terça-feira, 27 de novembro de 2012

Ídolo da Legião Urbana volta ‘ansioso por algo novo’

Dado Villa-Lobos admite frio na barriga ao lançar novo disco, com participações de Paula Toller, Mallu Magalhães e amigos músicos

Ele já tocou diante de plateias imensas como guitarrista da Legião Urbana, mas ainda resiste em Dado Villa-Lobos um frio na barriga, como nos tempos em que iniciava os primeiros acordes em Brasília com a banda na virada dos anos 70 para os 80. “A Legião foi um auge insuperável, uma época em que muita coisa relevante aconteceu na minha carreira, mas agora estou ansioso por algo novo”, explica um entusiasmado Dado.

O músico lança hoje sua volta ao disco. ‘O Passo do Colapso’ traz 12 canções e está disponibilizado primeiramente apenas na Internet (em www.dadovilla-lobos.com.br) e, no início de 2013, sai também no formato físico. “Tenho conversado com pessoas e a coisa toda da venda de músicas está mesmo mudando. No meu celular, posso baixar rapidamente um disco inteiro, e a um preço justo, em torno de R$ 20. Isso começou a me interessar”, conta.

Dado estava em casa: gravou tudo em seu próprio estúdio, no Horto, e se cercou, como de costume, de grandes amigos. Estão lá Paula Toller (Kid Abelha), Bi Ribeiro e João Barone (Paralamas do Sucesso), Fausto Fawcett, Mallu Magalhães, Toni Platão, Rodrigo Barba (Los Hermanos), Kassin (Orquestra Imperial, produtor do lançamento) e a harpista Cristina Braga, entre vários outros, além do velho companheiro da Legião Urbana Marcelo Bonfá, na bateria. “Foram dois anos de gravações, aproveitando brechas nas agendas de todos, aqui mesmo nesta sala”, descreve o guitarrista. “Antes de levar o disco para os palcos, no ano que vem, vou gravar vídeos esporádicos tocando as músicas novas com minha banda e ir postando no meu site, para a galera ir sentindo o clima”.

Dado Villa-Lobos está todo multimídia. “Os shows vão ter projeções de filmes que eu mesmo tenho feito em andanças de bicicleta pelo Rio há uns cinco anos. Quero brincar com essa ideia de juntar música com imagens”, descreve.

BEM ACOMPANHADO
Dado também anuncia que vai voltar a integrar um grupo. O Pan Am é uma superbanda formada por ele e ainda pelo baterista Charles Gavin (ex-Titãs), o baixista (ex-Barão Vermelho) e o cantor Toni Platão. “O nome vem de pan-americana, porque nosso repertório será exclusivamente de versões em português para rocks latinos”, detalha ele. “Vamos fazer shows, lançar disco e ainda há a proposta de transformar isso em um programa de TV no Canal Brasil”.

Dado gosta de dar as cartas em seu trabalho solo, mas também curte o clima de trabalhar em conjunto, e se orgulha de ter integrado uma das bandas mais amadas do rock brasileiro. “Não dá para descrever a força que foi a Legião, mas não podemos nos esquecer que éramos apenas quatro carinhas que gostavam de tocar”, ressalta, humilde. LSM (foto Ananda Porto)

domingo, 4 de novembro de 2012

Parece, mas não é

Sósias de famosos, que estrelam o clipe da dupla Nanah & Massa e fazem sucesso na Internet, falam de seus sonhos e dificuldades


Zacarias aparece vivo em videoclipe”, anunciou o irreverente site de humor Sensacionalista. E mais: “Acompanhado de outro morto muito louco, o Seu Madruga, além de outras figuraças, como Barack Obama, Anderson Silva, Luan Santana, Katy Perry e Ronaldinho Gaúcho”. Todos aparecem em um teste de elenco para contracenar com a dupla Nanah & Massa no clipe de ‘Mapa do Seu Coração’, música que nasce já com cara de hit. Ou melhor, de web hit. Em uma semana, foram mais de 2.500 visualizações na internet.

“Achei a ideia boa, pois nunca assisti a nenhum clipe, nem gringo nem nacional, destacando os sósias”, ressalta Daniel Massa, guitarrista e vocalista da dupla. “E eles são sempre tratados meio que na base do ridículo, mas eu sempre vi os sósias com um olhar diferente, um olhar de admiração, como uma homenagem aos ídolos. Tenho a curiosidade de saber como os sósias sobrevivem”.

Igualmente intrigado, fui descobrir como vivem e como se sustentam os sósias. “Passei a investir nisso quando começaram a falar que eu parecia muito com o Anderson Silva. Na empresa onde trabalho como auxiliar de enfermagem, tem cliente que até acha que é pegadinha, que eu sou o original mesmo. Depois do clipe, inclusive, uma agência de Salvador me chamou para fazer um comercial. Já recebi R$ 1.200 por uma diária. Se pudesse, viveria só disso”, conta Jorge Luiz Monteiro, também conhecido como ‘Spider’.


Sua história se parece com a de outros sósias: adoram ser confundidos com o original e posar para fotos com fãs, sonham em fazer disso seu ganhapão, mas têm que garantir um dinheiro fixo com outra ocupação. E eles vão se virando: Edilson dos Santos, o Ronaldinho Gaúcho, é gari; Ivan Pereira do Nascimento, o Seu Madruga, funcionário público; Alice Demier, a Katy Perry, é assistente de direção na TV Globo.

“Hoje, sou bem popular, mas fama é algo temporário. O carinho das pessoas nas ruas não tem preço, mas sei que se o Obama perder a eleição agora, podem perder o interesse em mim”, teme Rinaldo Gaudêncio, que além de ser a cara do presidente norte-americano, trabalha como motorista.

O cachê pode faltar, mas sobram histórias divertidas para contar. “Sou cover, mas minha peruca é original, pois ganhei da irmã do Zacarias quando fui a Sete Lagoas”, orgulha-se o técnico em telefonia José Melo, o ‘Zaca da Lapa’. “Meu sonho é um dia participar do ‘Criança Esperança’ com o Didi”.

DE CARA COM O ÍDOLO
Alguns sósias são tão parecidos que só dá para acreditar que não se trata do original colocando os dois juntos, cara a cara. Nem sempre tal encontro é possível, visto que alguns já morreram e outros são bem inacessíveis, como Barack Obama ou Katy Perry, por exemplo. O ‘Spider’ Jorge Luiz Monteiro, no entanto, já deu de cara com o verdadeiro Anderson Silva.

“Foi no aeroporto. Quando ele me viu, falou: ‘Caraca, igualzinho mesmo!’, e brincou dizendo que, na próxima luta, eu iria no lugar e ele só apareceria na hora de receber o cinturão”, relata Monteiro. Ele conta que também já foi lutador, mas que as semelhanças com o ídolo param por aí. “Minha voz não é fininha, como a dele. Mas quando estou atuando como sósia, tenho que imitar até isso. Estou praticando”, diverte-se. LSM

sexta-feira, 2 de novembro de 2012

Punks da periferia

Bandas, DJs e produtores fazem a cena roqueira da Baixada Fluminense ferver

Muita gente ainda acha que na Zona Sul as pessoas têm um gosto musical mais apurado e na Zona Norte e Baixada Fluminense é onde bombam os ritmos mais popularescos. A turma que faz ferver o rock em municípios como Nova Iguaçu, Mesquita, Nilópolis ou Duque de Caxias, no entanto, vê a questão de forma diferente. Eles atestam que lá a cena do gênero sobrevive firme e forte, enquanto a orla carioca, criticam eles, se vê cada vez mais refém das dancinhas e refrões do funk, do axé e do pagode. Fomos até Nova Iguaçu encontrar bandas, DJs e produtores que promovem eventos, shows e projetos em bares, lonas culturais ou nas praças da periferia, e encontramos uma agenda cheia de eventos de rock até o final do ano.

“Aqui, o público acompanha os grupos com devoção. Na Zona Sul, todos se acham e ninguém quer pagar ingresso”, compara Igor Assis, guitarrista e vocalista da banda Cretina.

Além desta, Stat-K, Maieuttica, No Trauma, AdVerita, Venore, Horizon Falls, T-Remotto, Obscura, Confronto, Fort Sun, Khaos Inside e Donacelia são outros nomes que já se destacam na Baixada e sonham cruzar a fronteira e alcançar seu território na cena nacional.

“De uns tempos para cá, estão surgindo cada vez mais festas dedicadas ao rock”, comemora Karina Vasconcellos, coprodutora da Laranja Mecânica. “O nome do evento tem uma inspiração histórica da cidade de Nova Iguaçu, que há tempos já foi conhecida como a terra da laranja”.

A quinta edição da festa já tem data marcada: 8 de dezembro, no Studio B. Este, também em Nova Iguaçu, é dos principais points da juventude rock na Baixada. A cena da Baixada tem o luxo de possuir até um selo, o Transfusão Noise Records, pilotado pelo também músico Le Almeida e que grava e lança, física e virtualmente (em www.transfusaonoiserecords.blogspot.com.br), discos de artistas da região. “Tem tantas bandas surgindo que os palcos daqui não dão conta. Daí que tive a ideia de oferecer a opção das pessoas ouvirem e conhecerem os grupos pelos discos ou pelo site”, conta Almeida.

No ponto de cultura Lira de Ouro, em Caxias, no Bar do Parrudo, que é decorado com discos de vinil nas paredes, embaixo do viaduto de Mesquita tem o espaço Setor BF, que recebe bandas de rock, a lista de opções é grande, confira as dicas dessa galera. LSM


ALQUIMIA ROCK SHOP: Loja especializada em camisetas de rock (www.alquimia-rockshop. blogspot.com). Avenida Governador Amaral Peixoto 569, Centro, Nova Iguaçu (2669-0947).

BAR DO PARRUDO: Shows e discotecagem dedicados ao rock clássico. Rua Pascoal Paladino s/nº, Chacrinha, Nova Iguaçu (7991-0991).

CASA DE CULTURA DE NOVA IGUAÇU: O projeto Quarta da Música abre espaço para bandas do município às quartas-feiras, às 20h. Rua Getúlio Vargas 51, Centro (2667-6208).

DARK GOTH FEST E LARANJA MECÂNICA: As próximas edições dos eventos acontecem no dia 17 deste mês e em 8 de dezembro, respectivamente, às 22h. Studio B. Avenida Henrique Duque Estrada Mayer 350, Alto da Posse, Nova Iguaçu.

LIRA DE OURO: Shows de rock. Rua José Veríssimo 72, Centro, Duque de Caxias (3774-4157).

PRAÇA DO SKATE: point de roqueiros, o espaço recebe shows de rock e eventos como o Roque Pense, dedicado a bandas com mulheres no vocal. Avenida Doutor Mário Guimarães s/nº, Centro, Nova Iguaçu.

RECREATIVO CAXIENSE: O clube abre espaço para shows de rock. Este mês, dia 11, tem Korzus. Já no dia 16 de dezembro, o espaço apresenta o Matanza, sempre a partir das 15h. Rua Manoel Vieira 397, Centro, Duque de Caxias (2671-0580). R$ 25.

SETOR BF: Shows de rock acontecem aos sábados, a partir das 20h. Avenida Baronesa de Mesquita 47, Centro. Grátis.

TRANSFUSÃO NOISE RECORDS: Selo que grava e divulga bandas e artistas de rock da região, baseado em Vilar Dos Teles. Confira no site www.transfusaonoiserecords.
blogspot.com.br

TRIBO DO ROCK: Roupas e acessórios para roqueiros das mais diversas tribos. Avenida Nilo Peçanha 98, sala 116, Centro, Nova Iguaçu (2695-5660).

VIADUTO DO ROCK: Ponto de encontro de bandas, DJs e apaixonados por rock. Praça Elizabeth Paixão s/nº, Centro, Mesquita. Todo domingo, a partir das 20h.

segunda-feira, 29 de outubro de 2012

No swing de ‘Suburbia’

Mesmo com sua canção ‘Pra Swingar’ na trilha da série global ‘Suburbia’, músico do Som Nosso de Cada Dia diz que está difícil colocar em casa o pão de cada dia 

Suburbia’, nova série da Globo, só estreia na quinta-feira, mas sua trilha sonora já está deixando todo mundo louco para dançar sempre que o comercial rola na televisão com a música ‘Pra Swingar’. O irresistível balanço é um clássico obscuro do já extinto grupo brasileiro de rock Som Nosso de Cada Dia, formado em São Paulo em 1971.

A tal canção é uma parceria de dois de seus integrantes, o baterista Pedrinho (naquele tempo era comum creditarem os músicos desta forma minimalista) e o baixista Pedrão. Este, Pedro Augusto Baldanza, único vivo da formação original, foi pego de surpresa com a volta de sua antiga composição às paradas.

“Um amigo mandou um recado no Facebook dizendo: ‘Parabéns, você está na Globo!’. Perguntei se ele estava maluco, achei que era uma sacanagem, até que minha filha confirmou. Puxa, você não imagina o que mexe com o meu lado psicológico ouvir a nossa música na Globo. Agora, finalmente vão ter que engolir o Som Nosso”, comemora Pedrão.

A alegria inicial, porém, esconde uma história triste. Ele conta que o contrato firmado com a editora EMI anos atrás tem cláusulas que são extremamente desfavoráveis para os compositores.

“Ainda estou me informando melhor a respeito dos direitos, não entendia nada disso. Soube que a Globo paga um preço fixo de R$ 3.600 pelo uso da música na série. Acontece que, nesse contrato que eu e Pedrinho assinamos no passado, a editora fica com 50%. Dinheiro, eu vou ver uma merreca. Mas não ligo, o que importa é ver as pessoas falando de novo da gente”, resigna-se.

Aos 60 anos, Pedrão, que já acompanhou Novos Baianos, Elis Regina, Ney Matogrosso e Gal Costa, entre outros, e atualmente toca com a dupla Sá & Guarabyra, diz que está difícil colocar em casa o pão de cada dia.

“Ultimamente está faltando dinheiro para pagar o aluguel e, às vezes, até para comer. A Globo demora uns 40 dias para pagar. Ferrou: vou ter que pedir dinheiro emprestado para ex-mulher ou para os meus filhos. Estou me virando. Se você não está na mídia, o máximo que consegue são as migalhinhas que caem no chão”, lamenta o lendário músico.

PROMOÇÃO INÉDITA
Para divulgar ‘Suburbia’, a Globo apostou na interatividade e lançou uma campanha em seus intervalos comerciais. Entre os dias 22 e 26 deste mês, uma chamada com cenas da série ao som de ‘Pra Swingar’ avisava que quem gostou da música poderia recebê-la por e-mail. Bastava fotografar a logomarca de ‘Suburbia’ que assinava o anúncio e encaminhar para um determinado e-mail.

“É a primeira vez que a Globo faz uma experiência desse tipo, de oferecer música via e-mail. Eles negociaram isso com a editora sem nem falar comigo. Pela promoção, a Globo vai pagar R$ 5 mil. Tem uma série de coisas nesse contrato que não entendo direito, só sei que, no fim das contas, vou dividir com a família do Pedrinho uns poucos reais que vão sobrar lá no final”, descreve Pedrão.

Mas nada disso parece tirar seu bom humor. “Acho o máximo essa promoção moderna em cima de uma banda que não existe mais e de uma música de 35 anos atrás. Pela primeira vez, estamos entrando na Globo. Pelo menos vou ter história para contar para meus netos”, celebra.

Pedrão conta ainda que há material inédito do Som Nosso de Cada Dia para vir à tona. “Em 2008, o pessoal da Virada Cultural de São Paulo me chamou para tocar nosso primeiro disco, o ‘Snegs’, que consideram um marco. O Pedrinho já tinha morrido, mas o nosso terceiro integrante, o Manito (ex-Os Incríveis), estava vivo e fizemos o show no Municipal de São Paulo. Foi o último show do Som Nosso. Tenho isso gravado e um dia, se tiver dinheiro, vou lançar em DVD. Em 1977, tocamos no mesmo Municipal, e foi a primeira vez que o espaço abriu para o rock. Só eu dei uns 30 ácidos para os malucos da plateia”, recorda. LSM

segunda-feira, 15 de outubro de 2012

Luz, câmera, canção!

Um papo de cinema com os músicos Lenine, Dado Villa-Lobos, Plinio Profeta e Carlinhos Brown, finalistas por suas trilhas sonoras no ‘Oscar’ brasileiro

Eles sabem tudo de gravações, shows e turnês. E quando o assunto é cinema, essa turma da música também gosta de dar seus pitacos. Sempre que podem, contribuem nas trilhas sonoras e ainda faturam suas estatuetas. Hoje, é dia de concorrer a mais uma, na cerimônia do Grande Prêmio do Cinema Brasileiro, a partir das 20h, no Theatro Municipal do Rio de Janeiro.

Reunimos Lenine, Dado Villa-Lobos e Plinio Profeta, e ainda fomos atrás de Carlinhos Brown (que não pôde comparecer ao encontro por estar ocupado no programa de televisão ‘The Voice’), todos finalistas na categoria Melhor Trilha Sonora, para um papo cinematográfico. “Quando servimos ao cinema, somos só uma peça na engrenagem, ao contrário dos nossos shows, onde somos o centro das atenções”, compara Lenine, que concorre pela trilha do filme ‘Amor?’, de João Jardim.

Ser coadjuvante não diminui o tesão desses músicos ao preparar canções para um longa. Muito pelo contrário. “É mais livre, não precisa ter refrão, nem dois minutos de duração para tocar no rádio”, explica Plinio Profeta, autor da trilha de ‘O Palhaço’, filme dirigido por Selton Mello que é candidato a representar o Brasil na disputa pelo Oscar 2013.


Para explicar sua paixão pela música e pelo cinema, Dado Villa-Lobos chegou a criar um verbo. “É o ‘ouver’, mistura de ver e ouvir. Imagem e som andam cada vez mais juntos, tanto que, quando queremos procurar uma música na Internet, vamos ao YouTube”, ressalta o guitarrista da Legião Urbana e candidato ao Grande Prêmio por ‘Malu De Bicicleta’, de Flávio Tambellini.

CAVEIRA NO VOCAL
Dos três, Dado é o mais rodado quando o assunto é trilha: já acumula nove no currículo. Plinio e Lenine, no entanto, já experimentaram atuar. “Vivi o profeta Gentileza em um curta, mas sou um péssimo ator, um canastrão”, assume Lenine.

Apesar de rivais na disputa pelo troféu hoje, eles concordam em todo o resto: da qualidade do cinema brasileiro à performance do ‘Capitão NascimentoWagner Moura no recente tributo à Legião Urbana. “Ele foi um gladiador!”, elogia Dado, atestando que o ator é caveira no vocal.

‘NÃO ESPERAVA A INDICAÇÃO’ 
Carlinhos Brown concorre ao Grande Prêmio do Cinema Brasileiro por sua trilha para o filme ‘Capitães de Areia’, dirigido por Cecília Amado. O baiano disputou este ano o cobiçado Oscar, com a música que fez com Sergio Mendes para a animação ‘Rio’. Não levou.

“Muitas pessoas têm lutado em torno de um reconhecimento da Academia. Eu não esperava a indicação, nem um honroso segundo lugar, já que só duas músicas concorreram”, avalia Brown. “Estou estudando para chegar lá. As oportunidades continuam fortíssimas em relação à América”.

Plinio Profeta está animado, mas teme que, se ‘O Palhaço’ for indicado, não leve o Oscar. “O francês ‘Intocáveis’ está muito forte lá fora”, destaca. LSM (foto alto João Laet)

sábado, 13 de outubro de 2012

O balacobaco da Maria Gadú

Ator Leandro Léo grava CD com produção da cantora, que estreia na função

O telefone de Leandro Léo toca às três da madrugada. Do outro lado, o poeta Caio Sóh, muito entusiasmado, quase que ordenando que o amigo compareça na mesma hora no Kaçuá, um bar no Recreio dos Bandeirantes, para conhecer uma cantora, “a futura grande revelação da música brasileira”.

“Foi logo que a Maria Gadú veio de São Paulo para o Rio. Cheguei lá e fiquei procurando a tal cantora. Como ela estava de boné e com o cabelo curtinho, não deu outra: a confundi com um garoto. Perguntei: “Cara, cadê a mina?’”, recorda Leandro Léo.


Na ocasião, ele, que está no ar na novela ‘Balacobaco’, da Record, como o personagem Vinagre , já era ator. Acontece que, naquele encontro que se estendeu madrugada adentro, começava uma amizade que deslancharia na estreia dela na produção de um disco. Justamente o dele, que já está prontinho para ser lançado.

“Perdi a virgindade como produtora”, comemora Maria Gadú. “Não sei como é exatamente esse lance de ser produtora, mas fiz o meu melhor, e foi muito legal a experiência. O disco é quase todo de músicas dele com parceiros, como o Dani Black. Fizemos uma versão para ‘Firmamento’, do Cidade Negra, e eu toco guitarra, violão e canto em várias músicas”, detalha.

Desde o primeiro encontro naquele boteco no Recreio, a amizade dos dois cresceu bastante. Tanto que, principalmente depois de alguns beijos calientes que trocaram no palco em participações dele nos shows dela, não demorou para surgirem boatos de que eles estavam tendo um caso.

“A galera gosta de falar isso. A verdade é que a gente tem uma afinidade gigante e muita intimidade. Moramos juntos durante um ano. As pessoas podem falar o que quiserem, mas o que nós somos mesmo é superamigos”, garante Leandro Léo.


O disco, de 14 faixas, vai se chamar ‘Rei Da Palavra’. As gravações foram feitas com os músicos “internados” durante 11 dias no estúdio Toca do Bandido, no Itanhangá, Zona Oeste do Rio, no maior clima hippie.

“Foi feito da mesma forma que a Cássia Eller e sua banda faziam, com todo mundo junto todo dia, almoçando junto”, descreve ele. “Eu já tenho essas músicas prontas há uns quatro anos, e até podia ter lançado esse disco, mas nunca achei que era a hora certa para isso. Se fosse feito antes, não teria conseguido a Maria Gadú disponível, por exemplo”, ressalta.

SEMPRE SE DIVIDINDO
Cantor e ator, Leandro Léo se divide para conseguir conciliar as duas atividades que ama. “Todo mundo gosta de música, mas o mundo das artes cênicas também é fantástico. Não me considero ator nem cantor, eu gosto muito é de ser artista, de viver de arte, seja lá qual for. Às vezes, os horários de shows e gravações coincidem, mas vale a pena investir e, no final, sempre dá certo”, garante.


Em ‘Balacobaco’, ele é Vinagre, personagem que, assim como ele, também se divide entre duas funções: trabalha como garçom na pastelaria Stromboli, de Osório (André Mattos), e auxilia Zé Maria (Silvio Guindane) na produção de curtas-metragens trash. “O Vinagre é um cara pessimista, meio azedo, mas eu vou dar um jeito nesse amargo dele”, brinca o artista. LSM

quinta-feira, 11 de outubro de 2012

‘Canta Papel Marchê?’

Pioneiros do sertanejo universitário, João Bosco & Vinicius gravam DVD na sala de casa e contam as confusões pelas quais passam por serem homônimos de famosos artistas da música brasileira

Já imaginou que confusão causaria um artista novo que surgisse na cena com o nome de Caetano Veloso, Gilberto Gil ou Milton Nascimento? A bagunça, na verdade, já vem rolando, e a vítima é outro conhecido nome da música brasileira: João Bosco, autor de clássicos como ‘O Bêbado e a Equilibrista’ e célebre parceiro de Aldir Blanc.

“Nos sacaneiam muito”, conta seu homônimo, o João Bosco sertanejo, que faz dupla com Vinicius. “É comum pedirem para a gente cantar a música ‘Papel Marchê’, do outro João Bosco, que é um cara alto nível. Ser confundido com ele é uma honra”, diz a dupla acaba de lançar um novo DVD, ‘A Festa’.

O João Bosco mais antigo, no entanto, não festeja o fato de ter um homônimo no meio artístico: “Recebo e-mails de gente me confundindo, com reclamações sobre sacrifícios de animais em rodeios”, relata ele, que já passou até por saia justa, quando um repórter marcou entrevista achando que seria com o outro.

O novato João Bosco também experimenta situações inusitadas por conta de seu nome. Assim como Vinicius, que é alvo de piadas envolvendo Vinicius de Moraes. “Costumam perguntar se o Toquinho não vai aparecer”, diverte-se João Bosco.

O autor de ‘Aquarela’ nunca deu uma palinha em seus shows, mas o novo DVD está recheado de amigos e de sucessos. Em vez de um megaespetáculo diante de milhares de pessoas, a dupla quis variar e reuniu um punhado de chegados para uma festinha particular em uma casa.  “Cantamos descontraidamente no meio da sala, sem palco ou iluminação especial. A ideia foi resgatar o clima da época em que tocávamos nos bares e nas festas de amigos”, explica Vinicius.

Data desses tempos idos o surgimento do termo ‘sertanejo universitário’, cunhado para classificar justamente o som de João Bosco & Vinicius (leia mais ao lado). Na ocasião, paralelamente à música, eles cursavam Odontologia e Fisioterapia, respectivamente, na Uniderp, em Campo Grande, capital do Mato Grosso do Sul.  “Não existia essa classificação antes da gente, mas não fomos nós que inventamos isso, foi a mídia e os próprios universitários. A nossa mistura do sertanejo de raiz com a música pop mundial foi muito bem recebida por esse público. Falavam: ‘Vocês são sertanejos, mas o som de vocês não dá sono’. O rótulo ‘universitário’ tirou do sertanejo o estigma de ser uma música careta”, avalia Vinicius.

João Bosco atesta, inclusive, que atualmente a Campo Grande que os catapultou ao estrelato já roubou de Goiânia o título de capital da música sertaneja. “Se balançar uma árvore em Campo Grande, caem umas cinco duplas sertanejas”, brinca.


PRECURSORES DO SERTANEJO UNIVERSITÁRIO
Para o bem ou para o mal, foram João Bosco & Vinicius os precursores da febre do sertanejo universitário que tomou de assalto o País. Porém, enquanto milhares de jovens requebram ao som de sucessos de seu repertório, como ‘Chora, Me Liga’ (esta, a música mais executada nas rádios brasileiras no ano de seu lançamento, em 2009), outros tantos torcem o nariz para o que classificam como uma música de menor qualidade.

“Desde que surgimos no cenário, com nossa levada diferente, acelerando o andamento de músicas sertanejas antigas para torná-las mais dançantes, sofremos preconceito. Muita gente do público enlouqueceu, adorou, mas também teve muito protesto”, desabafa Vinicius.

A própria dupla também tem suas reclamações. “Quem critica a gente deveria se informar mais e constatar que nossa história como universitários é real. E que, mesmo assim, a gente nunca se rotulou desta forma, as pessoas é que nos identificaram assim. Por isso mesmo eu sou contra quem, só para fazer sucesso, diz que faz sertanejo universitário sem nunca sequer ter passado na porta de uma faculdade”, dispara o dentista formado João Bosco (Vinicius não chegou a completar o curso de Fisioterapia).

Depois que eles despontaram, muita gente em Campo Grande, e em outras partes do Brasil, começou a pegar carona nas portas que eles escancararam para o gênero. “Os olhos do mercado se voltaram para esse novo tipo de som assim que começamos a aparecer em programas de TV em rede nacional e logo que ganhamos um DVD de Platina. Virou grife dizer que é de Campo Grande”, atesta João Bosco. LSM