segunda-feira, 10 de março de 2014

Livro promove viagem aos tempos da beatlemania

Um novo olhar sobre a beatlemania. É o que pretende o escritor e músico inglês Terry Burrows, autor de ‘The Beatles — História, Discografia, Fotos e Documentos’ (ed. Publifolha, 132 págs., R$ 129,90). A publicação é um livrão de capa dura com a história do grupo e encartado com dezenas de reproduções fiéis de cartazes, ingressos, anúncios publicitários e repertórios anotados à mão pelos próprios músicos, entre outros itens para deixar qualquer colecionador louco.

“O ‘Daily Mail’, um dos maiores jornais da Inglaterra, o classificou como o melhor livro ilustrado do ano. Claro que os suvenires adicionaram um charme extra à história que eu conto. Acredito que, por ser músico profissional e compositor há 20 anos, trouxe uma perspectiva diferente à música dos Beatles”, ressalta Burrows.

Ele passa a limpo os fatos marcantes da trajetória do Quarteto de Liverpool e também faz uma análise pessoal sobre como suas canções mudaram o comportamento da sociedade e a indústria do pop mundial. “Não classificaria o Paul McCartney o beatle mais talentoso, mas certamente ele foi o mais entusiasmado, então acho que, mesmo se os Beatles nunca tivessem existido como grupo, ele ainda assim seria muito bem-sucedido na música. John Lennon, por outro lado, suspeito que ficaria cansado de esperar o sucesso e teria seguido outra vertente artística. Quem sabe?”, arrisca o autor.

O lançamento chega ao Brasil com dois anos de atraso. O título original em inglês é ‘It Was 50 Years Ago Today’ (‘Foi Há 50 Anos’), se referindo às cinco décadas do lançamento da estreia em disco dos Beatles, com o compacto ‘Love Me Do’, em 1962. Nada que diminua o interesse dos beatlemaníacos daqui. Além do texto e das reproduções (como um panfleto de show no lendário Cavern Club de Liverpool ou uma entrada para a estreia do filme ‘Help!’ no cinema, tesouros que já seriam suficientes para fazer fãs se descabelarem da mesma forma que as mocinhas da foto abaixo), o livro reúne centenas de fotos da banda.


“É incrível que, ainda hoje, até os mais especializados nos Beatles continuem a se surpreender com fotos inéditas deles. Nos anos 60, todo jornal tinha sua equipe de fotógrafos, que tiraram fotos de praticamente tudo que os Beatles faziam. Por isso que ainda existe muito material enterrado nos arquivos dos jornais ao redor do mundo”, explica. “Eu sugeri os itens de colecionador para acompanhar o livro que melhor traduziriam o texto em passagens específicas da vida deles. Como eu mesmo sou um tremendo fã, já tinha certeza de que seria muito excitante para os leitores ter contato com todo esse material histórico.”


Terry Burrows classifica seu lançamento como o “mais luxuoso material impresso já feito sobre os Beatles”, mas também elege os seus livros prediletos no assunto. “Ainda acho que ‘Shout! The Beatles in Their Generation’, de Philip Norman, é o melhor (a publicação é considerada, de maneira quase unânime, como a ‘definitiva’ biografia deles). E o ‘Anthology’, escrito pelos próprios Beatles, que traz perspectivas interessantes, se você ignorar os interesses pessoais que havia ali como pano de fundo”, ressalta. LSM

terça-feira, 4 de março de 2014

Ícone dos anos 60, Donovan acompanha David Lynch quase despercebido

Esta matéria foi publicada originalmente no Jornal do Brasil em 10/08/2008. 

"Eu, particularmente, acho Donovan muito mais interessante que David Lynch", diz um fã do músico escocês, carregando um saco com discos de vinil e outras relíquias para tentar um autógrafo.

A primeira apresentação de Donovan no Rio, em sua primeira vez no Brasil, foi um pocket-show no final da palestra que o cineasta David Lynch deu no auditório da Universidade Estácio de Sá, na Barra da Tijuca.

"Será um show bem pequeno, mas sobre uma grande coisa: a meditação", declara o cantor e compositor, antes de presentear o público com algumas pérolas de seu repertório, como 'Catch The Wind', 'Hurdy Gurdy Man' e 'Mellow Yellow'. "Já havia pensado em vir ao Brasil diversas vezes, mas nunca as circunstâncias ajudaram. Agora finalmente tudo deu certo".

Donovan Leitch é um artista único, ícone do movimento hippie da década de 60, amigo dos Beatles, apontado como a resposta britânica a Bob Dylan devido a seu estilo folk e por também se apresentar apenas com seu violão e gaita, autor de cativantes e memoráveis canções e um dos artistas que mais teve revivals na carreira. Ele está acompanhando David Lynch na turnê de lançamento do livro que o diretor escreveu sobre meditação transcendental, a técnica mental para combater o stress fundada pelo guru Maharish Mahesh Yogi e da qual ambos os artistas são adeptos. O evento na universidade reúne muitas pessoas interessadas de fato no desenvolvimento do repouso espiritual, outras querendo desvendar algo mais sobre quem matou Laura Palmer, e ainda uma parcela considerável de fãs do músico. A curiosa presença do recluso artista dos anos 60 despertou a atenção de antenados, como a cantora Mariana Aydar, o músico e produtor Kassin e o DJ Maurício Valadares.

Donovan anuncia o lançamento do DVD duplo 'Sunshine Superman The Journey Of Donovan'. "Será um documentário de três horas sobre minha vida e música, com mais duas horas de bônus, com muito material raro e depoimentos e lembranças de amigos, como George Harrison, Bob Dylan, Joan Baez, Jimmy Page, e o próprio David Lynch, além de incluir também seis novas músicas".

Fiel aos valores de paz e amor, ele vê na internet uma nova e eficaz forma de transmitir a mensagem da meditação em busca de um mundo melhor. "Vejo hoje os comerciais na televisão como as novas rádios. Tem seis músicas minhas em trilhas de propagandas. Aí a pessoa ouve todo dia o refrão de 'Mellow Yellow', vai lá no Google e digita essas duas palavrinhas do título e encontra os meus 27 álbuns. Aí vai lá e tem contato com minhas músicas, que falam sobre paz, ecologia, espiritualidade e meditação. Então a internet é o sonho dos anos 60 realizado, de transmisão instantânea da mensagem da paz", celebra. "É um ciclo que começa com o comercial na TV e chega na meditação. Hoje é assim: você tem uma ideia, e a ideia chega para todas as pessoas no mundo na mesma hora".

Na turnê mundial - inclusive nesta passagem pelo Brasil -, David Lynch e Donovan têm se encontrado com políticos para sugerir a implementação da meditação transcendental nas escolas. "As pessoas falam que isso é um sonho, mas é realidade. Vejo um futuro em que todos vão meditar. Não é religião, é só uma técnica para reduzir o stress na sua vida. Quando não há stress, não há guerra", explica.

O envolvimento de Donovan com a meditação transcendental aconteceu em fevereiro de 1968, quando ele, mais os quatro Beatles, além do também músico Mike Love (Beach Boys), da atriz Mia Farrow, e mais um grupo de cerca de 50 pessoas foram à Índia com o Maharish. Os cabeludos de Liverpool voltaram depois de cerca de dois meses. Ringo Starr não se adaptou à alimentação e Paul McCartney não se interessou o suficiente. John Lennon e George Harrison ficaram um pouco mais, mas voltaram depois de suspeitas sobre o envolvimento íntimo do guru com uma das alunas do curso. Donovan, pelo visto, desde então não se desligou mais dos ensinamentos do Maharish.


"Será realizado um show em Toronto celebrando os 40 anos dessa ida à Índia, que foi um marco para a popularização da mensagem da meditação transcendental para o ocidente. Vou tocar, além de minhas canções, outras que ajudei os Beatles a fazer, como 'Dear Prudence' e 'Mother Nature's Son', que ensinei os dedilhados a John e Paul, respectivamente", conta.

Ele ainda dá dicas do que de mais interessante tem escutado ultimamente: "Dois grupos: Future Sound Of London, muitas vezes chamado apenas de F.S.O.L., que faz um som eletrônico dançante e muito psicodélico. Outro grupo que gosto e escuto muito é o Starsailor. É só procurar lá no YouTube e ouvir", sugere, e pede para deixar o endereço de seu site (www.donovan.ie), para as pessoas visitarem e conhecerem mais sobre sua música, e também sobre meditação transcendental, é claro.LSM (Fotos Donovan, por Ana Paula Amorim)

segunda-feira, 3 de março de 2014

Sassaricando na Saara

É no popular mercado carioca que a cantora e estrela de musicais Beatriz Rabello, filha de Paulinho da Viola, se prepara para desfilar na Portela e anuncia seu primeiro CD

Semana sim, outra também, Paulinho da Viola liga para a filha Bia, para juntos irem bater perna na Saara (a Sociedade de Amigos das Adjacências da Rua da Alfândega, no Centro). “Ele me ensinou a gostar daqui, esses passeios são uma coisa muito nossa”, conta Beatriz Rabello, enquanto fuxica umas saias supercoloridas em uma lojinha no grande centro comercial a céu aberto. “Meu pai vem atrás de parafusos, coisas de marcenaria em geral, bateria de relógio... Ele coleciona um monte de coisas, adora isso. Eu gosto de fazer as bijuterias que uso, então aqui tem muita opção. Além de roupas para palco e, claro, coisas para fantasias de Carnaval.”


Na madrugada de amanhã, Bia entra na Marquês de Sapucaí com a Portela, escola do coração também de Paulinho. Mas a cabeça não sai de ‘Samba, Amor e Carnaval’, o primeiro CD que ela, que é cantora e integra a banda do pai, finaliza em estúdio para lançar este ano. Conforme o próprio título sugere, todos os sambas que Beatriz Rabello escolheu falam de amor e Carnaval.

Paulinho dá força, inclusive gravou no disco a música ‘Só o Tempo’, de sua autoria, em dueto com a filha. Mas também está preocupado, e dá puxão de orelha: “Você está trabalhando muito! Faz teatro, faz não sei quantos bailes de Carnaval, pula Carnaval na rua e ainda vai desfilar na Portela! Claro que ia acabar caindo de cama!”, adverte o paizão, sobre o febrão de 39 graus que ela teve nos últimos dias.

Bia é mesmo espoleta pura. Formada em Jornalismo, enquanto não estreia em disco, pode ser vista nos palcos no badalado musical ‘Sassaricando’, em cartaz no Theatro Net Rio, em Copacabana. Entre uma sessão e outra, encontra João Callado, produtor de seu disco. Um cara que, atesta Beatriz, dá corda para suas estripulias: “Entre inéditas e regravações, escolhi interpretar ‘Enredo do Meu Samba’, de Dona Ivone Lara e Jorge Aragão, que um produtor mais purista, daqueles defensores do samba de raiz, poderia torcer o nariz por ser mais do universo do pagode. Eu não tô nem aí... aliás, detesto esse termo ‘samba de raiz’!”, decreta.

Determinada, além dos palcos, a intrépida Bia quer bater um bolão (com o perdão do trocadilho) também nos campos. Vascaína que nem o pai (“Lá em casa, torcer pela Portela e pelo Vasco não é opção”, diverte-se ela), matriculou-se em aulas de futebol. “Me machuquei no primeiro dia!”, resigna-se, aos risos. “Mas depois do Carnaval volto a praticar! Nem sou entendida em futebol, mas sou doida para jogar. Acho que é algum trauma de infância, porque tive asma e sempre era dispensada das aulas de Educação Física.”

Aos interessados, a bela está solteira, e dá a dica: também adora dançar forró na Feira de São Cristóvão e curtir uma roda de samba no Beco do Rato ou no Trapiche Gamboa. “E amo as feijoadas na Portela!”, completa. “Nossa escola está com um samba lindo, estamos chegando para ganhar!”, promete, já com o coração apressado para entrar na Avenida. LSM (foto: Maíra Coelho) 

sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

Som na rua

Já faz um tempo, músicos, produtores e o próprio público vêm reclamando que o circuito de espaços para shows no Rio está diminuindo em ritmo acelerado. “Percebemos que estávamos tocando cada vez menos aqui. E sempre nos mesmos lugares, para as mesmas pessoas e ganhando pouco”, desabafa Bernar Gomma, guitarrista do grupo Beach Combers, um dos muitos que, na intenção de sanar tal problema, está partindo para as praças e calçadas da cidade. “Quando nos apresentamos na rua, conseguimos alcançar um público novo, com a vantagem de não depender de ninguém, só de nós mesmos. Chegamos no local definido, montamos o som e atacamos, simples assim”.

Beach Combers na Cinelândia 

Com as caixas dos instrumentos na frente aberta a contribuições dos passantes, nomes como Astro Venga, Tree e Dominga Petrona, além do Beach Combers, podem surgir a qualquer momento em locais como Aterro do Flamengo, Praça São Salvador, Praça General Osório, Posto 9 (da Praia de Ipanema), Praça Saens Peña, Cinelândia, Largo do Machado, Praça 15, Parque dos Patins, Rua do Lavradio, Largo da Carioca e até em cima da Pedra do Arpoador.

Astro Venga, no Largo da Carioca

“Para a alimentação dos amplificadores, usamos uma bateria comum de automóvel ligada a um inversor. Não divulgamos as apresentações de rua com antecedência pois tudo pode acontecer antes de chegarmos ao local e definitivamente montarmos o equipamento”, explica Mindu, baixista do Tree.

Por “tudo pode acontecer”, entenda-se uma chuva inesperada ou sofrerem algum tipo de repreensão (leia mais no texto ao lado). Mais que o dinheiro (“Tem dias em que se tira uma quantia razoável e outros em que só se ganha para pagar o transporte”, contabiliza Mindu), são as histórias divertidas que fazem valer a aventura. “Um cara chegou no meio do show pedindo para usar o microfone e chamar o filho dele, que havia se perdido. Como nosso som é só instrumental, não temos microfone, então encaminhamos o rapaz até a Secretaria de Postura. No final, o cara voltou e me abraçou, dizendo que iria nos dar mil reais, e fez”, comemora Guzz The Fuzz, baixista do Beach Combers.

Um dos primeiros grupos a se aventurar pelas ruas cariocas, o Dominga Petrona já fazia tais apresentações em Buenos Aires, na Argentina, onde a banda foi formada. E desde lá reúne casos pitorescos registrados nessas intervenções urbanas.

“A gente tocou perto de um escritório que pertencia ao Ministério da Cidade. Era meio-dia e, após a primeira canção, um senhor muito bem vestido e muito educado nos pediu para parar, porque estava atrapalhando uma reunião. Respondemos: ‘Por favor, deixe a reunião para outro dia e venha ouvir a banda’. O senhor entrou no prédio e, depois da segunda música, voltou, perguntando quantos discos a gente tinha para vender. Ele comprou 30 discos, mas perguntou: ‘Agora vocês param de tocar?’ Paramos, afinal, nunca mais vai acontecer de tocar só duas músicas e vender 30 discos!”, diverte-se o baixista Cristian Kiffer.

Dominga Petrona

No Posto 9, dois meninos de 10 anos emocionam tanto a plateia quanto os próprios músicos do Tree, quando se apresentam por lá.

“Eles sempre vêm tocar bateria nos intervalos do show e chamam a atenção de quem circula pelo local. É muito gratificante para nós, sobretudo porque um deles tem origem humilde e testemunhamos ali uma oportunidade de despertar um novo talento nessa criança”, comove-se Mindu.

Tree, no Posto 9

Na Praça São Salvador, os ambulantes fizeram uma vaquinha para presentear o Beach Combers. “E disseram pra voltarmos lá toda semana!”, festeja Bernar. “Volta e meia recebemos também bilhetes com diversos elogios e até com propostas indiscretas”, revela.

Secretaria de Ordem Pública diz que houve erro de agente 
De acordo com a lei municipal número 5.429, que dispõe sobre a apresentação de artistas de rua nos logradouros públicos do município do Rio de Janeiro, são permitidas as manifestações culturais de artistas em espaços públicos abertos, mas é preciso respeitar requisitos tais como volume, horários e não atrapalhar a circulação de pedestres.

No entanto, nas últimas semanas, Dominga Petrona e Tree reclamaram de repressão do poder público durante suas apresentações, no Largo do Machado e em Botafogo. Procurada pelo DIA , a Secretaria Municipal de Ordem Pública (SEOP) respondeu, através de sua assessoria de imprensa, que “houve um erro dos agentes, que já foram advertidos. Os artistas podem mostrar sua arte e até comercializar seus CDs, DVDs ou livros, a única coisa vedada a eles é cobrar ingresso”. LSM

terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

‘Beijo gay na TV aberta já devia ter acontecido há muito tempo’

Vencedora do almejado prêmio Emmy — o chamado ‘Oscar da televisão’ — por sua carismática Dona Picucha do especial de fim de ano da Globo ‘Doce de Mãe’, que virou série exibida toda quinta-feira na emissora, Fernanda Montenegro fala aqui sobre a personagem e a premiação, além de passear por assuntos tão diversos quanto beijo gay, ‘Big Brother’, Copa do Mundo e a saudade do eterno parceiro, o ator e diretor Fernando Torres.

Agora é Emmy para lá, Emmy para cá... só se fala do Emmy, né? Parece até que seu sobrenome virou Fernanda ‘Emmy’ Montenegro... 
É, a vida é assim: perde-se um prêmio, mas aí depois ganha-se outro.

Você chegou a declarar, com a humildade que lhe é característica, que ganhar um Emmy ‘não muda nada’... é assim mesmo? 
Olha, claro que receber um prêmio dessa importância é algo a ser considerado por mim, sim. Entre todos os troféus que já ganhei, este é um dos mais importantes. Dá mais vontade de viver e, na medida do possível, alivia a vida, que ainda está boa.

Quando você diz “que ainda está boa”, soa algo pessimista... afinal, não podemos imaginar que a vida seja boa até o fim? 
Ah, claro. Eu realmente espero que a alquimia da vida me dê esta chance, de sentir que está bom para sempre!

O que tem da Fernanda Montenegro na personagem Picucha, essa senhorinha prafrentex? 
Se eu sou prafrentex ou ‘pratrazex’, quem convive comigo é melhor do que eu para avaliar... Mas, falando sério, acho que, de alguma maneira, sempre tem algo meu nas personagens que faço.

Para gravar ‘Doce de Mãe’, você tem ido diariamente ao Projac, em Jacarepaguá... É difícil essa rotina, de sair de Ipanema, com o trânsito que está na cidade atualmente? 
Só mesmo quem frequenta o Projac sabe o que significa esse deslocamento diário. E eu começo a gravar às 11h da manhã e só saio às 21h30 da noite, exausta.

Quando falamos em trânsito ruim, logo vem à mente o bordão ‘imagina na Copa?’ Você pretende ir a algum jogo? Já comprou seu ingresso? 
Não mesmo! Pretendo é viajar, porque as gravações acabam em março!

Notei que você, apesar de viúva, ainda usa aliança... 
Ah, mas essa aliança aqui é da personagem, a Picucha. Aprendi com a experiência que não adianta ficar usando joia quando você está atuando muito, porque tem que ficar tirando toda hora. Mas, ‘à paisana’, eu ainda uso aliança, sim, mas é só quando vou a algum evento fora do trabalho, o que é raro.

Você, que foi muito amada e amou muito, sente falta de um parceiro? 
Não, porque tenho meu parceiro ainda comigo, e vou ter para sempre. Construímos uma vida, em 60 anos juntos. Ele existe para mim em todos os momentos.

Já foi ventilada a informação de que você viverá uma homossexual na terceira idade, formando um par com a Nathalia Timberg... 
É, recebi o convite do (autor) Gilberto Braga para esse papel, mas nem tenho muito a acrescentar por enquanto, porque seria ainda para o ano que vem...

Mas qual é a sua opinião sobre o beijo gay na TV aberta? 
Nunca entendi essa demora. Já devia ter acontecido há muito tempo. No teatro, se beija muito na boca, mesmo pessoas do mesmo sexo. É um ato carinhoso, assim como poderia ser na testa ou na bochecha.

‘Doce de Mãe’ vai ao ar toda quinta-feira, depois do ‘Big Brother Brasil’... Você acompanha o reality? É uma daquelas pessoas curiosas em ‘dar uma espiadinha’? 
Olha, eu chego em casa tão cansada que nem tenho tempo... Não estou fugindo da resposta, não, é que depois de tomar banho e comer alguma coisa, o pouco tempo que me resta eu preciso assistir às notícias, ou, para relaxar, a alguma entrevista do Jô Soares ou da Marília Gabriela.

Você que já fez de tudo um pouco na TV, se fosse convidada a participar de algum tipo de reality show, toparia? 
Acredito que nunca passaria na cabeça de alguém me fazer tal convite! LSM (Foto Maíra Coelho)

sexta-feira, 17 de janeiro de 2014

O poeta está vivo

Ao ouvir a voz de Cazuza cantando ‘Exagerado’, purinha, sem acompanhamento algum, saindo das caixas de som de um estúdio no Jardim Botânico, todos os presentes — até mesmo os mais acostumados com tal experiência — quase deixam escorrer lágrimas.

“A força está ali: essa coisa do registro da voz do cantor é uma captura da alma, da própria essência do cara”, classifica Guto Goffi, baterista do Barão Vermelho, banda que dividiu com Cazuza nos anos 80. “Só a voz dele, sem a imagem, a emoção já vem com tudo... imagina com a imagem!”

Ele fala da aparição do ídolo, cantando cinco músicas em holografia, no ponto alto do show que amigos e parceiros do poeta do rock preparam para apresentar na Praia de Ipanema na noite deste domingo, no palco montado em frente à Rua Paul Redfern. Acompanhamos um ensaio para o ‘GVT Music — Show Cazuza’, que já passou por São Paulo no final de novembro e agora aporta no Rio, em apresentação gratuita e aberta ao público.

No estúdio, além de Guto Goffi, os chapas George Israel, Arnaldo Brandão, Leoni, Rogério Meanda e Nilo Romero discutem os últimos detalhes dos arranjos, que precisam estar supersincronizados com a gravação da voz do cantor — o badalado holograma só aparece na hora.


“Não tem uma pessoa que nunca tenha ouvido falar do Cazuza ou não conheça alguma música”, ressalta George Israel, integrante do Kid Abelha e coautor, com Cazuza e Nilo Romero, do sucesso ‘Brasil’, eternizado na voz de Gal Costa (que participa do espetáculo em Ipanema, assim como o ex-RPM Paulo Ricardo). “Nós, da banda, não vemos o holograma do palco, porque ficamos de costas para ele. Mas, em São Paulo, a cara das pessoas na plateia chorando quando ele aparece foi muito emocionante.”

Antigo parceiro de Israel no Kid Abelha, Leoni é dos poucos que conseguem dar uma espiadinha na novidade. “É que tem uma música que eu não toco, aí dá para relaxar e ficar olhando. A criação da holografia foi baseada em fotos e vídeos de arquivo dele. Eu, que conheci bem o Cazuza pessoalmente, posso garantir: é exatamente como ele se mexia, os mesmos trejeitos que fazia nos shows”, atesta o artista, que compôs ‘Exagerado’ ao lado de Cazuza e Ezequiel Neves.

Os músicos-amigos celebram ainda a oportunidade de fazer com que novas gerações possam ter uma experiência próxima da energia que havia em um show de Cazuza. “Muita gente não teve o prazer de vê-lo ao vivo. Em São Paulo, eu estava muito temeroso com a reação do público, que acabou sendo incrível. Agora para o Rio eu já relaxei, quero ir lá e tocar!”, entusiasma-se Guto Goffi.

Emoção é uma palavra que resume bem este projeto. “Fiquei com uma saudade imensa dos velhos tempos do Barão Vermelho”, derrete-se o baterista. “Esse é um projeto muito inovador, porque, quando a pessoa morre, acabou, não tem jeito de negociar. E de repente o Cazuza vai participar de um show com a gente, cantando várias músicas. Então, nesse caso, não acabou!”

E, quem sabe, depois do show, não valha dar uma passadinha no Baixo Leblon? Vai que o poeta do rock esteja por ali, como fez tantas vezes em sua vida breve, cantando e bebendo a saideira? LSM (foto: Paulo Almeida)

domingo, 5 de janeiro de 2014

Metaleiras

Com metais em brasa e percussão pulsante, a Damas de Ferro, banda de fanfarra formada só por mulheres, se prepara para estrear no Carnaval 2014 

‘É fanfarra, mas sem fanfarrões!”, decretam, quase em uníssono, as integrantes da Damas de Ferro, orgulhosas ao se proclamarem a primeira banda carioca de fanfarra (grupo musical formado por instrumentos de sopro de metal e de percussão) só de mulheres. “Os meninos estão doidos, querem participar da banda, mas só se for vestido de mulher!”, diverte-se a trombonista Carol Schavarosk.


Elas integram o que chamam de neo-fanfarrismo carioca, uma espécie de movimento no qual destacam-se também grupos como Orquestra Voadora (boa parte das meninas da Damas de Ferro veio do bloco da OV), Os Siderais, Sinfônica Ambulante, Cinebloco e Go East Orkestar. Ao som de trompetes, trombones, saxofones, tubas, caixas e alfaias, e repertório eclético, que inclui versões para clássicos de Belchior (‘Velha Roupa Colorida’) a sucessos da vez como ‘Get Lucky’, do Daft Punk, elas se preparam para estrear no Carnaval de 2014.

“Já estamos chamando a atenção nos ensaios abertos que fazemos no MAM (Museu de Arte Moderna) ou no Parque Guinle. Porque não é comum, a mulher está inserida no mundo da música mais como cantora do que como instrumentista. Você não vê muitas mulheres tocando tuba, por exemplo. A Damas de Ferro vai ter esse charme a mais”, ressalta Carol.

A busca pelas instrumentistas foi uma saga. “No início, achei que não iria além de um quarteto, até que, pouco a pouco, começamos a encontrar outras meninas que tocavam sopros ou percussão”, comemora Bubu Gabi Góes, que toca surdo e também é produtora cultural.

Todas, aliás, têm outra atividade além da música. E dão seu jeito para espremer no tempo livre a Damas de Ferro e ainda a família e namoros. Mas, às vezes, rola estresse. “Meu marido reclama muito que não tenho tempo para nada. Tento conciliar os ensaios com os dias das reuniões dele”, conta a trompetista (e bióloga) Maysa Salles.

Mas elas estão entusiasmadas. E, mesmo com tantas mulheres tocando juntas, juram que não temem a eclosão de uma TPM coletiva. “Mesmo na TPM, a gente está pegando leve, porque estamos com muita vontade de apresentar esta banda”, entusiasma-se Sabrina Bairros, saxofonista e publicitária.

A trompetista (e designer) Marcela de Paula, porém, faz uma ressalva: “Ah, só não pode uma aparecer com a saia igual à da outra!”, diverte-se.

E para lidar com o assédio da rapaziada animada no Carnaval, como vai ser? “Sempre vai ter um para soltar uma piadinha. Já ouvi: ‘Tá sobrando mulher aí, passa uma pra mim!’ Olha, se a cantada for original, até que pode ter chance”, provoca Irene Milhomens, trombonista e bailarina.

Contar apenas com mulheres na escalação, acreditam as integrantes da Damas de Ferro, tem ainda uma outra vantagem: “Na hora de passar o chapéu, só com meninas, esperamos que as pessoas se entusiasmem mais a dar um dinheiro”, brinca Sabrina, ao que Thaís Bezerra, tocadora de caixa, completa: “Mas o apelo não pode ser só por sermos mulheres... Tem que ter qualidade!”, decreta. LSM (fotos Fernando Souza)