Documentário brasileiro leva Pitty a percorrer locais que marcaram a vida do guitarrista em Londres
É fácil imaginar feras da guitarra como Frejat, Pepeu Gomes, Robertinho de Recife e Davi Moraes babando por Jimi Hendrix (1942-1970). No documentário ‘E Aí, Hendrix?’, porém, quem tira onda e se revela das mais experimentadas na obra do lendário guitarrista norte-americano é a baiana Pitty. O filme percorre os caminhos que Jimi Hendrix trilhou quando chegou em Londres, em 1966, e de lá foi catapultado ao estrelato.
Os guitarristas brasileiros se derreteram pelo mestre em depoimentos gravados no Brasil. Mas é Pitty quem vai à capital inglesa visitar os locais onde ele morou, morreu, além de encontrar diversas pessoas que o conheceram de perto. E quase vai às lágrimas, como no show de John Campbell (na foto, com Pitty, o cover perfeito chamado de ‘reencarnação de Hendrix’) ou quando veste um histórico paletó do próprio — e logo mete as mãos nos bolsos, na esperança que “algo” do guitarrista tenha ficado esquecido ali por décadas.
“O mais intrigante no Hendrix é que ele não era um cara com a guitarra na mão. A relação é outra: é como se fosse um membro de seu corpo”, define Pitty.
Roberto Lamounier, codiretor do longa com Pedro Paulo Carneiro, também perde a linha ao falar do ídolo. “Hendrix é o único homem que beijaria na boca!”, entrega.
Robertinho de Recife dá a melhor explicação para esse carisma que o mestre do instrumento provoca. “Antes dele, a guitarra era chamada de ‘lady’. Ele não chamava a guitarra de lady, chamava de puta”, teoriza o músico.
‘E Aí,Hendrix?’ começou a ser produzido em 2010, quando os diretores foram convidados pelo inglês Bruce Cherry, do site www.londonrocktour.com, para o evento ‘Hendrix Commemorative Experience’, que marcou os 40 anos de morte do guitarrista, em Londres. “Apesar de termos ido à Inglaterra, este é um filme brasileiro. É a visão brasileira do Hendrix”, descreve Pedro Paulo Carneiro.
Pepeu Gomes lembra, emocionado, do fatídico dia 18 de setembro de 1970. “Era muito cedo para ele desligar o disjuntor. Eu morri junto. Toda vez que ouço seus discos, sinto sua presença”, conta.
Davi Moraes resume: “Ele é o Pelé da guitarra”. LSM
sábado, 28 de janeiro de 2012
quinta-feira, 19 de janeiro de 2012
Farto material marca os 30 anos sem Elis Regina, lembrados hoje
Elis Regina morreu há exatos 30 anos, em 19 de janeiro de 1982, aos 36 anos. A causa ainda é cercada de controvérsias, apesar de o laudo apontar abuso de álcool e cocaína. Acima dessa questão, sobressai sua música, revista este ano em duas caixas de 12 CDs cada (‘Nos Anos 60’ e ‘Nos Anos 70’), repletas de raridades, faixa inédita e depoimentos exclusivos; no CD duplo ‘Um Dia’, com a íntegra do histórico show em Montreux; e no projeto ‘Viva Elis’, que reúne documentário e livro sobre sua vida, e uma turnê de cinco apresentações estrelada pela filha Maria Rita, cantando pela primeira vez o repertório da mãe.
“É improvável que, mesmo sendo um sucesso, Maria Rita tope dar continuidade à turnê, mas não é impossível. Há convites de muitos países, como Japão, Alemanha, Portugal, Suíça e Inglaterra, o que nos enche de felicidade”, conta o filho mais velho de Elis, João Marcelo Bôscoli. “Ainda há muito material da minha mãe a ser lançado, como uma série de especiais de televisão gravados na Europa, que vamos disponibilizar em breve”.
Os lançamentos atestam que a lacuna deixada pela cantora na música brasileira ainda não foi preenchida. Muito menos, claro, na vida de seus herdeiros. “Fui atropelado pela imprensa, ligando em casa para me entrevistar sobre algo que desconhecia. Eu tinha 11 anos. Estou reagindo desde então”, recorda Bôscoli. “Ela encadernava meu material escolar, penteava meus cabelos, me fazia dormir, me dava beijocas... como mãe é bom!”. LSM
“É improvável que, mesmo sendo um sucesso, Maria Rita tope dar continuidade à turnê, mas não é impossível. Há convites de muitos países, como Japão, Alemanha, Portugal, Suíça e Inglaterra, o que nos enche de felicidade”, conta o filho mais velho de Elis, João Marcelo Bôscoli. “Ainda há muito material da minha mãe a ser lançado, como uma série de especiais de televisão gravados na Europa, que vamos disponibilizar em breve”.
Os lançamentos atestam que a lacuna deixada pela cantora na música brasileira ainda não foi preenchida. Muito menos, claro, na vida de seus herdeiros. “Fui atropelado pela imprensa, ligando em casa para me entrevistar sobre algo que desconhecia. Eu tinha 11 anos. Estou reagindo desde então”, recorda Bôscoli. “Ela encadernava meu material escolar, penteava meus cabelos, me fazia dormir, me dava beijocas... como mãe é bom!”. LSM
Ai se eu te.. o quê?
Frejat fala da volta do Barão Vermelho, se derrete tocando com os filhos, solta os cachorros nas biografias dos anos 80 e assume que nunca ouviu a música de Michel Teló
Os olhos do cantor, compositor e guitarrista Roberto Frejat brilham que nem criança ao contar as recentes experiências musicais com os filhos, Rafael, de 15 anos, e Julia, de 12. Ele também está entusiasmado com o novo show ‘A Tal da Felicidade’ e com a volta do Barão Vermelho aos palcos este ano. Mas nem o projeto solo nem com a banda trazem novas canções. Isso tem rolado mesmo em família.
“Eles estão se interessando por música e é um grande barato tocar com eles. Fizemos uma canção juntos, os três”, começa, sorriso largo de pai coruja no rosto. “Fiz a melodia para uma letra que a Julia escreveu, chamada ‘Maria’, que dedicou para uma amiga dela. Gravamos, o Rafael tocou guitarra e baixo e a Julia cantou. Daí, eu queria colocar na Internet, mas ela vetou! Até a amiga Maria aprovou, mas a Julia pediu para não divulgar ainda”, conta, com certa frustração pelo veto da filha.
Enquanto a pequena se descobre letrista, Rafael já está caindo dentro da guitarra. O paizão, sempre atento e preocupado, acompanha de longe, sem interferir muito.
“A vida do músico é difícil. Eu não sou músico, sou artista!”, decreta. “O músico pode passar a vida toda tocando o que não gosta e com quem não gosta. Rafael ainda não disse se quer ser profissional. Hoje, é ainda mais difícil vencer nesta profissão do que na época em que comecei”, ensina.
Sobre esses velhos tempos, os anos 80, Frejat reclama que a história da década ainda não foi bem contada, e anuncia que um dia gostaria ele mesmo de expor sua versão dos fatos.
“Aquela década é subestimada por muita gente. Sempre fazem uma visão muito simplista e boba, e tem muita coisa interessante que é colocada de lado. Fãs e amigos vivem pedindo para eu contar minhas memórias. Preciso começar a gravar as histórias para não esquecer. Aí, um dia dou as fitas para uma pessoa escrever e depois reviso”, planeja o músico, digo, artista, quase cinquentão (completa 21 de maio). “Ainda é cedo, até porque eu acho que uma pessoa de 50 anos não pode escrever livro de memórias. Parece que a pessoa está sem memória! Isso se faz aos 70, 80 anos”.
Impressão, ou foi uma provocação com o contemporâneo Lobão, que lançou a sua biografia em 2010? “Não! O livro do Lobão eu comprei, mas ainda não li. É um best seller, então deve ser muito bom”, esquiva-se.
Enquanto não revisa o passado, Frejat se atualiza com o presente. Recentemente lançou site e entrou no Twitter e Facebook. “Só não ouvi ainda o sucesso do momento, do Michel Teló. Mas toda música boa tem um refrão forte. Por isso, não acho ‘Ai Se Eu Te Pego’ menor que ‘Aquele Abraço’, do Gil”, compara.
‘ESTOU CANTANDO CADA VEZ MELHOR’
A parceria em família continua no novo show solo de Frejat: o filho Rafael está escalado para dar uma canja com o pai. Desde que gravou no disco que Frejat lançou em 2008, ‘Intimidade Entre Estranhos’, até o Rock In Rio, ano passado, o garoto vive dando uma palinha. O repertório de ‘A Tal da Felicidade’ é um grande baile, passeando pelos sucessos de sua carreira, desde o Barão Vermelho, até clássicos de Tim Maia, Erasmo Carlos, Gilberto Gil e Caetano Veloso, além de ‘A Felicidade Bate à Sua Porta’, de Gonzaguinha, primeiro sucesso das Frenéticas e que dá nome ao show.
“Gosto muito de cantar músicas de outras pessoas. É um show de intérprete e, na boa, modéstia à parte, estou cantando cada vez melhor”, gaba-se Frejat.
Pouco a pouco, bancando do próprio bolso, ele vem gravando essas canções antigas que selecionou para a apresentação. “Isso pode virar um disco, mas por enquanto a ideia é liberar na Internet”, conta, ressaltando que também vem compondo inéditas com amigos como Luiz Melodia e Jards Macalé. Este, prepara um disco relendo a obra de Nelson Cavaquinho, que o próprio Frejat vai coproduzir com Arlindo Cruz.
Passado o show de covers,o foco vai para a celebração, a partir de maio, dos 30 anos do lançamento do primeiro disco do Barão Vermelho. “Estou com os integrantes originais da banda remixando o disco, que virá com um grande ‘Kinder ovo’: uma canção inédita daquela época, que sabíamos da existência, claro, mas nunca lançamos”, antecipa sobre a faixa, que nunca foi batizada e cujo título ainda está sendo escolhido pelos integrantes.
O Barão, então, sairá em turnê — provavelmente a última da carreira do grupo — para festejar sua história, com direito a participação do baixista original, Dé Palmeira, e de quem mais desses 30 anos de estrada aparecer. “A gente adora o bundalelê de enfiar todo mundo no palco. A ideia é só fazer grandes apresentações, mas poderia rolar um show temático, só com as músicas daquele disco, no Circo Voador”, vislumbra Frejat. LSM (foto: Fernando Souza)
Os olhos do cantor, compositor e guitarrista Roberto Frejat brilham que nem criança ao contar as recentes experiências musicais com os filhos, Rafael, de 15 anos, e Julia, de 12. Ele também está entusiasmado com o novo show ‘A Tal da Felicidade’ e com a volta do Barão Vermelho aos palcos este ano. Mas nem o projeto solo nem com a banda trazem novas canções. Isso tem rolado mesmo em família.
“Eles estão se interessando por música e é um grande barato tocar com eles. Fizemos uma canção juntos, os três”, começa, sorriso largo de pai coruja no rosto. “Fiz a melodia para uma letra que a Julia escreveu, chamada ‘Maria’, que dedicou para uma amiga dela. Gravamos, o Rafael tocou guitarra e baixo e a Julia cantou. Daí, eu queria colocar na Internet, mas ela vetou! Até a amiga Maria aprovou, mas a Julia pediu para não divulgar ainda”, conta, com certa frustração pelo veto da filha.
Enquanto a pequena se descobre letrista, Rafael já está caindo dentro da guitarra. O paizão, sempre atento e preocupado, acompanha de longe, sem interferir muito.
“A vida do músico é difícil. Eu não sou músico, sou artista!”, decreta. “O músico pode passar a vida toda tocando o que não gosta e com quem não gosta. Rafael ainda não disse se quer ser profissional. Hoje, é ainda mais difícil vencer nesta profissão do que na época em que comecei”, ensina.
Sobre esses velhos tempos, os anos 80, Frejat reclama que a história da década ainda não foi bem contada, e anuncia que um dia gostaria ele mesmo de expor sua versão dos fatos.
“Aquela década é subestimada por muita gente. Sempre fazem uma visão muito simplista e boba, e tem muita coisa interessante que é colocada de lado. Fãs e amigos vivem pedindo para eu contar minhas memórias. Preciso começar a gravar as histórias para não esquecer. Aí, um dia dou as fitas para uma pessoa escrever e depois reviso”, planeja o músico, digo, artista, quase cinquentão (completa 21 de maio). “Ainda é cedo, até porque eu acho que uma pessoa de 50 anos não pode escrever livro de memórias. Parece que a pessoa está sem memória! Isso se faz aos 70, 80 anos”.
Impressão, ou foi uma provocação com o contemporâneo Lobão, que lançou a sua biografia em 2010? “Não! O livro do Lobão eu comprei, mas ainda não li. É um best seller, então deve ser muito bom”, esquiva-se.
Enquanto não revisa o passado, Frejat se atualiza com o presente. Recentemente lançou site e entrou no Twitter e Facebook. “Só não ouvi ainda o sucesso do momento, do Michel Teló. Mas toda música boa tem um refrão forte. Por isso, não acho ‘Ai Se Eu Te Pego’ menor que ‘Aquele Abraço’, do Gil”, compara.
‘ESTOU CANTANDO CADA VEZ MELHOR’
A parceria em família continua no novo show solo de Frejat: o filho Rafael está escalado para dar uma canja com o pai. Desde que gravou no disco que Frejat lançou em 2008, ‘Intimidade Entre Estranhos’, até o Rock In Rio, ano passado, o garoto vive dando uma palinha. O repertório de ‘A Tal da Felicidade’ é um grande baile, passeando pelos sucessos de sua carreira, desde o Barão Vermelho, até clássicos de Tim Maia, Erasmo Carlos, Gilberto Gil e Caetano Veloso, além de ‘A Felicidade Bate à Sua Porta’, de Gonzaguinha, primeiro sucesso das Frenéticas e que dá nome ao show.
“Gosto muito de cantar músicas de outras pessoas. É um show de intérprete e, na boa, modéstia à parte, estou cantando cada vez melhor”, gaba-se Frejat.
Pouco a pouco, bancando do próprio bolso, ele vem gravando essas canções antigas que selecionou para a apresentação. “Isso pode virar um disco, mas por enquanto a ideia é liberar na Internet”, conta, ressaltando que também vem compondo inéditas com amigos como Luiz Melodia e Jards Macalé. Este, prepara um disco relendo a obra de Nelson Cavaquinho, que o próprio Frejat vai coproduzir com Arlindo Cruz.
Passado o show de covers,o foco vai para a celebração, a partir de maio, dos 30 anos do lançamento do primeiro disco do Barão Vermelho. “Estou com os integrantes originais da banda remixando o disco, que virá com um grande ‘Kinder ovo’: uma canção inédita daquela época, que sabíamos da existência, claro, mas nunca lançamos”, antecipa sobre a faixa, que nunca foi batizada e cujo título ainda está sendo escolhido pelos integrantes.
O Barão, então, sairá em turnê — provavelmente a última da carreira do grupo — para festejar sua história, com direito a participação do baixista original, Dé Palmeira, e de quem mais desses 30 anos de estrada aparecer. “A gente adora o bundalelê de enfiar todo mundo no palco. A ideia é só fazer grandes apresentações, mas poderia rolar um show temático, só com as músicas daquele disco, no Circo Voador”, vislumbra Frejat. LSM (foto: Fernando Souza)
quinta-feira, 5 de janeiro de 2012
O capitão do time do Chico
Maestro de Chico Buarque, Luiz Claudio Ramos é quem dá os passes na banda do cantor
Dentro das quatro linhas do palco de Chico Buarque, ele é o capitão. O violonista Luiz Claudio Ramos, desde os anos 70, é parceiro musical do cantor e compositor e, em shows e gravações, dá os passes e marca os gols como arranjador e produtor musical. Que Chico é um craque da canção, todo mundo sabe — e confere seu talento na nova turnê, a partir de hoje, no Vivo Rio —, assim como também é conhecida sua paixão pelo futebol. Mas, afinal, ele é bom mesmo, ou, como jogador, não é mais que um bom músico?
“Ele gosta de jogar, né?”, desconversa, rindo, Luiz Claudio Ramos, 62 anos, ex-atacante do Polytheama, time do qual Chico Buarque é o cartola. “A gente vive se sacaneando, porque ele é Fluminense e eu, Vasco. Olha, bom de bola mesmo são o Carlinhos Vergueiro e o Eri Johnson. Agora eles mudaram os horários da pelada: sob o sol de meio-dia não dá mais para mim. Mas eu sou artilheiro!”, gaba-se.
Parece coisa de jogador mascarado, mas uma contusão deixou o músico preocupado nestes últimos dias. “Machuquei o dedo mindinho da mão esquerda, justamente jogando bola, mas vai ficar tudo bem para o show”, garante Ramos, evitando usar o dedinho ao dedilhar seu violão.
O maestro do Chico não é chegado a ficar no banco: gosta de ir para campo: “Eu o entendo, é muito requisitado, e suas apresentações são raras, mas eu soltei fogos quando ele resolveu ir para a estrada!”, comemora.
Chico, com a serenidade digna de um técnico de futebol, se explica: “Não queria pensar em fazer turnê enquanto estava gravando o novo disco, não queria me comprometer com datas. Depois, então, fiquei com vontade de cantar as músicas ao vivo. A partir daí, me juntei com o Luiz Claudio Ramos para reunir outras antigas também para o repertório”, detalha. “O show tem desde ‘Sonho de Carnaval’, minha primeira música gravada, de 1965, até as mais recentes, e algumas que nunca cantei ao vivo, como ‘Geni’. Quando vi, o repertório tinha muitas canções cantadas no feminino. Até sugeri ao figurinista que eu me vestisse de saia no palco”, brinca Chico Buarque.
‘ELE FEZ O DISCO TODO PRA ELA’
Boa parte da nova leva de letras de Chico Buarque, porém, é cantada no masculino e para conquistar uma menina em especial. “Ele fez o disco todo para a (cantora) Thais Gulin”, conta Luiz Claudio Ramos. “Ela é paranaense, de Curitiba, e esteve com a gente nos shows que fizemos lá”.
A nova turnê, que chega hoje à cidade, fica em cartaz por seis semanas no Vivo Rio, de quinta a domingo. LSM (foto: João Laet)
Dentro das quatro linhas do palco de Chico Buarque, ele é o capitão. O violonista Luiz Claudio Ramos, desde os anos 70, é parceiro musical do cantor e compositor e, em shows e gravações, dá os passes e marca os gols como arranjador e produtor musical. Que Chico é um craque da canção, todo mundo sabe — e confere seu talento na nova turnê, a partir de hoje, no Vivo Rio —, assim como também é conhecida sua paixão pelo futebol. Mas, afinal, ele é bom mesmo, ou, como jogador, não é mais que um bom músico?
“Ele gosta de jogar, né?”, desconversa, rindo, Luiz Claudio Ramos, 62 anos, ex-atacante do Polytheama, time do qual Chico Buarque é o cartola. “A gente vive se sacaneando, porque ele é Fluminense e eu, Vasco. Olha, bom de bola mesmo são o Carlinhos Vergueiro e o Eri Johnson. Agora eles mudaram os horários da pelada: sob o sol de meio-dia não dá mais para mim. Mas eu sou artilheiro!”, gaba-se.
Parece coisa de jogador mascarado, mas uma contusão deixou o músico preocupado nestes últimos dias. “Machuquei o dedo mindinho da mão esquerda, justamente jogando bola, mas vai ficar tudo bem para o show”, garante Ramos, evitando usar o dedinho ao dedilhar seu violão.
O maestro do Chico não é chegado a ficar no banco: gosta de ir para campo: “Eu o entendo, é muito requisitado, e suas apresentações são raras, mas eu soltei fogos quando ele resolveu ir para a estrada!”, comemora.
Chico, com a serenidade digna de um técnico de futebol, se explica: “Não queria pensar em fazer turnê enquanto estava gravando o novo disco, não queria me comprometer com datas. Depois, então, fiquei com vontade de cantar as músicas ao vivo. A partir daí, me juntei com o Luiz Claudio Ramos para reunir outras antigas também para o repertório”, detalha. “O show tem desde ‘Sonho de Carnaval’, minha primeira música gravada, de 1965, até as mais recentes, e algumas que nunca cantei ao vivo, como ‘Geni’. Quando vi, o repertório tinha muitas canções cantadas no feminino. Até sugeri ao figurinista que eu me vestisse de saia no palco”, brinca Chico Buarque.
‘ELE FEZ O DISCO TODO PRA ELA’
Boa parte da nova leva de letras de Chico Buarque, porém, é cantada no masculino e para conquistar uma menina em especial. “Ele fez o disco todo para a (cantora) Thais Gulin”, conta Luiz Claudio Ramos. “Ela é paranaense, de Curitiba, e esteve com a gente nos shows que fizemos lá”.
A nova turnê, que chega hoje à cidade, fica em cartaz por seis semanas no Vivo Rio, de quinta a domingo. LSM (foto: João Laet)
quinta-feira, 29 de dezembro de 2011
Os dez anos sem Cássia Eller são lembrados em CDs e documentário sobre sua vida
Mudaram as estações e nada mudou: dez anos depois, a lacuna deixada por Cássia Eller na música brasileira ainda não foi preenchida. Novas cantoras surgem aos montes no cenário, porém, desde sua precoce morte, vítima de infarto aos 39 anos, em 29 de dezembro de 2001, no auge da carreira, não apareceu nenhuma com voz tão marcante e poderosa, tamanho carisma, presença de palco e interpretações tão singulares. A década de saudade desta artista única já está sendo lembrada em diversos lançamentos, de CDs e DVDs a um documentário para o cinema.
Dirigido por Paulo Henrique Fontenelle e programado para o primeiro semestre de 2012, o filme, inicialmente batizado apenas de ‘Cássia’, já está sendo rodado. Esta semana, de Maceió, onde registrou a primeira vez que a banda da cantora voltou a se reunir depois de dez anos, ele contou, por telefone, que o longa vai revelar como era a cantora em sua intimidade, uma pessoa bem diferente da que ficou conhecida nos palcos.
“Estou entrevistando não só os amigos famosos, como Nando Reis, mas, principalmente, a equipe que trabalhava com ela nos bastidores. Me contaram que ela era supergenerosa, e tratava todo mundo como uma família. Os ‘roadies’ moravam na casa da Cássia, e ela repartia o cachê, todo mundo ganhava a mesma coisa”, descreve Fontenelle.
O diretor teve o aval de Maria Eugênia, companheira de Cássia, depois que o filho da cantora, Chicão, se declarou fã de seu primeiro filme, ‘Loki’, sobre Arnaldo Baptista. “Já estamos reunindo imagens fantásticas, caseiras, como o nascimento do Chicão e todo o crescimento dele, além de várias entrevistas que nunca foram ao ar”, adianta.
Fontenelle conta ainda que não planejava fazer outro documentário musical. “Queria fazer um filme policial, mas não dá para recusar quando se tem Cássia Eller como tema, não é?”, avalia.
No embalo dos dez anos sem Cássia, acaba de ser lançada a ‘Caixa Eller’ (R$ 150), com seus oito CDs de carreira e o DVD ‘Violões’, uma reunião de programas na TV Cultura entre 1990 e 1999. Também já está nas lojas o CD ‘As Canções Que o Nando Fez Pra Cássia Cantar’, que traz registros inéditos, como ‘Baby Love’, canção cortada do disco ‘Com Você... Meu Mundo Ficaria Completo’ (1999).
Além disso, deve vir por aí o DVD do projeto ‘A Luz do Solo’, registro de um show intimista no Rio, em 2001.
Existe ainda um CD inédito, com o guitarrista Victor Biglione, gravado há 20 anos, no qual ela canta clássicos do rock. LSM
‘DEU UM FLASHBACK DE ELIS’ - POR ROBERTO DE CARVALHO *
“Estava em Nova York, andando na rua, era uma tarde de muito sol e alegria, quando um dos meus filhos ligou e me contou da morte da Cássia. Foi um tremendo choque. Ela estava no auge, em um momento espetacular. Deu um tremendo flashback de Elis. Nos conhecemos no ensaio do ‘Acústico’ da Rita Lee. Ela era timidíssima! Um passarinho com voz de supersônico.
A música que mais me marcou de seu repertório foi ‘O Segundo Sol’, e o momento mais marcante foi o show dela no Rock In Rio, quando mostrou os peitos, que foi uma coisa de uma força simbólica inacreditável, um glimpse de Macunaíma na era do maracatu atômico. Cássia Eller era uma menina de ouro num país de cantoras predominantemente caretas, que em geral seguem um modelo dondoca dos anos 70. A Cássia era um alento, uma coisa rock ’n’ roll, a única que poderia de alguma maneira ter dado sequência a uma tradição da qual a Rita é a sacerdotisa máxima, da artista mulher que vai do rock em direção ao pop, passando pela MPB, soando autêntica em qualquer uma dessas praias”.
* Roberto de Carvalho é guitarrista e compositor
Colaborou Guilherme Scarpa
quarta-feira, 21 de dezembro de 2011
Depois de CD com Paulo Ricardo, Toquinho grava com Ivete Sangalo e Zeca Pagodinho
Aos 65 anos, Toquinho está cada vez mais surpreendente. Não exatamente por novas belas melodias, harmonias e canções ou pelo talento ao violão. Conhecido, principalmente, pela brilhante parceria com o poeta Vinicius de Moraes, o cantor, compositor e instrumentista vem ‘causando’ pela aproximação com artistas, em princípio, bem distantes de seus conhecidos caminhos musicais.
Ainda este ano, Toquinho lançou um CD em homenagem a Vinicius. Até aí, tudo bem, não estivesse o tributo repleto de arranjos eletrônicos e com vocais de... Paulo Ricardo, do RPM. Agora, depois de oito anos sem lançar material inédito, ele volta ao ofício com ‘Quem Viver, Verá’, e chama a atenção por impensáveis duetos com Ivete Sangalo e Zeca Pagodinho.
“Gosto de diferentes estilos, sempre ouvi de tudo, do balanço do Jorge Ben, com quem compus meu primeiro sucesso (‘Que Maravilha’, de 1968), ao rock do Elvis Presley”, defende-se Toquinho.
Com Ivete, ele se entregou ao frevo em ‘Quero Você’. Zeca, por sua vez, nem quis saber da nova safra de canções, preferindo passear por território conhecido. “Ivete ficou muito entusiasmada quando falei que fiz uma música que achava a cara dela. Para o Zeca, ofereci outra inédita, ‘Meu Canto’, que também achei muito parecida com o estilo dele. Liguei, convidando, só que ele, bem do seu jeito, disse que queria porque queria cantar ‘Regra Três’. Eu até insisti, mas ele não quis saber de música nova”, relata, às gargalhadas.
A paixão pelos clássicos de sua parceria com Vinicius de Moraes, registre-se, não é exclusividade de Zeca Pagodinho. “É verdade, ninguém se cansa de ouvir, essas canções foram muito marcantes”, assume Toquinho. “Quando Vinicius morreu, em 1980, o primeiro telefonema que recebi foi da minha mãe, perguntando: ‘Meu filho, o que vai ser de você agora?’. Mas considero que consegui fugir um pouco desta sombra. O meu maior sucesso, por exemplo, é ‘Aquarela’, lançada em 1983”, avalia. LSM
Ainda este ano, Toquinho lançou um CD em homenagem a Vinicius. Até aí, tudo bem, não estivesse o tributo repleto de arranjos eletrônicos e com vocais de... Paulo Ricardo, do RPM. Agora, depois de oito anos sem lançar material inédito, ele volta ao ofício com ‘Quem Viver, Verá’, e chama a atenção por impensáveis duetos com Ivete Sangalo e Zeca Pagodinho.
“Gosto de diferentes estilos, sempre ouvi de tudo, do balanço do Jorge Ben, com quem compus meu primeiro sucesso (‘Que Maravilha’, de 1968), ao rock do Elvis Presley”, defende-se Toquinho.
Com Ivete, ele se entregou ao frevo em ‘Quero Você’. Zeca, por sua vez, nem quis saber da nova safra de canções, preferindo passear por território conhecido. “Ivete ficou muito entusiasmada quando falei que fiz uma música que achava a cara dela. Para o Zeca, ofereci outra inédita, ‘Meu Canto’, que também achei muito parecida com o estilo dele. Liguei, convidando, só que ele, bem do seu jeito, disse que queria porque queria cantar ‘Regra Três’. Eu até insisti, mas ele não quis saber de música nova”, relata, às gargalhadas.
A paixão pelos clássicos de sua parceria com Vinicius de Moraes, registre-se, não é exclusividade de Zeca Pagodinho. “É verdade, ninguém se cansa de ouvir, essas canções foram muito marcantes”, assume Toquinho. “Quando Vinicius morreu, em 1980, o primeiro telefonema que recebi foi da minha mãe, perguntando: ‘Meu filho, o que vai ser de você agora?’. Mas considero que consegui fugir um pouco desta sombra. O meu maior sucesso, por exemplo, é ‘Aquarela’, lançada em 1983”, avalia. LSM
terça-feira, 8 de novembro de 2011
O ‘Clube da Esquina’ de Lô Borges e seus amigos
Com apenas 17 anos de idade, o cantor e compositor mineiro Lô Borges foi convidado pelo carioca (mas mineiro de coração) Milton Nascimento para gravar, no Rio de Janeiro, seu primeiro disco. O lançamento se tornaria um dos mais clássicos da história da música brasileira: nada menos que o badalado ‘Clube da Esquina’, de 1972. O álbum trazia ainda outros ‘sócios’ daquele clube musical, como Beto Guedes e Toninho Horta. Quase 40 anos depois, Lô Borges dispara um novo CD, o recém-lançado ‘Horizonte Vertical’, repleto de amigos, como Samuel Rosa (Skank), Fernanda Takai (Pato Fu) e o próprio Milton Nascimento, que cantam em diversas canções.
“As pessoas têm falado que esse é o meu ‘Clube da Esquina’, mas eu não posso classificar o disco assim. O ‘Clube’ é um projeto original do Milton, hierarquicamente é um lance dele. Neste novo CD, reuni pessoas que acho interessantes, mas não tem a intenção de ser um ‘Clube do Lô’. Se quiserem chamar assim, tudo bem, mas eu não posso”, descarta o músico, cheio da peculiar mineirice.
Além dessa turma citada, há ali, entre os convidados mais populares, uma pessoa tão ou mais especial, que contribuiu com diversas letras para suas melodias e acordes. É, Lô Borges está apaixonado. “A Patrícia Maês, escritora e musicista, era ainda minha namorada quando começamos nossas parcerias”, derrete-se o cantor. “Agora estamos casados, ela é de São Paulo, mas consegui trazê-la para morar comigo em Belo Horizonte. Já temos várias outras músicas juntos”.
Além da parceria conjugal, a fraterna, com o amigo Samuel Rosa, é a que deve render mais que as canjas no álbum. “Tenho uma história musical com ele desde 1999. Fizemos dezenas de apresentações do show em dupla ‘Lô Borges & Samuel Rosa’, e isso ainda pode virar um DVD ou um CD de inéditas. Só depende da agenda do Skank”, anuncia Lô. LSM
“As pessoas têm falado que esse é o meu ‘Clube da Esquina’, mas eu não posso classificar o disco assim. O ‘Clube’ é um projeto original do Milton, hierarquicamente é um lance dele. Neste novo CD, reuni pessoas que acho interessantes, mas não tem a intenção de ser um ‘Clube do Lô’. Se quiserem chamar assim, tudo bem, mas eu não posso”, descarta o músico, cheio da peculiar mineirice.
Além dessa turma citada, há ali, entre os convidados mais populares, uma pessoa tão ou mais especial, que contribuiu com diversas letras para suas melodias e acordes. É, Lô Borges está apaixonado. “A Patrícia Maês, escritora e musicista, era ainda minha namorada quando começamos nossas parcerias”, derrete-se o cantor. “Agora estamos casados, ela é de São Paulo, mas consegui trazê-la para morar comigo em Belo Horizonte. Já temos várias outras músicas juntos”.
Além da parceria conjugal, a fraterna, com o amigo Samuel Rosa, é a que deve render mais que as canjas no álbum. “Tenho uma história musical com ele desde 1999. Fizemos dezenas de apresentações do show em dupla ‘Lô Borges & Samuel Rosa’, e isso ainda pode virar um DVD ou um CD de inéditas. Só depende da agenda do Skank”, anuncia Lô. LSM
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