quinta-feira, 11 de outubro de 2012

‘Canta Papel Marchê?’

Pioneiros do sertanejo universitário, João Bosco & Vinicius gravam DVD na sala de casa e contam as confusões pelas quais passam por serem homônimos de famosos artistas da música brasileira

Já imaginou que confusão causaria um artista novo que surgisse na cena com o nome de Caetano Veloso, Gilberto Gil ou Milton Nascimento? A bagunça, na verdade, já vem rolando, e a vítima é outro conhecido nome da música brasileira: João Bosco, autor de clássicos como ‘O Bêbado e a Equilibrista’ e célebre parceiro de Aldir Blanc.

“Nos sacaneiam muito”, conta seu homônimo, o João Bosco sertanejo, que faz dupla com Vinicius. “É comum pedirem para a gente cantar a música ‘Papel Marchê’, do outro João Bosco, que é um cara alto nível. Ser confundido com ele é uma honra”, diz a dupla acaba de lançar um novo DVD, ‘A Festa’.

O João Bosco mais antigo, no entanto, não festeja o fato de ter um homônimo no meio artístico: “Recebo e-mails de gente me confundindo, com reclamações sobre sacrifícios de animais em rodeios”, relata ele, que já passou até por saia justa, quando um repórter marcou entrevista achando que seria com o outro.

O novato João Bosco também experimenta situações inusitadas por conta de seu nome. Assim como Vinicius, que é alvo de piadas envolvendo Vinicius de Moraes. “Costumam perguntar se o Toquinho não vai aparecer”, diverte-se João Bosco.

O autor de ‘Aquarela’ nunca deu uma palinha em seus shows, mas o novo DVD está recheado de amigos e de sucessos. Em vez de um megaespetáculo diante de milhares de pessoas, a dupla quis variar e reuniu um punhado de chegados para uma festinha particular em uma casa.  “Cantamos descontraidamente no meio da sala, sem palco ou iluminação especial. A ideia foi resgatar o clima da época em que tocávamos nos bares e nas festas de amigos”, explica Vinicius.

Data desses tempos idos o surgimento do termo ‘sertanejo universitário’, cunhado para classificar justamente o som de João Bosco & Vinicius (leia mais ao lado). Na ocasião, paralelamente à música, eles cursavam Odontologia e Fisioterapia, respectivamente, na Uniderp, em Campo Grande, capital do Mato Grosso do Sul.  “Não existia essa classificação antes da gente, mas não fomos nós que inventamos isso, foi a mídia e os próprios universitários. A nossa mistura do sertanejo de raiz com a música pop mundial foi muito bem recebida por esse público. Falavam: ‘Vocês são sertanejos, mas o som de vocês não dá sono’. O rótulo ‘universitário’ tirou do sertanejo o estigma de ser uma música careta”, avalia Vinicius.

João Bosco atesta, inclusive, que atualmente a Campo Grande que os catapultou ao estrelato já roubou de Goiânia o título de capital da música sertaneja. “Se balançar uma árvore em Campo Grande, caem umas cinco duplas sertanejas”, brinca.


PRECURSORES DO SERTANEJO UNIVERSITÁRIO
Para o bem ou para o mal, foram João Bosco & Vinicius os precursores da febre do sertanejo universitário que tomou de assalto o País. Porém, enquanto milhares de jovens requebram ao som de sucessos de seu repertório, como ‘Chora, Me Liga’ (esta, a música mais executada nas rádios brasileiras no ano de seu lançamento, em 2009), outros tantos torcem o nariz para o que classificam como uma música de menor qualidade.

“Desde que surgimos no cenário, com nossa levada diferente, acelerando o andamento de músicas sertanejas antigas para torná-las mais dançantes, sofremos preconceito. Muita gente do público enlouqueceu, adorou, mas também teve muito protesto”, desabafa Vinicius.

A própria dupla também tem suas reclamações. “Quem critica a gente deveria se informar mais e constatar que nossa história como universitários é real. E que, mesmo assim, a gente nunca se rotulou desta forma, as pessoas é que nos identificaram assim. Por isso mesmo eu sou contra quem, só para fazer sucesso, diz que faz sertanejo universitário sem nunca sequer ter passado na porta de uma faculdade”, dispara o dentista formado João Bosco (Vinicius não chegou a completar o curso de Fisioterapia).

Depois que eles despontaram, muita gente em Campo Grande, e em outras partes do Brasil, começou a pegar carona nas portas que eles escancararam para o gênero. “Os olhos do mercado se voltaram para esse novo tipo de som assim que começamos a aparecer em programas de TV em rede nacional e logo que ganhamos um DVD de Platina. Virou grife dizer que é de Campo Grande”, atesta João Bosco. LSM

segunda-feira, 24 de setembro de 2012

Nasi: ‘O pó que os artistas passam hoje é na cara, não é no nariz’

O nome da banda que o vocalista Nasi ajudou a fundar não poderia ser mais apropriado. Cinco anos depois da turbulenta separação do Ira!, com direito a brigas, ele se mostra mesmo raivoso em ‘A Ira de Nasi’ (Editora Belas Letras, 317 pág., R$ 29,90), sua biografia assinada pelos jornalistas Mauro Beting e Alexandre Petillo. Nasi relata as pazes que fez com seu irmão e ex-empresário Airton Valadão, mas as melhores partes do livro são as histórias de sexo, drogas e rock and roll, em que o músico conta os seus podres. Aqui, ele fala do lançamento e anuncia novo disco solo.

Como surgiu a ideia de lançar este livro contando a sua biografia?
Em 2004, nós do Ira! começamos a preparar a nossa própria biografia junto do jornalista Alexandre Petillo. Com o fim da banda, em 2007, perdemos o interesse nesse projeto e o material de entrevistas e pesquisa acabou ficando arquivado. No ano passado, fui procurado pela editora Belas Letras com a ideia de retomar isso. Sugeri, então, fazer a minha biografia, que contaria também a história do Ira!, afinal, foi a banda que eu criei e a minha história e a do Ira! estão entrelaçadas. O Alexandre disse que só faltaria se aprofundar mais na minha carreira solo e esmiuçar a questão da separação do grupo. Eu chamei o Mauro Beting para ajudar, porque é um cara com quem eu já trabalhei e que curte muito rock and roll. Só quis que não fosse algo chapa-branca. Eu, como consumidor, quando compro a biografia de um artista, quero que quem escreveu vá abrir as vísceras do biografado.

No livro, você relata o relacionamento que teve com a então namorada do Edgard Scandurra. Se fosse a biografia do Ira!, inicialmente planejada quando o grupo ainda estava junto, esta história também seria contada da mesma forma?
Como a banda estava viva, eu não contaria isso. Deixar isso guardado era um código de honra entre nós. Mas essa história foi um dos motivos de a banda ter acabado. Em 2006, o Edgard mandou um e-mail raivoso para o meu irmão, que era o empresário do Ira!, falando que estava em crise criativa, que não conseguia mais fazer músicas porque não tinha superado essa história que aconteceu dez anos antes. Tivemos ali uma primeira ruptura, que não veio a público. Eu achava que isso tinha sido superado, que essa questão já estava debaixo do tapete. Naquele momento, eu pedi o boné. Foi logo depois do nosso ‘Acústico MTV’. Me convenceram a voltar, mas eu estava convencido a dar uma parada por tempo indeterminado.

Você sabe se os outros integrantes do Ira! leram este seu livro?
Soube que o Edgard deu uma declaração infantil, coisa típica dele. Disse que, se eu tinha transado com muitas mulheres, 80% disso era por causa das músicas dele. Eu morri de rir. Ele é um fanfarrão. Tenho certeza que no livro não tem nada de difamatório, nada que possa ser classificado como calúnia. E, quer saber? Pouco me importa a opinião deles. Até por curiosidade, acho que eles deveriam ter algum interesse nisso, afinal, é a história do Ira!. Mas meu contato com eles hoje é nenhum.

Já foram lançados diversos livros sobre o rock brasileiro dos anos 80, época em que o Ira! surgiu. Você acha que a história daquela década já foi bem contada?
Não li todos os livros, mas li a biografia do Lobão, e tem um paralelo entre o meu e o dele. Eu narro a cena paulistana da década de 80, e ele descreve a carioca. Mas, por melhor que tenha um bom trabalho jornalístico, será sempre a visão particular de quem escreveu. Os anos 80 foram uma época muito rica de contradições e polêmicas. Estávamos testando os limites do fim da censura e do uso de drogas. É um período de excessos, que teve os primeiros artistas a se declararem com HIV, as prisões dos Titãs e do Lobão, a homossexualidade do Renato Russo. Foi muito mais rico que esse mar de poodles que está hoje aí. Atualmente, a cena do rock está muito comportada. É tudo maquiagem. O pó que os artistas passam hoje é na cara, não é no nariz.

Você vai lançar um novo disco solo?
Vai sair no mês que vem e vai se chamar ‘Perigoso’. Serão dez faixas, entre inéditas e versões para ‘As Minas do Rei Salomão’, do Raul Seixas; ‘Dois Animais Na Selva Suja da Rua’, do Taiguara, que foi gravada pelo Erasmo Carlos; ‘Não Há Dinheiro Que Pague’, do Paulo César Barros, que fez sucesso com o Roberto Carlos; além de uma versão blues para a balada ‘Como é Que Eu Vou Poder Viver Tão Triste’, do cantor Paulo Sergio. A faixa título, ‘Perigoso’, eu fiz inspirado no Johnny Cash, um cara que foi e voltou do inferno várias vezes.

Por você, existe a possibilidade de, mesmo que daqui a muitos anos, o Ira! voltar, nem que seja para apenas um show?
Hoje, não sei se os outros três são tragáveis para mim. Não é algo que desejo nesse momento, mas, depois que o Maluf deu a mão para o Lula, nada é impossível. LSM

sábado, 8 de setembro de 2012

Prima roqueira de Regina Casé faz sucesso como cantora

Era para ela estar no elenco de ‘Avenida Brasil’, assim como aconteceu com seus amigos Bruno Gissoni e Ronny Kriwat, com quem dividia cenas em ‘Malhação’, onde atuou como a divertida personagem Lorelai em 2010 e 2011. Acontece que, na ocasião do convite para os testes da novela, no ano passado, Luiza Casé estava soltando a voz na Austrália com sua banda de rock, Os Gutembergs. Parece que o destino está mesmo levando a mais nova artista da família Casé (ela tem 23 anos e é prima de segundo grau de Regina Casé) a trocar os sets de filmagens pelos palcos.  “Adoro os dois universos: cantar e atuar. Mas, agora, estou mais na música”, admite.

Se por um lado ela se afastou da TV, sua voz continua lá. Luiza pode ser ouvida na trilha da novela ‘Gabriela’, com a canção ‘Morena’, autoria de Mu Chebabi, diretor musical do ‘Casseta & Planeta’ que também participa da faixa. No cinema, no sucesso de bilheteria ‘E Aí, Comeu?’, lá está a voz de Luiza de novo, cantando ‘Vidro Fumê’, também com Mu Chebabi. “Quando soube que estavam pedindo músicas para ‘Gabriela’, mal acreditei, porque a trilha original é a mais incrível de todos os tempos. Morri de emoção quando vi o CD da nova versão da novela, e lá está o meu nome, entre Djavan, João Bosco, Elba Ramalho...”, comemora.

A surpresa é quando se percebe que o gosto de Luiza passa longe das canções tradicionais de MPB apresentadas na trilha: ela é apaixonada por rock e blues. O que difere também da imagem de sua prima mais famosa, apresentadora do programa ‘Esquenta’, mais ligada ao funk e ao samba. “A Regina é muito culta, gosta de todo tipo de música, não tem restrições a nenhum estilo”, defende. “Eu gosto de Led Zeppelin, Eric Clapton, Buddy Guy. Acho que existem cada vez mais pessoas da minha geração ligadas nesses sons. Eu mesma queria ter nascido na época do Woodstock”, suspira a cantora e atriz.

No próximo dia 18, ela interpreta um repertório repleto de músicas de seus ídolos, acompanhada por veteranos do blues carioca no bar Lapa Café. O guitarrista do Blues Etílicos, Otávio Rocha, é dos mais entusiastas de sua carreira. “Participei de um show com ele no Circo Voador mês passado e foi incrível. O Otávio quer produzir um disco solo meu, cantando músicas inéditas e clássicos”, antecipa.

NASCIDA PARA SER SELVAGEM
A vocação para as artes começou desde cedo, em casa mesmo. Luiza é filha do produtor de cinema Augusto Casé (‘Cilada.com’, ‘Muita Calma Nessa Hora’, ‘Ó Paí, Ó’, ‘E Aí, Comeu?’) e da coreógrafa Andrea Maciel. “Eles me enfiavam nos palcos desde pequena”, lembra ela.

Como boa roqueira, Luiza cultiva seu lado rebelde e selvagem. “Adoro transgredir. Quando tinha 16 anos, a diversão era entrar nas boates me passando por maior de idade. Estudei no tradicional Colégio Santo Inácio, em Botafogo, e fui suspensa 14 vezes”, orgulha-se ela, que atualmente cursa Direito na PUC. Até o momento, registre-se, sem nenhuma advertência. LSM (foto Maíra Coelho)

quarta-feira, 5 de setembro de 2012

Alanis morre sete...

Um gaiato disparou certa vez a infame frase: “Todo mundo só morre uma vez, mas a Alanis morre sete...”. A brincadeira, que repercutiu da Internet às mesas de bar, encontra na cantora canadense um fundo de verdade. “Nos meus momentos espirituais, costuma me ocorrer esse pensamento: tenho um grande medo de morrer”, assume Alanis Morissette.

A verdade é que, com 17 anos de carreira, disco novo na bagagem, ‘Havoc And Bright Lights’, Alanis já está imortalizada na história da música pop mundial. Ela, no entanto, não se conforma com isso, e conta que a morte é um assunto recorrente em sua mente. “Penso muito nisso. Não sou uma pessoa religiosa, mas adoro as religiões, passeio por várias, e tiro de cada uma algo de bom para mim”, revela.


Vale recordar que Alanis já foi Deus no cinema. Ela assumiu o papel do Todo-Poderoso no filme ‘Dogma’, em 1999, e, em certa ocasião, ela mesma definiu seus shows como “uma experiência religiosa com o público”. “Quando estou no palco e recebo o reconhecimento das pessoas, é algo muito especial. São os momentos em que esse meu lado espiritual me faz pensar: ‘O que vale na vida é isso’. É algo até telepático que sinto com a plateia”, classifica.

Ela está vivendo, de fato, um momento muito especial, mas desta vez não se trata de comunhão com os fãs. Alanis é mãe recente de Ever, 8 meses, e compara a maternidade com sua profissão. “Esse meu novo disco, eu gravava e, nos intervalos no estúdio, eu amamentava. São duas paixões enormes que tenho na vida”, derrete-se.


PAIXÃO BRASILEIRA
Alanis Morissette já é figurinha fácil no Brasil. Vá lá, nem tanto quanto Billy Paul e Dionne Warwick, que, ano sim, outro também, estão sempre batendo ponto em palcos por aqui. Mas, desde 1996, Alanis já esteve seis vezes no País. Se apresentou no ‘Domingão do Faustão’, em ‘Malhação’ e na novela ‘Celebridade’. “Tenho lindas memórias dessas minhas passagens pelo Brasil. É um público apaixonante”, elogia.

Mas isso a gente já sabe, não é? Aliás, dez entre dez artistas internacionais que vêm por aqui dão essa mesma declaração. Além do público, há algum nome da nossa música que faça a sua cabeça, Alanis? “Eu já morei com cinco brasileiras, e todas me davam vários discos de cantores e bandas do Brasil, que ouvi muito durante um período da minha vida. É uma música maravilhosa, sem dúvida, mas, confesso, não lembro de nenhum nome para te citar agora”, lamenta ela, emendando rapidamente. “Ah, mas tem mais uma coisa que eu admiro muito nos brasileiros: o senso de humor. Inclusive, é bem parecido com o humor canadense”, compara.

O Brasil está mesmo em sua mira. Nos últimos dias, sua página no Facebook estava repleta de postagens em português. Seu novo álbum chegou à primeira posição na iTunes Store do Brasil e segue firme entre os mais baixados. A turnê anterior no País, em 2009, passou por 11 cidades e, nesta volta, ela passa por sete capitais. “A cada apresentação eu gosto de mudar o roteiro. Tem músicas que quero cantar e que nem estão ainda bem ensaiadas. Eu defino o que vai para o palco assim: sento no chão com os outros integrantes da banda e a gente coloca todos os discos no chão e cada um vai escolhendo uma que gostaria de tocar. Os mais novos no grupo preferem as canções mais recentes, e os outros mais velhos acabam votando nas mais antigas, como as do meu disco ‘Jagged Little Pill’. Por isso que cada show pode ter um repertório exclusivo”, detalha. LSM

quinta-feira, 16 de agosto de 2012

Das churrascarias à parceria com Norah Jones

Maria Gadú rebate críticas de Lobão e anuncia namoro musical com a norte-americana

No mais recente disco de Maria Gadú, ‘Mais Uma Página’, estão lá duas canções em inglês, ‘Like A Rose’ e ‘Long Long Time’, parcerias com o músico norte-americano Jesse Harris. O contato com o gringo, porém, rendeu muitas outras canções em inglês e uma ponte para um futuro CD junto de Norah Jones — Harris é vencedor do Grammy pela canção ‘Don’t Know Why’, conhecida na voz da cantora e pianista norte-americana.

“Existe um saco de canções inéditas em inglês minhas com o Jesse Harris, que fazemos sempre que vou à casa dele em Nova York. Isso pode virar um disco. Através dele, conheci a Norah Jones, que é uma pessoa supersimples, uma querida. Estamos os três trocando e-mails direto, ela nos Estados Unidos, ele no Japão e eu aqui no Brasil, combinando uma nova ida a Nova York para um reencontro. Tomara que role mesmo de produzirmos algo juntos. Quando tocamos, meu violão com a guitarra do Jesse e o piano dela, ficou uma fusão muito legal. Seria bom misturar essas identidades em um disco”, torce Maria Gadú.

Jesse Harris e Maria Gadú: foi ele quem a apresentou a Norah Jones

Seu namoro com a língua inglesa segue firme. Recentemente, ela foi aos Estados Unidos e gravou participação no clássico ‘Blue Velvet’ para o próximo disco do veterano Tony Bennett, ‘Viva Duets’, lançamento que vai contar ainda com Roberto Carlos e Ana Carolina.

“Na minha carreira, tenho recebido convites assustadores, como o de gravar com o Caetano Veloso. O Tony foi mais um. Fiquei emocionada em conhecê-lo e presenciar o imenso carinho que ele tem com seu filho e produtor, Danny, que foi quem mostrou minhas músicas para ele”, conta.

Entre tantas experiências internacionais, nem parece que até outro dia Maria Gadú ainda era uma cantora de churrascaria. Ela, inclusive, faz graça com as críticas do polêmico Lobão, que assim a classificou, pejorativamente, na mais recente rajada de sua metralhadora giratória. “Ele falou uma verdade: cantei muito em churrascarias, assim como em pizzarias, em barzinhos... Eu gosto do Lobão, sou fã dele. A gente até já cantou juntos ‘Hey Jude’, dos Beatles, em um evento da MTV. Eu não grilo com o que ele fala, ele é assim mesmo, todo mundo sabe. Quem sofrer com as críticas dele que dê um tiro no pé. E viva os cantores de churrascaria!”, diverte-se. LSM

terça-feira, 14 de agosto de 2012

Iron Maiden em quadrinhos

Banda de heavy metal aprova gibi brasileiro sobre um de seus discos

Quando era gurizinho, o ilustrador paulistano Hamilton Tadeu, 41 anos, se divertia desenhando com giz, na calçada, os músicos do grupo norte-americano de rock Kiss. Com o tempo, suas duas paixões, histórias em quadrinhos e heavy metal, nunca mais deixaram de andar juntas. O auge desta devoção aconteceu quando recebeu um e-mail do pessoal da banda inglesa Iron Maiden se derretendo em elogios por seu gibi ‘Seventh Son Of A Seventh Son’. A publicação leva para os quadrinhos a história narrada nas letras do clássico disco do grupo, de 1988, sobre o nascimento do sétimo filho de um sétimo filho, que teria poderes sobrenaturais.

“No ano passado, eles tocaram em São Paulo. Fui ao hotel Hilton e consegui achar o empresário deles. Me apresentei e entreguei uma versão da revista em inglês. Queria a permissão para publicar. Ele fez cara de bravo e foi saindo, aí eu puxei ele e insisti que mostrasse para os músicos. Meses depois, recebi o e-mail da assessoria dizendo que todos leram e adoraram”, festeja Hamilton, ainda incrédulo. “Ano que vem o Iron volta a tocar na América do Sul, e para a ocasião pretendo fazer um gibi com adaptação das letras dos discos ‘Killers’ e ‘Iron Maiden’, os primeiros deles”.

A revistinha, que acaba de ganhar a versão também em inglês, custa só R$ 5, e pode ser encomendada pelo e-mail nflzine@hotmail.com. Hamilton editou, fez o roteiro, e delegou os desenhos ao também ilustrador Fred Macêdo. A revista traz, em suas 52 páginas, a adaptação de todo o disco, rascunhos dos desenhos e as letras das oito músicas do álbum, com as respectivas traduções. Um trabalho dedicado.

“Nos dois últimos dias cuidando do gibi, fiquei 22 horas na frente do computador. Minha pele até ficou esverdeada”, detalha.

Hamilton também vende a revista nas portas dos shows de metal, oferecendo para os leitores em potencial — qualquer um que esteja de camiseta preta ou visual de roqueiro. “Fui para Curitiba e Brasília vender nos shows dos grupos Helloween e Stratovarius. Tinha que vender 42 revistas para pagar a passagem, e consegui vender mais de 120 exemplares”, conta. “Estou pensando agora em fazer uma versão da revista em espanhol, para os fãs da América Latina”.

Hamilton anuncia ainda que vai lançar sua própria editora, a NFL, sigla para Nice Freak Life (doce vida maluca). “Já tenho autorização para lançar a biografia do saudoso vocalista Dio”, antecipa.


Apaixonado por quadrinhos, Hamilton acabou deixando um exemplar do gibi do Maiden com Mauricio de Sousa, na atual Bienal do Livro de São Paulo. “Ele até fez o chifrinho com as mãos, mas não acho que ele curta rock. Mas o Rolo e a Tina, personagens dele, gostam!”, garante. LSM

sexta-feira, 3 de agosto de 2012

Uma tremenda homenagem

Erasmo Carlos abre a porta de sua casa, na Barra da Tijuca, para o cineasta Neville d’Almeida e a jornalista Scarlet Moon, que traz a tiracolo seu namorado, um jovem guitarrista, um tal de Luiz Maurício Pragana dos Santos. Na reunião, no fim dos anos 70, acertam que o Tremendão fará a música-tema do próximo filme do diretor, ‘Os Sete Gatinhos’. Ao músico novato, é destinada a trilha-sonora incidental.

“A partir dali, o Erasmo se torna meu padrinho artístico”, recorda Luiz Maurício, mais conhecido como Lulu Santos, que celebra o auge desta amizade no show que preparou só com versões para os clássicos da dupla Erasmo e Roberto Carlos.

Em emocionante e histórico reencontro no mesmo jardim da casa do Tremendão, 33 anos depois daquela emblemática ocasião, os dois artistas bebem café, tocam guitarra e se derretem em elogios um ao outro. E senta porque, sob seus cabelos brancos, esses caras têm histórias para contar.

“Estou que nem maluco por causa desse show, cantando sozinho no avião, decorando um monte de músicas, porque faço questão de não colar nenhuma letra”, avisa Lulu. “Quando me convidaram para este projeto de covers, sugeriram que eu cantasse Beatles. Recusei, e disse que, para fazer um show como o que faço com meus sucessos, onde o público canta tudo do início ao fim, preferia fazer com a obra de um artista brasileiro, e aí tinha que ser Roberto e Erasmo”, detalha Lulu, que enfileira no espetáculo ‘Sou Uma Criança, Não Entendo Nada’, ‘Minha Fama de Mau’, ‘Festa de Arromba’ e por aí vai...

Ideia aceita pela produção, ele, entusiasmado, chegou até mesmo a adiar o lançamento de um novíssimo CD de inéditas e um box retrospectivo de sua carreira para se dedicar à homenagem. “Vi um potencial muito grande neste show. O Erasmo é o cara que melhor representa a possibilidade de se fazer rock no Brasil”, define Lulu. “É um artista que, passam-se os anos, continua relevante, coisa cada vez mais rara por aí. A música brasileira já foi reconhecida internacionalmente por sua qualidade. Hoje, virou só uma dancinha com um refrão de duplo sentido”.

Erasmo Carlos fala menos que o verborrágico Lulu, mas não limita elogios para devolver o carinho: “Estou doido para ver essas releituras no palco, Bicho. O Lulu tem essa inquietude que sempre nos faz ficar curiosos sobre que caminho musical ele vai sugerir”, observa o veterano.

No encontro na casa do Erasmo, porém, é Lulu quem acena que vai seguir os passos do ídolo. “Me pedem muito para que escreva minha biografia, como o Erasmo já fez. Já comecei, vamos ver se consigo terminar”, anuncia. “Mas não esperem nada sobre os anos 80. Nunca tive essa década como principal na minha trajetória. Meu encontro com a música vem desde antes”, ressalta.

De fato, ainda nos anos 70 Lulu se excedia em arranjos pirotécnicos no grupo Vímana. Mas isso foi antes do tal primeiro contato com Erasmo Carlos. Ainda hoje, os dois se reencontram e conversam sobre discos e outras paixões como duas crianças. Mas que entendem tudo.


NOVO CD
Era para já ter sido lançado, mas Lulu Santos resolveu dar um tempo para se dedicar ao projeto sobre Erasmo e Roberto e o novo disco de inéditas ficou para depois. Mas sai esse ano, garante ele, e em grande estilo. “Junto do novo lançamento virá uma caixa de quatro CDs, a minha primeira caixa, dessas retrospectivas, que reúnem parte da obra do artista. Vou lançar pela Sony, e quero que cada disco traga um tema: ‘Pista’, ‘Guitarra’, ‘Samba’ e ‘Acústicos’. O álbum de inéditas vai ter muita guitarra, mas não vai ser um disco estritamente de rock. E vai se chamar ‘Luiz Maurício’, isto é, meu próprio nome. Foi assim que surgi na carreira artística, quando, em 1980, lancei o compacto com a música ‘Melô do Amor’”, detalha Lulu Santos.

O atraso no lançamento não incomodou o artista. Muito pelo contrário, ele até comemora o acontecido, e explica o porquê: “Eu já gravei esse novo CD há um ano e meio, e esse é justamente o tempo suficiente para eu reavaliar o resultado com um bom distanciamento. Por exemplo: eu sempre odeio os meus discos quando os escuto um ano e meio depois. Essas novas gravações, não oucço há uns seis meses, e daí que agora vou reavaliar e ver o que ainda posso fazer para que fique o mais perfeito possível”.

Já Erasmo Carlos, depois dos discos ‘Sexo’ e ‘Rock ‘N’ Roll’, não planeja lançar um novo CD — seria o ‘Drogas’? — este ano. Mas, quem sabe ele dispara material novo com uma pequena ajudinha do amigo Lulu Santos? “Ele acaba de me prometer um riff de guitarra para eu colocar melodia e letra em cima”, comemora Erasmo.

Lulu garante que a parceria vai sair. “Prometi, não! Eu até já tenho esse riff pronto, vou mandar para você hoje!”, decreta ele. LSM (fotos João Laet)