saudade dos grandes shows que fizeram. “No Maracanã e no Rock In Rio foram os momentos de maior emoção e adrenalina que senti em cima de um palco”, festeja, apesar de terem sido criticados na época do festival de rock, em 2001, por não serem uma atração do gênero. “E olha que estávamos em nossa fase mais pop. Amo o rock, mas tem que botar mesmo o som que a galera quer ver, e o Brasil é um país eclético, com muitas vertentes musicais”, decreta Junior.

Enquanto Sandy não dá uma canja com o Dexterz, a banda prepara seu disco de estreia: “Já começamos a produzir algumas faixas, mas por enquanto estamos mais focados nos shows”. LSM

quarta-feira, 6 de abril de 2011

Chorão está rindo à toa

Alexandre Magno Abrão está cada vez mais distante do nome que o consagrou Brasil afora. Prestes a lançar novo DVD com o Charlie Brown Jr., Chorão é só alegria. O vocalista garante que a fama de bad boy é coisa do passado, se mostra um cara superfamília, fala da lição que aprendeu depois da briga com Marcelo Camelo e, entusiasmado, até anuncia disco solo. “Não tenho a pretensão de seguir carreira sozinho, é pura diversão”, explica. “Estou conversando com o Zé Gonzales (DJ, ex-Planet Hemp), que é meu brother e vai produzir esse som. Ele não faz só rap, é um cara que mexe com tudo, do heavy metal ao samba”.


Você não leu errado: até o gênero tipicamente carioca tem feito a cabeça do roqueiro paulista nesta nova fase, não é, Chorão? “Meu ouvido não estava pronto para o samba. Já fui um moleque chato e radical, que achava que bom era só o que eu gostava. Até que passei dois dias gravando com o Zeca Pagodinho e aprendi a dar o maior valor a esse lance, que eu não entendia. Ele é o cara mais rock ‘n’ roll que conheci. Pode juntar uns 30 caras como eu, o D2 ou o João Gordo que não barra ele”, compara, às gargalhadas.

O riso fácil só deixa o papo reto na hora de justificar as ausências do Charlie Brown Jr. em alguns shows agendados recentemente. “Não quero fazer drama, mas minha mãe está meio doentinha, indo para o hospital toda hora. Sei que tenho um histórico polêmico, mas nunca fui um cara de não aparecer para cantar. Ia falar que não sou o Tim Maia, mas deixa isso para lá, porque ele é um cara que eu adoro”, brinca, descontraindo novamente.

Além da assistência à mãe, Chorão, 40 anos, tem se aproximado do filho. “Ele também se chama Alexandre, tem 20 anos. Está maior que eu, com um e noventa e pouco. Tem banda, toca baixo, guitarra, e está cursando o terceiro ano de Cinema. Ele não nasceu para ser playboy, não. Pretendo que logo possa trabalhar comigo, dirigindo os clipes do Charlie Brown. Considero o moleque um puta filho legal”, derrete-se, cheio de orgulho.

Hoje, o paizão tranquilo olha com distância para o Chorão que disparou um soco que quebrou o nariz de Marcelo Camelo, em 2004. “Ele abriu um processo pedindo 150 paus. Eu ofereci dois shows para ele doar para uma instituição e acabar com esse triste episódio, mas ele não quis e acabou perdendo. Foi uma confusão besta, não me orgulho e nunca mais protagonizei algo parecido. Agora, mesmo que alguém me ofenda, fico na minha. Tenho outra postura. O Camelo também deve ter aprendido algo com isso. Gostaria de um dia perguntar a ele”, resigna-se.

Chorão conta que até seu público anda mais calminho. “Rolava briga na plateia, mas acho que a galera compreendeu que eu não vou reunir 20 mil pessoas para ver neguinho se matar, não é?”, questiona, citando um trecho da sua ‘Só Os Loucos Sabem’: “O homem quando está em paz/Não quer guerra com ninguém”. “É por aí mesmo”, confirma Chorão.

O CORO VAI COMER
Previsto para sair em junho, ‘Música Popular Caiçara’ vai trazer o registro do show do Charlie Brown Jr. em 19 de março, no Citibank Hall de São Paulo. É o sexto DVD e décimo CD do grupo santista.

O repertório inclui os sucessos ‘Proibida Pra Mim’, ‘Papo Reto’, ‘Rubão, O Dono Do Mundo’ e ‘Só Os Loucos Sabem’, além de três inéditas, ‘Céu Azul’, ‘Rockstar’ e ‘Cheia de Vida’. “Também resgatamos músicas que nunca tinham sido tocadas ao vivo, como ‘Longe de Você’. É um DVD que marca a trajetória da banda. Todos os dez discos foram revisitados, entre hits e lados B”, detalha Chorão. “Vai ter muitos extras, o DVD vai ficar bem cheio. Tem tanto material que nem sei como vai ser para comprimir tudo no disco”.

Ainda sem data certa, a turnê de lançamento fatalmente vai passar pelo Rio. “Estou ansioso para tocar na Fundição (Progresso) ou no Circo (Voador). Tenho a sorte de ser agraciado e respeitado pela cariocada. Sempre que tocamos no Rio é incrível”, descreve. LSM

quarta-feira, 30 de março de 2011

'Naomi Campbell' erudita

Ela é filha de sambista, tem cara de diva da música soul ou de musa do rap, traz a sensualidade de uma estrela pop, mas seu universo principal é o jazz e a música erudita. “Já tive também minha época de roqueira, ouvia Guns ‘N’ Roses, Pearl Jam, Rolling Stones, U2, Radiohead, essas coisas. Quando era criança, normal, curtia até o Backstreet Boys. Passei por vários gêneros, e acho que isso é o mais legal na minha formação musical”, descreve Maíra Freitas, a herdeira de Martinho da Vila e irmã de Mart’nália.

A estreia em CD, homônimo (Biscoito Fino), traz canções de nomes emblemáticos do samba, como Nei Lopes, Paulinho da Viola e o próprio pai, mas tudo vertido para seu estilo, com uma pegada erudita — ela é pianista clássica. Martinho é só orgulho com a empreitada solo da filha. “Maíra é uma estrela que começa a cintilar e todos os seus ouvintes serão admiradores que darão graças a Deus por ela existir”, derrete-se o pai coruja.

Ela garante que Martinho nunca tentou impor o samba em sua trajetória nem sugeriu desviá-la do caminho musical que escolheu. “Meu pai está todo bobo, enche a boca para falar com orgulho que tem uma filha que é formada em música. Foi ele quem me deu meu primeiro instrumento”, conta.

No disco, Maíra desconstrói o clássico de Martinho da Vila, ‘Disritmia’, em versão piano e voz com participação do pai. O dueto foi apresentado no ‘Programa do Jô’. Na ocasião, o apresentador brincou com o amigo de longa data e classificou Maíra como uma “filha tão bonita desse homem tão feio”. A bela pianista, registre-se, esbanja seu charme nas fotos do CD, com direito a um generoso close de suas costas dentro de um corselet. “Sou supermulherzinha, passo horas vendo blogs de maquiagem, adoro me emperequetar e me arrumar. Meu sonho era ser a Naomi Campbell”, revela.

Marmanjos, porém, nem se animem. Maíra Freitas está apaixonadíssima. “Há cinco meses comecei a namorar o percussionista Thiago Da Serrinha, exatamente quando comecei a fazer o CD. O plano inicial era gravar músicas mais dramáticas, tipo ‘ninguém me ama’, mas o romance acabou mudando a cara do disco”, descreve a pianista.

O tom descontraído é revelado a cada faixa, e sobra espaço até para fazer galhofa com um ex. Em ‘Corselet’, de sua autoria, Maíra canta que, para seu espanto, flagrou o noivo dentro de sua peça do vestuário. “Não quero difamar nenhum ex-namorado, foi só uma brincadeira”, desconversa, às gargalhadas. LSM

sexta-feira, 25 de março de 2011

O sentimento blue de Fábio Jr.

Renovar o repertório não é das características principais de Fábio Jr. — fato usualmente justificado por não ter como deixar de fora sucessos como ‘Pai’ ou ‘20 e Poucos Anos’. Na intimidade, porém, o cantor e compositor se mostra antenado com novidades do mundo pop. “Já viu o DVD do John Mayer? Pô, o cara é f...”, recomenda. “Ben Harper e Jack Johnson também são demais. Adoro essa turma. Já fui roqueiro, mas passei dessa fase. Hoje, deixo essa responsabilidade para o meu filho”.

Fábio Jr. pega carona no título de seu novo CD e show, ‘Íntimo’, e revela mais que o que anda escutando nos momentos de folga. “Uma separação é uma catarse, e estou muito machucado ainda. O palco para mim é como uma terapia, onde me sinto mais exposto e, ao mesmo tempo, mais seguro”, entrega, referindo-se à ex Mari Alexandre.

BEM DE PERTO
‘Íntimo’ passeia pelos clássicos da carreira e músicas que estão no novo CD, como ‘As Dores Do Mundo’ (Hyldon) e ‘Do Fundo Do Meu Coração’ (Roberto e Erasmo). A ideia é levar o público para dentro da casa de Fábio Jr. “O cenário é uma tentativa de reproduzir a minha sala, com meu piano, um tapetão, uma mesinha e até um ventilador de teto”, descreve, enquanto procura os manuscritos com os textos que vai ler entre uma canção e outra. “Não sei se o público vai gostar de travar tanto contato com a minha intimidade, mas abro minha alma como nunca nesta turnê”.

LONGE DAS TELAS

A paixão pelo palco é inversamente proporcional à vontade de voltar a atuar na televisão. “Matei a saudade da TV no especial que gravei no fim do ano passado com o meu filho (o ídolo teen Fiuk). Iria virar série, mas não sei se vai rolar. Dessa forma, descontraída, curtiria fazer de novo, mas voltar à rotina puxada de novelas eu não quero mesmo”, decreta.

SENTIMENTO BLUE

A conversa rende ainda outras revelações inusitadas, como a vontade de gravar um disco inteiro de blues, cantado em português. “Sou muito fã do Eric Clapton”, elogia. O gênero, que bem traduz o sofrimento em forma de canção, tem mesmo a ver com seu momento atual: “Não quero pensar em casamento tão cedo”, garante. Mas Fábio Jr. não tem do que reclamar: “Nasci com o c... virado para a lua. Brigadu!”, agradece. LSM (foto João Laet)

segunda-feira, 14 de março de 2011

O Rei dá samba

O nosso amigo Roberto Carlos vive dias de êxito. A mais recente glória do ídolo número um da música brasileira, porém, não vem do rock, que abriu alas em sua carreira; nem da suingada música negra norte-americana, para onde evoluiu sua obra anos depois; e tampouco foi conquistada pelas harmonias das baladas românticas, marca de sua produção nas últimas décadas. É no embalo dos surdos e tamborins do samba da Beija-Flor que o Rei vivencia “uma das maiores emoções da vida”. Esse flerte de Roberto Carlos com o gênero, registre-se, data de outros Carnavais. “Adoro o samba!”, decreta o cantor e compositor. “Ouço em casa, tenho discos. Na verdade, sou daqueles que gostam de todo tipo de música”, completa.

Roberto, desde a estreia em disco no finalzinho dos anos 50, passeia por diversos estilos. A tabelinha com o samba vem do primeiro lançamento, no qual imita a bossa nova de João Gilberto na parceria com Carlos Imperial, ‘João e Maria’. Mesmo quando ainda ensaiava o rock da Jovem Guarda, no álbum de 1963, a bossa continua insistindo, em ‘É Preciso Ser Assim’, das primeiras parcerias com Erasmo Carlos. “Samba não é a minha praia principal, mas de vez em quando aparece um e eu canto com prazer”, assume.

UM SAMBA EM 67
No documentário ‘Uma Noite Em 67’, que estreou nos cinemas ano passado, Roberto Carlos aparece no festival de música daquele ano defendendo o samba ‘Maria, Carnaval e Cinzas’, de Luiz Carlos Paraná. No entanto, ao contrário do título conquistado com a Beija-Flor este ano, em 1967 o samba não lhe rendeu os louros da vitória (também não lhe renderia em 1987, na homenagem da Unidos do Cabuçu). “Ah, não dá para relacionar os dois momentos”, descarta, divertindo-se com a antiga lembrança. “Ali era um festival em que eu estava atuando como músico. Desta vez venho homenageado, é outra onda”.

Quando o pagode vira febre, Roberto celebra a badalada vertente do samba com Arlindo Cruz, Jovelina Pérola Negra, Fundo de Quintal, Jorge Aragão e Zeca Pagodinho, no especial de fim de ano em 1986. É do mesmo ano o samba-rock ‘Nega’ (com Erasmo) e, em 1998, grava o pagodão ‘Vê Se Volta Pra Mim’ (Eduardo Lages/Paulo Sérgio Valle).

Mesmo quando a onda carnavalesca passar, o desfile da Beija-Flor não será esquecido. O ‘homem do calhambeque’ é daqueles que resistem ao tempo e mostram a todos que ainda é uma brasa, mora? LSM (caricatura por Nei Lima)

quinta-feira, 10 de março de 2011

Provocações mutantes

Sérgio Dias lança novo CD à frente de Os Mutantes e diverte-se com seu lado cri-cri

Só para provocar, Sérgio Dias resolveu encher o saco de todo mundo. A começar pela escolha do nome do novo disco de Os Mutantes: ‘Haih... Ou Amortecedor’ (Coqueiro Verde). “É para encher o saco, para deixar todo mundo curioso sobre o significado. ‘Haih’ quer dizer ‘corvo’ na linguagem dos índios xoxones norte-americanos”, conta o guitarrista, às gargalhadas. “Meu gato morreu e queria arrumar outro bicho, para encher o saco dele também. Sempre gostei de corvo, comprei um e fui procurar o nome em um dicionário xoxone”.

A ave teve que aturar o dono cri-cri, mas batizou o CD e ainda foi parar na capa. “Também estava fascinado pela palavra ‘amortecedor’. Quebrando ela no meio, dá para formar muitas outras, como 'amor', ‘morte’, ‘amortece’, ‘cedo’, ‘dor’, e por aí vai. Assim como nos anos 70 lançamos um disco com dois títulos, ‘A Divina Comédia Ou Ando Meio Desligado’, usei o mesmo recurso novamente”, explica Sérgio.

‘Haih... Ou Amortecedor’ foi lançado no exterior no ano passado e só agora chega ao Brasil. A demora tem motivo: encheram o saco de Sérgio Dias. “Tinha um contrato com a Sony, que não foi honrado. Não ia ficar procurando gravadora no Brasil com o mundo pedindo para eu lançar esse CD”, desabafa.

O novo disco é o primeiro de estúdio de Os Mutantes desde 1974. Quando voltou à ativa, em 2006, o lendário grupo gravou um álbum ao vivo contando com Zélia Duncan no vocal. A cantora e Sérgio Dias, porém, se encheram um do outro. “Tentei muito fazer uma música com ela, mas não consegui”, lembra o mutante. “A Zélia tinha muita resistência para fazer música junto, não sei o que foi”.

No Brasil, as canções de ‘Haih... Ou Amortecedor’ foram apresentadas ao vivo pelo grupo no ano passado, no festival SWU, em Itu, interior de São Paulo. “Teremos shows no Rio em maio e junho, na turnê de lançamento do disco no Brasil. Depois vamos para a Austrália e Indonésia”, enumera Sérgio Dias. “Estou completamente louco para tocar no Brasil. Mutantes não vai parar nunca mais. Agora é até morrer!”, decreta.

NOVO PROJETO TRAZ IGGY POP E JANE BIRKIN
Como ‘eterno mutante’ que é, Sérgio Dias já se transfigurou em mais um novo projeto musical. Ele colou com o músico francês Tahiti Boy e sua banda The Palmtree Family e juntos encabeçaram o grupo multinacional The Lilies. O disco deles contou com a participação de Iggy Pop, na energética ‘Why?’, e de Jane Birkin — conhecida por seus sussurros em ‘Je T’aime Moi Non Plus’ ao lado do marido Serge Gainsbourg — na faixa ‘Marie’.“Ouvi o grupo Palmtree Family e achei um puta barato. Começamos a conversar pela Internet e logo fui gravar o disco em Paris. Participar de um projeto com a Jane Birkin era um dos sonhos da minha vida! Quase caí de costas quando soube da participação dela”, derrete-se Sérgio.

Enquanto o disco não sai por aqui, confira a banda em www.myspace.com/wearethelilies. LSM (foto Damien Cuillery)

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

A cara do Tim Maia

Novo integrante da Orquestra Imperial, músico Duani vive a expectativa de representar o 'Síndico' no cinema

Ao desembarcar no Santos Dumont, vindo de São Paulo para mais um show com a Orquestra Imperial, o músico Duani surpreende o taxista que o levaria ao Circo Voador: “Rapaz, você é filho do Tim Maia?”, pergunta o motorista, impressionado, tamanha a semelhança com o ‘Síndico’. “Outro dia, estava em Copacabana com a Mariana (Aydar, cantora e sua mulher) e uma prostituta começou a gritar: ‘Tim Maia! Canta uma para mim!’. Isso rola direto”, diverte-se Duani.

De cabeleira black power e bigodinho estilo cafajeste, Duani, 32 anos, é a cara do Tim Maia quando começou a carreira. Ele vive agora a expectativa de representar o ídolo no cinema. “Nunca fiz um filme, só videoclipes com o Forróçacana, o que já é uma ‘responsa’. Mesmo ali, a gente tem que interpretar”, compara, referindo-se à banda que ajudou a fundar em 1997. “Já participei de grupo de teatro, quando era criança em Marechal Hermes, e ganhei até prêmio”, orgulha-se.

Baseado na biografia escrita por Nelson Motta, 'O Som e a Fúria de Tim Maia', o filme será dirigido por Mauro Lima (‘Meu Nome Não é Johnny’), com roteiro de Antônia Pellegrino (‘Bruna Surfistinha’) e participação da atriz Alice Braga (‘O Ritual’) no papel de Geisa, ex-mulher de Tim. “Ainda está tudo em uma fase inicial. Não provei figurino nem maquiagem, apenas disse ‘sim’ ao convite feito pela produção”, conta Duani.

Apesar da apreensão pela estreia no cinema, ele ressalta que seu negócio é a música. “Quase não vejo filmes. Tenho estúdio em casa e fico lá o dia todo”, descreve o artista, que desde 2006 mora em São Paulo.

Multi-instrumentista, Duani tocou bateria com Marcelo D2 e Seu Jorge, coproduziu o disco de sua amada Mariana Aydar e é a nova voz da Orquestra Imperial. “Com as ausências temporárias do (Rodrigo) Amarante, Moreno (Veloso) e a saída do Max (Sette), virei a presença masculina na banda. O auge das minhas participações é quando canto ‘Você’, do Tim”, festeja.

Autodidata, ele aprendeu a tocar cavaquinho aos 4 anos. Com 10, compôs sua primeira música e, aos 13, foi recrutado para a banda de Alcione. No mesmo ano, fugiu de casa para ensaiar com Gilberto Gil. “Eu estava de castigo, minha mãe achou que era mentira que o Gil estaria me esperando e não deixou eu ir. Sai de fininho e ela só acreditou quando o Gil ligou para ela”, recorda.

A mãe, Nádia, era dona do Malagueta, espaço que foi palco para o despontar do Forróçacana, e era sua maior incentivadora. “Ela morreu mês passado de uma doença rara, que ataca o sistema nervoso. Sou espiritualizado, vejo que ela foi para um novo plano”, resigna-se.

Duani também é baterista da cantora Tulipa Ruiz e prepara seu primeiro disco solo. Prestes a se tornar nacionalmente conhecido na pele de Tim, não teme o estrelato. “Se eu parar para pensar sobre virar celebridade, não aproveito as oportunidades da vida”, decreta ele, numa relax, numa tranquila, numa boa.

O FILHO RACIONAL
Tim Maia está mais vivo do que nunca. Enquanto a cinebiografia não chega às telas, o cantor e compositor tem músicas suas em dois comerciais na TV, a caixa ‘Tim Universal Maia’ está nas lojas e uma charmosa coleção reunindo 15 discos já começa a ser liberada nas bancas de jornal. “O baú do meu pai só está começando a ser revirado”, anuncia Carmelo Maia, 36 anos, filho de Tim e detentor dos direitos de sua obra. “Tenho gravações da década de 60, que foram achadas em Nova York; existe uma música inédita dele com o Celso Blues Boy; além de muita coisa com o (produtor e arranjador) Lincoln Olivetti e até um suposto disco que ele teria gravado com a banda do James Brown, que só Jesus sabe onde está”.

O ponto alto da coleção que está nas bancas é o esperado disco ‘Racional 3’, que Tim deixara incompleto ao se desligar da seita Universo Em Desencanto, nos anos 70. “São seis canções incríveis que estão sendo retrabalhadas em estúdio com os músicos que as gravaram na época, como Paulinho Guitarra e Serginho Trombone. O Kassin está na produção e eu fiz questão que os arranjos fossem do Lincoln Olivetti”, antecipa.

Para cuidar do espólio do pai, Carmelo teve que abandonar seu lado artístico (ele toca trompete e estuda artes cênicas) e se formar em Direito. “Herdei 400 processos do meu pai. Pior: minha mãe (Geisa), que me abandonou com 40 dias, reapareceu do nada em dezembro para me processar, pedindo uma pensão de R$ 5.200”, lamenta.

Carmelo também está chateado com o primo, Ed Motta. “No programa ‘Altas Horas’, ele disse que a ‘entrevista foi linda porque foi um dia sem Tim Maia’, porque ninguém havia perguntado a ele nada sobre meu pai. Se eu fosse o Ed, não me importaria em assumir que imito mesmo o tio e não me incomodaria em viver com esse carma”, desabafa.

Além do filme e dos lançamentos em CD, Carmelo anuncia mais novidades: “Esse ano vai ser montado um musical sobre o meu pai, com produção de Sandro Chaim e Miguel Falabella”. LSM (foto Duani por Luiz Lima)