quarta-feira, 22 de junho de 2011

Hermeto Pascoal festeja os 75

Músico comemora o aniversário com show em Bangu e relembra os tempos em que morava na Zona Oeste

Em sua música ‘Casa do Campeão’, a cantora Joyce ensina o caminho: “Pega a Avenida Brasil no km 32/Quando à direita aparece o Motel Carbonara/Você vai ver uma placa indicando Bangu/Entra à direita na placa/Passa por baixo do elevado/E procura o Jabour”.

O trajeto levava direto à casa em que morava o músico Hermeto Pascoal. Atualmente vivendo em Curitiba, ele volta hoje às redondezas, mais precisamente à lona cultural que leva o seu nome, em Bangu (Praça 1º de Maio s/nº), para comemorar o aniversário de 75 anos do jeito que gosta: no palco. “Tenho um amor enorme por aquela região. O Jabour faz parte da minha alma. Morei 20 e tantos anos lá e foi onde fiz mais músicas na vida”, derrete-se o aniversariante.

Aos 75, idade em que a maioria das pessoas está aposentada, Hermeto Pascoal, ao contrário, parece cada vez com mais energia. Qual o segredo da longevidade? “É difícil a gente conseguir viver fazendo o que gosta. Enfrentei muita dificuldade para vencer com esta minha música, que chamo de música universal. Mas, se não tivesse enfrentado as adversidades, eu não estaria hoje assim, tão gostoso”, diverte-se o namorado da também multi-instrumentista Aline Morena, 40 anos mais nova. “A lona vai ficar pequena, tem gente vindo até do Texas para a festa!”. LSM

domingo, 19 de junho de 2011

Exaltasamba continua

É de Thiaguinho a afirmação de que ele e Péricles vão carregar os músicos do grupo em suas respectivas carreiras solo

Exaltamaníacos e, principalmente, exaltamaníacas: não há motivo para tanto chororô, cabelos arrancados e ranger de dentes. Grupo mais bombado e com a agenda mais cheia do momento, o Exaltasamba na verdade não acaba: se divide em dois. Vocalista e principal estrela da banda atualmente, Thiaguinho promete que nenhum dos outros integrantes vai ficar na rua da amargura quando ele e o também cantor Péricles saírem em carreira solo, em 2012. Dá para dizer, de brincadeira, claro, que um fica com o ‘Exalta’ e o outro, com o ‘Samba’.

“Na banda só tem músico fera, de primeira qualidade. A última preocupação deles no momento é ficar sem trabalho.  O grupo para entre aspas, porque eu e o Péricles vamos levá-los com a gente”, garante Thiaguinho.

A tal ruptura será, então, algo como quando, vocês vão lembrar, Claudia Leitte decidiu voar solo, recebendo músicos de sua ex-banda Babado Novo na nova fase. Além disso, o Exalta prefere chamar a separação não de “fim”, mas de “intervalo nas atividades”, podendo retomá-las no futuro.

“Estou muito tranquilo sobre a minha decisão. Sou totalmente movido pela emoção. Temos uma situação financeira mais que ótima, está tudo lindo”, define o vocalista.

Mas, Thiaguinho, você já pensou que a empreitada solo pode dar com os burros n’água, como foi com Vavá (ex-Karametade), Salgadinho (ex-Katinguelê), Rodriguinho (ex-Os Travessos) e tantos outros?

“Cada caso é um caso. Música não tem fórmula: é sentimento. Se atingir o coração das pessoas, então está certo. E, por outro lado, lembre-se que, quando entrei no Exalta, nenhum grupo tinha dado certo trocando de vocalista”, ressalta.

A histeria crescente que envolve o Exaltasamba hoje tem — guardadas as devidas proporções, por favor — ares de beatlemania, com direito até a uma Yoko Ono. Na Internet, há quem aponte o dedo para a atriz Fernanda Souza, namorada de Thiaguinho, acusando-a de incentivadora da dissolução da banda. O vocalista faz questão de desfazer rapidamente o mal-entendido.

“Estou namorando com ela há apenas três meses. Definimos o recesso em uma reunião em janeiro. Eu só a conheci depois, é que a informação só veio a público agora. E, mesmo assim, ela nunca opinou em nada. Nem ela, nem ninguém”, decreta.


 Certo de suas convicções, quero ver como você se sai nesta, Thiaguinho: por que Zeca Pagodinho canta samba e o Exaltasamba toca pagode?.

“É tudo a mesma coisa. Fico triste por existir essas discussões tentando decifrar música. Eu faço a minha, se não agradar, muda de rádio”, sugere.

CINCO MINUTOS COM:  Edison Coelho, um diretor de marketing com um toque de midas
O trabalho de divulgação feito com o Exaltasamba ultimamente é de grande êxito. Eles estiveram em praticamente todos os programas de rádio e televisão imagináveis, proeza que todo produtor e empresário sonha para seus artistas, mas nem todos conseguem. O mérito pode ser creditado a Edison Coelho, diretor de marketing do grupo, que tem no currículo trabalhos com Zeca Pagodinho, Martinho da Vila, Paulinho da Viola, Beth Carvalho e Raça Negra, entre outros. Fomos atrás dele para tentar decifrar o fenômeno Exaltasamba.

1. Edison, afinal, qual é o seu segredo?
— O segredo é um grupo sempre disposto a trabalhar, além de uma equipe de promoção com um representante em cada estado. Temos mais funcionários que qualquer companhia de discos. E o mais importante: o repertório. Nos últimos meses, já estouramos cinco músicas em todo o Brasil.



2. Como você faz seu planejamento de mídia?
— Para mim, o rádio ainda é o sol. Os programas de televisão amplificam o sucesso, e a imprensa dá credibilidade ao produto. Estamos ligados também na Internet. Temos o site oficial do grupo, além de Twitter, Facebook, Orkut e YouTube.

3. 

Existe jabá em TV e rádio?
— Isso não existe. O que existe é uma parceria entre os empresários. O artista, por exemplo, participa dos shows de aniversário das rádios, ou faz apresentações acústicas exclusivas...



4. Como você vê essa recém-anunciada parada nas atividades, no auge do sucesso?


— Já vi outros casos parecidos. Quando um cantor se sobressai no grupo, isso acaba acontecendo. Acredito que o Thiaguinho vá continuar com o sucesso, uma vez que tem carisma, canta muito bem e, além de tudo, compõe as músicas.

5. Essa parada faz parte da estratégia para chamar a atenção para o grupo?
 

— Chamar atenção? Mais? Não, não é o caso. LSM

quinta-feira, 16 de junho de 2011

Nos passos de McCartney

Elogiado por Erasmo Carlos, baixista canhoto Pedro Dias estreia em disco inspirado pelos Beatles

Ele é baixista, canhoto, cantor, compositor, gosta de se apresentar metido em terninhos bem ajustados, eventualmente se aventura também na produção, além de tocar com um dos maiores ídolos do rock. A descrição pode até levar a crer que estamos falando de Paul McCartney, mas nosso personagem está bem pertinho de nós: é o músico carioca Pedro Dias.

Aos 30 anos, ele é responsável pelos graves no som de Erasmo Carlos e integrante dos grupos Filhos da Judith — que lança mês que vem o primeiro CD, pela Coqueiro Verde, gravadora do próprio Erasmo, com produção de ninguém menos que Liminha — e Beatlemaníacos. Este, com repertório dedicado, claro, aos Reis do Iê-Iê-Iê.

De fato, McCartney é sua grande referência, mas, modesto, ele mesmo descarta a associação recorrendo à clássica tirada: “O Paul é incomparável”. “Resolvi ser músico quando assisti ao documentário ‘Anthology’, dos Beatles. Mas também sou fã de baixistas como o Sting ou o Geddy Lee, do Rush. E, por ser canhoto, também sou vidrado no Jimi Hendrix”, enfileira suas preferências.

O som e o visual retrô adotado pelo Filhos da Judith — formado ainda por Luiz Lopes e Alan Fontenelle -  têm inspiração nos Beatles e na Jovem Guarda. “Somos fãs do Erasmo desde pequenos, e queríamos imitar nossos ídolos. Na época em que montamos o grupo, a moda era o grunge. A gente era diferente de todo mundo”, conta.

Quando Erasmo escutou o Filhos da Judith pela primeira vez, foi como se o sonho não tivesse mesmo acabado: “Fiquei curioso para saber que drogas eles tomavam: aquilo era bom demais!”, define o Tremendão.

EM ESTÚDIO
Em agosto, Erasmo Carlos lança seu novo CD, com o sugestivo título ‘Sexo’. “O disco está demais, ele continua incrível, cheio de melodias maravilhosas”, descreve Pedro Dias.

O CD do Filhos da Judith, homônimo, sai antes, em julho. “A extensão vocal do Pedro impressiona, quisera eu cantar como ele. Além disso, é um excelente baixista, e tocar baixo e cantar é difícil, para poucos, como o McCartney”, se desmancha o e produtor do disco e ex-Os Mutantes Liminha. LSM (fotos: Pedro Dias por Nathan Thrall; com Erasmo por Renata Quirino; e Filhos da Judith por Daryan Dornelles)

segunda-feira, 13 de junho de 2011

O jazz toma a Lapa sambista


Tem maluco, tem madame, tem ‘maurício’, tem artista e executivo engravatado pós-trabalho. Misturados aos típicos ambulantes, mendigos e malandros da Lapa, todos se esbaldam ao som de um grupo de virtuosos instrumentistas de 20 e poucos anos que, toda quarta-feira, entopem de gente a esquina da Rua da Lapa com a Rua Taylor. E, curioso, não se trata de mais uma das características bandas de samba do bairro boêmio. O Nova Lapa Jazz existe há três meses e toca apenas música instrumental, internacional e brasileira, de Miles Davis a Tom Jobim.

“A gente queria fazer um jazz não elitista, além de encontrar um espaço para ensaiar sem ter que pagar, onde a galera pudesse dar canjas”, conta o guitarrista Gabriel Ballesté, 21 anos.

Os meninos, ao que parece, criaram um monstrinho: o que começou como um tímido encontro de amigos virou o novo point carioca, reunindo centenas de pessoas, espremidas pelas calçadas e ruas da área.

“Não esperava que virasse esse Carnaval todo. Pensei que daria, no máximo, umas 50 pessoas”, surpreende-se o saxofonista Iuri Nicolsky, 24.

Sem contar a qualidade musical da moçada, outro atrativo dessa noitada de jazz é que o show é gratuito. No final da sessão, claro, passam o chapéu. “Dá para faturar umas 300 pratas. Não é muito, mas dá para o gasto. As pessoas contribuem com R$ 5 ou R$ 10, mas já teve um gringo louco que deu R$ 50”, conta Nicolsky.

Além dos amigos, amigos dos amigos e curiosos em geral, o Nova Lapa Jazz atrai um sem número de instrumentistas, que aparecem apenas para escutar ou para dar uma palinha. Na última quarta-feira, um dos mais talentosos e respeitados bateristas do mundo, Robertinho Silva (leia-se Milton Nascimento, Chico Buarque, Tom Jobim e Sarah Vaughan, entre muitos outros) encostou no balcão do boteco mais próximo, pediu uma cervejinha, ficou de ouvido ligado e ainda fez um som com os garotos.

“Isso, acontecendo assim, no meio da rua, é maravilhoso! Hoje, esse tipo de coisa só rola no centro da cidade. Nos anos 70, era na Zona Sul, onde agora está tudo muito caro e inacessível ao grande público”, compara o músico.

Os integrantes do Nova Lapa Jazz — Eduardo Santana (trompete, 26), Antonio Neves (bateria, 20), Caetano Salles (baixo, 30), além de Gabriel e Iuri — mantém um blog (www.jazznobuteco.blogspot.com), no qual postam semanalmente vídeos com os melhores momentos das apresentações. LSM (fotos Luiz Lima)

segunda-feira, 30 de maio de 2011

O coração futurista de Egberto Gismonti

Existem músicos que, quando há a oportunidade de conferi-los ao vivo, não se deve deixar passar por nada. Se a apresentação for gratuita, então, nem se fala. Um desses músicos é o compositor, multi-instrumentista e arranjador Egberto Gismonti. Hoje, ele toca às 20h, na abertura do encontro internacional de cosmologia e gravitação, no Espaço Tom Jobim, no Jardim Botânico (senhas no local a partir das 18h30).


Qual a relação de sua música com o pensamento pensamento científico, tema do evento no qual você se apresenta?
Egberto Gismonti: Imagino que esteja distante do pensamento científico. Eu mexo com música, elemento ou coisa que não permite medidas exatas. O sujeito pode estar próximo da música e não estar próximo ao equilíbrio de massas sonoras, que representa o equilíbrio entre os naipes de qualquer orquestra. Para estar inspirado no pensamento científico, eu precisaria desaprender muita coisa até alcançar um patamar de admissão que ainda está muito distante de mim.

São novas canções, especialmente para a ocasião?
Egberto Gismonti: Eu faço uma música só que vai sendo esticada desde o início. Já está com o tamanho de mais de 60 discos, um monte de filmes, balés, peças teatrais... Hoje, preparei um show especial para a ocasião.

Algumas daquelas que chamam de 'clássicos' de sua carreira, como 'Loro', 'Palhaço' ou 'Frevo', estão cogitadas para a apresentação?
Egberto Gismonti: Não, não estão cogitadas.

Qual seu interesse sobre o universo científico? Lembro que artistas, como o Gilberto Gil, por exemplo, fizeram canções inspiradas pelo tema.
Egberto Gismonti: Meu interesse é pelo desconhecido, é pela questão, pela dúvida, pelo desconhecimento. Desta forma, meu interesse pelo universo científico é tão grande que ainda não o percebo de forma evidente. Não sei onde ou como a música se encontra com a ciência me inspirando. Aliás, acho que inspiração é um patamar pouco comum no meu cotidiano. Durante muito tempo confundi excitação com inspiração. Agora que esses parâmetros ficaram um pouco mais claros, retomei o papel e a caneta para escrever música. É preciso ser rápido na escrita de uma ideia que aparece pronta ou quase. Computador ainda é lento quando a inspiração/excitação/descarrego/necessidade ou qualquer qualificação que tenhamos para a anotação da expressão de uma ideia filtrada pelo filtro de maior conhecimento pessoal. Quando a música orquestrada aparece na audição, anoto rápido, tento segui-la com códigos de escrita que fazem parte da linguagem que aprendi, rabisco, ponho setas pra lá e pra cá, pronto... a ideia está anotada. Em seguida, 'ligo' o departamento intelectual e coloco o estudo à serviço da tradução do que 'ouvi'. Depois disso, música ouvida, escrita, traduzida com cara de partitura, aí sim, passo para o meu editor preferido instalado em computador. De qualquer forma seria lindo se as ideias musicais pudessem ser anotadas com mais velocidade para garantir veracidade.

Você desfruta de reconhecimento tanto no meio do jazz quanto no erudito - e até do pop (por que não?), já que há muitas canções, cantadas, e flerte com o rock progressivo... O que acha disso, de flutuar com tanto crédito por tantos meios?
Egberto Gismonti: A música é benevolente e eu a reverencio todos os dias. Ela me ensina diariamente que sou um instrumento dela. Por vezes precisei ler muito para estar mais próximo dela; outras vezes, fui para o mato viver entre os índios, para a Índia, para Austrália conhecer os tocadores de didjeridu, sempre a música me levando, mostrando, norteando. A impressão que tenho é que ela vive intensamente no Brasil.

Recentemente, Buenos Aires foi tomada por cartazes anunciando uma apresentação sua... como é sua carreira e reconhecimento por lá? E em quais outros países da América Latina você tem tal destaque?
Egberto Gismonti: Como dizem alguns dos meus amigos, viajar e tocar 22 vezes em um país significa receber/estabelecer o 'usucapião' da amizade e respeito. Uruguai, Chile e Panamá são países que frequento bastante. Cuba está me dando tantos amigos que já estive lá, sempre pra tocar ou gravar, umas oito vezes nos últimos 10 anos.

Como vê o cenário da música popular brasileira atualmente? O que vem despertando sua atenção?
Egberto Gismonti: Continuo recebendo cerca de 10 CDs ou demos por mês. Escuto e respondo detalhadamente cada faixa. Muitas coisas despertam a atenção, sobretudo pelo fato de estar sentado em casa, receber os CDs por correio. Dou preferência ao formato tradicional por uma questão de exclusividade. Tenho um compromisso comigo mesmo de ouvir e comentar mais ou menos 10 CDs por mês. Essa ação entre amigos abre portas para que eu entenda o Brasil de uma maneira menos regional e mais abrangente.

domingo, 29 de maio de 2011

A verdade sobre a nostalgia

Não canso de ouvir os mesmos (velhos) discos que gosto. Na verdade, escuto só eles. E quanto mais os ouço, mais maneiros eles ficam. Gosto de conhecer umas coisas novas também, mas são pouquíssimas as selecionadas para meus ouvidos. LSM

terça-feira, 19 de abril de 2011

Obcecado por tecnologia, Junior troca o rock pela música eletrônica

Irmão mais novo vive na cola do mais velho. Depois de a primogênita Sandy externar sua porção devassa, é a vez de Junior revelar outra face de sua personalidade: seu lado nerd, com o Dexterz. No grupo, dedicado à música eletrônica, o caçula deixa para trás o rock de sua ex-banda, Nove Mil Anjos. “O nome é por conta do desenho animado (‘O Laboratório de Dexter’) e também de um seriado de TV, que têm personagens vinculados à coisa geek (gíria para pessoas obcecadas por tecnologia), bem nerd. O projeto é muito tecnológico, high tech, e praticamente montamos um laboratório no palco”, define Junior. “Gosto muito do rock, e foi uma experiência incrível com o Nove Mil Anjos, mas hoje estou muito satisfeito com a música eletrônica”.

Completam a formação do Dexterz o DJ Julio Torres e Amon Lima, cunhado de Sandy e violinista da Família Lima, todos cercados de fios e plugados em seus laptops. “Quase tudo é feito na hora. A gente entra no palco e nem sabe o que pode acontecer, depende da reação da galera na pista. É um projeto de muito improviso, por isso cada show é completamente diferente do outro” detalha Junior, responsável pela bateria no grupo.

Viciado na Internet e totalmente conectado às redes sociais, ele bem sabe que nem tudo na web é bacana, e lembra que foi vítima da blogueira conhecida como Felina, que, em 2009, publicou um vídeo seu e de outros famosos, com os quais alegava ter feito sexo virtual e tido conversas picantes. “Adoro o mundo digital. Hoje em dia, é muito interessante estar ligado nas redes sociais, principalmente na minha profissão, mas é preciso saber usar. É um mundo em que tudo é muito rápido e superficial. Quando se está escondido atrás de seu computador, nego se vê muito à vontade de soltar vontades reprimidas. E tem muita gente amarga na Internet, muita gente que usa isso para expor as pessoas. Mas se eu fosse ligar para o que todos falam à minha volta, eu ficaria maluco, deprimido, ou me tornaria o cara mais arrogante do mundo”, avalia.

Junior, porém, não tem do que reclamar neste seu momento nerd. O mercado da música eletrônica tem lhe garantido felicidades suficientes para não sentir saudade nem das grandes plateias e dos recordes de vendas que desfrutava quando atuava ao lado da irmã. “É um mercado enorme, e que me surpreendeu. O público é principalmente feminino, uma galera de vinte e poucos anos, que gosta de frequentar boates. Sempre dá muita mulher nos nossos shows, acho que por ser bastante melódico, graças ao violino do Amon”, conta. “Confesso que, na verdade, ainda me sinto mais à vontade cantando para cinco mil pessoas que para 500. Fiz isso a minha vida inteira, era só estádio. Tive que me reeducar como artista para tocar em lugares mais intimistas, onde a proximidade com o público é direta e as pessoas até encostam em você”, descreve.

E com essa mulherada toda na plateia bem pertinho de você, Junior, a azaração rola solta? “Lógico, não tem como não rolar. Isso faz parte até da profissão. Não seria hipócrita de falar que não é divertido, mas na banda tem até gente casada, e nosso foco principal é a música”, desconversa Junior, que, registre-se, diz que está solteiro.

SANDY ELETRÔNICA
Antes de Junior entrar para o grupo, o Dexterz se chamava Crossover e era integrado apenas por Julio Torres e Amon Lima. Curiosamente, o único disco do duo, ‘Humanized’, traz a participação de Sandy, na faixa ‘Scandal’. É a primeira, e por enquanto única, aventura da cantora pelo universo eletrônico. Mas, se depender do irmão, ela pode voltar ao gênero. “A Sandy chegou no estúdio e ela mesma fez a música em dez minutos, e o negócio ficou muito f... Ela nem tem noção disso, mas leva muito jeito para a música eletrônica. O palco do Dexterz vai estar sempre aberto para ela”, convida o irmão.

Será que a famosa dupla familiar voltará a atuar, desta vez em versão turbinada? Junior sente saudade dos grandes shows que fizeram. “No Maracanã e no Rock In Rio foram os momentos de maior emoção e adrenalina que senti em cima de um palco”, festeja, apesar de terem sido criticados na época do festival de rock, em 2001, por não serem uma atração do gênero. “E olha que estávamos em nossa fase mais pop. Amo o rock, mas tem que botar mesmo o som que a galera quer ver, e o Brasil é um país eclético, com muitas vertentes musicais”, decreta Junior.

Enquanto Sandy não dá uma canja com o Dexterz, a banda prepara seu disco de estreia: “Já começamos a produzir algumas faixas, mas por enquanto estamos mais focados nos shows”. LSM