terça-feira, 8 de novembro de 2011

O ‘Clube da Esquina’ de Lô Borges e seus amigos

Com apenas 17 anos de idade, o cantor e compositor mineiro Lô Borges foi convidado pelo carioca (mas mineiro de coração) Milton Nascimento para gravar, no Rio de Janeiro, seu primeiro disco. O lançamento se tornaria um dos mais clássicos da história da música brasileira: nada menos que o badalado ‘Clube da Esquina’, de 1972. O álbum trazia ainda outros ‘sócios’ daquele clube musical, como Beto Guedes e Toninho Horta. Quase 40 anos depois, Lô Borges dispara um novo CD, o recém-lançado ‘Horizonte Vertical’, repleto de amigos, como Samuel Rosa (Skank), Fernanda Takai (Pato Fu) e o próprio Milton Nascimento, que cantam em diversas canções.


“As pessoas têm falado que esse é o meu ‘Clube da Esquina’, mas eu não posso classificar o disco assim. O ‘Clube’ é um projeto original do Milton, hierarquicamente é um lance dele. Neste novo CD, reuni pessoas que acho interessantes, mas não tem a intenção de ser um ‘Clube do Lô’. Se quiserem chamar assim, tudo bem, mas eu não posso”, descarta o músico, cheio da peculiar mineirice.

Além dessa turma citada, há ali, entre os convidados mais populares, uma pessoa tão ou mais especial, que contribuiu com diversas letras para suas melodias e acordes. É, Lô Borges está apaixonado. “A Patrícia Maês, escritora e musicista, era ainda minha namorada quando começamos nossas parcerias”, derrete-se o cantor. “Agora estamos casados, ela é de São Paulo, mas consegui trazê-la para morar comigo em Belo Horizonte. Já temos várias outras músicas juntos”.

Além da parceria conjugal, a fraterna, com o amigo Samuel Rosa, é a que deve render mais que as canjas no álbum. “Tenho uma história musical com ele desde 1999. Fizemos dezenas de apresentações do show em dupla ‘Lô Borges & Samuel Rosa’, e isso ainda pode virar um DVD ou um CD de inéditas. Só depende da agenda do Skank”, anuncia Lô. LSM

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Ainda selvagens?

Às vésperas de voltarem ao Circo Voador para resgatar o repertório de seu disco mais clássico, músicos do Paralamas do Sucesso garantem que continuam ferozes e furiosos

Já se passaram mais de 25 anos desde o lançamento do clássico ‘Selvagem?’, do Paralamas do Sucesso, em abril de 1986, apontado por muitos como o auge de criatividade do grupo. Os músicos — que enfileiram na íntegra o repertório do álbum, sábado, em show que promete ser histórico, no Circo Voador — garantem que ainda fazem justiça ao nome do emblemático disco.

“Tem que ver meu lado selvagem! Ele aflora na hora que tenho que colocar meu filho Vicente, de 8 anos, para dormir. É dos piores momentos do dia”, diverte-se o baterista João Barone.

O baixista Bi Ribeiro, pai de Teresa (10) e Tito (7), faz coro com a selvageria do colega. “Pô, eles resistem até o último minuto”, reclama.

Herbert Vianna, que também tem seus pimpolhos — Luca (18), Hope Izabel (15) e Phoebe Rita (12) —, prefere destilar seu lado feroz na língua afiada, a mesma que disparou alguns dos versos mais marcantes do disco, como “A polícia apresenta suas armas...”, de ‘Selvagem’, ou “A cidade, que tem braços abertos num cartão-postal, com os punhos fechados da vida real”, de ‘Alagados’. “Tenho um ponto de interrogação sobre as UPPs (Unidades de Polícia Pacificadora). Penso que algo mais produtivo seria investir na educação. Em 99,9% dos casos, as UPPs são como uma blitz eficaz: resolve pontualmente, mas logo tudo volta a ser a mesma coisa”, compara o guitarrista.

Quem levou uma blitz, mas não da polícia, foi o próprio grupo, na época do lançamento de ‘Selvagem?’. Com suas influências de reggae, ritmos latinos e até um cover de Tim Maia, o álbum levou uma dura até de colegas do Barão Vermelho e Titãs, que decretaram que o Paralamas não era mais uma banda de rock. “Acho normal. A gente teria a mesma reação se aparecesse outro grupo fazendo um som que excluísse e minimizasse o potencial do que a maioria das bandas estava fazendo”, reavalia Herbert Vianna.

A NOVELA DA VIZINHA
A primeira parte do show de amanhã vai destacar o álbum ‘Selvagem?’. No final, claro, o grupo faz o baile com outros sucessos da carreira. “Tivemos que ouvir o disco todo de novo, porque vamos tocar os arranjos iguaizinhos aos originais”, descreve Bi Ribeiro. “Para isso, vamos contar também com o teclado do João Fera, a percussão de James Muller e a guitarra e efeitos do Liminha, que foi o produtor do disco, em 1986”.

Os ensaios estão rolando no novíssimo estúdio do trio, instalado no primeiro andar do prédio onde João Barone mora, no Jardim Botânico. Os vizinhos, garante o baterista, estão adorando a sonzeira. No entanto, foi só o grupo dar mole com a porta aberta para uma senhora, moradora do apartamento ao lado, aparecer: “Dá para tocar mais baixo que eu quero ver a novela?”. É, os caras continuam selvagens mesmo!


O CARA DA CAPA
Os ensaios para a gravação de ‘Selvagem?’, em 1986, aconteciam em um quarto na casa da avó de Bi Ribeiro, em Copacabana. Na parede, tinha uma foto pendurada, de um garoto magricelo e cabeludão, segurando um arco e flecha, com uma camiseta amarrada na cintura, na frente de uma barraca de camping.

O “modelo” era Pedro Ribeiro, irmão do baixista Bi, e que hoje trabalha como produtor técnico da banda, e a imagem, que traduz de forma perfeita o título do disco, acabou estampando a capa.

“Quem tirou a foto foi o Dado Villa-Lobos (guitarrista da Legião Urbana). Lembro que foi tirada no dia 7 de setembro de 1980. A gente acampava muito naquele terreno, que era do meu pai, em Brasília. Até hoje, as pessoas comentam comigo sobre esta capa. Foi um momento especial da minha vida”, conta Pedro Ribeiro.

BROWN PARALAMA
Quis o destino que o Paralamas do Sucesso não virasse uma banda de axé. Depois da primeira edição do Rock In Rio, em 1985, aconteceu de o grupo subir em um trio elétrico em Salvador e, influenciados que estavam pelos balanços dos dançantes ritmos latinos, caíram no rebolado do cantor Luiz Caldas, que bombava Brasil afora com a música ‘Fricote’ (aquela da letra “Nega do cabelo duro, que não gosta de pentear...”).

Acompanhando Caldas, na percussão, um músico muito animado chamou a atenção do trio e quase acabou sendo recrutado para gravar no disco ‘Selvagem?’. “Foi no Carnaval de 1985 que conhecemos o Carlinhos Brown”, recorda Bi Ribeiro. “A gente deu uma canja naquele trio elétrico e ali testemunhamos o nascimento do axé”.

Em 1986, Brown veio para o Rio de Janeiro encontrar com Herbert, Bi e Barone, que cogitavam acrescentar um percussionista em sua formação — quem acabou gravando em ‘Selvagem?’ com a banda foi Armando Marçal. Brown, porém, ficou amigo do grupo e, futuramente, trabalharia bastante com eles.

“Ele já era assim como o conhecemos hoje: um cara ligado em 220 volts. Acabou que não foi naquele momento que gravamos com ele, mas ele chegou a ir nos ensaios do ‘Selvagem?’, isso bem antes de tocar na banda do Caetano Veloso”, conta Ribeiro. LSM (foto: Felipe O`Neill)

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

De volta para o futuro

Lincoln Olivetti retorna à cena em show e novos lançamentos

Instrumentista, arranjador, compositor e produtor, Lincoln Olivetti é chamado de ‘o feiticeiro dos estúdios’ e ‘o mago do pop’. Aos 57 anos, ele tem cara mesmo é de cientista louco, misto de Professor Ludovico com Dr. Emmett Brown (personagem do ator Christopher Lloyd em ‘De Volta Para o Futuro’).

“Sempre estive à frente do meu tempo. Adoro música eletrônica e minha filha é ‘a’ DJ, não é verdade?”, decreta o pai coruja da badalada Mary Olivetti, no corredor do estúdio em Botafogo, onde ensaia uma volta solo aos palcos, em raríssima aparição, hoje, no Copacabana Palace. “Também sei tudo de eletrônica. Adoro quando queima algum equipamento!”, conta o músico, todo futurista.


Durante a carreira, a fama de gênio de Lincoln Olivetti cresceu junto com a de excêntrico, por gostar de passar dias trancado em seu estúdio, uma salinha quase sem iluminação, e por ser arredio a entrevistas. “Meu filho, quanto mais se vê, menos se ouve”, define o veterano. “Pode tirar onda, porque essa é a primeira entrevista que dou para um jornal”, valoriza.

A implicância com as reportagens, ele explica, vem das críticas de que seria responsável por uma padronização sonora da MPB — Gal Costa, Gilberto Gil, Tim Maia, Jorge Ben Jor, Rita Lee, Roberto Carlos, Caetano Veloso, Maria Bethânia, Angela Ro Ro, Zizi Possi, Fagner, Lulu Santos, Wando e muitos, muitos outros mesmo, já foram produzidos ou arranjados por Lincoln Olivetti.

“Fiquei marginalizado. Nunca quis responder aos críticos, que foram muito pejorativos. Disse apenas: vocês vão se f* e eu vou pra p.q.p., daí todos ficam felizes”, diverte-se.

Entre risos, as lembranças (“Tim Maia me passava os arranjos dele, eu mudava tudo e ele nunca percebia”) só são interrompidas para matar a larica: “Preciso de uma pizza, sem cebola! Esse negócio de entrevista dá muita fome!”, conclui, reconhecendo que o papo deu a maior onda.

DO COPA FEST À INTERNET
No show hoje, dentro da programação do evento CopaFest, Lincoln Olivetti vai tocar seu clássico disco com Robson Jorge e fazer uma homenagem ao lendário Ed Lincoln, à frente de Kassin (baixo), Davi Moraes (guitarra), Donatinho (teclado), Cesinha (bateria), José Carlos Bigorna (sax), Lelei Gracindo (sax), Altair Martins (trompete), Diogo Gomes (trompete), Peninha (percussão) e Marlon Sette (trombone), entre outros.


Fora do palco, Lincoln Olivetti anuncia novos lançamentos para este ano. “Resolvi soltar tudo que venho compondo ao longo do tempo, mas vou vender só pela Internet”, anuncia, sempre antenado. LSM (fotos: Luiz Lima)

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

A dona do Rock In Rio

Empresária e aprendiz de baterista, Roberta Medina fala da experiência de tocar o festival criado por seu pai

Ela não é uma típica roqueira, mas até que fala do assunto com certa propriedade. “Toquei piano na infância e, mais recentemente, aprendi a tocar bateria. É muito difícil coordenar pés e mãos, mas comprei uma da marca Pearl e até que me saí bem! Sempre que tem solo de bateria nos shows, eu babo”, conta Roberta Medina, 33 anos e fã do Metallica. “Mas prefiro as baladas deles!”, ressalta, sobre o grupo de metal pesado que toca domingo no Rock In Rio.

(foto: Felipe O'Neill)

Hoje, na véspera de mais uma edição do festival, parece que tudo está como uma doce sinfonia. “As coisas estão acontecendo melhor do que esperava”, avalia Roberta. Mas a aprendiz de baterista teve mesmo que mostrar desenvoltura desde que o pai, o empresário e criador do festival, Roberto Medina, resolveu passar à herdeira o posto de ‘dono do Rock In Rio’. “Foi na edição de 2001, ele enlouqueceu: me colocou como coordenadora de produção sem eu saber nada do assunto. Foram nove meses sem vida social, só lendo contratos e acertando pagamentos”, descreve.

Até aquele ano, o evento para ela não era mais que um enorme parque de diversões. “Eu tinha 6 anos na primeira edição, em 1985. Lembro que me perdi no meio das obras, e gostava de brincar com aqueles óculos escrito ‘rock’ e de passar gel no cabelo. Já no segundo Rock In Rio, em 1991, o que eu queria mesmo era conhecer o New Kids On The Block”, recorda.

De lá para cá, Roberta Medina aprendeu muito mais que batucar em sua Pearl novinha. “Naquela época, os contratos traziam cláusulas inacreditáveis, como a que proibia o Ozzy Osbourne de comer morcego no palco. O Prince pediu 500 toalhas, que acabaram lá em casa, ficamos anos usando. O caso mais curioso que passei foi quando o Paul McCartney pediu para não venderem carne no festival, em Lisboa, o que acabei conseguindo contornar”, conta.

De tocar bateria a desenrolar com o ex-beatle, nada é impossível para a ‘dona do Rock in Rio’? “Ainda não consegui trazer o Robbie Williams para o festival. Foi o melhor show que já assisti!”, elogia.

Ah, Roberta, isso deve ser mais fácil que manejar baquetas e tambores: o cantor inglês suspendeu a volta com seu antigo grupo Take That e planeja uma nova turnê mundial. Dá para tentar escalar o moço para a próxima edição do Rock in Rio, em 2013. Que tal? LSM

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

Sem medo do rock n’ roll

Atrações do axé e do samba não temem agressões dos fãs do som pesado no Rock In Rio

Em toda edição do Rock In Rio no Brasil, um artista sai do palco enxotado por roqueiros xiitas. O caso mais fresco em nossa memória aconteceu em 2001, quando Carlinhos Brown levou uma chuva de garrafas d'água. Em 1991, Lobão, apesar de um astro do rock, namorava com a bateria da Mangueira e foi metralhado por objetos voadores. A primeira edição do evento, em 1985, vitimou, veja só, o pioneiro do gênero Erasmo Carlos, que andava meio longe das guitarras. E nesta edição, que começa dia 23, quem será o alvo predileto dos metaleiros?

Fui atrás de atrações não roqueiras agendadas no festival para sondar o medo de um possível duelo com esse grupo de fãs radicais. A turma do axé e do samba jura que a ira dos roqueiros é coisa do passado. “Há tantas coisas que merecem de fato nossa reivindicação, como corrupção, impunidade, violência, preconceito... o jovem de hoje, com acesso à tantas informações, provavelmente não se permitiria vaiar o que faz bem ao outro, ainda que não lhe caia bem. No nosso Carnaval, por exemplo, a diversidade impera. São artistas do rock e do pop tomando conta dos trios e dos camarotes, então, por que não o contrário?”, questiona Claudia Leitte. Eu acho que há uma linha tênue entre não curtir a mistura de gêneros musicais e ser preconceituoso. Preconceito é algo tão medíocre... e cafona... Seja como for, há pessoas que se identificam e se juntam por causa disso. O Rock in Rio é o maior festival de música do mundo, e é nosso, brasileiro, não dá para perder tempo com miudezas”, decreta.

Ivete Sangalo concorda: “Acho que hoje o público brasileiro não só entende que o evento não é exclusivamente de rock, como agradece o fato de nosso País ser muito diverso musicalmente, opina VevetaEu tinha paixão pelo AC/DC e adoro bandas ainda mais pesadas, como Green Day e Foo Fighters, enumera a baiana, que vai cantar antes de Lenny Kravitz.

No mesmo dia, Martinho da Vila vai chegar devagar, devagarinho com seu samba, mas também garante não temer cantar no Rock In Rio. O panorama mudou. Hoje, o entrosamento entre um cara do rock com um cara do rap ou do samba é uma coisa normal. Eu, por exemplo, vou dividir um número com o rapper Emicida, conta.

Outro sambista, Diogo Nogueira faz coro: “Acredito que nessa edição os artistas serão muito bem recebidos. Na verdade, os caras mais cri-cri são minoria, e vão reclamar de qualquer jeito, independentemente da programação, classifica.

Sandra de Sá, que saracoteou muito com Cazuza, um roqueiro que abraçou o samba em sua música, resume a questão: “Rock é a catarse que acontece da comunhão com o público. Sendo assim, tudo é rock!, define.

ÁGUA MINERAL
Em 2001, Carlinhos Brown enfrentou o público impaciente que o recebeu com uma chuva de garrafas. Cantou a melodia do Hino Nacional, desafiando a preferência gringa da maioria da gurizada lá presente, e mandou o recado: “Pode jogar o que quiser que nada me atinge. Sou da paz! (...) Quem gosta de rock tem muito que aprender. (...) Agora, o dedinho pode enfiar no traseiro.

Hoje, o baiano se diverte ao relembrar o fato. Agradeço àqueles meninos, porque passei a ser mais conhecido depois deles. Eu não estava no lugar errado e nem na hora errada: fui parar em todos os jornais. Foi o melhor direito autoral do Rock In Rio!, recorda Brown. LSM

domingo, 11 de setembro de 2011

Tempero verde e amarelo no som dos pimentas vermelhas

Integrado ao Red Hot Chili Peppers, o percussionista catarinense Mauro Refosco conta que eles curtem Tim Maia e a música brasileira

Os milhares de fãs que lotaram salas de cinema por todo o Brasil — e ao redor do mundo — no último dia 30 para conferir o show de lançamento do novo CD do Red Hot Chili Peppers notaram um tempero brazuca na mistura de rap e rock dos caras. Na apresentação, transmitida via-satélite direto da Alemanha, o quarteto norte-americano aparece escudado por um percussionista, o catarinense Mauro Refosco, que vem colocando tintas verde e amarela no som dos pimentas vermelhas.

“Ainda não troquei muitas figurinhas musicais com eles, porque está uma correria danada com o lançamento do disco. Agora estamos no meio da turnê na Europa. Mas eles conhecem a nossa música. Outro dia, fui na casa do (baixista) Flea e ele estava escutando um CD do Tim Maia, e falou que também conhece Jorge Ben e Gilberto Gil”, conta Refosco.

Radicado em Nova York desde 1992, ele já colocou seus tambores a serviço de estrelas como Thom Yorke (Radiohead) e David Byrne (Talking Heads), além de ter gravado em ‘I’m With You’, novo álbum do Chili Peppers.

“Eles estão abertos para colocar um pouco mais de ritmo, com a percussão, porque pulsante o som deles já é. Acho que que me convidaram por isso. Quando Flea perguntou se eu queria gravar com eles, eu refleti... por meio segundo! E disse sim”, recorda.

Mauro Refosco vem batucar por aqui com seus novos amigos gringos no dia 21, em São Paulo, e no Rock in Rio, no dia 24. “A banda está supercontente de voltar ao Brasil, e eu vou ter amigos e família na plateia, além de tocar para uma plateia de brasileiros, o que, com certeza, vai ser muito emocionante”, vibra o nosso percussionista.

Hoje, Refosco está integradão ao dia a dia do Red Hot Chili Peppers. Mas, acreditem, o moço pouco sabia da carreira deles. “Só conhecia de escutar no rádio ou ver vídeos na TV, mas não tinha me aprofundado até ser chamado. Consegui a discografia e entendi porque a banda é tão respeitada. Acabei virando fã”, derrete-se.


(Refosco, entre Anthony Kiedis, Flea e Chad Smith. Foto: ClaraBalzary)

Por falar em fã, como é o assédio no camarim? A mulherada fica doida por vocês? “Rola um esquema de segurança forte. Tem uma área reservada aos convidados da banda e da equipe, que geralmente fazem uma social depois dos shows. Mas o assédio fora sempre rola, normal. Quando o Chad (Smith, baterista) chega a um hotel ou a um lugar que tem muita gente esperando pelo grupo, ele grita: ‘Olha o Flea ali gente!’. Daí todo mundo vai em cima do Flea, e ele sai de fininho”, revela Refosco.

CONEXÃO ÁFRICA-BRASIL
Os integrantes do Red Hot Chili Peppers se derretem pelo talento do músico brasileiro. Pelo Twitter, Flea disparou: “the great brazilian percussionist @mrefosco rocks like mad all over the new red hot chili peppers record ‘I’m with you’. Yeeeeeah mauro” (“o grande percussionista brasileiro ‘roqueia’ como um maluco em todo o novo disco do Red Hot Chili Peppers, ‘I’m With You’. Yeeeeeah mauro”). O vocalista Anthony Kiedis também é só elogios: “Nesse CD, ele é o quinto integrante da banda”. E o novo guitarrista Josh Klinghoffer atesta: “A batida dele é incrível”.

Refosco devolve: “Eles são muito relax e engraçados mesmo, como dá para imaginar. Hoje, com exceção do Josh, são todos pais de família, e em alguns shows rola de os filhos aparecem, então fica um astral bem família”, descreve.

Desde o convite para gravar e tocar com o grupo, é com o baixista que o brasileiro mais se aproximou. “O convite surgiu a partir do Flea porque a gente tocou junto no Atoms For Peace, uma banda que o Thom Yorke, do Radiohead, formou para tocar as musicas do disco solo dele, chamado ‘The Eraser’. A partir daí, tivemos uma empatia musical e pessoal muito grande, e nós fazemos aniversário no mesmo dia (16 de outubro)”, conta.

Tudo bem, os quatro chili peppers são superantenados e já conheciam a música brasileira bem antes de Mauro Refosco integrar o conjunto. Porém, é inegável que faixas do novo disco, como ‘Dance, Dance, Dance’ e ‘Did I Let You Know’, têm elementos de ritmos tipicamente nacionais, do forró à guitarrada (gênero musical paraense).

“É verdade, tem uma onda meio guitarrada mesmo. Mas essa influência, acho que vem da música africana. O Josh e o Flea estiveram na África no ano passado. E o Brasil é um pais superafricano. Então, está tudo no mesmo caldeirão”, define. LSM

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Requisitado por boa parte da MPB, músico Pretinho da Serrinha teme voltar à comunidade em Madureira

Seu Jorge só quer saber do Pretinho. Ângelo Vitor Simplício da Silva, 33 anos, mais conhecido como Pretinho da Serrinha, vem fazendo a cabeça também de Marcelo D2, Lulu Santos, Marisa Monte, Dudu Nobre e Beth Carvalho, entre vários outros. Se você ainda não ouviu falar do percussionista e cavaquinista, certamente já cantarolou alguma de suas canções, parcerias com amigos e sucessos na voz de Seu Jorge - com quem atua há 10 anos -, como ‘Burguesinha’, ‘Mina do Condomínio’ e a novíssima ‘A Doida’.


Porém, mesmo com todo esse reconhecimento, Pretinho não goza os louros da fama na comunidade onde foi criado, no Morro da Serrinha. “Sou de Madureira. Vivi lá até os 16 anos. Hoje, tenho medo de voltar. Tem um maluco brabo mandando lá que acha que fiquei metido. Já vi uns nove amigos de infância morrerem. Sempre que passo pela Avenida Edgar Romero, fico com muita saudade, mas um dia eu volto”, desabafa Pretinho.

Foi na Serrinha que ele, aos 10 anos, assumiu o posto de diretor da bateria-mirim do Império Serrano. “Nunca joguei bola ou soltei pipa. Meu lance, desde garoto, era a música”, recorda. 

O tempo passou e agora Pretinho vem se dedicando também a seu próprio projeto, o Trio Preto. “Lulu e Seu Jorge gravaram participação no CD, claro”, conta.

O amigo é só elogios: “Pretinho da Serrinha é um grande artista, de extrema confiança, não só no trabalho, mas na vida também. Tenho sorte de ter esse cara fazendo parte da minha carreira”, derrete-se Seu Jorge.

Lulu Santos também está vidrado: no show ‘Acústico II’, criou um número especial para ele e, em seu próximo disco, programado para o final de setembro, gravou a música ‘Som de Madureira’, de Pretinho, Gabriel Moura e Rogê, e o chamou para dividir os vocais, cantando a cultura do bairro da Zona Norte.



‘ALÔ, É O PRETINHO?’
O apelido veio da música ‘A Banda do Zé Pretinho’, de Jorge Ben, que o pequeno Ângelo já adorava. “Quem não me conhece, fica sem graça ao telefone. Perguntam: ‘Alô...’, aí completam, baixinho, ‘...é o Pretinho?’. Em tempos politicamente corretos, acho que ficam com medo de serem processados”, diverte-se.



CAVAQUINHO NO SURF
O apresentador Luciano Huck queria porque queria presentear o surfista norte-americano Kelly Slater. Sabendo que o gringo toca violão e gosta de música, pediu a Seu Jorge para descolar um cavaquinho. Ele, por sua vez, recorreu a uma ajuda mais especializada.

“Achei um cavaquinho foda”, conta Pretinho da Serrinha. “Cheguei a cogitar ficar com ele para mim, de tão bom. No caminho para levar o instrumento para o Kelly, a Marisa Monte ligou perguntando ao Seu Jorge se ele não tinha um cavaquinista para indicar...”.

Nem precisa dizer que a dupla partiu direto para o estúdio da cantora e lá Pretinho gravou uma música com o cavaquinho do surfista - que depois, claro, recebeu seu instrumento, devidamente ‘batizado’. LSM (fotos Luiz Lima/acervo pessoal)