Como Marcelo D2 se transformou de inimigo público no empresário bem sucedido, que abre lojas itinerantes e distribui produtos personalizados em quermesse montada nos shows de lançamento do novo CD
Quase nada pode parar Marcelo D2. Na entrada de um estúdio em Botafogo, um comboio 'bossanovístico' atravessa seu caminho e ali não tem jeito: ele para pelo menos uns dez minutinhos para celebrar afinidades com Marcos Valle, Carlos Lyra e Wanda Sá. João Donato saíra minutos antes, do ensaio para a gravação do DVD dela. "Pô, vocês têm que ir no meu show", convida Marcelo D2, que ensaiaria logo em seguida. "Estou lançando meu novo CD, 'Nada Pode Me Parar', e vou montar uma feira com rádio própria, tocando todas as pessoas que eu sampleei, entre elas você, Marcos Valle (o refrão 'É mentira...', na música 'Contexto' do grupo Planet Hemp, que D2 integrou, é chupado de 'Mentira', de Valle). E vai ter também a Barraca da Larica e brincadeiras como Acerte o Baseado Na Boca do D2", detalha, sem perceber uma cara de semiconstrangimento que toma Wanda Sá e Carlos Lyra.
Talvez mais acostumado com o entusiasmo legalizado de D2, Marcos Valle dá linha em um papo que termina com abraços calorosos dos quatro e o convite dela para que D2 também compareça ao show que fará com os amigos.
Já na mesa do boteco da esquina, entre um gole e outro de cerveja enquanto sua banda aperta as carrapetas dentro do estúdio para o ensaio começar, ele conta ainda que a tal Feira MD2 - Nada Pode Me Parar terá também Playstations com jogos Fifa 14 (premiando com camisas e tênis) e Skate 3 (premiando com camisas e shapes Drop Dead), Print Gram (impressão de fotos diretamente do instagram para todos que postarem lá fotos do evento com a hashtag #nadapodemeparar) e as barracas Qualé A Música, Retrato Falado (que faz caricaturas do público em um cartaz 'Procura-se') e Acerte Os Felas (inspirado em uma música do disco novo, e premiando com latas de cerveja). Os brindes, que incluem ainda papéis para enrolar cigarros (a popular seda) e isqueiros, são todos personalizados com a marca MD2.
Afinal, como o ex-inimigo público número 1 (de quando foi preso com o Planet Hemp por cantar músicas que fazem apologia à maconha, em 1997) se transformou em um bem sucedido homem de negócios, sendo procurado para agregar valor a grandes marcas como Fifa e Nike.
"Quem me chamava de inimigo público eram delegados, juízes, políticos... agora é a vez deles irem para trás das grades", provoca, referindo-se às prisões do Mensalão. "Nasci em Madureira, fui criado no Andaraí, e vivi muitos anos na Lapa. Conheço tudo desses bairros e antes do sucesso eu fui camelô por muito tempo, cheguei a ter barraca no Catete, onde vendia muambas que trazia do Paraguai. Acho que sempre fui um bom vendedor. Vendi também em lojas de moveis no Catete, trabalhei no setor de guarda-chuvas da Mesbla (extinta loja de departamentos, muito popular nos anos 80) e em loja de roupas em Maringá, no Paraná. E recentemente abri duas 'pop-up stores' (uma espécie de loja itinerante) em São Paulo e Nova York, onde vendi produtos personalizados como roupas e acessórios, CDs, skates. É por isso que estou montando essa grande feira na nova turnê".
A inspiração para criar seus próprios produtos, recorda D2, veio do grupo norte-americano de hard rock Kiss. "Desde guri eu ficava fascinado com o fato de eles fazerem vários produtos com a marca da banda, desde bonequinhos até vibrador, que trazia na ponta a língua do Gene Simmons (o icônico baixista do Kiss, que se veste como o homem-morcego)", detalha, às gargalhadas. "Mas não vou chegar a esse ponto, pode ficar tranquilo", garante.
A despeito de todo o sucesso como empresário, Marcelo D2 não se considera um homem de negócios, e atesta que seu ramo é mesmo a música. "Eu acordo todo dia às três da tarde, não dá para ser executivo assim, né?", diverte-se.
NA ESTRADA
A turnê 'Nada Pode Me Parar' roda o Brasil até o fim do verão, quando parte para Paris e, de lá, para a Europa e Ásia, durante o verão do hemisfério norte, passando por 18 países.
"Eu fiz um clipe para cada uma das 15 músicas desse disco novo, mas até agora só mostrei três. Então, eu tenho ainda 12 clipes inéditos, que vou lançando durante a turnê. O próximo será da música 'Você Diz Que o Amor Não Dói', que gravei em uma favela de Angola, com rappers de lá, e vai sair já na semana que vem", antecipa D2.
MANTENDO O RESPEITO
Foi um baita transtorno a prisão com o Planet Hemp nos anos 90, mas hoje, olhando em retrospecto, Marcelo D2 orgulha-se de ter aberto portas para o diálogo na sociedade sobre a legalização da maconha: "As pessoas sempre quiseram associar a maconha ao marginal. Eu nunca roubei dinheiro de ninguém, nunca desviei verbas públicas. Acho que depois do Planet, as pessoas começaram a ver que o cara que fuma maconha também pode ser legal. Essa foi a aposta que eu fiz. E paguei o preço".
Perguntado se acredita que um dia ainda verá a maconha ser legalizada no Brasil, D2 hesita, pensa, balança a cabeça... e desconversa: "Para mim, já está legalizada há muito tempo!". LSM (foto: Fernando Souza)
quinta-feira, 21 de novembro de 2013
terça-feira, 5 de novembro de 2013
Os meninos do Il Volo discutem o tempo todo, mas se afinam no palco
Os jovens cantores do trio vocal italiano Il Volo vivem discutindo. Seja qual for o assunto, parece que coisa rara é concordarem. Para começar, Gianluca Ginoble (18 anos) torce pelo Roma, Ignazio Boschetto (19) pelo Juventus e Piero Barone (20), pelo Milan. As diferenças vão além dos campos de futebol e chegam até a música, e eles se atropelam um ao outro para defender seus pontos de vista. Quando o debate esquenta, deixam até o inglês e o espanhol de lado, idiomas que costumam recorrer muitas vezes para dar entrevistas internacionais, esquecem que estão diante de um repórter e terminam gritando entre si em italiano.
“Claro que é possível quebrar um copo emitindo uma nota bem aguda com a voz”, garante o tenor Boschetto, para logo ter que argumentar com Ginoble, que duvida dele.
Em sua estreia no Rio, esses jovenzinhos turrões levaram a sua ópera pop ao palco do Theatro Municipal do Rio, lançamento do novo CD e DVD ‘Más Que Amor’. Suas influências vêm da música clássica, tão rica em seu país e tudo a ver com o nobre palco carioca, mas a histeria das fãs que os acompanham seria mais apropriada para outro local, talvez uma Praça da Apoteose, visto que as meninas piram com seus rostinhos bonitos tal e qual com o Justin Bieber.
“Não somos boy band, não queremos ser comparados com o One Direction, como já aconteceu... não tem nada a ver”, decretam, finalmente concordando, quase em uníssono. “No nosso show, vão as adolescentes, mas também vão os avós delas, atraídos pelo aspecto erudito da nossa música. Fazemos um baita esforço para mostrar que música clássica não é só coisa de velho. Se uma melodia é boa, ela é boa para todas as idades”, completa Boschetto.
Eles não são comparados apenas às boy bands. Também os relacionam com os célebres Três Tenores: Plácido Domingo (com quem já gravaram), José Carreras e Luciano Pavarotti. Normal, embora no Il Volo sejam ‘dois tenores e um barítono’ — no caso, o Gianluca Ginoble.
MAIS BRIGAS
É a segunda vinda do trio ao Brasil. Em 2012, passaram apenas por São Paulo. Desta vez, incluíram no roteiro também Curitiba e Porto Alegre, além do Rio. “Queria uma semana livre para conhecer o Rio, mas não vai dar”, lamenta Ginoble. “Prometo, inclusive, que vamos gravar algo em português!”.
É um idioma que falta no currículo do trio. Os poliglotas incluem ainda alemão e francês na bagagem, sem falar nos já citados inglês e espanhol (‘Más Que Amor’, inclusive, é o primeiro álbum em espanhol deles) – e o italiano, claro. “Mas eu conheço música brasileira, adoro Tom Jobim, especialmente aquela que diz ‘só bailo samba’...”, entusiasma-se Ginoble, se arriscando a cantarolar a melodia de ‘Só Danço Samba’, de Tom e Vinicius de Moraes.
Piero Barone não deixa barato e enfileira os artistas brasucas que conhece: “Gilberto Gil, Renato Russo, me amarro!”, elogia... mas aí os três começam a discutir novamente, em frases em italiano que o repórter arrisca ter sido algo como “você nem sabe quem é Renato Russo, ta querendo impressionar...”. LSM
“Claro que é possível quebrar um copo emitindo uma nota bem aguda com a voz”, garante o tenor Boschetto, para logo ter que argumentar com Ginoble, que duvida dele.
Em sua estreia no Rio, esses jovenzinhos turrões levaram a sua ópera pop ao palco do Theatro Municipal do Rio, lançamento do novo CD e DVD ‘Más Que Amor’. Suas influências vêm da música clássica, tão rica em seu país e tudo a ver com o nobre palco carioca, mas a histeria das fãs que os acompanham seria mais apropriada para outro local, talvez uma Praça da Apoteose, visto que as meninas piram com seus rostinhos bonitos tal e qual com o Justin Bieber.
“Não somos boy band, não queremos ser comparados com o One Direction, como já aconteceu... não tem nada a ver”, decretam, finalmente concordando, quase em uníssono. “No nosso show, vão as adolescentes, mas também vão os avós delas, atraídos pelo aspecto erudito da nossa música. Fazemos um baita esforço para mostrar que música clássica não é só coisa de velho. Se uma melodia é boa, ela é boa para todas as idades”, completa Boschetto.
Eles não são comparados apenas às boy bands. Também os relacionam com os célebres Três Tenores: Plácido Domingo (com quem já gravaram), José Carreras e Luciano Pavarotti. Normal, embora no Il Volo sejam ‘dois tenores e um barítono’ — no caso, o Gianluca Ginoble.
MAIS BRIGAS
É a segunda vinda do trio ao Brasil. Em 2012, passaram apenas por São Paulo. Desta vez, incluíram no roteiro também Curitiba e Porto Alegre, além do Rio. “Queria uma semana livre para conhecer o Rio, mas não vai dar”, lamenta Ginoble. “Prometo, inclusive, que vamos gravar algo em português!”.
É um idioma que falta no currículo do trio. Os poliglotas incluem ainda alemão e francês na bagagem, sem falar nos já citados inglês e espanhol (‘Más Que Amor’, inclusive, é o primeiro álbum em espanhol deles) – e o italiano, claro. “Mas eu conheço música brasileira, adoro Tom Jobim, especialmente aquela que diz ‘só bailo samba’...”, entusiasma-se Ginoble, se arriscando a cantarolar a melodia de ‘Só Danço Samba’, de Tom e Vinicius de Moraes.
Piero Barone não deixa barato e enfileira os artistas brasucas que conhece: “Gilberto Gil, Renato Russo, me amarro!”, elogia... mas aí os três começam a discutir novamente, em frases em italiano que o repórter arrisca ter sido algo como “você nem sabe quem é Renato Russo, ta querendo impressionar...”. LSM
quinta-feira, 31 de outubro de 2013
Como o diabo gosta
Aos 72 anos, Ney Matogrosso já fez quase tudo nessa vida. Quase... “Nossa, nunca empunhei uma guitarra antes... Como faz com essa correia, me ajudem aqui que estou enrolado!”, diverte-se o cantor — que já declarou ter experimentado maconha, cocaína, LSD, haxixe, chá de cogumelo, Santo Daime, além de sexo grupal — ao posar pela primeira vez com o instrumento-símbolo do rock.
A foto registra um descontraído ensaio com a roqueira carioca Marília Bessy, para show de lançamento do CD e DVD ‘Infernynho’ (com ‘y’ mesmo), que gravaram juntos.
“Eu vim do rock!”, ressalta ele, lembrando que despontou no grupo Secos & Molhados. “É o gênero musical que mais mudou a mentalidade do planeta. O mundo está muito careta. A música que aprendi a amar é intensa, diferentemente da que vem sendo feita atualmente, muito light”.
A crítica de Ney, claro, passa longe da companheira Marília. “Eles têm em comum uma proposta sexy e libertária. Rolou uma química natural”, atesta o jornalista e pesquisador musical Rodrigo Faour, que assina a direção do espetáculo.
Ela, que já lançou um CD chamado ‘Doce Devassa’ (“A Marília sempre foi uma vagabunda, agora que está largando essa vida”, brinca Faour), conta que esse lado ‘safadinha’ vem desde cedo. “Sempre causei polêmica entre a minha turma de amigos. Acho que, por isso, eu nunca autorizaria a minha biografia!”, diverte-se ela. “O inferninho do título é um puteiro mesmo, um lugar democrático onde as pessoas vão para se divertir. O show é isso: dançante e sensual”, define.
No roteiro, estão ritmos e letras provocantes, como ‘Folia no Matagal’ (Eduardo Dussek), ‘Fogo e Paixão’ (Wando) e ‘Conga, Conga, Conga’ (sucesso de Gretchen, a rainha do rebolado, na qual a dupla protagoniza uma pegação séria no palco).
“O artista tem que ousar e provocar, tem que se expor com liberdade”, decreta Ney.
E, por falar em liberdade, qual sua opinião sobre a polêmica questão das biografias não-autorizadas? “Muita coisa ainda vai mudar sobre isso... veja que até o Roberto Carlos parece que mudou de opinião! Mas eu acho que, se for lançada uma série na televisão sobre um artista ou um livro, esse artista também merece ser remunerado”, opina ele. “A minha biografia, podem escrever à vontade. Afinal, já contei tudo de mais íntimo da minha vida em entrevistas!”. LSM (fotos André Mourão)
A foto registra um descontraído ensaio com a roqueira carioca Marília Bessy, para show de lançamento do CD e DVD ‘Infernynho’ (com ‘y’ mesmo), que gravaram juntos.
“Eu vim do rock!”, ressalta ele, lembrando que despontou no grupo Secos & Molhados. “É o gênero musical que mais mudou a mentalidade do planeta. O mundo está muito careta. A música que aprendi a amar é intensa, diferentemente da que vem sendo feita atualmente, muito light”.
A crítica de Ney, claro, passa longe da companheira Marília. “Eles têm em comum uma proposta sexy e libertária. Rolou uma química natural”, atesta o jornalista e pesquisador musical Rodrigo Faour, que assina a direção do espetáculo.
Ela, que já lançou um CD chamado ‘Doce Devassa’ (“A Marília sempre foi uma vagabunda, agora que está largando essa vida”, brinca Faour), conta que esse lado ‘safadinha’ vem desde cedo. “Sempre causei polêmica entre a minha turma de amigos. Acho que, por isso, eu nunca autorizaria a minha biografia!”, diverte-se ela. “O inferninho do título é um puteiro mesmo, um lugar democrático onde as pessoas vão para se divertir. O show é isso: dançante e sensual”, define.
No roteiro, estão ritmos e letras provocantes, como ‘Folia no Matagal’ (Eduardo Dussek), ‘Fogo e Paixão’ (Wando) e ‘Conga, Conga, Conga’ (sucesso de Gretchen, a rainha do rebolado, na qual a dupla protagoniza uma pegação séria no palco).
“O artista tem que ousar e provocar, tem que se expor com liberdade”, decreta Ney.E, por falar em liberdade, qual sua opinião sobre a polêmica questão das biografias não-autorizadas? “Muita coisa ainda vai mudar sobre isso... veja que até o Roberto Carlos parece que mudou de opinião! Mas eu acho que, se for lançada uma série na televisão sobre um artista ou um livro, esse artista também merece ser remunerado”, opina ele. “A minha biografia, podem escrever à vontade. Afinal, já contei tudo de mais íntimo da minha vida em entrevistas!”. LSM (fotos André Mourão)
sábado, 26 de outubro de 2013
‘A Garota de Ipanema é a minha namorada’
Na ampla sala de seu apartamento, na Fonte da Saudade, tem até uma cama de casal. “As crianças da família adoram vir aqui. Sou madrinha de umas dez, e elas dizem que a casa da Tia Tinália é um parquinho”, comemora Mart’nália. “E eu jogo Playstation com elas, não decreto hora para elas tomarem banho e faço uma mamadeira show!”.
A filha de Martinho da Vila, que prepara um espetáculo exclusivo com a obra de Vinicius de Moraes (saiba mais abaixo), parece que leva mesmo jeito para a maternidade. Na série da Globo ‘Pé Na Cova’, onde ela tira onda de atriz, sua personagem Tamanco, a homossexual casada com Odete Roitman (Luma Costa), adotou um menino, Sermancino (Gabriel Lima).
“Eu até adotaria uma criança na vida real, mas acho que é algo muito difícil, muito cheio de burocracia, nem sei se conseguiria”, pondera Mart’nália, que é gay assumida. “O ‘Pé Na Cova’ é pura polêmica, né? Tem a sapatão, tem a outra que se mostra na internet... Acho importante que esses assuntos sejam levados ao público na TV aberta. Tudo o que acontece ali, acontece também fora da tela”.
Apesar do sucesso de sua personagem, a sambista descarta a carreira de atriz. “Ah, isso é só uma brincadeira. Mas estou gostando! Já me chamam de Tamanco na rua. Eu respondo, claro!”, diverte-se. “E tem até gente que nem sabe que sou cantora e que só me conhece pela série”.
‘VINICIADA’
“Sou iniciada em sua obra e viciada nele, então digo que eu sou ‘Viniciada’!”, decreta Mart’nália.
Ela já é sócia do Back2Black, o festival que celebra a cultura negra e que terá sua próxima edição de 15 a 17 de novembro na Cidade das Artes, na Barra da Tijuca. Ela diz que até já perdeu a conta de quantas vezes participou, mas desta vez ela prepara um espetáculo exclusivo em homenagem a Vinicius de Moraes para a noite de encerramento do evento.
“Tem tudo a ver o Vinicius no Back2Black, né? Afinal, ele mesmo sempre disse que era o branco mais preto do Brasil”, ressalta ela. “Gostei do desafio de preparar esse show. Serão dez músicas apenas, porque o festival terá ainda outras atrações. Vou cantar alguns dos ‘afro-sambas’ que ele fez com o Baden Powell e fazer no início um pot-pourri daquelas parcerias bem conhecidonas com o Tom Jobim, da época da Bossa Nova, para já dar o recado logo no começo. Outra que vai ficar muito legal é ‘A Tonga da Mironga do Kabuletê’, dele com o Toquinho”, detalha.
E, na sua opinião, quem melhor representaria hoje a Garota de Ipanema? “Hum... a Garota de Ipanema 2013, sem dúvida, é a minha namorada!”, elege. LSM (fotos Maíra Coelho)
A filha de Martinho da Vila, que prepara um espetáculo exclusivo com a obra de Vinicius de Moraes (saiba mais abaixo), parece que leva mesmo jeito para a maternidade. Na série da Globo ‘Pé Na Cova’, onde ela tira onda de atriz, sua personagem Tamanco, a homossexual casada com Odete Roitman (Luma Costa), adotou um menino, Sermancino (Gabriel Lima).
“Eu até adotaria uma criança na vida real, mas acho que é algo muito difícil, muito cheio de burocracia, nem sei se conseguiria”, pondera Mart’nália, que é gay assumida. “O ‘Pé Na Cova’ é pura polêmica, né? Tem a sapatão, tem a outra que se mostra na internet... Acho importante que esses assuntos sejam levados ao público na TV aberta. Tudo o que acontece ali, acontece também fora da tela”.
Apesar do sucesso de sua personagem, a sambista descarta a carreira de atriz. “Ah, isso é só uma brincadeira. Mas estou gostando! Já me chamam de Tamanco na rua. Eu respondo, claro!”, diverte-se. “E tem até gente que nem sabe que sou cantora e que só me conhece pela série”.
‘VINICIADA’
“Sou iniciada em sua obra e viciada nele, então digo que eu sou ‘Viniciada’!”, decreta Mart’nália.
Ela já é sócia do Back2Black, o festival que celebra a cultura negra e que terá sua próxima edição de 15 a 17 de novembro na Cidade das Artes, na Barra da Tijuca. Ela diz que até já perdeu a conta de quantas vezes participou, mas desta vez ela prepara um espetáculo exclusivo em homenagem a Vinicius de Moraes para a noite de encerramento do evento.
“Tem tudo a ver o Vinicius no Back2Black, né? Afinal, ele mesmo sempre disse que era o branco mais preto do Brasil”, ressalta ela. “Gostei do desafio de preparar esse show. Serão dez músicas apenas, porque o festival terá ainda outras atrações. Vou cantar alguns dos ‘afro-sambas’ que ele fez com o Baden Powell e fazer no início um pot-pourri daquelas parcerias bem conhecidonas com o Tom Jobim, da época da Bossa Nova, para já dar o recado logo no começo. Outra que vai ficar muito legal é ‘A Tonga da Mironga do Kabuletê’, dele com o Toquinho”, detalha.
E, na sua opinião, quem melhor representaria hoje a Garota de Ipanema? “Hum... a Garota de Ipanema 2013, sem dúvida, é a minha namorada!”, elege. LSM (fotos Maíra Coelho)
terça-feira, 1 de outubro de 2013
Valesca poderosa
A letra da música ‘Gatas Extraordinárias’, sucesso de Caetano Veloso eternizado por Cássia Eller, traz o verso “O batidão do meu coração na pista escura”. Pronto: se tem as palavras ‘batidão’ e ‘pista’ na mesma frase, tem tudo a ver com o funk. E, acredite, ela estará no roteiro do poderoso show que Valesca Popozuda estreia no próximo sábado, na festa BaiLED, na Fundição Progresso — onde a funkeira, inclusive, vai comemorar seu aniversário de 35 anos, completados no dia seguinte. Repleta de efeitos especiais, a megaprodução tem a assinatura da mesma trupe que preparou o ‘Show das Poderosas’, da mais recente febre do gênero, Anitta.
“Vai ser tudo grandioso, coisa que nunca tive nas minhas apresentações. Vão ter uns dez bailarinos no palco comigo... aliás, bailarinos, não! Serão os meus popô-dancers!”, define Valesca.
As novidades na vida da Popozuda vão além do palco. Ela conta que acaba de incorporar um novo hábito para manter em cima não só o popô, mas todo o corpão. “Eu ia direto à musculação, mas parei, estava dando hipertrofia, deixando meu corpo sem molejo. Recentemente, passei para o pilates, que alonga, dá flexibilidade e ajuda na respiração. E é bom para cantar”, recomenda. “Quando olhei aquelas bolas, pensei: ‘Isso é mole!’. Pô, que nada, é pior que malhação!”.
Os cuidados continuam com a alimentação (“Durante a semana, não como besteira, só peixe e salada... mas, se me chamar para um churrasco, não recuso!”) e no salão, onde bate ponto duas vezes por semana. Ela tem que se cuidar, afinal, ficou conhecida pelo visual que valoriza a sensualidade.
“Eu sou dada, e as pessoas acham que esse meu jeito dá medo nos homens, mas não rola isso, não. Dou minhas namoradas, quando conheço um fã interessante, eu fico. Mas não estou comprometida e não gosto de ficar com ninguém famoso”, avisa.
Enquanto não encontra um dono para o coração, Valesca toca a vida com a força do filho, Pablo, de 13 anos. “Ele dá opiniões sobre minha carreira. Quer sempre que eu esteja na moda”, orgulha-se. “Tenho acompanhado mais as tendências e me vestido de acordo com o que vejo nos desfiles”, diz.
CASTELO MEDIEVAL E BEIJINHO NO OMBRO
“Anitta é a poderosa, mas a Valesca é a Rainha do Funk”, classifica Pedro Nercessian, que, junto do também produtor e ator Pablo Falcão, assina tanto o ‘Show das Poderosas’ de Anitta quanto o novo espetáculo da Popozuda. “Como somos atores, queremos sempre dar um ar teatral às produções.”
Para Anitta, o impacto começava na entrada em cena, dentro de uma limusine. Para Valesca, a ideia é dialogar com o clipe de sua nova música, ‘Beijinho no Ombro’, que vai ser filmado em um castelo com ares medievais. “Ela virá como uma rainha e vai ter muitos truques de ilusionismo”, anuncia Pablo Falcão.
Apesar de assinarem os shows das duas divas do funk, os produtores — responsáveis pela badalada festa Chá da Alice — logo fazem questão de avisar que as duas artistas são bem diferentes. “Não dá para comparar. É como se quisesse escolher entre a Madonna e a Lady Gaga”, ressalta Pedro Nercessian.
Valesca Popozuda diz que vê com bons olhos a chegada de uma nova estrela do gênero. “Sou fã dela, é talentosa, só desejo sorte para ela”, afaga. Mas provoca: “Fazer sucesso com uma música é fácil, o desafio será se manter por anos em evidência”. LSM (Fotos: Maíra Coelho)
“Vai ser tudo grandioso, coisa que nunca tive nas minhas apresentações. Vão ter uns dez bailarinos no palco comigo... aliás, bailarinos, não! Serão os meus popô-dancers!”, define Valesca.
As novidades na vida da Popozuda vão além do palco. Ela conta que acaba de incorporar um novo hábito para manter em cima não só o popô, mas todo o corpão. “Eu ia direto à musculação, mas parei, estava dando hipertrofia, deixando meu corpo sem molejo. Recentemente, passei para o pilates, que alonga, dá flexibilidade e ajuda na respiração. E é bom para cantar”, recomenda. “Quando olhei aquelas bolas, pensei: ‘Isso é mole!’. Pô, que nada, é pior que malhação!”.
Os cuidados continuam com a alimentação (“Durante a semana, não como besteira, só peixe e salada... mas, se me chamar para um churrasco, não recuso!”) e no salão, onde bate ponto duas vezes por semana. Ela tem que se cuidar, afinal, ficou conhecida pelo visual que valoriza a sensualidade.
“Eu sou dada, e as pessoas acham que esse meu jeito dá medo nos homens, mas não rola isso, não. Dou minhas namoradas, quando conheço um fã interessante, eu fico. Mas não estou comprometida e não gosto de ficar com ninguém famoso”, avisa.
Enquanto não encontra um dono para o coração, Valesca toca a vida com a força do filho, Pablo, de 13 anos. “Ele dá opiniões sobre minha carreira. Quer sempre que eu esteja na moda”, orgulha-se. “Tenho acompanhado mais as tendências e me vestido de acordo com o que vejo nos desfiles”, diz.
CASTELO MEDIEVAL E BEIJINHO NO OMBRO
“Anitta é a poderosa, mas a Valesca é a Rainha do Funk”, classifica Pedro Nercessian, que, junto do também produtor e ator Pablo Falcão, assina tanto o ‘Show das Poderosas’ de Anitta quanto o novo espetáculo da Popozuda. “Como somos atores, queremos sempre dar um ar teatral às produções.”
Para Anitta, o impacto começava na entrada em cena, dentro de uma limusine. Para Valesca, a ideia é dialogar com o clipe de sua nova música, ‘Beijinho no Ombro’, que vai ser filmado em um castelo com ares medievais. “Ela virá como uma rainha e vai ter muitos truques de ilusionismo”, anuncia Pablo Falcão.
Apesar de assinarem os shows das duas divas do funk, os produtores — responsáveis pela badalada festa Chá da Alice — logo fazem questão de avisar que as duas artistas são bem diferentes. “Não dá para comparar. É como se quisesse escolher entre a Madonna e a Lady Gaga”, ressalta Pedro Nercessian.
Valesca Popozuda diz que vê com bons olhos a chegada de uma nova estrela do gênero. “Sou fã dela, é talentosa, só desejo sorte para ela”, afaga. Mas provoca: “Fazer sucesso com uma música é fácil, o desafio será se manter por anos em evidência”. LSM (Fotos: Maíra Coelho)
quarta-feira, 25 de setembro de 2013
Heróis da guitarra se reúnem
O Brasil, dizem, é o país do futebol, mas também é o país da música, tamanha a quantidade de talentos por aqui. E não é exagero atestar que o Brasil é um país de guitarristas. Neste sábado, dez dos principais nomes nacionais do instrumento vão se reunir na Praça Duque de Caxias, em Belo Horizonte (MG), para a primeira edição do evento gratuito ‘Tributo Ao Brasil Guitarras’, braço do tradicional ‘Jazz Festival Brasil’ da capital mineira e que se estenderá, em 2014, às cidades de São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília e Salvador.
Andreas Kisser, Armandinho Macedo, Lanny Gordin, Edgard Scandurra, Frank Solari, Toninho Horta, Kiko Loureiro, Luiz Carlini, Marcelo Barbosa e Pepeu Gomes (foto) formam o time dos sonhos que vão se apresentar por lá, das 17h às 22h. “No final, os dez vão subir juntos no palco para tocar o Hino Nacional e ‘Aquarela do Brasil’. A ideia é transformar o evento em uma turnê”, detalha Leo Soltz, produtor do ‘Tributo Ao Brasil Guitarras’. “É difícil definir quais os nossos dez maiores do instrumento, mas acho que esses nomes são bem representativos”. LSM
Andreas Kisser, Armandinho Macedo, Lanny Gordin, Edgard Scandurra, Frank Solari, Toninho Horta, Kiko Loureiro, Luiz Carlini, Marcelo Barbosa e Pepeu Gomes (foto) formam o time dos sonhos que vão se apresentar por lá, das 17h às 22h. “No final, os dez vão subir juntos no palco para tocar o Hino Nacional e ‘Aquarela do Brasil’. A ideia é transformar o evento em uma turnê”, detalha Leo Soltz, produtor do ‘Tributo Ao Brasil Guitarras’. “É difícil definir quais os nossos dez maiores do instrumento, mas acho que esses nomes são bem representativos”. LSM
sexta-feira, 20 de setembro de 2013
Eu vi rock no Rock In Rio
Rock in Rio sim, outro também, a grita dos descontentes começa tão logo se anuncia a realização da próxima edição: “Como pode um evento que se chama rock não ter rock na programação?”. Eu fui. E vi muito rock por lá, acredite. Vi guitarras em brasa nos shows de Vintage Trouble, Living Colour, Autoramas + BNegão (este, uma porrada sonora), Marky Ramone, Detonautas tocando Raul Seixas, Offspring, dos portugueses Aurea + Black Mamba (uma blueseira danada), isso no Palco Sunset, onde passaram ainda Nando Reis e Samuel Rosa. Sim, o que eles tocam é rock. Há quem diminua, classificando de ‘pop’, mas ‘pop’ é só uma redução de ‘popular’, não um gênero musical. Por isso, Capital Inicial e Jota Quest (sim, o Jota Quest) também representaram o rock no festival (verdade que este ano não fizeram algo que se possa dizer “uau, que show incrível!”).
Mais tímido, o rock pulsou também no Palco Mundo: no tributo a Cazuza, no 30 Seconds To Mars, na Florence And The Machine e no Muse. Também teve guitarradas na Rock Street. Ah, sim, teve Beyoncé, Ivete e Timberlake, mas é bom que seus fãs tenham a chance de conhecer os roqueiros que por lá tocaram. Quem sabe não mudam de tribo? Há outros festivais monotemáticos ao rock, mas o Rock in Rio sofre por ter declamado o nome do rock em vão. Fosse Music in Rio, algo assim, quem sabe os roqueiros estariam comemorando a vinda de Rob Zombie, Ben Harper, Donavon Frankenreiter, Alice In Chains, Matchbox Twenty, Nickelback, Metallica, Bruce Springsteen e Iron Maiden. Sem falar em Frejat e Bon Jovi, que, vá lá, são ‘pop’, mas no fim das contas são personagens do universo do rock brasileiro e mundial.
Ah, mas esses artistas não estão entre os seus preferidos? Faltam medalhões? Cadê o AC/DC? Meu lamento é mais pela falta não dos dinossauros, mas de novos nomes fortes. As bandas que vêm surgindo não têm a potência das antecessoras e, com o trono vago, outro rei inicia seu reinado. Como oportunamente questionou um amigo, o produtor fera Paulo Lopez, qual banda de rock (nova) é uma unanimidade (como foram Stones e Nirvana) e faz a cabeça dos jovens? Qual estrela do rock é a sensação nacional? Qual é o grupo mais famoso do mundo? Que conjunto nacional ou internacional representa essa geração? O rock precisa de uma grande banda, ou uma geração delas, que ultrapasse as barreiras das rádios, chegue à população e não se restrinja ao circuito elitizado ou do underground. O rock precisa de juventude, o rock sempre foi jovem, mesmo feito por velhos. LSM
Bruce Springsteen
Mais tímido, o rock pulsou também no Palco Mundo: no tributo a Cazuza, no 30 Seconds To Mars, na Florence And The Machine e no Muse. Também teve guitarradas na Rock Street. Ah, sim, teve Beyoncé, Ivete e Timberlake, mas é bom que seus fãs tenham a chance de conhecer os roqueiros que por lá tocaram. Quem sabe não mudam de tribo? Há outros festivais monotemáticos ao rock, mas o Rock in Rio sofre por ter declamado o nome do rock em vão. Fosse Music in Rio, algo assim, quem sabe os roqueiros estariam comemorando a vinda de Rob Zombie, Ben Harper, Donavon Frankenreiter, Alice In Chains, Matchbox Twenty, Nickelback, Metallica, Bruce Springsteen e Iron Maiden. Sem falar em Frejat e Bon Jovi, que, vá lá, são ‘pop’, mas no fim das contas são personagens do universo do rock brasileiro e mundial.
Iron Maiden
Ah, mas esses artistas não estão entre os seus preferidos? Faltam medalhões? Cadê o AC/DC? Meu lamento é mais pela falta não dos dinossauros, mas de novos nomes fortes. As bandas que vêm surgindo não têm a potência das antecessoras e, com o trono vago, outro rei inicia seu reinado. Como oportunamente questionou um amigo, o produtor fera Paulo Lopez, qual banda de rock (nova) é uma unanimidade (como foram Stones e Nirvana) e faz a cabeça dos jovens? Qual estrela do rock é a sensação nacional? Qual é o grupo mais famoso do mundo? Que conjunto nacional ou internacional representa essa geração? O rock precisa de uma grande banda, ou uma geração delas, que ultrapasse as barreiras das rádios, chegue à população e não se restrinja ao circuito elitizado ou do underground. O rock precisa de juventude, o rock sempre foi jovem, mesmo feito por velhos. LSM
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